Um novo amanhecer

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Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 24, 2017 8:34 pm

O dia seguinte amanheceu chuvoso. O céu parecia estar de mal-humor. Portland parecia estar mal-humor.

Segundas-feiras...

Uma vez no hospital. West teve alguma burocracia para lidar: registro no RH, confecção de crachá, estabelecimento de turnos, essas coisas. Mas depois de coisas de uma hora e meia, estava devidamente trajado em seu jaleco branco, com crachá, e apto a andar pelo Mercy sem chamar atenção.

Quando passou no quarto 23, a enfermeira Rockwell estava lá, trocando as bolsas de soro. Hannah dormia (agora não parecia sedação), e num andaime ao lado da cama, estava uma bandeja com os restos de uma refeição. Ou melhor, com pratos e talheres limpos, raspados. Ao lado destes, alguns envelopes que pareciam conter exames. A enfermeira se limitou a olhar por sobre os ombros, e depois de notar que era West, voltou a seus afazeres, que encerrou depois de poucos segundos. Voltou-se então para o médico, e disse:

- "O quadro da menina está estável. Ela comeu bem, aliás, com voracidade até, o que é estranho para uma crackuda. Está com sífilis, mas não apliquei nenhum antibiótico. Por sorte, os exames deram negativo para outras DST. O feto parece estável, mas me pareceu que a ultrasonografia apontou algumas má-formações cerebrais. Achei melhor não confirmar porque a Dra. Brown, obstreta de plantão, é muito certinha e ia querer saber de quem era essa ultra. De resto, os toxicológicos deram limpo. Uma pequena anemia, mas isso não é estranho, dado o estado de desnutrição."

Falava de uma forma bastante mecânica. e continuou da mesma forma.

- "Apesar de não haver grandes traumas, um exame ginecológico mais próximo torna óbvio que a garota sofreu abuso. Se a polícia descobrir isso, o Sr. estará em maus lençóis. Na quarta, a equipe de construção volta para terminar o quarto. Creio que seria bom essa menina estar fora daqui até lá. Meu plantão termina em meia hora. Tenha um bom dia, Dr. West."

E se retirou do quarto, deixando West sozinho.

Nesse momento, seu celular tocou. Havia uma mensagem, enviada pelo seu número de contato com os Falcone:

- "Boca-de-Cabêlo vai visitar o senhor agora pela manhã. Esteja no necrotério."


Última edição por The Oracle em Sex Jun 09, 2017 5:31 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Sab Mar 25, 2017 10:45 am

Ao contrário de Portland, Oliver acordou muito bem humorado, e bem antes do dia clarear. Quatro e meia da manhã, como sempre fazia no mosteiro. Só que dessa vez, ele não foi esvaziar latrinas e limpar o pátio na frente do claustro, como de costume, embora também pretendesse começar o dia com uma limpeza. 
  Ele rapidamente juntou suas coisas, entregou a chave para o recepcionista do pequeno hotel e pagou sua noite. Aproveitou para mostrar o endereço da casa de Emma e perguntar:

- "Ei, bom dia. Esse lugar fica muito longe daqui?"

  Tendo recebido sua resposta, Oliver chamou um taxi e seguiu para a casa de Emma. Encontrasse uma loja de conveniência, dessas que ficam em postos de gasolina e abrem 24 horas, Ele pararia rapidamente para comprar um esfregão, um balde, um pano de chão e alguns produtos de limpeza.

  Armado com os equipamentos necessários para sua tarefa, Oliver parou na frente da casa de Emma. O lugar parecia caído mesmo. Ia dar trabalho. Mas Oliver estava radiante e mais do que disposto a perder algumas horas esticando os músculos e pensando no convite de Granger. Outra perspectiva de limpar o lugar é que ele poderia conter Informação sobre Brenda. Ao pensar nisso, o jovem akasha ficou um pouco mais sério, mas só por um momento. Quando bateu na porta da frente da casa de Emma, apoiava o cabo do esfregão nos ombros, com o balde pendurado nele e os produtos de limpeza dentro do balde. No rosto, aquele sorriso largo e infantil:

  "Bom dia. A equipe de limpeza chegou. Posso começar?".
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Emma Woolf em Sab Mar 25, 2017 7:31 pm

A porta demorou para ser aberta, mas quando Emma apareceu ali, atrás dela, tinha a testa franzida levemente: estava arrumada, nada deslumbrante, mas era nítido que não pretendia passar a manha em casa. Ela tinha marcado com Oliver logo cedo? Não se recordava, de verdade, de ter dito nada ao jovem. Agora, ela vestia-se mais próximo ao estilo ‘hippie’ que todos lhe apontavam ter; sua blusa era de mangas longas e folgadas, num colorido extrovertido e sua saia era uma saia rodada e longa, num amarelo vivo. Tinha um grande lenço no cabelo, que o prendia num ‘quase rabo-de-cavalo’.


“- Oliver...” - Disse Emma, pensando a respeito daquela informação nova no seu dia. “- Eu prometi que encontraria meu irmão hoje cedo. Faz oito anos que não nos vemos e mal tivemos tempo para conversar.” - Explicou, com a voz mansa que tinha; parecia menos incomodada ou irritada do que a noite anterior. “- Mas de qualquer forma, é bom que tenha vindo. Há algo que preciso mostrar para ele e você poderá ver, também.” - Comentou, dando uma olhada no balde, e franzindo o cenho, uma vez mais.


“- Deixe essas coisas aí...” - Disse, apontando para os produtos de limpeza. “- Podemos usar a água reciclada do banho para limpar a casa e incenso para produzir perfumes no ambiente… Essas coisas fazem mal ao meio ambiente, não gosto de usá-las. Ponha o balde e o esfregão aqui dentro, eu vou pegar minha bolsa.” - Comentou, deixando a porta aberta enquanto se afastava na direção da bolsa deixada em uma cadeira. “- Estou sem luz, então não pude fazer muita coisa ontem, preciso ver se Elliot consegue que se estabeleça a luz novamente aqui e outras burocracias que devem haver a respeito da casa. Mas encontrei umas coisas interessantes, podemos discutir a respeito quando chegarmos à presença dele.” - Ela falava com calma, enquanto pegava suas coisas e rumava para a saída. “- Prefiro que você não fique sozinho aqui, uma porque Vaýu precisa descansar, ele teve uma noite agitada, outra por que pode chamar a atenção, já que você nunca esteve aqui antes, diferente de mim.” - Existiam outros motivos, também, é claro, mas não precisava expô-los no final das contas.



Ela andou até a porta e esperou que Oliver a acompanhasse para que pudesse trancar a porta. “- Não esperava vê-lo cedo desse jeito, tenho que admitir. Há muitas coisas que preciso tratar com meu irmão, como você deve imaginar. Achei que você viria mais tarde.” - O tempo mal encarado não parecia incomodá-la, Emma começou a andar – não pretendia usar o carro, até porque tinha pouco dinheiro para por combustível. “- Achei que estaria com a garota no hospital, já que se prontificou a ficar de olho.” - Comentou a loira, dando de ombros levemente.


Se calou, enquanto andava e eles andaram cerca de quarenta minutos, sem que ela parecesse se incomodar com o fato, Emma às vezes parecia meio ‘aleatória’, mas era apenas o modo como ela reagia ao mundo ao seu redor, ela cumprimentava as pessoas na rua – era um costume de onde viera, afinal – e parecia sempre bastante disposta a ajudar o outro; tinha parado algumas vezes no caminho para fazê-lo, por exemplo.


Quando finalmente chegaram ao ponto de encontro, ela parou, esperando que o irmão aparecesse.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Sab Mar 25, 2017 11:44 pm

Por que as coisas nunca seguem como o planejado?

  Oliver, no espírito da boa vontade, tentou dar um passo na direção certa, em busca da boa convivência, mas é claro que não seria moleza, não é? No entanto, pelo lado bom, parecia que Emma queria discutir algo sério com ele e isso só podia ser uma coisa: Brenda. Sendo assim, como não devemos nos afligir com aquilo que não pode ser controlado, Oliver tentou levar tudo na boa, o que não foi difícil, já que estava com um humor e tanto.
  Sendo assim, ele limitou-se a balançar a cabeça afirmativamente e seguir Emma. No caminho, ele seguiu calado, por uma caminhada que lhe pareceu realmente rápida. Quando Emma finalmente parou, o que provavelmente indicava que eles haviam chegado ao destino planejado, ele disse:

- "Quarta feira alguns magos vão estar em um bar de Salsa, seja lá o que for isso. Me disseram pra convidar você e West".
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Dom Mar 26, 2017 1:52 pm

Dr. Faust West com pressa, era engraçado – ele usava frases mais curtas, mas como estas frases mais curtas não se adequavam a seus altos níveis de exigência, ele as complementava com outras frases ainda mais curtas, o que resultava em uma fala levemente embolada, com excesso de pausas, durante as quais o médico olhava para o nada, re-avaliando o que havia acabado de dizer, e então completava a informação de novo, até estar devidamente satisfeito. Na prática, o doutor contou tudo para o próprio mentor – contou da visão de Oliver, contou da decisão de ir até o orfanato, de como a Cultista havia ficado do lado de fora e de tudo o que havia ocorrido lá dentro. A única coisa que omitiu – não por tentar esconder, mas por simplesmente não achar importante – foram os atritos sociais entre os membros da recém formada cabala.

Enquanto ia falando, Faust movia-se ao redor do tubo da esposa, desviando-se de algumas caixas que ainda estavam espalhadas aqui e ali e conferindo os sensores, os monitores, os aparelhos, enfim. Fazia aquilo com muito cuidado, com muito esmero – com muito amor.

Quando por fim terminou o check-up, pouco depois de Frank chegar – na verdade, enquanto este falava – West continuou a mover-se pelo laboratório, ajeitando as coisas, procurando pela caixa certa onde estavam os objetos necessários para o preparo de sua solução energética. Quanto a esta, por sinal, chegou a perguntar se Dr. Max não queria uma amostra – talvez pudesse aperfeiçoá-la?

Ouvindo a notícia sobre Chas não ter feito nada – ao menos não obviamente, Dr. West ficou mais tranquilo. Aquilo era um bom sinal, por que significava que, em primeiro lugar, não haviam interferências nos espécimes que queria investigar e, em segundo lugar, mostrava que talvez estivesse superestimando o gênio de Elliot. Eram informações úteis, no fim das contas. Mas muito mais interessante do que aquilo foram as informações passadas por Dr. Max sobre o orfão – aquilo era muito, muito, muito interessante. Tão interessante que, para ouví-las, West parou de se mexer.

“ - Ele não parece muito poderoso. O que os impede de realizar algum rito pontual que verifique o estado de seu avatar?” – questionou, não como afronta, mas curioso. Diante da última parte, ele fez uma pausa, antes de listar: “ - Maquiavélico, sádico, eficiente. Tem interesses pessoais ainda não revelados nesta história, alguns indícios de algum nível de complexo incestuoso com a irmã. Me parece pouco preocupado em parecer humano, para um Nephandus.” – pausou. “ - Por falar na Srta. Woolf, ela me disse que pessoas como eu foram responsáveis pela ruína de sua família.” – comentou, com tamanho distanciamento emocional que nem parecia estar falando de si mesmo. “ - Sabe me dizer qual a história por trás disso?”

Antes de ficar sozinho para focar-se em organizar os livros que precisaria, mandar as mensagens que precisava – e gastar pelo menos trinta minutos conversando com Eliza, como sempre fazia, West também disse a Dr. Max que tinha a impressão de que seus dias seriam sempre muito corridos, mas que achava que seria apropriado se marcassem um horário para discutir de forma mais aprofundada aquelas questões e outras que certamente surgiriam.

[…]

A cidade desperta, mas não Dr. Faust West – ele apenas acerta a própria posição em meio aos ritmos e as frequências de uma Portland de céus mau humorados. Faust tinha algum prazer pessoal em observar a cidade amanhecendo, a forma como as ruas iam enchendo – enquanto o taxi o levava para o hospital, ainda na escuridão, o mago permitiu-se um filete de frustração humana, pensando que preferia poder acompanhar o despertar de seu primeiro dia na cidade na rua, e não trabalhando. Mas foi apenas um filete, e apenas por um momento: Dr. West não era o tipo de pessoa que tinha tempo para aquele tipo de sentimento.

Por outro lado, o bom de chegar super cedo no hospital foi que quando terminou o processo burocrático – que, apesar de chato, tinha uma certa beleza em sua ordem e previsibilidade – o dia ainda estava mal começando. Ele não se incomodou em se apresentar para os colegas, ou fazer social com as enfermeiras. Em toda sua vida, sua reputação sempre havia sido criada com base em sua eficiência, não em seu carisma, e não era agora que aquilo iria mudar.

Foi-se, então, para o Quarto 23. Estava particularmente interessado por Hannah. Ela havia sido praticamente erguida dos mortos com um único toque do Profeta Samuel – era um trapo humano desfeito em fezes, dor e morte em vida, e depois… Ainda era um trapo humano, mas estava melhor. Maior. Não era mais morte em vida. Não tanto, não naquele estado. E em algum lugar no corpo daquela menina, em suas células, em seu padrão, em suas memórias, em sua alma, na mais profunda essência do âmago de seu ser, estava uma pista. Uma peça do quebra cabeça. E ele a encontraria.

Dr. West entrou no quarto e cumprimentou a Enfermeira Rockwell como um aceno de cabeça e um “bom dia” mecânico, observando os pratos limpos. Aproximou-se de Hannah e, com cuidado para não acordá-la, moveu a camisola para que pudesse observar os hematomas em suas costelas. Meneou a cabeça, anotando a informação, e cobriu-a novamente com a roupa e, depois, com o lençol.

Foi a tempo, então, de virar-se para a enfermeira e ouvir o que ela dizia. Ia menenando a cabeça, silenciosamente, absorvendo as informações que ela dizia. Respondeu apenas com um “Muito obrigado, Sra. Rockwell” , polido mas mecânico, e deixou que ela se fosse, antes de se aproximar dos exames. Aquilo era muito curioso – aparentemente, o grande feito mágiko do Profeta havia limpado-a apenas do crack, e de mais nada. Seu bebê ainda era um vegetal, ela ainda era anêmica, seus ferimentos ainda estavam presentes….

Era interessante, muito interessante. West estava indo pegar os exames para olhá-los com mais atenção, enquanto a mente trabalhava sobre o futuro de Hannah e de seu filho, quando ouviu o celular vibrar. Leu a mensagem, enviou uma confirmação de recebimento simples, e deletou o SMS. Pelo visto, a policial que o havia visitado não era uma qualquer, no fim das contas.

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Com o exame em mãos, West moveu-se para o necrotério, onde daria continuidade a seus planos para a manhã: primeiro, o trabalho pericial que lhe era obrigatório. Depois, as informações, e depois, o estudo. No meio tempo, daria atenção a Boca de Cabelo quando este aparecesse.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Seg Mar 27, 2017 12:36 am

Quando Emma e Oliver pararam, estavam diante de um pequeno e simpático café. A fachada do local transmitia um clima alegre, contrastando com o aspecto casmurro que o próprio clima parecia trazer em seu semblante.

Bard Coffee:




O local estava um tanto movimentado, com algumas pessoas pegando seus cafés e donnuts para viagem e seguindo para sua rotinas, e alguns podendo fazer uma refeição com mais calma, sentados nas mesas do local.

Emma, de alguma forma, sabia que seu irmão já estava ali, e depois de procurar por alguns segundos, o localizou numa das mesas mais ao fundo. Trajava calças e camisa sociais, com o colarinho aberto, gravata frouxa e mangas dobradas, e calçava sapatos que pareciam bastante caros. O mesmo sobretudo marrom-claro e chapéu de feltro da noite anterior  Lia um jornal, e sobre a mesa, repousavam uma chícara de chá, e uma cesta com um brioche comido pela metade. Fumava também, exatamente embaixo de um sinal de "proibido fumar".

Elliot Ward:

O Bard estava meio cheio, mas as mesas ao redor de Elliot estavam vazias. Quando os magos se aproximaram, notaram um daqueles pequenos totens amarelos de "CUIDADO - Piso Molhado" ali, mas não havia nada molhado no chão.

Quando notou a aproximação dos dois, dobrou o jornal, apagou o cigarro na chícara, e deu um sorriso.

- "Fico feliz de você estar andando por aí com Ollie, mana. Esse sujeito é uma máquina de dar porrada, você tinha que ver ontem! Me sinto mais seguro. Sentem. Ollie, você toma café conosco, e depois mete o pé, ok? Temos um monte de assuntos de família pra tratar, sabe como é. Mas depois, seria bom nos encontrarmos, pra tentar entender tudo de ontem a noite, e tentar mexer nossas bundas pra achar a tua irmã. Eu sei como é procurar um parente perdido. Simpatizo contigo, rapaz. Mas vamos pedir! Os brioches daqui são de arrasar, vocês tem que experimentar!"
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Seg Mar 27, 2017 9:57 am

Uma boa cafeteria era tipo o céu para Oliver, assumidamente louco por café. O jovem akasha tomou raiva de chá enquanto vivia e treinava no ninho de dragão, porque era o mais perto que ele tinha de uma boa xícara de café e isso ainda estava muito longe. Como viu Elliot logo de cara, entrou na cafeteria e, no caminho até a mesa dele, parou para pedir um expresso duplo ultra master fucking triplo carpado nervoso cafeinado e sem açúcar, com um pãozinho qualquer para acompanhar. Depois disso, cumprimentou Elliot com um tapinha informal no ombro. A simpatia que o irmão de Emma parecia nutrir por ele era recíproca. Para Oliver gostar de alguém de cara, bastava que esse alguém fosse prático e despretensioso. Ele se sentou na mesinha e disse:

- "Ei cara, para com isso. Aqueles caras fizeram a maioria do trabalho por mim", disse Oliver, divertido, se referindo aos seus três adversários da noite passada. "Não se preocupe, eu estou de passagem e não pretendo ficar entre vocês e seus assuntos de irmãos, mas, se isso faz você se sentir melhor, eu dou cobertura para a Emma aqui enquanto estiver na cidade. É quase que uma necessidade, caso essa coisa de cabala vá para frente. Temos que cuidar uns dos outros".

