Um novo amanhecer

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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Dom Ago 20, 2017 10:20 am

Oliver caminhou tranquilamente até a casa de Emma, tão tranquilamente quanto entrou nela. O jovem akasha queria respostas e, apesar de ter sido treinado no caminho da paciência, nenhum treinamento o preparou para ter uma conversa de mais de cinco minutos com Emma, de modo que revistar a casa parecia uma ideia interessante, na qual ninguém saía machucado.


Naturalmente, não havia ninguém em casa e Oliver não esperava que alguém aparecesse tão cedo. Começou a revistar o dormitório, pouco à vontade com a ideia de mexer nas roupas de Emma, quando constatou que provavelmente aquelas roupas não eram dela. Quando encontrou o estranho objeto na tal gaveta, imaginou que aquela seria a arma menos eficiente do mundo e que Emma devia saber que uma pessoa que usa armas de combate corpo-a-corpo nunca deve dificultar o próprio acesso a elas.

Era uma casa bastante simples, de dois quartos, sala e cozinha. Um dos quartos era um dormitório sem muita coisa. Havia roupas femininas nos armários e gavetas, e como Oliver passara a manhã numa loja de roupas, poderia se arriscar a dizer que aquelas eram de alguém mais idoso. O único objeto que lhe chamou um pouco mais a atenção foi uma coisa que achou enrolada num pano, no fundo de uma gaveta. Era um objeto roliço de plástico, de uns 30 centímetros de comprimento, com uma ponta arredondada e um botão na outra que fazia a coisa vibrar. Esquisito.

Ele seguiu para a sala de costura, revirando uma ou duas coisas, mas sem encontrar nada de interessante, até que descobriu o sótão da casa, que deixou a coisa bem mais emocionante. O lugar parecia não ser visitado há tempos e estava cheio de tranqueiras inúteis, de modo que Oliver não deu tanta atenção a elas. Quando olhou dentro dos baús, ficou imaginando se a antiga moradora do lugar fazia algum trabalho de caridade ou coisa assim, o que era possível já que ela tinha ligações com o orfanato. Agora, quando tudo está destrancado e fácil de acessar, algo tão bem trancado chama atenção. Seria necessário um puta pé de cabra para abrir aquele troço, e o que Oliver encontrou foi bem melhor. Com um grande alicate que encontrou no chão, empregou toda a sua força em tentar cortar o cadeado, mas nada aconteceu. O cadeado nem se arranhou, o que o fez conferir se a ferramenta estava afiada, o que estava. Aquilo era claramente magia. Ele mandou uma mensagem para Faust e Ezio, dizendo: "Achei um baú com uma fechadura mágica. Não dá pra carregar o baú e nem quebrar o cadeado. Você consegue abrir?".

Quando chegou na sala e viu as fotos da mulher com o profeta, não reconheceu a tal igreja, no entanto, mas ficou pensando em como parecia que Sammuel havia olhado diretamente para ele enquanto Oliver vislumbrava o passado fatídico do Orfanato. Aquela imagem não saía da sua cabeça.


Ele passou rapidamente pela cozinha, abrindo algumas gavetas, atento à existência de alguma chave que pudesse abrir o baú, quando finalmente resolveu descer ao porão. Ali sim havia algo estranho. Oliver podia sentir como a temperatura havia mudado. Os pelos da sua nuca se eriçaram, sentindo uma presença sobrenatural. O Jovem Akasha não tinha os meios de determinar o que havia ao fim daquela escada que parecia interminável, então, ainda que apreensivo, desceu.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Sab Ago 26, 2017 11:30 pm

Depois de deixar Oliver, Dr. West pediu o endereço de Mariah a Dr. Max - e, com ele, pediu que este lhe passasse informações relevantes que pudesse ter sobre a menina. Idade, aparência. Devia ter pedido aqueles dados antes, mas não o fez. Repreendeu a si mesmo, mentalmente, enquanto escrevia a mensagem. Não era o tipo de falha que esperava de si, ou que aceitaria de seus subordinados. 

Enquanto dirigia para o armarinho, Dr. West ia - como já não deve ser surpresa para ninguém - pensando. Repassou as informações dos últimos dias em sua mente, as várias linhas que se formavam e que se estendiam. Não bastava a garantia de que estava buscando efetivamente esgotar o problema em mãos - ele precisava ter, também, certeza de que estava investindo seu tempo e sua energia na linha correta de investigação. 