  Quando seu nome foi chamado, Oliver foi rapidamente buscar seu pedido, voltou e começou a apreciar seu café. Após dar uma mordida em seu pão, ele olhou de Elliot para Emma e completou:

- "Na verdade, eu estou aqui justamente porque Emma quer nos revelar algo sobre a questão da minha irmã. Isso e para extender um convite que me fizeram. Vai ter um pessoal em um bar de salsa, seja lá o que isso for e a Granger me pediu para convidar todo mundo. Que tal?".
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Emma Woolf em Seg Mar 27, 2017 10:32 am

Quando Emma entrou, não demorou muito para localizar o irmão e suspirou de leve, observando a cena por um instante, ela moveu-se na direção dele, desviando-se cuidadosamente das pessoas presentes. Quando finalmente pararam frente ao Órfão, Emma voltou seu olhar muito brevemente na direção de Oliver, ouvindo o que Elliot falava.


“- Não seja tão rude com ele.” - Falou Emma, enquanto se inclinava na direção do irmão e retirava o chapéu de sua cabeça: para os ingleses, era terrivelmente mau educado mantê-los à mesa e a irmã parecia ainda ter alguns traços desses costumes. Ela se inclinou uma vez mais, para lhe dar um ‘meio abraço’ usando apenas um dos braços e lhe deu um beijo no rosto, antes de sussurrar um ‘estou tão zangada com você’, numa voz mansa que mais parecia uma piada dizer-lhe aquilo, então finalmente se sentou.


Deixou que os dois falassem à vontade enquanto ela abria a bolsa e procurava as coisas lá dentro, quando Oliver finalmente terminou de falar, Emma voltou os olhos para Elliot. “- A casa está sem luz, você sabe como posso resolver isso?” - Perguntou, retirando um pequeno livreto da bolsa e deixando sobre a mesa. Ela pediria um chá, como sempre preferia, ainda que talvez sequer fosse tomá-lo.


“- Eu achei o que parece um diário da Phill, mas não tive tempo de ler tudo, apenas uma página, estava escuro e eu estava bastante cansada.” - Falou, enquanto abria o diário e ia para a página que tinha marcado, com uma leve dobradura na orelha da folha. “- Ela diz que sua irmã foi adotada, mas não cita nomes e duvido que haja mais informações a respeito, pelo menos no diário, pois parece algo bem pessoal.” - Continuou. “- Porém deve haver algum registro sobre adoções, então o mais lógico é buscar onde conseguir essas informações. Elliot ou West talvez possam ajudar.”


Ela então entregou o diário aberto para Elliot, na página que estava marcada. “- Leia.” - Disse, e esperaria o irmão terminar de ler, para então entregar a foto que segurava. “- Ontem, enquanto estávamos indo para o orfanato, eu tive uma ideia que pretendia pôr em execução hoje, e isso apenas reforçou minha vontade. Vaýu ontem me disse que Phill tinha medo de mim, e acredito que seja por causa… Dessas coisas aí. Essas coisas de irmão, que ela cita.”


Pausa, esperaria Elliot devolver o diário para guardar a foto dentro de novo. Respirou fundo.” - Quero ir à biblioteca, pesquisar jornais antigos, artigos sensacionalistas, essas coisas, você pode me ajudar procurando na internet, pois não sou boa com isso, coisas que podem ter falado ou suspeitas sensacionalistas que podem ter levantado a cerca do orfanato. Podemos achar algumas respostas no meio das besteiras, se soubermos como procurar.”


Outra pausa, enquanto o chá lhe era servido. Esperou que a pessoa se afastasse. Parecia pronta para falar alguma coisa mais, porém se calou.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Ter Mar 28, 2017 8:39 pm

Elliot pegou o diário, e leu, a página que lhe era indicada. Deu espaço para Oliver ler também. Sua testa franziu durante a leitura, e ele abaixou o diário, e pareceu que ia falar algo para Emma, quando casualmente virou a foto, e seus olhos se arregalaram. Ele olhou para aquilo por uns dois segundos, e em seguida a colocou, bem devagar, sobre a mesa, com a figura virada para baixo. Então, mecanicamente, pegou seu sobretudo sobre a cadeira, se levantou e saiu da cafeteria a passos largos. Murmurava: "holy fuck, holy fuck, holy fuck..." enquanto fazia isso.


Se saíssem da cafeteria, o encontrariam com uma das mãos encostada na parede externa, na esquina, com o rosto lívido, cabeça baixa, respirando fundo, como alguém que está prestes a vomitar, mas tentando segurar.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Emma Woolf em Qua Mar 29, 2017 9:59 am

Emma arqueou muito de leves uma das sobrancelhas, quando Elliot se levantou daquela maneira, a loira olhou para Oliver, com ares de duvida a respeito do que estava acontecendo. Ok, a foto não era a mais animadora de todas... Mas...?

Ela fuçou a bolsa, atrás de dinheiro para pagar a conta, antes de pegar o chapéu do irmão e sair atrás dele. Ela parecia meio desorientada com tudo aquilo, quando se aproximou dele, inclinando-se para olhá-lo.

"- O que aconteceu?"
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qua Mar 29, 2017 10:08 am

Justo quando Oliver estava prestes a perguntar quem era a pessoa que escrevera o diário e falara com tanta familiaridade sobre a sua irmã, Elliot surtou. É claro que página no diário também levantou algumas outras questões, mas, vamos lá, uma coisa de cada vez. Oliver olhou para Emma de volta e, se ela estava buscando encontrar nos olhos do akasha algum sinal de reconhecimento sobre o que havia acontecido com o irmão, só recebeu um olhar tão confuso quanto o dela e um levantar de ombros. Assim que ela se levantou, ele foi atrás, parando ao lado de Elliot:

- "Ei, cara, vá com calma. O que você viu que a gente não viu?".
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Mar 29, 2017 7:17 pm

Dr. Max ouviu o relato de seu pupilo com bastante atenção, com a mão no queixo barbado a maior parte do tempo. Quando West citou o preparado energético, ele apenas maneou a cabeça em afirmativo, e mais tarde, guardou num bolso do jaleco o frasco da amostra que recebeu. Quando West falou de Elliot, a expressão do velho doutor pareceu mais taciturna ainda. Ele ouviu com atenção, com o queixo ainda descansando na mão, e depois de alguns segundos, abriu os braços e os uniu atrás do corpo, caminhando lentamente enquanto falava. Parecia um pouco aliviado de ter algo para lhe desviar do tema do Profeta e seus mistérios.

- "Aparentemente, não há uma maneira precisa de se examinar o Avatar de alguém, pelo menos, nada acessível a alguém menos que um arquimago. Isso foi o que Willian disse e, nesse caso, tendo a acreditar nele. Quando da formação das Tradições, a Ordem compartilhou vários segredos muito bem guardados, com o ritual de Gilgul e os círculos de certame, que seriam úteis a uma organização centralizada e unificada da sociedade místika. Se eles soubessem uma forma simples de identificar um Nephandi, é de se crer que também passariam isso para as demais Tradições. Afinal, o aspecto mais perigoso dos Decaídos é justamente sua capacidade de passar entre nós, sem serem percebidos. Todavia, para que o tenham liberado, depois de ter sido treinado por um Nephandi... imagino que o tenham deixado sob observação por um bom tempo, e o virado ao avesso com todo tipo de ritual ou mágika extraído dos velhos livros deles. E não duvidaria que mantenham seus olhos nele desde então."

- "A história toda, entretanto, parece-me mais profunda do que pode parecer a uma primeira vista. E não sei se Willian está deliberadamente nos escondendo algo, ou se ele mesmo não sabe de mais nada. Ele não entrou em detalhamento maior, então, a não ser que a jovem Srta. Wolf esteja o comparando a um Nephandi - o que deixaria claro que ela nunca viu um Nephandi - não entendo porque atribuiria a ruína de sua família a pessoas como você". O que ela poderia querer dizer com isso? Eteritas, médicos, americanos? É difícil de saber. De toda forma, ainda que gentil e adorável, a Srta. Wolf não me pareceu, em nosso breve encontro, a mais equilibrada e centrada das pessoas... Talvez seja algo dela, talvez seja sua formação como Cultista do Êxtase. Ora, talvez ela estivesse até mesmo sob efeito de psicotrópicos na ocasião..."

- "Acho que a coisa merece uma maior investigação. Sobre esta dupla de irmãos. E não sei se podemos confiar em Ralf para isso, apesar de sua aparente proximidade da Srta. Wolf. Cultistas sempre me pareceram emotivos demais para tomar a atitude certa, ante um dilema. Mas, talvez, Jeanette possa nos emprestar olhos. Os Verbenas que conheci costumavam ser pessoas pragmáticas, e sem medo de enfrentar as situações."

- "Mas veja, meu jovem, se você continuar a realizar trabalho de campo com Elliot e Emma, o mais significativo trabalho de observação estará a seu cargo. Dizem que um Nephandi não consegue manter sua natureza oculta por muito tempo, se observado com cuidado. Se o rapaz tiver uma inclinação negra dessa forma, ou se for procurado por Decaídos, estando ele ou não em suas fileiras, seus olhos devem estar abertos. E também deixarei a seu critério revelar estes fatos à Cultista ou ao Jovem Akasha. Não sei se Ralf o fará com sua pupila..."


O velho ainda andava lentamente, pensativo, pelo laboratório. Frank já havia se retirado, dizendo que ia mijar. Depois de alguns segundos, Max pareceu acordar, e completou:

- "Bem, lhe deixarei com seus afazeres. Tentarei acionar alguns contatos, e há muito o que pensar sobre essa história do Profeta. Podemos estar diante de uma revolução na pesquisa sobre os ambientes e entidades ectoplásmicas, mas algo me cheira mal aqui. Ainda há dúvidas demais no ar..."

E se retirou da sala-limpa, andando vagarosamente.

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Quando West se retirou do quarto 23, um faxineiro que passava empurrando um carrinho lhe lançou um olhar desinteressado, e seguiu adiante. O local parecia tranquilo naquela manhã.



O Mercy não era o maior hospital de Portland, o que facilitava algumas coisas e dificultava outras. E também ficava numa das piores áreas da cidade. Geralmente, quem morria ali não despertava interesse para solicitação de uma autópsia, então, a julgar pelos relatórios, a rotina na unidade de necrópsia era bastante tranquila. Apenas dois turnos por semana, mas West precisaria estar de sobreaviso, já que o hospital tinha um convênio para prestar serviços de medicina forense, o que poderia inclui autópsias, exames de corpo de delito, e eventualmente, até perícias em locais de crimes. Bem, só se podia esperar que nem todos os corpos a passar por necrópsia envolvessem eventos como o da madrugada passada.

Quando finalmente chegou ao necrotério, e começou a colocar suas coisas, não teve nem mesmo 20 minutos de pausa. Em dado momento, a porta do local se abriu, e a cabeça de um homem com uma expressão de poucos amigos entrou pela fresta, seus olhos varrendo o local sistematicamente. Saiu, e depois entrou novamente, agora com o corpo inteiro. Era grande, usava um blusão listrado, calças jeans, e uma boina, e mantinha a mão direita toda enfiada no bolso do blusão. Se colocou encostado numa parede, e logo depois de sua entrada, um outro entrou no recinto, e a porta se fechou atrás dele. Antes que se fechasse, foi possível ver que um terceiro havia permanecido do lado de fora.

O segundo homem era um branco grandalhão, com mais de 1,90m. Também estava acima do peso, mas o conhecimento de anatomia de West lhe permitiam saber que havia muita musculatura ali também. As mãos eram enormes e calosas. Aquele sujeito certamente poderia quebrar uns pescoços e esmagar uns crânios com as mãos nuas. Usava uma jaqueta de couro sobre uma camisa  colorida, jeans e botas. Aparentava uns 40 anos, e usava costeletas, e um cavanhaque bastante cheio. Entrou já falando e gesticulando, com um pesado sotaque italiano. Falava bastante, e rápido.

- "Ah, é um prazer finalmente conhecer o famoso Dr. West! Matheo Falcone, ao seu dispor!" - disse, enquanto tomava a mão não oferecida de West, em um aperto de ferro entre suas duas colossais mãos - "Hey, Tony, o doutor aqui salvou a vida de meu primo Giusepe uma vez! Bala na bexiga. Ele diz que até hoje dói quando mija, mas está vivo e andando. Ele é um idiota, mas é da família! Mas doutor, agora estou entendendo porque chamam o senhor de Doutor Morte! Está pálido como um cadáver, homem! Tem que aproveitar o sol do Maine!" - disse enquanto sacudia West pelos ombros, não tão suavemente, mas também não ao ponto de derrubar seus óculos.

Boca-de-Cabêlo:

O homem começou a andar pela sala, olhando e mexendo nas coisas, enquanto continuava a falar. Olhava de perto um bisturi, quando disse:

- "Me falaram da sua mensagem. Essa O'Sullivan, pelo que pudemos levantar, não é nada demais. Mulher da homicídios, que tem mania de se enfiar em uns casos esquisitos. Parece que ela pegou outro dia um sujeito que foi encontrado em pedaços num beco. Literalmente em pedaços, se é que você me entende. Um urso, claro, só pode ter sido. Tem ursos nessa merda de lugar, o sr. sabia? Mas enfim, nada demais. Ela é certinha, então não dá pra colocar na folha de pagamento, mas basta ficar fora do caminho dela. Ela parece que gosta mais de coisas tipo Arquivo X do que crimes de verdade. Hey, lembra de Arquivo X, Tony?! Hahahaha, Estamos ficando velhos!"

Examinava a porta da gaveta de corpos pendida, que a adolescente arrebentara na noite anterior, quando falou.

- "Mas não foi pra isso que vim aqui, doutor. Além de conhecer o famoso Doutor Morte, queria falar sobre coisas que não se falam por telefone" - agora estava mais sério, e parou na frente de West - "Como de hábito, nós apreciamos se nos mantiver informados de mortes meio esquisitas que tiver notícia. Tipo, um sujeito com 20 balas cravadas no corpo pode ser apenas a vítima de uma esposa traída, mas pode ser também algum grupo qualquer querendo mandar um recado, ou se meter na nossa área. Mas tem um tipo de cadáver especial que preciso que o senhor fique de olho" - e nisso sua voz abaixou, e ele se aproximou mais ainda, como se segredasse - "cadáveres sem sangue, doutor! Malditos corpos sem uma gota, ou quase nada, de sangue".

Voltou a andar pela sala, agora parecendo estudar um corpo que havia puxado de uma das gavetas refrigeradas.

- "Tem uma turma estranha, uns caras vindos direto da velha Itália, entende? Pessoal sem raízes no território americano. Eles entram em alguns lugares, e quando entram, entram firme. Com eles, não tem acordo amigável, divisão de território, nada. Em Vegas foi assim. Aliás, Vegas é um pesadelo, parece que todo mundo quer aquele pedaço de merda no meio do deserto... Enfim, temos informações de que eles estão querendo entrar aqui também. Não entendo por que! Essa bostinha de cidade não tem nada que interesse! Aliás, nem sei ainda porque Don Rafael quer essa área. Talvez queira usar o porto menos movimentado pra passar cargas chamando menos atenção, sei lá. Mas sei que ele quer a área e vai tê-la. Mas se esse pessoal aparecer por aqui, tudo se complica. Eles são duros na queda. E são gente esquisita, doutor! Bruxos! - falou essa última palavra com alguma reverência, seguindo com um sinal-de-cruz - "Eles pegam o sangue das pessoas e fazem coisas... coisas sinistras de bruxos do demônio! Ou pelo menos é o que querem nos fazer acreditar. E se eles estiverem por aí, precisamos ficar muito espertos, então, qualquer cadáver com essas características, pegue as informações que der, e nos avise, certo, doutor? Se esses putos desses Giovanni acham que vão vir aqui e tomar o que é MEU, estão muito enganados..."

Sua expressão mostrava uma máscara de fúria nesse momento. Aquele homem, irritado, devia ser algo temível de se ver. O que não era estranho. Ser temível costuma ser um dos pré-requisitos para se subir na hierarquia das famílias da Cosa Nostra. Mas seu rosto desanuviou em seguida, e logo sorria, quando perguntou:

- "Mas o senhor está bem instalado já? Podemos achá-lo naquele endereço que os rapazes deixaram a mudança, se for preciso? Alguém criou problemas aqui no hospital, quanto a seus documentos?"
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Mar 30, 2017 12:25 pm

“Provavelmente está.” [/i] – respondeu Dr. West simplesmente, quando Dr. Max comentou que não sabia se William estava escondendo alguma coisa. É claro que estava, oras – se todas as pessoas escondiam coisas, magos escondiam ainda mais, e se magos escondiam ainda mais, dentre eles, os Herméticos eram, sem dúvida alguma, um dos que mais escondiam coisas.