Numa análise superficial, por exemplo, ele tinha ao menos três linhas possíveis para investigar, se seu objetivo maior era compreender o que vinha acontecendo com os mortos: os Giovanni, o Profeta, a Noite do Desespero. Estas três linhas iniciam em pontos interconectados, ao que tudo indicava, e a partir destes pontos estendiam-se mais uma míriade de linhas e possíveis abordagens. Não era tanto uma questão de certeza absoluta de suas ações quanto uma questão de calibragem constante de suas decisões - cada nova informação, o doutor tentava repassar suas decisões anteriores e os dados anteriores a luz da nova, tentando garantir e averiguar se realmente estava movendo-se na direção correta. Não lhe custava nada jogar o esforço inteiro dos últimos dias pela janela e começar de novo, do zero. Não era esse tipo de orgulhoso - ou talvez fosse, mas simplesmente estivesse sempre disposto a sacrificar até mesmo isto, por coisas maiores. Coisas como Eliza.


Quando percebeu, já estava estacionando o carro em frente ao armarinho. Não tinha um plano muito definido, afinal, a situação era menos do que ideal, na ausência de informações muito concretas. Seria necessário improvisar. Ele não gostava de improvisar. 

" - Boa tarde." - comprimentou, num tom de voz nem alto e nem baixo, mas fazendo contato visual muito brevemente. Dr. West abusava da tática que havia usado com o detetive: se não olhasse muito para os olhos das pessoas, as vezes sua tendência a parecer desagradável era, ao menos no início do contato, confundida com timidez. 

Não respondeu a pergunta, e ficou satisfeito - e curioso - com o complemento da moça. "Suponho que seja" - confirmou. "Te informaram que eu estava chegando?"
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Seg Ago 28, 2017 8:55 pm

Stracci sabia que não estava entre amigos. Aquele restaurante, à meia luz da tarde, não tinha um clima muito diferente de salas de reunião esfumaçadas, em armazéns velhos localizados em vizinhanças ruins, onde ele já negociara acordos com outras famílias em várias ocasiões. Havia uma tensão palpável no ar, a sensação que uma palavra errada poderia estragar tudo. A única diferença é que ali uma palavra errada não faria todo mundo puxar armas e começar um tiroteio. Quer dizer, ao menos ele esperava que não...

Madame Ien, após ouvir o agradecimento, apenas maneou a cabeça uma fração de centímetro, e voltou sua atenção novamente aos papéis em que mexia. Mas sua cabeça virada de lado deixava o ouvido esquerdo voltado para eles. Os outros dois, Joe e a garota de cabelo com mecha azul, se aproximaram, pelo lado de dentro do balcão. Pararam na frente de Ezio. Joe não parecia ter qualquer relógio, mas, como era um relógio de bolso, e como ele estava com um grande avental, seria difícil dizer se havia algo em seus bolsos. Quando o detetive estendeu a mão, o rapaz mostrou as suas, cheias de água e sabão, e não fez qualquer menção de responder ao aperto, nem falou nada. Quando Ezio quebrou o silêncio, falando a coisa sobre namorada, a garota ao menos respondeu:

- "Tem o hábito de tirar conclusões sem nenhuma base, Sr. Stracci? E aqui é um restaurante chinês, não servimos café".

Ela não disse seu nome. Os chocolates que ele ofereceu permaneceram sobre o balcão. Nenhum dos dois fez qualquer menção de tocar nos doces. Madame Ien continuava com os olhos nos papéis, e um ouvido neles. O ambiente não parecia ter sido tranquilizado. Na verdade, Joe parecia apenas fechado, a chinesa parecia indiferente, mas a garota era claramente hostil, uma reação a qual ele não estava muito habituado. E não parecia que ela deixaria ele e Joe conversarem a sós.

Não havendo muito o que fazer a respeito, Ezio continuou, e finalmente disse ao que viera. Os dois ouviram enquanto ele falava. No final, Joe não quebrou seu silêncio, mas a garota falou:

- "Oh, o Sr. ouviu boatos? Alguém imaginaria que um homem tão bem vestido saberia que boatos são uma péssima fonte de informação. Mas, se o Sr. está interessado em relógios, há uma casa de penhores na Stone Street. Lá é possível que haja algum relógio para um colecionador. Algo mais em que possamos ajudá-lo? Estamos em horário de serviço e Madame Ien não nos paga para batermos papo sobre boatos".

[Ezio deve testar Percepção+Empatia]

Naquele momento, sentiu seu celular vibrar no bolso do sobretudo. Havia recebido uma mensagem de alguém.
_________________________________________________________________________________________________

Oliver esperou um pouco para ver se seus companheiros respondiam a mensagem, mas logo chegou à conclusão que ficar parado esperando era idiota. No fim das contas, ele estava invadindo uma casa, e era melhor se apressar.