Faust ainda tinha suas próprias teorias sobre aquilo – sobre formas de identificar um Nephandus. Por exemplo eles não podiam analisar seu avatar, mas certamente seriam capazes de analisar a ressonância de seus efeitos, não? Claro, seria necessário que ou Elliot realizasse um efeito massivo, ou que alguém bastante experiente na Arte do primórdio decidisse investir seu tempo naquilo, mas, ainda assim… Faust não via por que não seria possível: ele só conhecia a teoria, mas, em teoria, efeitos qliphothicos deveriam deixar uma assinatura etérita diamentralmente oposta a deixada pelos efeitos normais. A forma como lidavam com a trama era oposta, não?

Entretanto, limitou-se a ouvir. Apesar de tudo, West sabia reconhecer que haviam momentos e momentos para falar, para expor suas opiniões e para trazer fatos que deviam ser lógicos e óbvios a tona. Por exemplo: naquela situação, o assunto principal não era Elliot ser ou não um nephandus, por mais que alguém menos atento pudesse ter esta impressão. O assunto principal era a dinâmica da cabala ao redor da possibilidade pré-estabelecida de sua corrupção – entende a diferença sútil?

Ia acenando com a cabeça aqui e ali, enquanto Max falava. Sobre decidir ele mesmo se deveria contar para Oliver ou Emma, West meneou a cabeça de novo, mas num gesto ligeiramente diferente dos outros que fazia – ao invés de um “continue” automático, aquilo ali era como uma luzinha de “não tinha pensado nisso” que apitava em sua mente, por um instante. Mas a solução era bastante clara, ele achava: não deveria contar aos membros da cabala no momento, afim de manter a situação o mais natural possível… E se o momento chegasse de confirmar ou não aqueles dados, bastava que ele convencesse Elliot de que ele próprio o considerava um Nephandus e que ele, Faust, estava interessado. Era relativamente simples.

“ - Você está pedindo que eu espione minha própria cabala, Dr. Max?” – questionou Dr. Faust. Ele estava brincando, é claro, mas West fazia piadas – nos raros momentos que as fazia – de uma forma diferente: ele falava alguma coisa chocante de forma séria, esperava dois segundos, e só então manifestava facialmente uma expressão que denotasse o sarcasmo. No caso, um micro-riso de canto que parecia completamente fora de lugar em seu rosto branco.

[…]

Quando as movimentações se iniciaram no seu necrotério, o mago simplesmente parou exatamente onde estava, e esperou. Naquele momento, havia tirado o paletó e vestido um avental branco comprido. Estava sem luvas, mas já tinha dobrado as mangas da camisa – sem dúvida nenhuma estava se preparando para começar a efetivamente fazer o trabalho que lhe pagavam para fazer. Este era West: preferia terminar logo com aqueles afazares mundanos para poder, após, focar-se nas coisas que realmente importavam.

Quando Matheo Falcone apareceu finalmente, West acenou com a cabeça, respondendo com um “Bom dia.” nem de longe tão energético quanto as gesticulações e emoções do outro. A cena até seria engraçada, provavelmente, se outra pessoa os visse: eram quase reflexos opostos um do outro. Apesar de terem a mesma cultura, Faust parecia comprido, frágil, esquelético – parecia a sombra de alguma coisa que havia sido, um Slender Man humanizado. Já Matheo parecia cheio de vida, largo, forte, alto.

“Eu avisei Giuseppe que deveria beber muita água e diminuir o sal.” – justificou-se, quando lhe foi avisado que Giuseppe ainda sentia dor quando mijava. Diante dos comentários sobre aproveitar o sol, West pensou em Eliza e num piquenique haviam feito num parque, próximo a margem de um riacho. Haviam andado de pedalinhos também.

O doutor piscou e voltou ao mundo real, observando como Matheo movia-se pela sala, mexendo em tudo. Era uma forma de demonstrar autoridade, Faust sabia – sabia, compreendia que espalhar-se por todo o espaço era quase como demonstrar que aquele território o deixava confortável, não gostava de ter gente fuçando em tudo, mas decidira suportar o comportamento dos italianos. Eles eram como crianças, no fim das contas. “ Em pedaços? Que curioso.” – comentou, sobre Sullivan. Pelo visto, ele estivera errado – os lobisomens não ficavam só no mato. Eram evidências muito contundentes para serem ignoradas. “Só pode.” – comentou, sobre o urso. “Ou é coisa da Família.” – acrescentou.

Diante da informação sobre os cadaveres sem sangue, Faust – que sequer havia dado um passo para fora de seu lugar originário no centro da sala – moveu o rosto com interesse. Vampiros? Além de lobisomens que viviam na cidade, eram amigos da polícia e usavam tacos de baseball, Portland também tinha vampiros…? Aguardou mais informações, enquanto Boca-de-Cabelo se afastava e, quando esse puxou um corpo, Faust comentou: “Eu não mexeria nesse, se fosse você. Parece que estava medido numa dessas seitas satânicas com uns rituais estranhos.” – não era tanto para realmente impedir que ele mexesse, mas para medir não só a reação de Matheo, como a de Tony também, aquele tipo de coisa sobrenatural e de terror. Eram dados importantes, no fim das contas.

Atentou-se as informações que vinham sobre a turma da Itália, o cenho muito levemente franzido. Giovanni… Itália… Bruxos… Aquilo era interessante. Quer dizer, podia ser muitas coisas: podiam não ser realmente vampiros, mas sim algum grupo mágiko que ele não conhecia e que realmente utilizava magia de sangue. Ou podiam ser vampiros que criaram uma máscara de “seita” e “bruxaria” para servir de intimidação e proteção. Até fazia algum sentido, pensando agora, aquele excesso de sobrenaturais na cidade: a Noite do Desespero provavelmente havia atrapalhado suas próprias estruturas sociais, e agora Portland was up for grabs. Fosse o que fosse, aquilo sem dúvida valia, no mínimo, uma breve consulta imediata a Hollow Net – mas lhe parecia algo muito mais interessante de se acompanhar a longo prazo e ver se desenvolver.

“Sem dúvida estão, meu caro Matheo. Mas fique tranquilo: eu vou mantê-los informados.” – disse, enquanto dava um tempo para o homem respirar fundo e engolir a raiva. “Duvido que seja o caso, mas caso me abordem, que posição a famiglia quer que eu tome? Finja interesse?” – questionou.


Sobre a última parte, acenou com a cabeça. “Por enquanto, sim, mas estou dividindo o espaço com um colega – talvez não seja o lugar mais seguro para conversas delicadas.” – disse. “Ninguém, não. Vocês fizeram um ótimo trabalho.” – concluiu.


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qui Mar 30, 2017 8:35 pm

Quando os dois se achegaram a Elliot, do lado de fora, ele endireitou a postura, e respirou fundo. Ainda parecia lívido, mas aquela respiração acelerada tinha ido embora. Aliás, tinha ido embora rápido demais. Aquele inglês daria um bom ator. Deu um tapinha no ombro de Oliver, retirou um cartão do bolso, estendendo para ele, e disse:

- "Cara, avisa lá que eu vou nesse bar de salsa sim. Vai ser divertido, ver uns magos bebendo e rindo, pra variar. Quarta-feira, né? Quem sabe eu dou sorte e pego uma daquelas ruivas? Ou as duas? Só me mande o local por mensagem depois. E me mande também o nome completo da sua irmã, data de nascimento, o que mais tiver dela. Não conheço muita gente na região, mas talvez algum contato possa dizer algo. Vamos caminhar um pouco, Sis."

E saiu andando pela calçada, sem olhar para trás.

Como Oliver meramente deu de ombros, e foi andando numa outra direção, Emma não teve muita alternativa a não ser acompanhar o irmão. Quando emparelhou com ele, supondo que tentasse falar algo, veria dele um gesto com a palma da mão, que dizia "espere". Caminharam em silêncio por mais um tempo, sendo o único som o do isqueiro, quando Elliot acendeu um cigarro. Caminharam por ruas movimentadas, até chegarem a um pequeno local arborizado, com uma placa dizendo "Tommy's Park". Ali, a quantidade de gente era bem menor, mas mesmo assim, Elliot saiu das trilhas asfaltadas, e começou a andar sobre a grama. Quando não havia mais ninguém próximo, ele finalmente falou, sem parar de andar, sem parar de olhar para a frente.

- "Sabe aquele sujeito que era meu "professor particular", ainda na nossa velha casa? Pois é, era um cara da Ordem de Hermes, que por alguma razão, achava que eu poderia Despertar e ser um grande mago, com um grande Destino, e all that jazz. Ele era bem obcecado com isso, tanto que eu não tinha tempo pra nada, nem pra te ver, como você deve se lembrar. Mas acontece que não era um mago da Ordem, era um Nephandi. Descobriram isso apenas no fim, quando você já tinha... ido embora. Quando deu merda, quando tudo queimou. Ele fugiu, mas a Ordem me pegou. Me deixaram preso por uns meses, fizeram todo tipo de ritual esquisito em mim, mas parece que se convenceram que eu não tinha Decaído, e me soltaram."

Nisso, ele finalmente parou, passou as duas mãos no rosto, e continuou. Parecia disposto a jogar tudo pra fora de uma vez.

- "Eu não sei o que um Decaído viu em mim, Sis. Pode ser que ele tenha errado, ou pode ser uma merda de uma profecia das trevas ou qualquer caralho desses que você esperaria de um Nephandi. Mas sei que, se eu continuasse mais tempo com ele... talvez eu não fosse eu mesmo hoje em dia. Talvez eu fosse algo bem pior do que sou hoje. Não sou um anjo, fiz muita merda e machuquei muita gente, mas ninguém virou minha alma ao avesso, como dizem que esses caras fazem".

Talvez Emma fizesse menção de dizer alguma coisa, mas ele a interromperia com um gesto nervoso. Tinha ainda coisas a falar.

- "E se tivesse acontecido? O que seria de você, nessa história? Toda porra da merda da literatura sobre magia está coalhada de referências a gêmeos. Antigos escritos da ordem, sabedoria oral de xamãs, aquelas músicas e parábolas que os Cultistas tocam. Cheio! Sabia que alguns cultos no interior da Índia matam um dos gêmeos assim que ele nasce? Eles pensam que é como se fosse uma pessoa só, dividida em duas. Aí um estará deste lado e outro junto com os mortos, a mesma pessoa em dois mundos, e isso o fará poderoso, e de certa forma, imortal. E, na boa, quando te encontrei na frente daquela lojinha de merda, e vi você entrando, e vi que tinha Despertado, aquilo não me surpreendeu. E de todos os malditos lugares do mundo, eu vim pra Portland, sem nenhuma razão, sem nada, apenas vim, e aqui está você. Aquela foto, mostra o que eu poderia ter me tornado. Mas isso não foi o pior, o pior foi ver que a outra da foto... seguiu o mesmo destino. Aquilo me atingiu como uma marretada. Se eu for cair, vou cair sozinho, Emma, não vou arrastar você. Você é melhor do que eu, não merece isso. Sabe, talvez o melhor fosse eu ir embora logo daqui. É, posso ir daqui direto pro aeroporto."

_________________________________________________________________________________

No cartão de Elliot, estava escrito apenas "Elliot Ward", com um número de celular, e um e-mail.

Oliver correu até a Anima Gemma. O clima frio da manhã ajudou a que ele não chegasse lá suando como um porco. Na frente da loja, o mesmo segurança parado. O local já estava aberto.

Quando entrou, a loja estava vazia, exceto pelas duas atendentes, ocupadas com arrumação. Quando adentrou a loja, tocando a sineta da porta tocou, as duas se levantaram, simultaneamente, de detrás dos balcões. E então, ambras abriram um sorriso sincronizado, e disseram, também sincronizadamente:

- "Bom dia, Oliver!"

E então, uma delas completou.

- "Nós estávamos pensando, agora de manhã..."

Seguida pela outra:

- "...você não teria um irmão, por acaso, teria?"

E as duas deram risinhos. Seus dentes eram muito brancos, perfeitos, completando as faces com sardas e os olhos profundamente verdes.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qui Mar 30, 2017 11:19 pm

Oliver pegou duas coisas de Elliot: seu cartão e a deixa para ir embora. Os dois claramente tinham algo para conversar e não seria ele que ficaria no meio da situação. Por sinal, ele mesmo tinha assuntos mais prementes para resolver, como onde dormiria essa noite, para começar. Antes de sair, ele disse um "certo, então, vejo vocês mais tarde" para Elliot e Emma. "Preciso correr".

  Aproveitando o ar frio revigorante, Oliver deu uma corrida até a capela hermética, literalmente. O cara adorava se exercitar, e isso bem antes de começar seu treinamento na irmandade. Depois de praticar o Dô, que mudou totalmente se jeito de encarar a vida, correr era seu exercício preferido. Talvez tivesse algo a ver com a sensação de deixar o passado e seus fantasmas para trás. Assim, ele correu alegremente pelo caminho, saudando as endorfinas que seu corpo produzia e abandonando a sensação de rigidez causada pelo frio. A melhor coisa sobre trabalhar o corpo? Não precisar pensar. Oliver tinha muito o que pensar, mas muitos dos pensamentos machucavam quase que fisicamente, então ele fazia o possível para deixar o passado no passado.

  Chegar ao seu destino demorou bem menos do que ele esperava. Quando se deu por conta, já estava na frente do lugar, entrando pela lojinha que ficava na frente da capela. Quando foi interpelado daquela maneira pelas gêmeas, Oliver se esqueceu como se falava por um momento. Fala sério, aquelas duas não podiam ser normais. Se recompondo tão rápido quanto possível, ele respondeu:

- "Ei, meninas, bom dia! Para dizer a verdade, estou meio em falta de irmãos. A única que eu tenho é mulher e eu não consigo encontrá-la de jeito nenhum, acreditam?"

  Oliver não tinha como estar mais sem graça. Ele sabia que devia dizer algo mais esperto, mas se rendeu ao fato de que não conseguiria. Sendo assim, ele deu o seu melhor sorriso e disse:

- "O Sr. Willian está por aí? Eu precisava dar uma palavrinha com ele, se possível".

  Antes que as gêmeas tivessem chance de responder, ele completou, um pouco mais baixo, quase que em tom de confidência:

- "E a Srta. Granger? Será que eu... Que ela... Ela está na capela?"
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 31, 2017 11:38 am

Ante o estado sem jeito de Oliver, as duas deram mais risinhos. Mas não eram de sarcasmo. Pareciam duas crianças rindo, simplesmente achando a situação divertida. Ou, pelo menos, foi o que pareceu a Oliver. Uma delas disse (e só é possível dizer isso, "uma delas". Oliver não havia ainda encontrado maneira de distinguir uma da outra):

- "Ah, mas isso é tão bonitinho! Você fica vermelho!"
- "Não seja cruel, Tasha" - disse a outra, com cara contrariada, mas rindo - "vai fazer Oliver ficar mais vermelho ainda, e ele ele é nosso convidado. Vá avisar pa... o Sr. Von Heinekein."
- "Hei, mas não é minha vez!"
- "É sim. Tiramos no cara ou coroa ontem de noite, na cama, caso você tenha convenientemente esquecido."
- "Humpf! Aposto que você usou Entropia naquela moeda."
- "Tá, como se fosse possível. Anda logo, chispa! Mesmo a paciência dos Irmãos de Akasha sendo lendária, não vamos abusar da de Oliver."


Uma das ruivas, a que fora chamada de Tasha, ainda rindo, destravou a porta dos fundos da loja, e sumiu por ela. A outra se voltou para Oliver.

- "Infelizmente, Danny saiu tem coisa de uns 15 minutos. Deve ter ido resolver burocracias por aí, pois estava com uma pasta bem gorda debaixo do braço" - o que ela disse a seguir, foi com um certo olhar malicioso - "mas posso deixar um recado pra ela, se você quiser" - Sua face clareou em seguida. Parecia agora uma garotinha de escola, animada - "Ah, ela disse que convidou você e o resto da sua cabala pra quarta-feira! Vocês vão, não é?! O lugar é super-legal, e seria ótimo ter algum homem pra dançar além de Cortéz! Não me entenda mal, ele dança muito bem, mas não perde a mania de "acidentalmente" encostar na minha bunda durante a dança, rs".

Dava risinhos com a boca escondida entre as mãos, parecendo mais ainda uma garotinha. Mas rapidamente parou, se endireitou, e disse:

- "Tasha falou com ele. O Sr. Von Heinekein vai recebê-lo, no mesmo lugar de ontem. Ele parece até ansioso por isso."
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Sex Mar 31, 2017 12:01 pm

Quer dizer que Cortez sabia dançar, não é? Será que dava tempo de pegar um curso intensivo de um dia com o cara? Oliver esperava que sim. Ainda sem saber onde enfiar a cara com toda aquela atenção das gêmeas, ele respondeu à oferta da ruiva de dar um recado para Granger, porque era o que dava para fazer sem gaguejar:

- "Bom, então, será que podia dizer que eu estive aqui e perguntei por ela? Isso seria o suficiente".

   Quando surgiu o assunto da saída de quarta-feira, a coisa ficou mais fácil:
  
- "Parece que vai ser divertido, mas eu vou avisando que tenho dois pés esquerdos. Se eu fosse um polvo, teria oito", brincou ele. "Mas vai ser legal conhecer todo mundo em uma situação que não envolva vida ou morte, certo?".

   E de repente veio a notícia de que Willian o esperava. As duas compartilhavam um elo mental, claramente, e disso ele entendia. E as duas brincavam sobre usar magia, mas a outra afirmou que isso não seria possível. Sério, Oliver começou a ponderar até que nível seria rude perguntar qual é a das gêmeas, mas por hora não disse nada.

- "Ah, isso é ótimo. Acho que vou indo então. Sempre bom encontrar você e a sua irmã. Até mais!"