Não havia chave do baú em qualquer lugar. E a coisa era também muito pesada para que ele pudesse carregá-la sozinho sem o risco de deixar cair. Depois poderia ver o que fazer com aquilo, depois que seus companheiros se manifestassem. De interesse, restava apenas o porão.

O porão sinistro.

Oliver desceu as escadas. O interruptor não respondeu ao ser tocado, embora ele soubesse que a casa estava com a energia ligada. Logo depois de descer alguns degraus, viu o por quê: a lampada ainda estava atarraxada no bocal, mas quebrada, com os cacos restantes em sua base refletindo a pouca luz ambiente, como dentes de vidro na boca circular de um pequeno tengu. Os cacos de vidro da lâmpada estavam espalhados na escada, em uma área ampla, como se a coisa houvesse explodido. Todas as outras lâmpadas que viu no porão estavam no mesmo estado.

Quando terminou de descer a escada, viu que ali era realmente mais frio que o resto da casa. Porões são habitualmente mais frios, mas aquele parecia mais. Só que talvez não fosse a temperatura, mas sim a sensação que havia no ar. Uma sensação de opressão... Não, não era isso. Era difícil definir. Melancolia, talvez? Desespero?

E a sensação de que estava sendo observado. Observado por alguma coisa cheia de ódio.

O porão da casa de Phillips era anormalmente grande. Estava empoeirado, mas não havia baratas ou ratos. Na verdade, o local era extremamente silencioso. E seria completamente escuro, se não fosse a luz tênue que entrava pela porta da cozinha. Aliás, se aquela porta fechasse repentinamente, ele ficaria na escuridão total...

Ali embaixo havia muitas caixas de papelão, empilhadas sobre as paredes. No centro do porão, entretanto, havia algo mais bizarro. Oliver reconhecia aquelas coisas de igrejas que havia visitado em sua juventude: era uma espécie de balcão no qual as pessoas acendem velas, ele não sabia o nome exato. É o tipo de coisa que se costuma ver em igrejas católicas. Ali, havia dois, paralelos um ao outro, formando uma espécie de quadrado de aproximadamente 2m x 2m no centro do porão. Eram decorados com cruzes simples. A cera acumulada mostrava que muitas velas já haviam queimado ali. Mas nenhuma restava agora.

No espaço vazio entre os dois cruzeiros, havia animais de pelúcia espalhados pelo chão. Dezenas deles, empilhados caoticamente. Pareciam artesanais, como os que ele havia visto no baú do sótão. Estavam todos empoeirados, mas alguns pareciam bastante velhos mesmo, rotos. E alguns não estavam inteiros.

Alguns daqueles animais tinham suas cabeças arrancadas, outros tinham as barrigas abertas, com o enchimento para fora, como tripas de algodão espalhadas pelo chão sujo. Alguns haviam sido desmembrados, e alguns não apenas tiveram os membros arrancados, mas como lhes enfiaram outros membros de outros bonecos nos buracos livres. Um coelho em particular parecia ter tido as duas pernas esticadas em direções opostas, o rasgando da virilha ao pescoço. Um urso branco e encardido tivera os dois braços arrancados, e enfiados em seu próprio traseiro. Um leão havia sido partido ao meio, aparentemente após suas mandíbulas macias terem sido afastadas até ele se rasgar do pescoço até a cauda. E havia um gorila crucificado no chão, preso por pregos enferrujados.

Os olhos de plástico e contas daqueles animais (os que ainda tinham olhos. Havia um golfinho que teve os olhos removidos, e todo o enchimento arrancado através dos buracos onde eles antes estavam) brilhavam de leve na luz tênue.

Animais de pelúcia e velas tão próximas, realmente era um milagre aquela casa não ter pego fogo... De repente, um som sinistro quebrou o silêncio sepulcral. Um som como um rosnado abafado, ou talvez o vibrar de mandíbulas de um inseto, misturado com o parecia um piado estridente de alguma ave de rapina.

E sentiu algo em sua perna.

Algo vibrando. Como as milhares de pernas de um miriápode. Vibrando.









Era seu celular. No silêncio avassalador, havia ouvido a vibração e o alarme, e sentido a coisa vibrar em seu bolso. Devia ser uma mensagem.

_________________________________________________________________________________________________

Mariah saiu de trás do balcão, com um movimento até um pouco brusco. Passou em passos rápidos por West, sem olhar diretamente para ele, mas murmurou algo enquanto passava ao seu lado:

- "Vocês não deveriam ser quatro?"

A garota fechou a porta da loja, e virou a placa de "Open/Closed". Então voltou-se para West.