  Assim, Oliver seguiu pelos corredores que levavam até o escritório de Willian, lembrando-se de contornar a enorme runa que viu em uma das salas. Ele não sabia se pisar na runa o transformaria em uma poça no chão, mas como ninguém parecia estar disposto a arriscar, ele também não estava. Chegando na frente da porta do escritório de Willian, ele bateu na porta e esperou.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Emma Woolf em Sex Mar 31, 2017 2:42 pm

Por um instante, Emma ficou parada ali, na calçada, observando cada um ir para um lado enquanto tentava pensar no que estava acontecendo naquela inicio de manhã. Então começou a se mover na direção de Elliot, para alcançá-lo. Pretendia dizer algo, mas se calou com o gesto do irmão.

Emma focou-se em andar e pensar a respeito das coisas que tinha que fazer naquele dia: tinha que procurar a chave para abrir o baú, por exemplo. Fazer seus rituais e orações para purificar a casa, também. Ler mais do diário de Phill...

Até se assustou um pouco, quando o irmão finalmente falou, seu olhar voltou-se a ele, atentando-se a suas palavras. Ah, ela se lembrava, claro que se lembrava. Lembrava tão bem que o achava parecidíssimo com o intragável Dr Faust West.

Emma deixou um 'oh' de exclamação escapar quando Elliot revelou sobre o tal tutor, ela não tinha lá muitas informações sobre os Nephandus, apenas o que tinha lhe sido dito ou explicado, eventualmente, após o Despertar. Mas ela ficou quieta, esperando Elliot terminar, aparentemente ele tinha muito, muito para falar a respeito daquele passado.

Sabia, sabia que parte do que ele falava era verdade, sobre os gêmeos, sobre crenças de que um era totalmente bom e o outro totalmente mau e em como em muitas e muitas culturas, um deles era 'sacrificado' para que o outro pudesse viver, mas sabia também que haviam outras histórias, outros contos a respeito de gêmeos, e que nem todos terminavam de maneira tão... Trágica.

"- Você não vai a lugar nenhum." - Emma disse, finalmente, quando se aproximou dele, tocou-lhe o rosto com uma das mãos, enquanto buscava olhar nos olhos do irmão. "- Nenhum de nós vai se tornar nada daquilo..." - Falou a jovem Cultista. "- Eu estou aqui por você, você está por mim." - Completou. Emma se aproximou e lhe beijou os lábios, para quem visse de longe, era apenas um beijo inocente, um encostar breve trocado entre irmãos, pais e filhos, etc. Então ela lhe abraçou, ficando um momento em silêncio.

"- Há algo que não contei antes, na presença do Akasha. Acho-o muito... Influenciável e não confio no tal West." - Concluiu. "- Há um baú na casa da velha Phill que está trancado com um cadeado enorme, não tive como procurar por uma chave ontem. Podemos ir até lá e você me ajuda nisso... Acho que aquela casa tem bastante respostas para muitas perguntas. Mas também quero fazer a pesquisa que te falei... Principalmente depois das coisas que Vaýu disse. E além do mais, Vaýu me contou algumas coisas ontem à noite. Talvez você possa me ajudar a entender."
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Dom Abr 02, 2017 11:57 am

Seguir as coordenadas até o escritório de Willian era bem simples, dado que estivera ali ontem mesmo. Enquanto subia, cruzou com Tasha, que descia. Ela lhe piscou um olho, mas não se deteve.

Quando chegou em frente às portas duplas de madeira, elas estavam entreabertas, e o hermético era visível em um canto da sala, mexendo em algo. Trajava novamente um terno cinza, mas dessa vez, o paletó estava sobre o espaldar da cadeira. Sinalizou para que Oliver entrasse, e dirigiu-se devagar até ele. Trazia um copo baixo com alguma substância amarelada na mão esquerda, e extendeu a direita para o Akasha. Não havia um sorriso em seu rosto, mas também não havia uma expressão carregada. No canto, no local onde ele estava mexendo, havia um pequeno rack, com várias garrafas sem rótulos, contendo líquidos das mais diversas cores.

- "Muito bom dia, Sr. Gray! Posso lhe oferecer um café? Ou talvez algo mais... forte, para começar bem o dia?" - disse, enquanto dava um pequeno gole de seu próprio copo - "Tenho boas notícias: a Srta. Granger me disse que, subornando um determinado burocrata, pode conseguir a liberação do seu fundo ainda hoje. Após isso, suponho, haverão alguns procedimentos bancários nos quais sua presença será necessária. Digo, não tenho qualquer dúvida que a Srta. Granger seja capaz de falsificar sua assinatura, aliás, não duvido que ela já tenha feito isso para alguns dos procedimentos, mas, quando lidamos com dinheiro, quanto menos atenção for chamada, melhor. Estou certo que ela entrará em contato para ajustar os pormenores."

Sentou-se à mesa na cadeira de espaldar alto, e indicou uma outra a Oliver. Nesse gesto, Oliver pôde notar que o grande anel que o homem usava era composto por algum símbolo, gravado no fundo do anel, sobre o qual se assentava uma gema vermelho-clara.

- "Não irei maquiar minha ansiedade em saber qual foi o resultado de sua pequena expedição ontem. Nossos contatos na polícia local reportaram som de tiros na área, mas, nada incomum naquela região. Os outros membros da expedição estão bem? Conseguiram alguma pista do Profeta?"
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Dom Abr 02, 2017 12:23 pm

O rosto deste Elliot adulto tinha, habitualmente, uma expressão que poderia ser descrita como um perpétuo leve sorriso de sarcasmo. Mesmo ante as mudanças do ambiente, aquele semblante raramente mudava. Era uma poker-face. A primeira vez que Emma viu efetivamente uma mudança foi quando ele olhou a foto. A segunda foi quando ela beijou seus lábios. O rosto dele virou um carrossel de emoções conflitantes. Mas isso por apenas um segundo. Fez menção de que ia dizer algo, mas então a irmã o abraçou, e falou, e a coisa toda pareceu ter se perdido.

Repentinamente, um som estranho se fez ouvir, próximo, muito próximo. Um som que não era da cidade. Elliot deu um quase pulo, e levou a mão direita, como que por reflexo, para perto da axila esquerda, parecendo tentar alcançar algo que não estava lá. Quando os olhos se voltaram para a direção do barulho, havia, no galho de uma árvore, uma coruja enorme. Sob suas garras, um esquilo se debatia, embora não conseguisse guinchar, esmagado sob o peso do predador. O animal os olhava com grandes olhos amarelos, se desviando apenas para abaixar a cabeça e arrancar nacos de carne de sua presa. O esquilo não havia morrido ainda, enquanto era devorado. O som que haviam ouvido foi o súbito e rápido farfalhar das grandes asas, quando Vaýu se lançou ao ataque.

Inspirando fundo para controlar a respiração ofegante, Elliot disse:

- "Aquilo é Vaýu, suponho?" - terminou de se recompor, e vestiu o sobretudo, que estivera, até então, dobrado sobre seu antebraço - "Essa coisa fala com você? Enfim, vamos voltar pro mundo real. Podemos comprar um cortador, pra dar um jeito nesse cadeado aí. Mas antes, vamos passar no departamento de energia e pedir o religamento da sua energia. Você precisa ir comigo, ou teria que me passar uma procuração e, pelo amor de Deus, nunca me passe uma procuração... Mas, tem um detalhe que você deveria pensar, Sis: use West, ao invés de evitá-lo. Que ele é um filho-da-puta sem escrúpulos, isso é claro, mas ele é só mais um de muitos que estão por aí. Evitá-los não faz eles sumirem, temos que aprender a lidar. E pelo pouco que entendi daquele cara, ele é um obsecado por qualquer coisa na qual deposite seu interesse. Seja á o que o estiver interessando, ele vai mover céus e mares, e não vai descansar até conseguir obter. E ele parece interessado no Profeta, e a princípio, o Profeta tem ligação com essa Phillips. Pelo menos, eles pareciam partilhar alguns segredinhos sujos, de acordo com aquele diário. E, na boa, o diário não vai sumir, o baú também não, mas sabe-se lá quantas vezes o fantasma do defundo vai aparecer mais, não é? Espero que ontem não tenha sido a última. Melhor focar naquilo que o Destino pode não nos dar outra chance."

Olhou para o lado, suspirou, e completou:

- "Vamos andando. O dia acaba rápido, e temos companhia. Vou ligar pro Chas. Quando pego um carro, eles demoram um tanto para alcançar. Acho que devo agradecer a fucking God por não ter carros do outro lado também. Só lembre de não falar nada compromentedor perto de Chas. É um cara bom, e quanto menos souber sobre esses caralhos místikos, melhor pra ele."

Na direção para onde Elliot havia olhado, Emma pôde ver um sujeito parado, nas sombras de uma árvore. Usava um sobretudo negro, e um chapéu de feltro na mesma cor. Aliás, tirando a cor, ele se trajava de maneira muito similar a Elliot.

Uma criança, brincando no parque, passou por ele correndo. Passou por dentro dele. E em seguida caiu, chorando, segurando o joelho.


Última edição por The Oracle em Ter Abr 25, 2017 12:45 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Dom Abr 02, 2017 9:03 pm

Oliver entrou na sala de Willian, que parecia relativamente ocupado no momento. Aceitou tanto o assento que lhe foi oferecido quanto o café:

- "Bom dia, senhor Willian. Que bom que deu tudo certo nessa parte. Boas notícias estão vindo a calhar. Sobre a minha situação aqui na cidade, bem, isso é embaraçoso, mas eu ainda poderia contar com a sua ajuda, caso não fosse demais. Mas é melhor discutir isso por último. Eu já esperava que você estivesse esperando notícias, por isso vim logo pela manhã".

  Oliver contou sobre a noite anterior no orfanato, sem omitir nada. Na verdade, ele só não entrou muito em detalhes sobre a maneira que os três bandidos foram derrotados. Oliver não era exatamente um cara modesto, mas simplesmente não acreditava na ideia de que um guerreiro vivia de reputação, então se gabar simplesmente não combinava com ele. Ao chegar na parte dos bandidos, por sinal, ele tirou da mochila a seringa que havia guardado na noite anterior:

- "Não sei o que é isso. Para falar verdade, eu vou ficar surpreso se for uma droga comum. Não que eu saiba muito sobre o assunto, mas foi triste demais ver aqueles dois em um estado tão deplorável. Trouxe para você porque não tenho como saber se o que tem aqui dentro é totalmente mundano. Por sinal, você já ouviu falar de um tal de Big Lou? Parece que ele é o chefe de pelo menos um dos caras que eu encontrei".

  Oliver se ajeitou na cadeira, visivelmente desconfortável e ansioso. Desconfortável porque era um pouco sensível sobre essa questão das drogas e como ela podia reduzir o potencial humano a uma poça de auto-piedade, e ansioso porque preferia estar socando o tal Big Lou do que tendo aquela conversa:

- "Mas foi isso que aconteceu. O fantasma foi embora com a promessa de nos encontrar novamente. Por um minuto, acho que ele me reconheceu. E ele estava realmente fazendo magia, disso eu não tenho dúvidas".

  Ele parou de falar para dar tempo de Willian responder e fazer suas considerações. Ao final do assunto, ele finalmente falou:

- "Não tenho onde ficar enquanto estiver em Portland. Todos os lugares que eu chamei de lar um dia não existem mais. Eu nem sei como pedir isso, mas você disse que há alojamentos por aqui. Você sabe exatamente a quantidade de dinheiro que eu tenho no mundo. Será que pode me alugar um lugar por aqui enquanto eu estiver na cidade?".

  Oliver reforçou seu pedido ficando de pé e fazendo uma reverência oriental, de acordo com os costumes que aprendeu.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Seg Abr 03, 2017 3:09 am

Se West tentou fazer uma piada, ela não foi muito bem entendida, pois assim que perguntou se seu mentor sugeria que ele espionasse sua própria cabala, Max respondeu de pronto: "Precisamente", ele disse. E parecia sério. Não havia, no semblante do velho doutor, o habitual sorriso ou expressão descontraída.

___________________________________________________________________________

Durante o papo com Boca-de-Cabelo, o mesmo respondeu descontraídamente a West. Quando este insinuou que o sujeito despedaçado poderia ser coisa da Famiglia, o grandalhão respondeu:

- "Nah, não é coisa nossa, não. É preciso ter respeito com o corpo. Digo, como a família do infeliz vai fazer um funeral decente, com o cara todo em pedaços? Vão honrar uma caixinha com o que sobrou dele? Falta de respeito, doutor, falta de respeito... Um dos problemas do mundo de hoje é que as pessoas perderam o respeito. Às vezes, um vagabundo merece morrer. Às vezes, a morte dele até precisa ser uma mensagem. Mas não dá pra negar à mama do sujeito o direito de chorar sobre o caixão, porque você não deixou um corpo em estado aceitável pra um enterro, capische? Meus rapazes não fazem esse tipo de sujeira."

Já quando falou sobre o corpo, supostamente envolvido em rituais satânicos e demoníacos do mal e das trevas, Matheo Falcone deu um pulo para trás, e fez o sinal-da-cruz. Tony também se benzeu, com a mão que estava livre, ou seja, fora do bolso. Olhou o corpo ainda mais alguns segundos, antes de fechar a gaveta com a ponta do pé, e se dirigir a Faust:

- "Bem, você vai cortar ele ainda, né? Digo, fazer os exames? Acha que deveríamos mandar um padre aqui benzer essa coisa antes, doutor? É só falar que eu providencio. Mas, de qualquer forma, me mande os resultados. Adoraria saber como essas coisas do demônio morrem. Posso precisar matar uma algum dia."

- "Finja que não sabe de nada" - continuou, sobre a possibilidade de ser abordado pelos Giovanni - "Se suspeitarem que o senhor está ligado a nós, podem pegá-lo e querer arrancar seu sangue, e condenar sua alma ao fogo do inferno! São malditos BRUXOS! Só nos avise, que pegamos o FDP. Aí, vamos ver se Satanás livra ele de uns sapatos de concreto..."

Por fim, ante as considerações finais de West, ele apenas balançou a cabeça afirmativamente, algumas vezes. E quando o assunto se encerrou, abriu ambos os braços, em um gesto amplo, foi até West, e novamente tomou a mão magra e de dedos compridos entre as suas, num novo aperto de ferro.


- "Então, eu e Tony aqui vamos andando, doutor. Continue o bom trabalho, mantenha o telefone ligado, e se precisar de mim, sabe onde me achar. Arivederci, Doutor Morte!

E com uma gargalhada, deixou o necrotério. O lugar pareceu bastante silencioso sem aquela presença.

Poucos segundos após a saída de Boca-de-Cabelo, recebeu um e-mail, que carregava a chave de criptografia que ele usava para sua rede de informações (nada muito poderoso. Software comercial, mas melhor do que nada, segundo lhe haviam dito). A mensagem parecia conter um compilado de uma conversa qualquer de um fórum ou messenger.

- "Conseguiu algo nos registros da cidade?"
- "Nada. Parece que o orfanato se valia de uma lei estadual de século XVIII, que diz que instituições filantrópicas religiosas não precisam manter registros nos arquivos públicos. Provavelmente essa merda saiu de um lobby, e servia pras igrejas lavarem dinheiro à vontade. Puro bullshit, mas os pocuradores do condado engoliram, e eles não tinham quase nada nos sistemas da prefeitura. Só havia uma referência de que eles tinham que ter registros de qualquer forma, mas poderiam guardá-los onde quisessem.
- "Não achei nada pelo nome também. E olha que procurei até por escritas corrompidas de Brenda, como Breenda ou Brendha. Ás vezes erram nas digitações, entende? Mas nada. E adoções legais, ao contrário dos registros de funcionamento, tem que ir pra bases de dados federais. Mas nada no nome dela. Nem em registros civis de casamento. Nada."
- "Ela pode ter saído do país, não pode?"
- "Poderia ser o caso, mas isso então estaria no departamento de Imigração e Emigração. Na boa, não tenho ninguém a recorrer lá. E tu, conhece alguém?"
- "Tá doido? EU sou ilegal aqui! Vê se vou mexer com esses caras?!"
- "Ah é, hehehehe. De toda forma, acho que não iríamos achar nada lá também"
- "Essa garota não pode ter sumido"
- "Poder, pode. Gente some todos os dias. Mas meu instinto diz que não é isso."
- "E o que é, então, caralho?!"
- "Esbarrei em muitas pontas soltas, mas todas muito limpas. Sem rastros. Os dados dessa garota foram intencionalmente encobertos. E não foi serviço de amador não. No mundo atual, com toda a informática, tentar encobrir rastros é que nem aqueles gatos que se escondem atrás da cortina: sempre tem uma ponta do rabo de fora. Mas aqui, não sabemos nem em qual das cortinas temos que procurar o gato. Sem outras pistas, seria catar uma agulha num palheiro."

Além disso, havia algumas informações de antigos endereços da família, escolas frequentadas, etc. Nada de muito interessante, além do fato dos pais da moça serem figuras políticas.  O pai era vereador já há três mandatos, quando de sua morte, e a mãe já tinha sido eleita juíza por duas vezes.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Emma Woolf em Seg Abr 03, 2017 11:21 am

Havia claro, um caleidoscópio de emoções em Emma, também, ainda que esse tipo de sensação fosse constante, próxima a Elliot, haviam mais coisas que incrementavam. Ela respirou fundo, também pronta para dizer algo, quando ouviu o barulho que lhe era, de certa forma, familiar (!!!).