- "É claro que eu fui avisada. O Profeta me avisou. Achei que vocês... não fossem aparecer nunca! Bem, deve ter sido um teste. Eu não deveria perder a fé no Profeta. Mas finalmente você apareceu! E agora, onde eu coloquei aquele caderninho?"

A garota voltou para detrás do balcão, e começou a remexer gavetas, como se procurasse algo. Parecia cautelosamente entusiasmada. Ou talvez, apressada... West notou que ela mal lhe olhou nos olhos desde que entrara na loja.

Sentiu seu celular vibrar. Uma mensagem.


Última edição por The Oracle em Seg Ago 28, 2017 11:50 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Seg Ago 28, 2017 10:45 pm

Oliver olhou horrorizado para a cena à sua frente. O frio que sentia no lugar era claramente algo maligno, mas também etéreo, de modo que não seria derrotado com um soco. A imagem do altar e dos bichos de pelúcia mutilados sugeriam algum efeito sinistro, e não sinistro estranho, do tipo que causa apenas leve discordância entre as tradições. A sensação era tão terrível que Oliver teve vontade de vomitar e precisou de toda controlar o corpo através de exercícios de respiração para não fazê-lo.

   Desnecessário dizer que a alma de Oliver quase saltou de seu corpo quando seu celular tocou, seguida pelo seu corpo que se colocou em prontidão de combate antes que ele sequer tivesse pensado em alguma coisa. O alívio de perceber que era só seu telefone tocando foi palpável. Mas o alívio durou pouco, pois alguém sabia que ele estava lá e avisara para ele deixar o local. Enquanto subia os degraus de três em três, se movendo feito um gato em direção à janela que lhe serviu de entrada, Oliver teve segundos para pensar no que fazer. Se quem ligara fosse inimigo, deixaria ele à própria sorte na casa, mas o número sequer era de celular, então não daria para ligar de volta. 

   Foi aí que ele viu a coisa. Ela tinha aproximadamente o tamanho e formato de uma lista telefônica bem grande. Flutuava no corredor quando a viu, com um zumbido similar ao de moscas varejeiras. Aliás, o fato de ser coberta por uma carapaça cinzenta reforçava a similaridade com um inseto. Oliver notou pelo menos dois apêndices na parte de baixo. E um olho. Apenas um grande olho, brilhando com uma luz vermelha, que parecia brotar do "ventre" da coisa. Ele a viu de relance, subindo para o sótão. Oliver sabia que o certo era sair dali e ligar para alguém. Procurar reforço. Mas o que ele fez foi exatamente o contrário. Antes que seu cérebro processasse suas ações, um desejo inexplicável por adrenalina tomou conta do seu corpo e ele subiu correndo até o sótão atrás da coisa, mas não encontrou mais nada lá. A janela estava aberta. 
  Rapidamente, ele deixou a casa, correndo pelas ruas no ritmo de uma pessoa que está apenas se exercitando. No caminho para a Capela hermética, ele mandou outra mensagem para os colegas de cabala:

"Indo para a capela. Possível problema enorme. Me liguem assim que possível".


Última edição por Oliver Gray em Ter Ago 29, 2017 12:15 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Seg Ago 28, 2017 10:46 pm

Testando percepção + prontidão
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Seg Ago 28, 2017 10:46 pm

O membro 'Oliver Gray' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Ago 28, 2017 11:23 pm

Ele havia previsto aquilo. 

Não a longo prazo, não antes de entrar, não antes de olhar para Mariah e de ouvir sua pergunta no instante em que havia entrado na loja, mas assim que ela havia pronunciado aquela pergunta, alguma parte de Dr. West soube exatamente o que estava acontecendo. Talvez por causa disto - desta... intuição, não previsão - o médico não demonstrou grande surpresa frente aos movimentos de Mariah, limitando-se a acompanhá-la com os olhos mortos.

Em uma mão, segurava a maleta. Na outra, sua bengala de caveira. Sempre. 

Os olhos passaram pelo armarinho, observando as paredes, as portas, as prateleiras. Buscava qualquer coisa fora de lugar, como sempre. Qualquer coisa que lhe chamasse a atenção. Um símbolo religioso, que o fosse..

... mas não disse uma palavra. Tudo o que ele podia dizer, absolutamente toda linha de conversa, de manipulação, de dissimulação, de embuste, todas precisavam de alguma base, algum solo no qual florescer: e sem saber ao menos em linhas gerais o que o Profeta havia lhe dito, todas podiam sair pela culatra.