Desfez o abraço ao irmão, enquanto olhava para as árvores próximas, franziu o cenho brevemente. “- Aquele” - Corrigiu Elliot, enquanto observava a coruja na árvore. “- Não o chame de coisa.” - Advertiu, não gostava muito quando as pessoas se referiam a Vaýu daquela forma, num geral – ao menos onde vivia antes – as pessoas tinham a tendência de achar Vaýu ‘fofo’ ou ‘bonitinho’, ali porém, pareciam propensos a não gostar dele.


Era a cidade grande, afinal, o que mais esperar. Ouvia Elliot falar, mas seus olhos estavam em Vaýu, atentando-se ao que o familiar fazia, e perguntando-se porque diabos ele estava de pé àquela hora do dia. “- Não estamos mais no interior, Vaýu.” - Disse Emma, baixando a voz. “- Você não pode mais sair por ai voando, ou vai acabar numa gaiola.” - Avisou, ela fuçou a bolsa, sempre procurava andar com os documentos que Phills havia lhe arrumado para caso tivesse algum ‘problema’ em relação a coruja. “- Vamos ter que por aqueles ‘sapatinhos’ nas suas garras, Vaýu, e a guia, também. Phill disse que caso fosse andar com você por aí na cidade ia precisar dessas coisas.” - Avisou, então voltou-se ao irmão.


“- Não sei se um negócio desses vai abrir aquele cadeado, Ellie, ele é enorme de grande. E foi por isso que chamou atenção, por que algo tão bem trancado dentro de casa?” - Respirou fundo, quando o assunto se tornou o incomodo Doutor. “- Esse é o problema, Elliot.” - Disse ela. “- Se por causa dos interesses dele, ele tiver que atirar eu, você e qualquer outro de um penhasco, ele o fará. E isso se tornará um problema a longo prazo.”


Suspirou. “- Acho que já vi fantasmas o suficiente a minha vida toda.” - Falou em tom baixo, mas para si do que para ele. Quando Elliot voltou a falar, a loira olhou em sua direção, uma das sobrancelhas arqueadas e depois olhou na mesma direção que ele, observando o que acontecia. “- Isso é uma das muitas coisas que você tem que explicar, Elliot.” - Falou, então voltou sua atenção a Vaýu, esperando que o familiar terminasse sua refeição. “- Você quer vir ou prefere ir para casa?”
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Abr 03, 2017 8:37 pm

“ - Capisco.” – respondeu o americano de família inglesa e nome fictício, que já havia perdido seu sotaque no meio de alguma página amarelada, ou junto com algum sapato furado em alguma poça de lama em que havia furado. Não que já houvesse tido um sotaque: nascido e criado nos Estados Unidos, seu inglês era o mais americano possível. Era só que mesmo se tivesse um, depois de rodar o mundo como ele havia rodado, seria impossível ainda tê-lo.

Achava curioso o nível de superstição católica que aquelas famílias italianas tinham. Não era necessariamente engraçado, e tampouco chocante ou surpreendente, mas era curioso – era curioso que as pessoas capazes de tamanha atrocidade tivessem medo de fantasmas ou de coisas do gênero. Mais curioso ainda era o fato de que ele mesmo havia construído para si aquela reputação de “Doutor Morte”, e aquelas pessoas supersticiosas pareciam tão confortáveis em sua presença – era incrível como os seres humanos podiam ser capazes de inventar a próprio senso de normalidade.

Meneou a cabeça afirmativamente, tendo uma idéia. “ - Boa idéia, Sr. Falcone. Posso te enviar os meus horários e você envia o padre no próximo dia que eu estiver aqui?” – era um combo, entende? Primeiro, aquilo o aproximava mais ainda da famiglia: o padre que viria certamente era conhecido deles. Segundo, mesmo que protestantes e católicos não se dessem muito bem, certamente um padre local conheceria o Profeta Samuel e saberia lhe contar alguma coisa.

Quanto a forma como deveria lidar com os Giovanni, Faust apenas acenou com a cabeça. Sempre havia desejado a chance de vivissecar um vampiro e realmente entender como eles funcionavam, mas aquilo gerava toda uma sorte de poréns – até que ponto os Falcone podiam realmente bater de frente com vampiros? Até que ponto vampiros se importavam uns com os outros e tentaram vingar um colega, se Faust o capturasse? Eram muitas vertentes, muitas possibilidades, muitas coisas a se pensar.

Despediu-se dos Falcone com educação amigável – ou o mais próximo disso que conseguia – e estava prestes a efetivamente trabalhar, quando sentiu o celular vibrar com a chave de acesso. Sentou-se e passou os olhos pelas informações, atentamente, antes deletar a mensagem – pontos positivos de ter aquele tipo de memória fotográfica, no fim das contas. As informações não eram particularmente úteis em si, quanto a menina, mas o contexto que elas passavam… Aquilo sim era útil. Muito útil, veja: se as pontas estavam todas bem aparadas e limpas, aquilo era, certamente, trabalho de alguém – um alguém indivíduo ou grupo, mas mais provavelmente, o segundo. Aquilo resultava em duas possibilidades: ou Brenda havia se aliado a alguém, ou Brenda havia sido capturada por alguém… E isso ia desde uma rede de tráfico humano até os Nephandi, no fim das contas.

Mas ele tinha muitas coisas para pensar. Decidiu que faria melhor em, naquele momento, distrair-se com o trabalho que efetivamente lhe pagavam para fazer – no período de cerca de uma hora e meia, Faust abandonou o mundo ao seu redor e focou-se exclusivamente na prática de medicina, em preencher laudos e relatórios, realizar as autópsias necessárias, etc. Era bom: enquanto as partes mais técnicas de sua mente estavam ocupadas, outros pensamentos ficavam cozinhando em segundo plano, formando-se quase que sozinhos, devagar.

Concluída aquela parte de seu trabalho, Faust dedicou cerca de trinta minutos à manutenção de sua rede de informações – abriu o notebook e leu informações, passou-as para outras pessoas, enfim, fez seu trabalho. Se dedicasse mais uns trinta minutos aquilo até o final do dia, tudo estaria de acordo com seu planejamento diário. Tendo terminado, conferiu o horário: 11h. Ainda tinha uma hora antes de estar livre.

Abriu o celular e digitou um SMS para Dr. Max: “Existe alguma chance de que eu possa entrar em contato com Maria, a filha da acólita de Sammuel?” – e enviou.
Digitou outro, desta vez, para Oliver: “Está livre para almoçar? Tenho algumas informações sobre a sua irmã. 12h30, no restaurante onde fomos ontem, perto do orfanato?” – sugeriu.

Tendo feito isto, o Eterita abriu no browser do celular o aplicativo da HollowNet. Inseriu seu código de acesso e sua senha. Todo o design do fórum era em preto, e as linhas e letras faziam contrastes fortes – verde-matrix ali, vermelho sangue aqui. Era visualmente agressivo e West não gostava muito do “ambiente”, mas, talvez justamente por não levá-los muito a sério na maior parte do tempo e ser bastante anônimo ali, ele sentia-se confortável para perguntar sobre coisas que poderiam parecer idiotas se fosse a outras fontes. Dr. West pensava na HollowNet mais como um “mecanismo de expansão”, que lhe dava coisas para pesquisar e discernir, do que realmente como uma fonte de informações confiáveis.

Abriu um novo tópico: “BRUXOS GIOVANNI?”. No texto, digitou: “Alguém sabe de uns brxos italianos que fazem magia com o sangue dos outros? Coisa de mafia também, sei lá.” – escreveu, depois revisitando o texto e encurtando palavras, de forma a parecer mais internetês e adolescente. Sabia que provavelmente os Giovanni eram vampiros, mas o problema de uma fonte não muito confiável era que ele precisava ser vago, também – falar de “sangue”, “bruxaria”, “giovanni”, “vampiro” e “mafia”, tudo junto, seria pintar um alvo na própria testa como alguém que sabe demais de algo que provavelmente não devia saber.

Tendo concluído tudo aquilo, West pegou sua maleta e tirou dalí os livros que havia levado, afim de pesquisar um pouco – mas havia mudado de idéia: ao invés de pesquisar efetivamente a tempestade dos Avatares, resolveu que seria mais importante pesquisar exatamente o que acontece com o Avatar de um mago ou um adormecido após sua morte.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Abr 03, 2017 10:44 pm

Int + Research, dif 9.  Com especialização. Gasto de 1 de FdV.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Seg Abr 03, 2017 10:44 pm

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Ter Abr 18, 2017 1:23 pm

Willian ouviu com (aparentemente) bastante atenção a descrição de Oliver dos eventos da noite anterior, mantendo as mãos juntas, unidas pelas pontas dos dedos. Parecia bastante absorto com as informações que recebia parando rapidamente apenas para pedir o café pelo intercom sobre a mesa. Mas manteve-se silencioso a maior parte do tempo, apenas fazendo algumas perguntas sobre o fantasma, tanto em sua aparição na cracolândia, quanto da visão temporal de Oliver. Mas eram perguntas apenas sobre os fatos, coisas como detalhes da roupa do fantasma, e sobre os ferimentos que ele apresentava. Demonstrou-se também interessado na tal "força" ou "sensação" que Oliver parecia ter sentido, quando no fluxo do tempo. Mas aquilo era um mistério para o próprio Akasha.

Ao ver o saco plástico, contendo seringas, cachimbos e papelotes, que Oliver lhe estendeu. Willian hesitou um pouco, mas o pegou, com a ponta dos dedos, como se tivesse nojo da coisa. O colocou lentamente num canto da mesa, enquanto Oliver terminava sua história, e comentou:

- "Cortéz vem de uma família de alquimistas. Ele deve saber analisar essa... coisa. Quanto a esse Big Louie, nunca ouvi falar. Se estivéssemos num filme de gângster de segunda categoria, teria toda a sonoridade de um nome de um chefe do crime local. E é bem possível que seja isso mesmo. Provavelmente nada digno de atenção. É duro admitir, mas a saída forçada do Coro Celestial da cidade deixou alguns vácuos na área assistencial para os Adormecidos, e quando isso ocorre, a criminalidade inevitavelmente se expande para tomar estes vácuos. É mais um fato triste da vida, mas um fato que pode ser endereçado pelas próprias instituições dos Adormecidos. Se a história nos mostrou algo, é que tratar os Adormercidos como bebês não é uma boa idéia. Eles carecem de guias, amigos e líderes, mas não de babás."

- "Entretanto, vocês já ajudaram, não? Esse traficante não irá traficar mais nada. E sua cabala, junto com o Profeta Sammuel, podem ter mudado em definitivo a vida daquela garota. Estou curioso pelo diagnóstico do Dr. West sobre a moça. Essa história toda é bastante... intrigante, e merece investigação mais profunda. Talvez consiga convencer Jeanette a dar uma olhada nela também - recostou-se na cadeira, as mãos ainda unidas pelas pontas dos dedos, e perguntou - "Mas me diga, o Profeta dava algum tratamento diferenciado a você e sua irmã, enquanto estavam lá? Ele dava tratamento diferente a alguma das demais crianças? Aliás, podemos ser mais amplos do que isso: há, em suas memórias, qualquer coisa que pudesse ser classificada como estranha, no funcionamento do orfanato ou em seus ocupantes? Veja, parece que o lugar usava de algumas brechas na legislação para não precisar manter registros junto aos órgãos competentes. A Srta. Granger ficou estarrecida ao descobrir isso. Então, qualquer pista que possa nos dar. Sr. Gray, será de grande valia, pois, confesso, estamos um pouco perdidos aqui"

Após as considerações de Oliver, quando ele finalmente entraram no assunto da estadia do Akasha sem-teto, o hermético sorriu levemente, e disse:

- "Será um prazer recebê-lo entre nós, pelo tempo que julgar necessário, Sr. Gray. Este local foi pensado exatamente como um ponto de apoio para o retorno das Tradições a esta cidade, e ser um teto para magos que estão sem um é uma de suas funções. Temos algumas normas e alguma disciplina a serem observadas, mas tenho certeza que, comparadas às normas e disciplinas de um mosteiro, o Sr. as considerará bastante suaves" - nisso, a tia do café estava entrando, com sua bandeja, o que serviu de deixa - logo que terminarmos aqui, Thelma irá lhe mostrar seus aposentos. Um longe do das meninas, certo, Thelma? Ela também irá lhe passar nossos horários e outros detalhes, mas há uma regra que posso eu mesmo lhe passar agora: não vá até o último andar sem ser acompanhado de um membro da Ordem. Há instâncias ali que podem ser perigosas para os desconhecedores. Thelma, por favor, avise a Cortéz para também incluir nosso novo hóspede nos sistemas de segurança - nesse ponto, a expressão de Willian estava como algo que poderia ser considerado "leve", e ele fez uma tentativa de gracejo - "Mais um jovem entre nós, Thelma. Vai ser difícil não lembrar que estamos ficando velhos, hehehe."

A simpática velhinha, Thelma, olhou para Oliver, deu um sorriso enigmático, e disse apenas:

- "Será um prazer, Sr. Von Heinekkein."

thelma:


Última edição por The Oracle em Qua Abr 19, 2017 6:12 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Ter Abr 18, 2017 9:49 pm

Após seu relato, durante o qual tentou ser bastante detalhista, Oliver ouviu os comentários de Willian. Ele tentou responder de maneira precisa as perguntas do mago mais antigo, mas realmente não foi capaz de dizer nada sobre a "força" que o arrancou de seu transe, cancelando sua magia. Sobre a questão do tráfico e de Big Louie, ele disse: 

- "Eu fico bastante incomodado com essa questão das drogas. Quero dizer, as pessoas não deviam fazer isso com as outras e nem consigo mesmas. Não há alma saudável que habite um corpo destruído por esse lixo. Eu queria poder fazer mais sobre isso, muito mais, e talvez eu faça".


   Os olhos do jovem Akasha transpareciam uma determinação selvagem e não era por acaso. Mesmo antes de se juntar à irmandade, Oliver, então adolescente, estava longe de ser um cara certinho, mas nunca tolerou a ideia de algo ter um controle tão intenso sobre uma pessoa quanto uma droga tem. Ele chegou a ver um amigo cair nessa armadilha para não voltar mais ao que nós conhecemos como mundo real. Droga, o cara virou uma porcaria de um vegetal.

   Ao perceber que estava sendo intenso demais e que fez uma pausa muito demorada na conversa, ele se desculpou, acenando com a cabeça enquanto ouvia Willian falar sobre a família de alquimistas a qual Cortez pertencia. Que coisa. O cara definitivamente era cheio de surpresas. Oliver realmente gostava de Cortez. Seu espírito franco ressoava com o dele. 

   Oliver ainda estava pensando nisso quando Willian lhe perguntou sobre a sua infância:

-  "Eu mal via o velho, para falar a verdade. Nós tínhamos cuidadores, mas se algum deles me tratou de uma forma distinta, provavelmente foi porque dobrou o número de cascudos com relação aos outros. Não entenda mal. Eu mereci todos eles. Mas agora que você falou, eu não consigo pensar em ninguém da minha época que estava no orfanato e não tinha um irmão. Havia gêmeos e irmãos como eu e Brenda. Por sinal, você não espera ver tantos gêmeos em um lugar só, mas havia uma boa quantidade deles lá.

  Quando recebeu a notícia de que poderia morar na capela hermética, Oliver ficou radiante:

-  "Ei, muito obrigado mesmo, senhor Willian. Eu nem sei o que dizer, mas fiquei muito agradecido. Eu não preciso de muita coisa. Um teto sobre a minha cabeça já resolve tudo! E pode deixar, pode deixar, não vou chegar perto do lugar que você mencionou".

   Dito isso, ele cumprimentou Thelma calorosamente, agradecendo pelo café e pela escolta até seu novo quarto. Oliver tinha certeza de que ia gostar de Thelma. Ela tem acesso a um estoque enorme de café! Fala sério!

   No meio do caminho até o seu quarto, Oliver viu a mensagem de Faust e respondeu o seguinte: "Claro, por que não? Mas eu estou sem carro e o lugar é longe pra caramba. Pode me buscar na capela hermética? Boa escolha do local, inclusive. Eu queria mesmo voltar lá". Ele guardou o celular depois de um momento de indecisão. Primeiro, pensou em dizer à Granger que estava morando à algumas portas de distância, mas decidiu que deixaria ela descobrir por si mesma. Queria ver a reação dela.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Abr 19, 2017 6:56 pm

Os dois cadáveres com autópsia agendada não resguardavam nada de interessante. Um deles era um idoso morto por cirrose hepática (o que West afirmara estar envolvido com forças do mal), certamente um consumidor pesado de álcool. O outro era uma senhora na casa dos 40, claramente vítima de suicídio, por enforcamento. Para que a polícia desconfiava que a mulher havia sido morta antes, e dependurada para forjar o suicídio, mas o estado do palato, o livor mortis e as escaras no pescoço deixavam bem claro que havia sido suicídio mesmo. Se quisesse confirmar mais ainda, Faust poderia perguntar a ela, já que a mulher estava presente durante a autópsia. Entrou quando a porta foi brevemente aberta por uma pessoa da faxina. Mas aquela Inquieta não parecia ainda entender muito bem sua condição, pois apenas observava, embasbacada e silenciosa, enquanto seu corpo era cortado, e seus órgãos internos examinados. Saiu mais tarde, "correndo", quando uma enfermeira trouxe uma prancheta de papelada para West.

A resposta do Dr. Max ao SMS chegou coisa de meia hora depois:

- "A moça é fácil de ser achada. Mas você terá de ter tato ao falar com ela, imagino. Certamente já foi abordada pela polícia algumas vezes, e deve ter tido sua cota de gente a chamando de "maluca". Existe inclusive a possibilidade de outros "grupos" a terem abordado, já que o evento apareceu em alguns tablóides locais. Willian me passou dois endereços, um residencial, e outro comercial" - a mensagem terminava com estes dois endereços.