Sentiu o celular vibrar e casualmente conferiu a mensagem. Digitou: "Tente quebrar o baú". - magos, Dr. West havia percebido com os anos, as vezes preocupavam-se demais em se proteger de inimigos engenhosos e inteligentes, e se esqueciam das coisas mais simples: como reforçar o material de um baú que você encantou a fechadura.
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Ezio Rola

Mensagem por Ezio Stracci em Qua Ago 30, 2017 12:58 am

percepção + Empatia (gastando 1 F.V)
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Ezio Rola

Mensagem por The Oracle em Qua Ago 30, 2017 12:58 am

O membro 'Ezio Stracci' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Ezio Stracci em Qua Ago 30, 2017 1:40 am

Então é isso, aquela situação parecia ser mais complicada do que pensava. Quem diria que pegar um relógio fosse tão complexo? O detetive pensava:

-" O que será que aqueles dois aprontaram por aqui?"

Excelente, ninguém recebendo bem minhas boas vindas. Pensa o Straci. A tensão o faz ter vontade de sorrir.

Ezio cogita a ideia de estarem passando uma informação relevante com a parte da loja de penhores, mas não pode deixar de notar o garoto nervoso com a pergunta.
Pensando

-" Essa garota é quem lidera por aqui pelo visto, ao menos era isso até eu chegar. Droga, não queria ter que usar isto. Será que..."

Ezio abre um pouco os braços com um leve sorriso leva a mão ao bolso interno do peito, no paletó, retirando seu distintivo e mostrando-o com discrição. Ele diz:

- Por favor, não precisa ficar nervoso garoto, e me desculpem, eu não quero atrapalhar o trabalho de ninguém. Mas entendam, minha coleção precisa dessa peça.

Guarda o distintivo, entrelaça as mãos e se apoia no balcão e se dirige para Joe:

- Mas alguns registros mostram que de alguma forma o senhor estava envolvido com uma cena, e isso poderia implicar vários outros problemas.

Menea  com as mãos:

- Isso sim atrapalharia o trabalho de vocês, poém eu realmente acredito que era só um jovem no lugar e na hora errada...

Coça o queixo, volta a sorrir para os dois.

- Então vamos por favor colaborar apenas com a coleção de provas e ignorar a de depoimentos?
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Ezio Rola

Mensagem por Ezio Stracci em Qua Ago 30, 2017 10:46 am

Carisma + Intimidação
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Ezio Rola

Mensagem por The Oracle em Qua Ago 30, 2017 10:46 am

O membro 'Ezio Stracci' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Ezio Rola

Mensagem por Ezio Stracci em Qua Ago 30, 2017 10:52 am

Percepção + Prontidão
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Ezio Rola

Mensagem por The Oracle em Qua Ago 30, 2017 10:52 am

O membro 'Ezio Stracci' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Ago 30, 2017 4:57 pm

Oliver correu até a Capela Hermética sem maiores incidentes. Algum sol se mostrava entre as nuvens, banhando Portland em luz dourada e quebrando um pouco a sensação de frio e opressão que sentira a pouco. Ainda assim, não muito. Ele demoraria algum tempo para esquecer os acontecimentos naquela casa. Segundo se lembrava, Emma havia dito que a casa pertencia a uma senhora que a havia criado, ou coisa assim, e que morrera na Noite do Desespero. Sinal que a casa devia ter estado fechada por pelo menos seis meses. Será que Emma sabia daquilo? Será que Elliot sabia, e por isso tirou a irmã dali tão rápido? Ou pior, será que estavam envolvidos naquilo?

Quando finalmente chegou à Anima Gemma, a loja estava vazia, como parecia ser normal. As duas gêmeas estavam com espanadores nas mãos, vestidos verde-escuros, e os cabelos ruivos amarrados em coques idênticos. Tiravam o pó das quinquilharias expostas, mas pararam quando a sineta na porta anunciou a entrada do Akasha.

- "Olá, Oliver!" - disseram as duas em uníssono - "Cortéz estava te procurando, para mais lições. Disse que você dança como um hipopótamo. Um hipopótamo ágil, mas ainda assim..."

Nisso, as duas pararam, e franziram as testas sincronizadamente, como dois robôs rodando o mesmo programa. Aquelas sincronizadas anormais das duas... pareciam estar mais frequentes. Poderia ser um ciclo, ou coisa assim, ou talvez elas simplesmente não estivessem mais se esforçando para disfarçar na frente dele.

- "Você parece meio..." - disse uma delas
- "Pálido..." - completou a outra.
- "Aconteceu alguma coisa?" - terminaram, as duas.

Em seguida, Oliver descobriu que Willian não estava na capela, embora os outros estivessem.