West recebeu também a resposta de Oliver.

Na HollowNet, rapidamente apareceram algumas mensagens no seu post. Até ali, apenas dois usuários estavam respondendo:

- StormBiceps: "Metade da Itália se chama Giovanni, kkkkkk"
- SorrowDragon66: "Mas teve uma parada de bruxaria com uns caras desses sim. Vi isso num livro outro dia. Coisa antiga, Idade Média ou alguma porra dessas"
- StormBiceps: "Hei, não era na Itália que tinha aquela mulher que se banhava em sangue? Borgia alguma coisa?"
- SorrowDragon66: "Puta merda, tu tá misturando tudo! Nada a ver! Mas depois eu cato esse livro e posto aqui. Tenho certeza que tá numa pilha qualquer aqui no trampo"

E foi tudo o que West conseguiu, até começar a se concentrar em desenvolver suas fontes de pesquisa. A busca inicial foi surpreendentemente proveitosa. Inicialmente, West conseguiu filtrar 4 fontes plausíveis de busca: O Museu Internacional de Criptozoologia, a Sociedade Histórica do Maine, a Casa de Repouso Schuman, e a Odd Thomas Old Books.

As duas primeiras eram atrações conhecidas da cidade, mas certamente tinham sua cota de documentos e livros antigos e obscuros. A primeira tinha, inclusive, fama de ter um curador bastante excêntrico. A Casa de Repouso, em si, não seria um grande atrativo, mas ela abrigava alguns veteranos que poderiam ter visto muita coisa e ouvido muita coisa. Alguns dos idosos que habitavam aquele local eram citados em tablóides locais como vítimas de abdução, como vindos de famílias de bruxos do século XVIII, coisas assim. A última referência parecia a coisa mais próxima de um sebo de coisas sobre ocultismo e misticismo naquela cidadezinha quase caipira.

Era possível, embora improvável, que a Biblioteca Pública da cidade tivesse algo também.

Eram fontes básicas. Para aprofundar estas pesquisas, ele agora precisaria visitar estes lugares, olhar estantes, conversar com pessoas, etc.

O relógio bateu meio dia. Fim de turno.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Abr 20, 2017 5:52 pm

As vezes, quando encontrava-se junto de um Inquieto particularmente calmo ou de aspecto tranquilo, Dr. West permitia-se observá-los, sua mente invariavelmente retornando à própria esposa. Ele nunca a havia visto como uma Inquieta, mas não havia começado a ver os fantasmas logo após seu despertar, então não fazia, necessariamente, sentido lógico de que a houvesse visto. Havia procurado por ela algumas vezes, perguntado a outros fantasmas, mostrado fotos. Alguns haviam lhe dado informações honestas, mas que levavam apenas a mulher parecidas; outros sequer pareciam entender o que lhes ocorria, e ainda outros haviam lhe dado informações falsas, divertindo-se as custas de sua frustração. Mas, naquela manhã, West direcionou à mulher que assistia a própria autópsia pouco mais que um olhar breve – o fez de forma a evitar o contato visual, caso ela olhasse de volta: tinha coisas demais para fazer para se dar ao luxo de gastar tempo com uma suicida.

O doutor preencheu as fichas como devia, colocando as papeladas que iam junto do corpo junto a ele, preenchendo as tabelas que precisavam ser preenchidas, etc – não era um trabalho realmente complexo, e a natureza quase autômata dos movimentos lhe permitia gastar as energias mentais com coisas mais interessantes.

A Dr. Max, respondeu: Comercial? O que ela faz?

Já para Oliver, West disse que mandaria um Uber para buscá-lo em frente a joalheria quando saísse do trabalho, e o esperaria já no restaurante – afinal de contas o hospital era próximo do lugar, e ele poderia ir a pé sem grandes problemas.

O mais interessante, entretanto, foram as fontes de pesquisa. Não eram úteis de imediato, mas eram o primeiro passo – ele não tinha realmente as informações que precisava em seus livros, mas um levantamento de fontes possíveis era tão útil quanto. Talvez até mais, visto que poderia usar e re-utilizar aqueles locais indefinidamente enquanto stivesse em Portland… Isto é, se tudo corresse bem. Poderiam até ter interesse em aumentar sua rede de informações.

@page { margin: 2cm } p { margin-bottom: 0.25cm; line-height: 120% }
O relógio bateu meio dia no instante em que o médico terminou de guardar as coisas na sua maleta. Ele levantou, saiu do necrotério, trancou a porta. Chamou o Uber para Oliver e encaminhou-se – passaria para ver Hannah por um momento, antes de seguir em direção ao restaurante.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Ter Abr 25, 2017 1:49 pm

- "Sem coisas nas garras. Sem coisa que prende" - "disse" Vaýu, na cabeça de Emma. Seu tom parecia encerrar o assunto, sem dar espaço a qualquer argumento contrário - "comida da cidade tem gosto estranho" - complementou, levantando a pata e deixando o esquilo semi-devorado cair do galho. Quando caiu no chão, suas tentativas de movimento indicaram que ainda estava vivo, apesar de ter tido vários nacos de carne de seu tórax e abdômem arrancados, junto com as patas anteriores. Mas não durou muito, é claro. Corujas, em seu meio natural, costumam matar a presa antes de comer, seccionando a nuca com o bico. E não costumam jogar comida fora...

Elliot começou a andar, enquanto pegava o celular, ligava, e falava algumas palavras. Parecia estar falando com o rapaz do táxi, combinando para que ele os pegasse numa avenida próxima. Vaýu os acompanhou, voando de árvore em árvore, meio que respondendo sem palavras a última pergunta de Emma Quando terminou, disse algo, que provavelmente se referia a West:

- "Nesse caso, simplesmente temos que estar um passo a frente dele. Pra quando aparecer um penhasco, ele ser o sujeito a cair, e não nós. Enquanto isso, é bom ter um fanático pra fazer as coisas andarem."

Chas passou para pegá-los, e passaram o resto da manhã resolvendo coisas mundanas. Religaram água e luz nas respectivas companhias. Elliot demonstrava uma certa habilidade em se movimentar através da burocracia, e também em manipular os funcionários e burocratas a fazer o que ele queria. Depois disso foram ao Wallmart e compraram um ou outro material que a casa precisasse. Elliot, apesar do que Emma dissera, insistiu em comprar um bolt-cutter enorme, de meio metro de comprimento. Não viram Vaýu pelo resto da manhã, mas algo nas entranhas de Emma lhe dizia que ele estava por perto.

Quando finalmente terminaram, pouco antes do meio dia, se dirigiram à casa de Emma. Elliot fez uma certa cara de desgosto, ante o estado de sujeita do local, mas não disse nada. Na verdade, parecia estranhamente interessado no tal cadeado, então, insistiu para que fosse logo ao sótão.

Quando lá chegaram, Elliot fez sua careta mais uma vez, mas parecia já conformado que não conseguiria sair com as roupas limpas. O técnico de religamento da luz ainda não havia chegado, mas luz entrava pela janela redonda. Luz filtrada pela grande silhueta de Vaýu, que se empoleirava, meio desajeitadamente, naquele buraco redondo. Ao menos, era luz suficiente para que enxergassem, muito melhor que na noite anterior.

O baú trancado distoava bastante dos outros dois. Era menor, mas tinha reforços em toda a sua estrutura. Aquela coisa provavelmente aguentaria cair de alguns andares, sem se abrir. E o cadeado parecia ser realmente muito robusto. Mas Elliot murmurou um "já vi maiores". E ajeitou o bolt-cutter no cadeado. E forçou, forçou e forçou. Forçou até ficar vermelho e ofegante, praguejando muito no processo. Depois pediu para Emma pegar uma das hastes, e forçaram os dois juntos.

Nada. O cadeado sequer ficou marcado. Elliot jogou o bolt-cutter longe, xingando nomes que Emma não escutava havia muitos anos, e caiu sentado no chão poeirento, tirando um lenço do bolso para enxugar a testa. Em seguida, com raiva, pegou o cadeado na mão direita, e sua expressão mudou repentinamente, de raiva, para surpresa.

- "Você tinha visto isso?"

Na superfície cor de bronze do cadeado, havia, gravado em baixo relevo, a figura estilizada de um relógio de ponteiros, marcando 3:15.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Abr 26, 2017 12:05 am

O Dr. Max respondeu depressa a mensagem: "Uma loja de roupas, ao que parece. Nada muito notável"

Quando chegou ao quarto em obras que era ocupado por Hannah, encontrou a garota acordada. Estava sentada na cama, abraçando os joelhos. Parecia um coelho assustado, mas sua aparência havia melhorado de maneira sensível, com aqueles breves cuidados que lhe haviam sido dispensados. Ainda estava magra, é claro, tão magra que a grande barriga e os seios inchados de leite destoavam do resto do corpo. Mas não tinha mais olheiras, o amarelo de icterícia na pele não havia sumido, mas reduzira bastante, e mesmo uma série de pequenos cortes e hematomas que tinha no rosto e braços pareciam bem melhores. E é claro, o cheiro nauseabundo do dia anterior havia sumido. Os cabelos loiros estavam lavados, e não havia aquelas manchas de sujeira na pele. Parecia uma adolescente grávida que andou comendo pouco, e não um flagelo do crack. E era até mesmo uma moça bonita.

Quando viu West, aquela expressão de animal assustado se suavizou em seu rosto. Ela tentou um sorriso, mas o que saiu foi uma coisa meio torta, ainda com algum medo e confusão misturados. Por algum milagre, a garota tinha todos os dentes ainda no lugar. depois de um segundo, ela disse, rápido, sem jeito, atropelando as palavras.

- "Oi, doutor... ai, que vergonha, eu não lembro o nome do senhor... quando eu tento lembrar as coisas, fica tudo tão borrado... E eu sei que tem coisas que eu não deveria lembrar... Mas eu lembro que o senhor me salvou. Lembro do senhor, e de um rapaz, e do Profeta... Eu sempre penso nele como um anjo, mas ele me disse que não era um anjo. Me disse que eu não precisava lembrar de certas coisas, que não importava, que eu precisava recomeçar, e... e..."

Ela agarrou a própria barriga, de uma forma um pouco protetora. Uma única lágrima escorreu de seu olho esquerdo. Continuou.

- "Hoje de manhã, eu acordei com ele mexendo... Eu nem mesmo sei quando isso aconteceu. Não sei quem é o pai... Eu não lembro... Mas sei que tenho que cuidar dele. O Profeta que disse. E que eu tenho que procurar minha mãe. Ela deve estar morta de preocupação. Eu não sei há quanto tempo saí de casa, mas tenho que procurar ela. O Profeta disse. As coisas que ele disse, estão se apagando... É como se ficasse borrado. Eu só lembro que ele disse "segunda chance". Isso eu não esqueço. Eu tenho que procurar minha mãe, e cuidar dele, e vai dar tudo certo. Eu sei disso. Mas eu não lembro o telefone de casa... Mas eu sei o nome da rua... e lembro da casa. Será que o senhor pode me levar pra casa?" - seus olhos agora tinham uma expressão de súplica - "eu... eu não tenho dinheiro pra pegar o ônibus... aliás, eu nem tenho uma roupa pra sair daqui... essas roupas de hospital deixam sua bunda de fora, não posso sair assim na rua..."


E nisso, o estômago da garota roncou sonoramente. Ela enrrubesceu.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Abr 26, 2017 12:48 am

Thelma o levou por um corredor ali mesmo no segundo andar. As portas nesse andar, à exceção do escritório de Willian, não tinham nomes, mas sim números. O corredor dobrou a direita, e Thelma continou seguindo, assoviando, e tirando um molho de chaves do bolso do avental. Abriu uma das últimas portas, a de número 12, revelando um quarto simples, composto de uma cama de solteiro, um armário ebutido, e uma escrivaninha. Era bem espartano, mas comparado a seu claustro no mosteiro, aquilo era uma suíte 5 estrelas. Ele tinha até uma janela! E um banheiro só pra ele. Ok, um banheiro bem pequeno, mas era um banheiro! Thelma lhe disse, entregando a chave:

- "O refeitório fica no fim desse corredor, não tem como errar. O café da manhã está disponível de 06:00 às 08:00, o almoço de 12:00 às 14:00, e o jantar de 19:00 às 21:00. Mas lá tem uma máquina de café e um microondas, então, dá para comer algo em qualquer horário. Espero que você não seja vegetariano, nem nada assim. Até às 19:00, você consegue entrar no prédio pela loja, depois disso, só pelos fundos. Cortéz vai pegar sua digital, ele que cuida dessas coisas de segurança. Hummmm, algo mais? Deixa eu pensar... Ah, a não ser em situações de emergência, não é uma boa ideia trazer Adormecidos para cá. E mesmo magos, é bom avisar entes. As pessoas da Ordem são um pouco ciumentas com seus segredos."

Ao ouvir a pergunta de Oliver sobre o Uber, Thelma ergueu a sobrancelha, incrédula. Mas depois de um segundo, sua expressão mudou, como se tivesse se lembrado de algo. E respondeu:

- "É um serviço de transporte. Como um táxi, só que diferente. Ouvi as meninas comentando que você cresceu num mosteiro no Japão" - balançou a cabeça, num certo tom de reprovação - "Ah, meu jovem, teria sido melhor se você tivesse permanecido por lá... esse país está perdido, nada de bom acontece aqui. A América não é mais o que era... Bem, vou deixá-lo a sós para arrumar sua baga..." - nisso, Thelma pareceu ter se dado conta que Oliver nada carregava, além de uma sacola de lona. Passos se fizeram ouvir no corredor, e ela colocou a cabeça para fora da porta - "Cortéz! Temos um hóspede! Você precisa fazer aqueles seus trique-triques de segurança, não?" - voltando-se para Oliver, terminou a conversa dizendo - "seja bem vindo, Oliver. Que a boa Fortuna te acompanhe nesta cidade".

Quando Thelma saía do quarto, Cortéz entrava, com uma certa cara de interrogação, uma expressão que mudou para um sorriso ao ver Oliver.

- "Hei, Oliver! Resolveu ficar conosco? Hahahahaha, Dani vai detestar essa!" - disse, apertando vigorosamente a mão do Akasha - "Ela vive dizendo que "onde se ganha o pão, não se come a carne", o que eu considero uma infelicidade sem tamanho. Mas, mierda, estou falando demais. Esqueça isso! Vai ser bom ter outro muchacho pelas redondezas. Vamos, vamos, tenho que te colocar nos sistemas de segurança!"


Cortéz o guiou para o primeiro andar, por uma escada diferente da qual subira. Aquela escada ficava logo antes do refeitório, de onde vinha um aroma de frango frito. Ao descer, chegaram a uma espécie de área de carga. Ali era mais sujo e menos iluminado que o resto do prédio. O chão era de concreto, o teto, alto, e havia algumas caixas de madeira empilhadas, e uma série de diferentes máquinas, mais ou menos da altura de um homem. Pareciam velhas e em desuso, e Oliver não saberia nem dar um palpite de para que serviam.

O local tinha ainda duas portas: uma pequena, de pedestres, e um portão grande, que daria passagem até a um caminhão, se fosse o caso. Ambas eram de metal, e pareciam bastante fortes. Aliás, a própria porta que separava a escada daquela área de carga e descarga, parecia blindada, da mesma forma que uma outra porta interna que havia ali. Todas elas tinham, ao lado da fechadura, um mecanismo esquisito.

Cortéz ligou um terminal de computador que havia por ali, e começou a digitar algumas coisas. uns trinta seguntos depois, Solicitou que Oliver pusse seus dedos indicadores, primeiro um, depois o outro, numa coisa que ele não sabia o que era (um leitor de digitais). Depois, pediu que ele segurasse em dois bastões matálicos que estavam ali, espetados no chão, perto do computador. Aquelas peças não tinham uma aparência velha como as demais máquinas. Ele não sentiu absolutamente nada, mas após 10 segundos segurando os bastões, Cortéz disse: 

- "E, pronto! Quando quiser entrar, é só chegar numa das portas, e pressionar seu indicador numa dessas coisinhas do lado da porta. Depois de três segundos, a coisa abre. Vamos almoçar, amigo?"
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qua Abr 26, 2017 10:18 am

Se alguém perguntasse a Oliver sobre quando foi sua última maré de boa sorte, por muito tempo ele se lembraria daqueles primeiros dias em Portland. Ele ouviu cuidadosamente tudo que Thelma tinha a dizer sobre o alojamento e suas regras, que o jovem Akasha achou super razoáveis. Ele não achou que teria um pingo de dificuldade de respeitar quaisquer uma delas, pois havia se acostumado a sistemas disciplinares MUITO mais rígidos. Oliver ainda tentou puxar assunto com Thelma, se interessando por qualquer coisa que ela tivesse a dizer, qualquer trivialidade. Ele ouvira dizer que, muitas vezes, idosos costumam se sentir sozinhos, o que era injusto, já que eles costumam ser grandes fontes de sabedoria. Ele estava agradecendo por tudo quando Cortez apareceu:

  -Aí está o cara que eu queria ver! Também entende de segurança, é? Tem alguma coisa que você não saiba fazer?

  Oliver desceu até a tal área enquanto batia papo com cortez. Quando ele falou sobre Granger, ele respondeu:

  -Bem, mas não é como se estivéssemos trabalhando juntos, certo? Acho que somos mais como vizinhos ou algo assim? - Cortez provavelmente percebeu que Oliver estava mais tentando solucionar um entrave futuro com a garota do que propriamente falando de algo no qual ele acreditava de fato - Por sinal, ela me chamou pra esse bar de salsa que vocês costumam frequentar, mas, cara, eu estou completamente perdido! Eu nunca dancei nada na vida, mas eu estava pensando: eu soube que você é o pé de valsa do pedaço. Eu não tenho grana para pagar por aulas de dança, mas será que você não quer trocá-las por, sei lá, aulas de qualquer estilo de kung fu conhecido pelo homem?

  Oliver se sentia bem mais à vontade conversando com Cortez, e sinceramente esperava que ele se sentisse da mesma forma. Depois de se cadastrar nos protocolos de segurança da capela, ele se sentiu como se tivesse acidentalmente conseguido um quarto na bat caverna, só que menos úmida e mais iluminada. Aquilo era um máximo, sério. Sobre o convite para almoçar, ele respondeu:

  -Vai ter que ficar pra outra hora, cara. Faust mandou um tal de Uber me buscar. Ele quer checar uma coisa do outro lado da cidade. Mas eu devo estar de volta na hora do jantar.

   Se despedindo, ele foi para a frente da capela, cumprimentando as gêmeas no caminho. Lá, ele esperou pelo Uber e embarcou assim que ele chegou.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Abr 26, 2017 2:13 pm

Não esperava ver Hannah desperta. Faust geralmente era muito bom com previsões, cálculos e estimativas em geral, mas no que tangia a menina que havia sido salva pelo profeta, tudo, absolutamente tudo era uma surpresa. E era natural que assim o fosse, na verdade: era a primeira vez que ele via algo como aquilo acontecer, e ele sequer tinha certeza ainda do que era "aquilo"... Era impossível saber quais seriam as reações. 

Mas, de qualquer forma, lá estava ela sentada sobre a cama, desperta e assustada. Ela tentou sorrir, e falhou - o Dr. Faust fez exatamente a mesma coisa, apesar de ter falhado menos: sabia que não era bom com sorrisos, então sequer tentava mostrar os dentes ou realmente sorrir, se satisfazendo em suavizar a expressão apertar levemente os olhos. Havia lido uma vez que se você apertava suavemente os próprios olhos, você parecia estar sorrindo, mesmo sem estar. 

Aproximou-se da cama devagar, prendendo a bengala ao lado da "gaveta" onde se coloca o prontuário do doente. "Não se preocupe com isso agora, Hannah. O importante é que vocês estão bem. Me chamo Dr. West." - e meneou a cabeça para ela, brevemente. Enquanto o fazia, foi ouvindo o que a menina dizia e conferindo seu prontuário, vendo se haviam mudanças em seu estado, medicações ou qualquer outra coisa anotada ali pela enfermeira Rockwell. 

Colocou a ficha ali de novo, e murmurou um "com licença" enquanto apoiava a maleta nos pés da cama dela, atento a tudo que era dito. Eram informações interessantes, ele achava, principalmente as que destoavam um pouco do que seria esperado - por exemplo, ao que tudo indicava, Profeta Samuel havia apagado a memória dela de alguma forma, para limpá-la dos traumas do passado. Isso faria pleno sentido, não fosse o fato de que se o trabalho houvesse sido feito da forma correta, a menina sequer teria memória de ter que esquecer coisas... E tendo visto o que havia, Samuel sem dúvida era capaz de um trabalho bem feito. 

Dr. West não sabia o que aquilo significava. Mas significava alguma coisa. "Eu vou deixar com você um bloquinho e uma caneta, e tudo o que você for lembrando, você anota. O que acha?" - perguntou. Faust não fazia muito contato visual. "Vai ser bom para você e para o bebê escrever as coisas, dar algum sentido, alguma ordem a tudo isso. Não se preocupe em fazer sentido, o que importa é transmitir para o papel seus sentimentos, seus pensamentos, e tudo o mais que lhe parecer importante." - explicou. 

"Estar se mexendo é um ótimo sinal.", ele respondeu, tirando da maleta um estetoscópio e murmurando um "com licença" antes de colocá-lo contra a barriga da mulher, tentando ouvir o bebê.  

Diante das outras coisas que ela dizia, o bom doutor meneou a cabeça, fazendo o truque dos olhos-sorriso novamente, e fazendo contato visual por um instante. " Tudo vai ficar bem. Eu vou te ajudar. É uma promessa. Mas é importante que você fique aqui ainda hoje para termos certeza que tudo está bem, e que não saia do quarto, ok? Amanhã te levo até a casa de sua mãe, e te trarei algumas roupas."

Era uma pena, uma pena muito grande, o fato de Emma ser uma variável explosiva que Faust não sentia poder realmente prever - seria ideal, mesmo, ter uma presença feminina e jovem para ajudá-lo a lidar com Hannah e para estar com ele quando levasse a garota para a mãe. 

Quando o estômago dela roncou, ele fez uma pausa, arqueando muito sutiilmente uma sobrancelha em direção a menina. " Vou pedir que a enfermeira Rockwell te traga coisa para comer, e se seus exames continuarem bons, vou tentar contrabandear um x-burger." - acrescentou. Era naquelas pequenas coisas, ele achava, que se construía algum rapport e se garantia a confiança e a cooperação de alguém. A ilusão da cumplicidade. 


Spoiler:
Se não houverem novas informações gritantes, Faust em seguida irá deixar um bloco e uma caneta com ela, tirar algumas coisas como pressão e etc, fazer algumas perguntas rotineiras de medicina, e se despedir para ir encontrar com o Oliver. 

No caminho, vai procurar a enfermeira Rockwell e avisar que Hannah está acordada e faminta.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Abr 26, 2017 5:03 pm

Thelma tinha aquela habilidade dos bons mordomos e damas de companhia: ser invisível. Logo, ela não era de falar muito. Mas acompanhava as puxadas de assunto de Oliver, embora não fosse um poço de tagarelice, como certas velhinhas são. De mais concreto que Oliver ainda conseguiu extrair, foi os quartos onde os demais habitavam, e uma sutil recomendação de que ele mantivesse sua libido longe das "meninas". A quem ela se referia por "meninas", entretanto, não ficou claro. Aliás, sendo Oliver obtuso no assunto como era, e a velha senhora sendo sutil como desejava ser, não seria difícil supor que Oliver simplesmente não tenha pegado a coisa.

Já com Cortez, era o inverso. O sujeito gostava bastante de falar, talvez um pouco alto demais, mas sempre com um sorriso no rosto.

- "Não sei ficar longe das chicas, por exemplo" - disse, gargalhando - "adoraria saber, ia me poupar muito trabalho. Mas vamos falar de salsa. Essa de me ensinar kung-fu parece uma ótima. Já treinei um pouco de boxe e luta-livre, mas é sempre bom poder melhorar. Tento nunca ser pego desarmado, mas, nunca se sabe, não é? Você é do caratê, não deve ser difícil pegar uns movimentos. Hoje é segunda, isso significa que temos dois dias. Me procure essa noite, e vou te ensinar o básico do básico. Um antigo instrutor meu dizia que lutar, dançar e fazer amor são muito similares, hahahahaha. Acho que você vai se adaptar bem. E, na boa, ninguém nesse país sabe dançar direito. Exceto o finado Michael Jackson. Vai estar de boa na quarta. Ah, aquela garota dos dreads vai? Cara, adoro loiras!"

_________________________________________________________________________

Hannah não pareceu muito satisfeita em ter que ficar ali mais um dia, mas murmurou um "ok". Aparentemente, se West dissesse para ela ficar de ponta-cabeça e cantar o hino nacional da Bósnia, ela o faria. A garota parecia ainda confusa e assustada o bastante para obedecer qualquer ordem, sem reclamar.

Quando West deixou o quarto, ela estava devorando sem pudores a refeição que lhe fora trazida.

_________________________________________________________________________

O restaurante chinês, e suas redondezas, pareciam mais amigáveis debaixo da luz solar. O cheiro de fritura em óleo velho persistia, mas havia mais gente nas ruas, uma atmosfera menos opressiva. E o local até estava relativamente cheio, quando West e Oliver chegaram. Um cartaz na porta anunciava uma promoção qualquer de um prato de nome esquisito, e era visível que praticamente todos ali estavam comendo aquilo: uma massa indistinta de macarrão e legumes, com algo no meio que poderia, talvez, ser frango. Tudo nadando num molho escuro e oleoso, e rescindindo a um tempero forte que ardia no nariz, e que nenhum dos dois saberia identificar. Havia operários de construção, policiais, jovens em uniforme escolar, até moradores de rua, todos comendo a gororoba chinesa. Mas o mais distoante da noite anterior era que havia alguns risos, e até assovios, no ar. Aquelas pessoas pareciam completamente ignorantes do poço de degradação humana que estava a duas quadras deles. Um lugar onde agora, provavelmente, haviam cadáveres apodrecendo, que só seriam notados e retirados quando o cheiro ficasse insuportável.

Ignoravam, ou não se importavam.

Quando entraram pelas portas, passando pelos dois dragões, uma mulher de meia idade, oriental, com uma blusa branca manchada, veio lhes receber.

- "Boa talde! Mesa pla dois?"


Última edição por The Oracle em Qui Abr 27, 2017 12:20 am, editado 1 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qua Abr 26, 2017 9:06 pm

Oliver não era fresco quando o assunto era comida, mas já começava a ter dúvidas sobre o restaurante. O pior é que ele estava realmente com fome, havia vindo para almoçar. O lugar parecia bem mais animado do que ele esperaria em um lugar como aquele bairro horroroso. A proximidade com o orfanato estava mexendo com sua cabeça mais do que ele esperava. Ele se sentia arredio, desconfiado, com dificuldades de centrar seu chi. Quando vou interpelado pela atendente, ele disse:

- "Sim, por favor - Oliver deu uma rápida olhada para a quantidade de pessoas no recinto, para o recinto em si e depois para Faust, depois continuou - Seria ótimo se pudéssemos ficar naquela mesa ali - Ele apontou para uma mesa vazia no canto mais próximo da porta e, tentando não dar muito tempo para a atendente recusar o pedido, foi caminhando em direção à mesa - Pode trazer o cardápio, por favor?

  Já sentado na mesa, Oliver falava com Faust em voz baixa, mas olhava de um canto para o outro no restaurante:

- "Nós estamos aqui pelo relógio, certo? Se ele estiver aqui, você consegue encontrar? E olá. Desculpe o mal jeito, mas eu não estou exatamente satisfeito por estar nessas redondezas de novo.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Abr 27, 2017 12:00 pm

Faust saiu do hospital sem o jaleco, que ficou dobrado no fundo de sua maleta, e fez seu caminho em direção ao restaurante a passos calmos: mesmo tendo gasto um pouco de tempo a mais com Hannah, achava que tinha tempo de sobra até Oliver chegar, e seria bom aproveitar aqueles minutos para conhecer os arredores, dar uma caminhada, enfim.

Chegou em frente ao restaurante, curiosamente, a tempo de ver o carro preto do Uber virando a esquina, e ali parou, esperando que Oliver descesse. Uma parte de si imaginou que veria o Akasha com três garrafas de água e balas transbordando de seus bolsos, mas não se decepcionou ao vê-lo deixar o carro de forma civilizada. 

A falta de comprimentos excessivos não o incomodou. Era estranho, sim - de alguma forma, Faust havia se acostumado a realizar aqueles pequenos rituais sociais, mas não o incomodava. Até economizava tempo, na verdade. Deixou que o Akasha falasse com a hostess e moveu-se em direção a mesa em silêncio, sentando-se também. Observou o lugar, buscando por indícios do jovem negro que haviam visto na noite anterior - mas duvidava, honestamente, que ele estivesse alí. 

Quando Oliver finalmente começou a falar, Faust meneou a cabeça, apoiando sua maleta no chão. Ele havia prendido a bengala nas costas da cadeira. 

" - Em partes. Realmente tenho informações sobre sua irmã." - disse, em tom baixo, mas sem sussurros teatrais. " - Quanto ao relógio, eu poderia tentar, mas não me parece possível. Mas temos outras formas de chegar a ele." - disse.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qui Abr 27, 2017 1:29 pm

Ao receber o cardápio, Oliver fez uma pausa na conversa recém-iniciada para falar com a atendente:

- "Vou querer um yakisoba de frango e uma garrafa d'água, por favor".

  Ele deu mais uma olhada no local enquanto Faust fazia seu pedido, Em busca de problemas. Pelo menos, se houvesse algum, ele já estava um pouco mais confiante por ter assegurado um lugar estratégico para lutar. Quando Faust fez seu pedido (ou não) e a atendente se afastou, ele continuou:

- "Você descobriu algo sobre a Brenda? Sabe onde ela está? - Oliver parecia ansioso agora - Sobre o relógio, estou aceitando ideias. Sinto que seria um avanço e tanto caso nós conseguíssemos colocar as mãos nele. Mas e a menina da noite passada? Como ela acordou? Na hora que eu fui embora, ela parecia um pouco melhor.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Abr 27, 2017 1:50 pm

Faust pediu o especial da casa e uma água, também. Não estava planejando comer muito, então nem se deu ao trabalho de olhar o cardápio. Havia pedido mais por que chamava menos a atenção duas pessoas conversando com comida na frente delas do que sem. 

O doutor olhou para Oliver enquanto ele começava a fazer suas perguntas, e respirou fundo devagar, puxando o ar pelo nariz. Eram muitas perguntas, sobre muitos assuntos diferentes. " - Sim, e não, sobre sua irmã. Mas sobre isso acho melhor conversarmos depois, quando sairmos daqui." - e moveu os olhos em volta, de forma levemente paranóica. "Hannah está bem, acordada e ansiosa para se reencontrar com a família."

"Quanto ao relógio, é uma questão de... pacotes diferentes de habilidades.", informou o doutor. "Não tenho nenhuma ilusão quanto a minha simpatia, Oliver.", e pausou brevemente, antes de prosseguir. 

"Se o relógio foi pego por alguém que podemos encontrar, o que não temos certeza, foi pelo rapaz que você viu pela viseira da porta. E tenho motivos para crer que talvez ele nos seja de interesse ainda maior, e mais importante, do que o relógio.", afirmou. Dr. West tinha um jeito tranquilo de falar, calmo - parecia saber do que falava. 

"O que podemos fazer aqui - o que você pode fazer aqui - é usar de sua beleza e simpatia para conversar com os atendentes e conseguir descobrir o endereço do rapaz. Vocês podem ser amigos de longa data, digamos assim. Você pode ter finalmente conseguido juntar os dólares que estava devendo."
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qui Abr 27, 2017 3:15 pm

Oliver queria realmente saber mais sobre a irmã, mas se aquela não era a hora ou o lugar, então não havia porque insistir:

- "Certo, vamos deixar o assunto de Brenda para depois e, que bom que a garota melhorou. Mas, ei, que bom que você sabe que não é simpático. Sendo super sincero, nunca me ocorreu que você sequer tivesse pensado sobre o assunto, mas eu gosto da ideia de encarar nossa cabala como um trabalho em progresso, certo? Nós não somos exatamente amigos ainda. Na verdade, eu nem sei se você tem ou quer ter amigos, mas eu vou fazer o que puder pra nós funcionarmos direito como cabala.

  E aquilo fazia sentido, na verdade. Quer dizer, é preciso um esforço épico para fazer várias pessoas desgostarem de você em menos de 24 horas. Oliver só podia torcer para que fosse exaustivo demais manter esses resultados por muito mais tempo. Então, pensando sobre a questão do relógio e do homem que supostamente estaria com ele, o jovem Akasha imaginou que qualquer ponto de partida seria tão bom quanto os outros para investigar ali no restaurante, inclusive a garçonete que se aproximava com os pedidos. Quando ela chegou, Oliver deu seu melhor sorriso, agradeceu pelo serviço e elogiou os olhos dela (porque, para ele, fazer algo assim é à prova de erro, desde que a outra pessoa tenha olhos). 

  A garçonete certamente estava ocupada, já que o lugar estava cheio, então Oliver só continuou com as trivialidades enquanto ela se sentiu confortável. Na menor brecha, ele disse: 

- "Pois é, talvez você pudesse me dar uma luz, eu estou procurando um conhecido meu..." - Oliver descreveu as feições do cara da sua visão e deixou fez uma pausa para ver se ela pegava a deixa.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Emma Woolf em Qui Abr 27, 2017 6:14 pm

Não se deu ao trabalho de responder Vai, seria como entrar numa briga com uma criança birrenta, apenas observou o animal por um instante, antes de suspirar muito brevemente. “- E o que na cidade não é?” - Indagou. A jovem começou a se mover um momento depois da coruja ter largado sua presa, aproximou-se mais do irmão, enquanto acompanhava seu caminhar.

Se reservou a não comentar mais nada a respeito do médico, sabendo como era, tinha suas conclusões a respeito de onde aquela conversa chegaria, portanto limitou se a guardar suas conclusões para si, ao menos por agora, esperava confiando em sua fé, que não concluissem aquela conversa outra com um findado ‘eu avisei’, não seria bom o resultado disso, principalmente diante do que se desdobrava frente a eles. Fanatismo e e mura perigoso, em todos os sentidos e formas e nunca nada de bom provinha dos fanáticos. Costumavam ser um risco grande, com poucas ou nenhuma vantagens.

Como ele não havia lhe dado uma resposta a respeito das pesquisas que queria fazer, começou a traçar um micro plano para que pudesse concluir esse objetivo. Poderia conseguir os jornais mais antigos na biblioteca, onde também imaginava que poderia ter acesso a Internet para complementar  busca. Talvez se reunisse informações suficientes a respeito do orfanato e suas histórias, pudesse traçar uma pequena linha de acontecimentos e eventos, filtrando as reais informações. Ainda que  idéia não lhe parecesse muito importante a princípio, sentia que algo estava solto, ainda mais após a descoberta do diário e das coisas que Vau falará. Philips escondia segredos que talvez lhe ajudassem a compreender o que tinha acontecido com a velha mulher.