_________________________________________________________________________________________________

Mariah remexeu por mais um minuto nas gavetas, até parecer finalmente achar algo. Quando se levantou, tinha um bloquinho de anotações em mãos. Aí, ela finalmente encarou West.

- "Se vocês não tivessem demorado tanto para aparecer... Bem, depois de um tempo, eu anotei as coisas que o Profeta me disse, mas isso foi depois de duas semanas. Sei lá, eu esperava que vocês aparecessem no dia seguinte, ou coisa assim. Ele disse que vocês viriam em breve..." - Ela parecia meio constrangida, como alguém que falhou numa tarefa - "de toda forma, o Profeta disse que tentaria encontrar vocês novamente, embora o tempo fosse curto, e ele estivesse cada vez mais perto".
- "Bem, vamos lá: o Profeta disse para você não se preocupar com o bebê da garota. Ela apenas estava lá, precisando de ajuda, e ele a ajudou" - dizia isso virando as páginas do bloquinho - "Ele disse que estudou muito, e que tudo está em seu diário. Vocês precisam encontrar o diário, e ver o que está lá. Já está acontecendo, ele disse, e está acontecendo na época errada. Mas pode ser mudado, pois Deus não nos dá o conhecimento do que virá, senão para que possamos mudar o futuro, e ajustá-lo à Vontade do Criador. Ele não conseguiu terminar, mas vocês podem. Vocês devem. Os mortos já estão se levantando."
- "E ele me disse para orar e vigiar. E ter fé"

Ela deu alguns segundos de pausa. Parecia estar insegura do que falar em seguida. Mas finalmente falou, em voz baixa, com as mãos apertadas e o olhos cheios de ansiedade.

- "Doutor, o Profeta falava do Dia do Juizo?"

Três segundos depois, o celular de Faust vibrou. Uma mensagem de Oliver.

_________________________________________________________________________________________________

Quando Ezio mostrou o distintivo, e fez sua sutil cena de intimidação, Joe e a garota pareceram espantados. Até Madame Ien deu uma olhadela de lado. Mas em seguida, as expressões dos dois se diferenciaram. Joe não parecia assustado, mas sim confuso, como se tivesse "IDIOTA" escrito na testa. Já na garota de cabelo azul, a expressão mudou de espanto para algo que poderia ser classificado como raiva. Uma fúria contida, mas ainda assim, fúria. A expressão de fúria de uma mulher que vai jogar água fervendo no seu ouvido quando você estiver dormindo. Ezio notou essa expressão por cima do celular dela. Não havia notado ela puxando o celular, e na verdade, só notou quando ouviu o som típico de uma foto sendo tirada com aquele aparelho. El já havia guardado o distintivo, mas daquela distância, ela deve ter conseguido um bom ângulo de seu rosto. As unhas da garota eram pintadas do mesmo azul escuro que a mecha de seu cabelo, e também de seus olhos. Olhos que espelhavam raiva. Mas as mãos eram firmes. E a voz também, quando ela falou.

- "Ora, detetive Stracci, mas é claro que vamos colaborar com a coleção de depoimentos! Jamais passaria por nossas cabeças dar uma contribuição menor à honrada polícia de Portland! Mas vamos fazer esse depoimento na delegacia, na presença de um defensor público. Entre uma pergunta e outra que o Sr. faça, podemos perguntar ao defensor o que ele pensaria de um detetive que vem sem seu parceiro falar com um suspeito, se apresenta com uma mentira esfarrapada e não como um agente da lei, e tenta ameaçar os cidadãos da cidade com seu distintivo. Oh, esse vai ser um depoimento e tanto! Até lá, usaremos nosso direito de permanecermos calados. Mas permita-me parabenizá-lo! O senhor ao menos usou um distintivo, que mesmo que seja falso, ao menos é bem feito. Os outros palhaços queriam fingir ser Serviço Secreto. Tudo muito divertido! Deveriam fazer um show de comédia!"

Joe continuava com sua cara de paspalho, seus olhos indo de Ezio para a garota, e de volta para Ezio. Depois que ela terminou, ele arriscou falar. Quase um sussurro:

- "Hã... Kelly, eu..."

Mas a garota segurou seu braço, sem tirar os olhos raivosos do Eutanathoi. Segurou forte, as unhas azuis deixando marcas brancas na pele negra do rapaz. O aperto o fez calar-se, e ela continuou.

- "Já que está aqui, Sr. Stracci, pode me ajudar numa coisa? Qual é mesmo o telefone da Ouvidoria da Polícia? De repente senti que tenho algo a relatar".

A garota agora estava levemente ofegante. Seus mamilos rijos se sobressaiam no vestido colorido, e seus olhos continuavam a transparecer raiva. Madame Ien levantou uma das sobrancelhas, meio centímetro. O restaurante estava silencioso.

Três segundos depois, o celular de Ezio vibrou. Uma mensagem de Oliver.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Ago 30, 2017 7:38 pm

Dr. West continuou parado no mesmo lugar, na mesma posição, com as mãos nos mesmos lugares. Visto de relance, talvez fosse possível esquecer que se tratava de alguém vivo, respirando, capaz de se mexer - parecia um pouco um grande e desengonçado boneco de cera que alguém havia entrado, deixado no meio do armarinho e ido embora sem dizer muita coisa. 

Quando ela finalmente encarou-o, seus olhos retomaram foco, e Dr. West olhou-a de volta, ouvindo de forma impassível. " - O tempo dele não é o nosso tempo." - respondeu, quando ela pareceu constrangida sobre as duas semanas. Depois, permaneceu em silêncio absoluto, limitando-se a ouvir com atenção o que ela dizia, anotando as informações no próprio cérebro. 

Meneou a cabeça sobre o "orar, vigiar e ter fé", mas ainda assim, não disse nada. Ela parecia prestes a dizer alguma coisa, e ele deu-lhe o tempo necessário para juntar as forças para fazê-lo.   " - Não." - disse, tranquilamente e de imediato, mas com firmeza de quem sabe a verdade, quando ela perguntou-lhe se o Profeta referia-se sobre o dia do juízo final. 

West sentiu o celular vibrar, mas não lhe pareceu sensato olhar a mensagem ali, durante aquele dialogo. " - Nós já temos o diário, mas nos falta uma chave. O Profeta lhe disse algo sobre isso?" - perguntou. Não lhe surpreenderia se ela fosse capaz de abrir o objeto.

Depois da resposta, o médico deu dois passos em direção a ela, repousou a maleta no chão, e ergueu os olhos imóveis para os da menina.

" - Você não está me contando alguma coisa. Alguma coisa que você sabe que deveria contar." - pequena pausa. " - Ache as palavras que precisa achar. Estou esperando."
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qua Ago 30, 2017 9:15 pm

Oliver chegou esbaforido na capela e sabia disso. Portanto, nem se deu ao trabalho de disfarçar isso para as gêmeas:

"Oi meninas, tudo certo? Vamos dizer que eu vi um fantasma, haha. Viram a Granger por aí? Eu preciso muito, mas muito mesmo, falar com ela, já que o Heineken não está aqui agora".

Orientado pelas gêmeas mais estranhas do universo, Oliver sobe correndo as escadas da cabala para encontrar Granger e literalmente tromba nela no caminho. Como alguém que cruza uma bola na área, cabeceia e defende na mesma jogada, ele a ampara com os braços antes que Granger pudesse cair ou se machucar, tudo sem sequer prestar atenção de verdade, o que fica evidenciado pelo fato de Oliver não ter sequer tentado fazer alguma gracinha ou bravata. Muito pelo contrário, ele segue direto ao assunto:

"Ei, tem um minuto e um lugar pra gente conversar sobre uma coisa muito, muito ruim?", ele começa. Deixando-se levar para onde Granger preferir, ele começa a bombardeá-la com informações e descrições sobre o que viu na casa de Emma. Se questionado sobre o fato de ter invadido a propriedade, Oliver apenas fica sem graça e explica que estava seguindo uma pista importante sobre a irmã.

Quando finalmente para de falar, seu cérebro registra que Cortez o estava procurando também e que ele realmente precisava fazer algo para dançar melhor em breve.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qua Ago 30, 2017 10:36 pm

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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Ago 30, 2017 10:36 pm

O membro 'Oliver Gray' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Ago 30, 2017 11:29 pm

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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Ago 30, 2017 11:29 pm

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Ezio Stracci em Ter Set 05, 2017 2:44 pm

Droga, o que eu posso ter feito de tão errado? Qual o problema com essa garota? O detetive pensava. O garoto apático e assustado poderia ter algo a dizer, mas aquela vagabunda era provavelmente sua dona. Não há como respeitar um homem assim.


Ótimo, ela tirou uma foto minha.
“Kelly, Joe, Senhora Leng. Uma pena isso ter que terminar assim.”


Em uma situação como aquela não era esperado um sorriso, mas foi o que o Stracci fez. Riu um pouco como quem ri de algo que esqueceu de fazer e começou a dizer:


- Oras! Mas você tem razão!
- Eu queria poupar um pouco de trabalho então pensei em passar aqui e resolver logo isso. Economizando um monte de trabalho a todos.


Retira dois cartões do bolso. Vira de frente a todos inclusive a Senhora. Deixa seus cartões com Joe e Kelly.