E recentemente, um questionamento interessante tinha lhe surgido: por que Philips estava na sua casa? Teria sido mesmo apenas coincidência?

Dentro do carro, aproveitou para folhear o diário, procurando alguma coisa que relacionasse aos gêmeos também. E perguntou ao taxista sobre o lugar, como era quando aberto, se ele conhecia alguma história estranha de lá, etc. Às vezes, levantava o olhar do que lia para o irmão, como se tentasse assegurar de que ele estava realmente ali. Chegou a tocar-lhe a mão uma ou duas vezes, com a ponta dos dedos.

Em relação à toda a burocracia, sentia-se bastante alheia; não entendia muitas das coisas que se passava e agradecia silenciosamente aos Deuses pela presença de alguém que sabia o que fazer. Mas essa de fato não parecia ser a pior parte do dia no final das contas. Era mais do que possível notar sua insatisfação pessoal ao entrar no Walmart, suas expressões se moldaram entre leve nojo, surpresa, desgosto e afins. Andou nos corredores praticamente grudada no irmão, lançando olhares desconfiados às sessões pelas quais passavam, e recusava veementemente qualquer coisa lhe oferecida. Por vontade própria, não tinha adquirido nada. Não era um lugar onde se vendesse nada pelo qual tivesse interesse ou vontade, ainda que a experiência tivesse sido no mínimo interessante.

De volta ao carro, ficou mais quieta, focando o caminho precisava se orientar pela cidade no final das contas.

Ela ignorara as caras dele, em relação ao estado da casa, acreditava que até o dia seguinte conseguiria limpar o lugar, não era uma tarefa tão difícil quanto parecia; atendeu a afobação do irmão, conduzindo-o até o sótão. Mostrou onde tinha achado o diário e o baú com o cadeado. Pôs-se de lado, enquanto ele, sem sucesso e com o resultado que ela já imaginava, tentava abrir. Ajudou quando solicitada, mas sem muitas esperanças.  Quando ele finalmente desistiu e se jogou no chão daquele jeito, ela o observou com mais atenção; em como tinha mudado em todos aqueles anos, suas lembranças a respeito dele eram vagas, já que suas separações vieram pouco depois dos laços começarem a se formar.

Diferente dela, que ainda tinha feições mais suaves, ele tinha o rosto muito mais adulto, tinha deixado completamente os traços mais infantis ou adolescentes de lado, seu rosto era o de um homem. Como teria sido ele na adolescência? Aos 18, talvez? Teria sido um jovem popular? Teria tido muitos casos? Algum amor? Teria pensando nela em algum momento que não fosse de angústia ou solidão? Teria ele, lhe amado acima de todas as coisas? Tivera sonhos? Desejos? Em que momento seu caráter tinha se moldado a forma que era hoje? O que fizera para carregar aqueles que lhe seguiam?

E diante de todos os questionamentos, a voz dele lhe veio; ela demorou a responder, enquanto olhava para ele e dar-se conta de que falava consigo, seu olhar desviou do rosto do mago para o cadeado que segurava. Se abaixou, ajoelhando-se para observar melhor.

“- Não, estava muito escuro ontem.” - Falou, o cenho franzido. “- Oliver disse ter visto o tal profeta deixar cair um relógio no beco. Será relacionado? Não sei se há algo no diário. Podemos procurar.” - Fez uma pausa, observando. “- Isso me lembra aquelas questões de álgebra que eu detestava… Uma passagem da bíblia talvez? Acho que tinha uma aqui em algum lugar, mas não lembro de ter visto esse símbolo em lugar nenhum dessa casa. Talvez o filho dela saiba do que se trata. Acho que tenho o telefone dele em algum lugar. Se for algo magiko, não faço ideia do que pode significar."
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Sex Abr 28, 2017 5:10 pm

Rolando aparência mais lábia
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Sex Abr 28, 2017 5:10 pm

O membro 'Oliver Gray' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Seg Maio 01, 2017 12:23 pm

Quando recebeu o elogio de Oliver, a garçonete arqueou uma sobrancelha da forma mais cínica que seria possível. O Akasha provavelmente não notou essa conotação, mas o Eterita leu naquela face, de maneira muito clara, que ela ouvia insinuações como aquela, e outras bem mais grosseiras, algumas dezenas de vez por dia. Era uma mulher bonita, baixa, com quadris largos (que o uniforme, que parecia um vestido chinês tradicional, ressaltava), olhos azuis escuros, e um longo cabelo negro, com uma mecha na mesma cor dos olhos, preso num rabo de cavalo. Parecia misturar traços latinos e norte-europeus. Apesar da beleza, tinha aquele ar cansado de alguém que a vida não tem tratado muito bem.

Mas ela ouviu Oliver, e sorriu. Pelo menos, ele era mais apresentável que 90% dos caras que lhe passavam cantadas ali. Depois, quando o jovem veio com aquela conversa mole (foi no momento em que estava recolhendo os pratos vazios. O restaurante já estava esvaziando), meio sem sentido, ela arqueou a sobrancelha novamente. O olhou de alto a baixo, mas depois de 2 segundos, respondeu.

- "Olha, pode ser que você esteja falando do Joe. Ele chega daqui uma meia hora, mais ou menos. Vai entrar por essa porta aí, então, é só questão de esperar. Afinal, você vai reconhecer seu "velho conhecido", não? Aceitam uma sobremesa enquanto isso? A banana caramelada daqui é famosa."

E sorriu novamente. A última frase, sobre a sobremesa, foi dita olhando para West, e não para Oliver. Falava com simpatia, e tinha um belo sorriso. Aquela mulher poderia estar trabalhando em um lugar melhor, tinha a aparência e a simpatia para isso...


Última edição por The Oracle em Ter Maio 02, 2017 1:15 am, editado 2 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Seg Maio 01, 2017 1:50 pm

Missão... Cumprida?

   Oliver deu uma olhada para West e depois falou novamente com a garçonete:

- "Ora, isso é ótimo, mas eu não acho que esse não era o nome do cara. Era Mark ou alguma coisa do tipo, sempre fui péssimo com nomes. Muito obrigado e desculpe por tomar seu tempo demais. A coisas estão meio agitadas por aqui, não é?

   E só aí que ele entendeu que não tinha agradado. Então, ele parou de falar, como se não soubesse o que dizer em seguida, depois abaixou a cabeça, olhando para os próprios cadarços. Quando a moça falou novamente, ele olhou brevemente e constatou que ela olhava para Faust, o que francamente, era um alívio. Nem passou pela cabeça de Oliver continuar a conversa ou pedir uma sobremesa. Ele já havia obtido a resposta da qual precisava e tentado tirar a mulher do estado de alerta da melhor forma possível, descartando a possibilidade dos dois estarem falando da mesma pessoa. Agora era só esperar.

   Independente de Faust ter pedido ou não a tal sobremesa, Oliver esperou a garota sair e disse, ainda em voz baixa, para Faust:

- "Foi o melhor que deu para fazer. Essa foi a segunda ou terceira mulher que eu cantei desde que tenho idade pra me interessar por mulheres. Por sinal, essa garçonete não parece ter saído de um filme? Elas parece bonita, inteligente e esperta demais pra ser só uma garçonete?".


Última edição por Oliver Gray em Seg Maio 01, 2017 9:42 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Maio 01, 2017 4:16 pm

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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Seg Maio 01, 2017 4:16 pm

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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Maio 01, 2017 4:25 pm

Pessoalmente, Dr. Faust West não tinha absolutamente nada contra a idéia de ter amigos – só considerava que, se fosse analisar de forma fria a situação, Oliver provavelmente não compreenderia o conceito de “amizade” da mesma forma que ele o havia aplicado na sua vida desde… bem, desde sempre. Ainda mais importante, Faust achava que amizade não tinha absolutamente nada a ver com o funcionamento de uma cabala, se estivessem falando sobre essencialidades: era essencial que os membros estivessem dispostos a trabalhar juntos, que houvesse algum nível de confiança entre as pessoas, que conhecessem as capacidades uns dos outros e que tivessem interesse na preservação mútua de suas vidas, nem que fosse a troco de preservar, em decorrência, seus objetivos mútuos. Claro, se todos se tornassem grandes amigos uns dos outros, aquilo sem dúvida seria bom, mas… Era uma coisa similar a tempero e comida, ele achava: uma comida bem temperada era melhor, mas arroz sem gosto e bolachas de água e sal ainda podiam te manter vivo.

“Posso ser persuasivo”, ele informou, naquele tom meio morto. Talvez aquilo fizesse Oliver pensar em torturas, ameaças, morte, famílias inteiras tomadas como reféns e crianças chorando, mas não havia sido a intenção do doutor. “Mas simpático, realmente, nunca foi um ponto forte. Temos que ter consciência de nossas capacidades e incapacidades, se pretendemos atingir algo.” – concluiu.

Pessoalmente, ele ainda não havia decidido se podia confiar em Oliver, mas o considerava certamente mais disposto a ser um membro adequado da cabala do que a Srta. Wolff, por exemplo, e sem dúvida alguma mais confiável do que Elliot Ward. “Acredito que já estamos funcionando. Ao menos, na parte que nos cabe.” – concluiu, quando o Akasha sentado a sua frente disse que faria o possível para que funcionassem.

Ao notar a aproximação da garçonete com os pratos, Dr. West esperou que sua comida estivesse na sua frente e ficou em silêncio, puxando o celular do bolso e mexendo nele um pouco enquanto Oliver fazia seu trabalho – era melhor fazer aquilo, ele acreditava, do que ficar encarando-os fixamente. Aproveitou o meio tempo para conferir se haviam mais respostas no tópico da HollowNet.

Quando Oliver olhou para o médico, este ainda estava olhando para o celular – só foi realmente erguer o rosto quando a garçonete ofereceu-lhe a banana caramelizada. “Por favor.”, respondeu. "Uma para mim e uma para ele." - pediu. Afinal de contas, quanto mais coisas tivessem que comer, mais poderiam justificar ficar ali esperando "Joe". E se a banana fosse tão gostosa quanto o especial da casa.... Mal não podia fazer. 

O médico guardou o celular no bolso, e voltou os olhos para Oliver. Ouviu sua pergunta e sentiu sua paranóia, mas – talvez diferentemente do que aconteceria, fosse outra pessoa o ouvindo, Dr. West achou sensata a preocupação do monge, e não julgou-o histérico. “É um bom ponto, mas é particularmente comum, nos Estados Unidos, que estudantes ou pessoas mais inteligentes que a média aceitem sub-empregos para se manter enquanto procuram algo melhor.” – informou, e buscou-a com os olhos. Voltou-os para o Akasha. “Impossível discernir.” – no fim das contas, a mulher poderia, igualmente, ser membro de uma célula Nephandi, um HIT-Mark ou uma estudante de pós-gradução. Restava que observassem. Mas…. “Igualmente possível, por exemplo, que tenha nos passado uma informação falsa e enquanto esperamos aqui, sentados, durante os próximos trinta minutos, sejamos ambos mortos ou o tempo seja utilizado para espantar o rapaz que procuramos.” – sussurrou e fez uma pequena pausa, pensativo.

“De qualquer forma,” – prosseguiu, como se nada houvesse acontecido. “Foi um bom trabalho, e não acredito que ela tenha mentido. Acredito que não seja a última vez que viremos almoçar no Xing Len, se ela não estiver, saberemos que algo aconteceu e poderemos retraçar nossos passos e solucionar a incógnita."[/i]


"O ponto que importa agora, entretanto, é qu, analisando as últimas palavras do meu avô, acredito que meu primo possa ter herdado alguma coisa além de seu relógio. Mas para isso, preciso encontrá-lo.” - disfarçou as palavras, para não precisar sussurrar.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Ter Maio 02, 2017 2:01 am

De fato, o tópico aberto na HollowNet havia evoluído um pouco. A tendência desse tipo de tópico era evoluir rapidamente no primeiro, talvez no segundo dia, e depois esquecido. A tread inteira agora era a seguinte:



StormBiceps: "Metade da Itália se chama Giovanni, kkkkkk"
SorrowDragon66: "Mas teve uma parada de bruxaria com uns caras desses sim. Vi isso num livro outro dia. Coisa antiga, Idade Média ou alguma porra dessas"
StormBiceps: "Hei, não era na Itália que tinha aquela mulher que se banhava em sangue? Borgia alguma coisa?"
SorrowDragon66: "Puta merda, tu tá misturando tudo! Nada a ver! Mas depois eu cato esse livro e posto aqui. Tenho certeza que tá numa pilha qualquer aqui no trampo"
- NihilistPanda: "Cara, eu tenho quase certeza que tem uma galera de máfia com esse nome. Morei 5 anos em Florença, e nas quebrada que eu me metia, volta e meia o povo falava desses Giovanni. E era umas quebrada bem barra-pesada. Tô falando de tráfico de armas, de drogas, assassinato de gente importante, extorsão pesada, essas coisas."
- HueHueBR171: "Eu tenho um vizinho chamado Giovanni. Ele é o maior vacilão. Será que tá metido nessa porra?"
- StormBiceps: "Cara, se tu parar pra pensar, uma família de mafiosos mechendo com bruxaria era uma ótima. Digo, uma ótima pra eles. Tipo, nessas guerras de máfia, eles teriam uma parada a mais, não?"
- NihilistPanda: "Sabe, o povo sempre falava com temor e respeito das famílias cabeças, os De Stefano, Condello, etc. Mas, tipo, era parte da vida. Nas quebradas da Itália, máfia é parte da paisagem, parte dos negócios. Mas quando nego falava dos Giovanni, todo mundo baixava a voz. Os outros eram temidos, os Giovanni, nego tinha PAVOR deles. Ouvi muita história, a maior parte claramente invenção, mas de vez em quando, me ponho pra pensar se não tinha um fundo de verdade. Tipo, tinha um cara que eu confiava, irmão mesmo. Uma vez ele me disse que tava de tocaia numa negociação entre duas facções, na Segunda Guerra 'Ndràngheta. Tava de sniper, pra dar apoio se desse merda. Ele disse que chegaram esses Giovanni. Foi nessa guerra que os Giovanni simplesmente eliminaram as famílias Imerti, Tegano e Rosmini. Enfim, os caras chegaram, já soltando fogo. Esse cara me disse que teve um Giovanni do grupo que ele meteu 3 balas, e o cara não caiu. E ele disse que viu esse sujeito simplesmente virar um carro, sozinho. Sei lá, parece papo de bêbado, mas o cara era meu brother mesmo, não teria porque mentir pra mim. Ele sempre me dizia pra ficar longe desses caras. Mas, ele morreu, então não dá pra ver mais detalhes. Morreu como tudo o mais vai morrer."
- TinkerBalls19: "Eita! Poderia ser um homúnculo? Ou um zumbi? O SorrowDragon66 não colocou nada ainda, mas se tem necro no meio, poderia ser uma parada dessas. Ia explicar muita coisa."
HueHueBR171: "Ou podia ser um robô. Robôs são show!"
- TheSolipsist: "Gente, colete a prova de balas. E granadas viram carros. Porra, teu parça viu a porra toda acontecer pelo scope de um rifle. Não é um puta campo de visão. E ele devia tá boladaço na hora."
- SorrowDragon66: "Achei a parada. Lá por 1400, em Veneza, a Igreja enquadrou uma determinada família de comerciantes por bruxaria, vampirismo, necromancia, e pactos com o Diabo. O nome dessa família era Giovanni. Claro, a Igreja sempre gostou de acusar gente de bruxaria, mas, caras, eu já estudei umas duas dúzias de casos de Inquisição como estes, e esse aqui tem um diferencial: é o caso mais bem montado que eu tenho notícia. Há dezenas de documentos da pr[opria Igreja: testemunhos, manifestos de navios, descrição de vítimas e rituais praticados, até a confissão juramentada de alguns membros da família. E é um dos poucos casos em que a igreja acusou uma família inteira. Em geral, acusava-se um cara, ou talvez um núcleo familiar pequeno, mas essa acusação era contra TODA a família, pelo menos umas 50 cabeças. E outro detalhe, os caras eram ricos. Tudo muito estranho. Na boa, o caso todo foi muito bem feito, bem feito demais. Parece que os caras sumiram de Veneza por um tempo, e depois, a coisa foi abafada."
- StormBiceps: "levaram alguém pra fogueira?"
- SorrowDragon66: "Não. Esses dois que assinaram confissão, um sumiu da cela, e o outro foi achado enforcado. O túmulo dele foi desecrado depois, sumiram com o corpo"
- TinkerBalls19: "Gente, consultei um parça aqui agora, e ele me disse que esse nome, Giovanni, ainda aparece na cena do mundo escondido de vez em quando. Aí tem coisa. Cuidado onde metem o nariz. Tô saindo fora."
- HueHueBR171: "Cadê teus "balls" agora, TinkerBalls? kkkkkkk".

- StormBiceps: "Sinistro... Bem, podem ser um monte de coisas separadas. Esse sobrenome. Giovanni, é bem comum."




A garçonete chegou com as bananas carameladas (que também eram excelentes). E as 14:00, entrou pela porta do restaurante o mesmo rapaz negro que haviam visto na noite anterior, no beco dos fundos do restaurante, Trajava jeans, uma jaqueta velha, tênis surrados, e trazia uma mochila velha às costas. apenas acenou para os demais funcionários, e, se não impedido, iria para os fundos, desaparecendo pela porta da cozinha.
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