- Se precisarem falar comigo sabem como me encontrar.
Após essa frase pisca dispistadamente para Joe com um sorriso ajeitando o chapéu e a gola.
Saindo
- Até mais amigos.


Pega o celular para verificar as mensagens.
Lendo a mensagem do Akasha.

“Que novidade, mais problemas. Já falo com você”
Liga para seu irmão de dentro do carro  com um fone, dirigindo-se a capela:

- Ciao Fratelo! Preciso de um trabalho especial. Passa o endereço do restaurante chinês. Kelly é a moça do Cabelo azul. Joe um paspalho moreno, ele é importe. E a velha é a Leng. Primeiro passo, reunir informações, ir ao restaurante, comer, mande homens bem oservadores. Segundo passo, preparar a emboscada, façamos a campana, precisamos descobrir de tudo, onde moram, relacionamentod. Inclusive, levante dados sobre o restaurante, talvez possa ser nosso. Terceiro passo, a execussão, um susto, sem muita violência, quero que de alguma forma eles venham depender mim. Provavelmente conseguiremos tudo até amanhã, mas confio em suas boas mãos. Fratelo, isso tem a ver com aquele lance da família, não posso dar muitos detalhes, apenas confie no seu irmão. Arrivederci.

Continua seguindo até chegar a capela. Entra com seu belo sorriso cumprimentando as gêmeas com um abraço e um beijo na bochecha.

- Olá minhas caras! Que prazer enorme revê-las!

Entrega um chocolatinho para cada uma
“Melhor comprar mais chocolatinhos”

- Sabem sobre Oliver?!
- Ficamos de nos encontrar aqui
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Ter Set 05, 2017 8:53 pm

A resposta de West sobre o Dia do Juízo não pareceu ter acalmado a moça. Bem, talvez não fosse a resposta em si, mas o modo como fora dada, e por quem fora dada. Se a garota encarava a visita do Profeta como uma experiência religiosa, então West era o mais completo anticlímax dessa experiência. Ela mantinha as mãos juntas em frente ao peito, apertadas. Tão apertadas que um pouco de cor lhe fugia da pele negra clara. Agora, o médico notava que suas pupilas estavam um pouco dilatadas, e que seu pé esquerdo, calçado em uma sandália, batia ritmadamente no chão. As mãos também pareciam querer tremer, e isso apenas a fazia apertar uma com a outra ainda mais fortemente. Se fizesse um exame de sangue naquele momento, provavelmente acusaria níveis anormalmente elevados de adrenalina e outros hormônios de estresse. Aquela garota parecia estar sofrendo de ansiedade, provavelmente já há algum tempo.

Quando perguntada sobre o diário, Mariah pareceu genuinamente confusa. Franziu o cenho, como se tentasse lembrar de algo, e após alguns instantes, disse:

- "Eu... eu... não lembro do Profeta ter dito nada sobre um diário. Ele não teve muito tempo para falar... admito que demorei um pouco para me acalmar. Tinha quase sido atropelada por uma moto, a moto sumiu em chamas divinas, e eu vi um homem morto na minha frente!" - disse essas palavras de uma forma um tanto defensiva - "Mas o Profeta disse que iria encontrar vocês em seguida, quando deixasse minha presença. Disse que precisava pedir perdão a um de vocês, perdão por ter tocado sua vida. Disse que os encontraria onde estava o coração dessa pessoa, antes de ele interferir. Disse que faria isso num momento importante para ele. Mas eu não entendo, doutor... ele já deve ter encontrado vocês! O Profeta veio a mim há dois meses atrás!"

Por fim, quando interpelada por West se estava deixando de falar algo, houve uma mudança na garota. Sua respiração começou a acelerar, suas mãos passaram a tremer (mesmo apertadas uma contra a outra). Quando falou, foi em partes, intercaladas por pausas para respirar profundamente, como se tentasse controlar o pranto.

- "O Profeta... quando veio a mim... ele estava ferido! Sangrava! Ele estava em batalha!... E nós sabemos contra quem os ungidos do Senhor batalham!... Apenas nos últimos dias, os mortos se erguerão, e o exército do Senhor batalhará contra a Besta... Mas ele estava perdendo a batalha... E mais: o Profeta parecia assustado, olhava por sobre o ombro enquanto falava comigo, como se tivesse medo de algo o seguindo! E quando disse que ainda precisava pedir perdão a um de vocês... parecia fraco, cansado, havia desânimo em sua voz, como se tivesse desistido..."

- "Deus é todo poder e glória!" - retomou, após uma respiração especialmente profunda - "Se é assim, como o Profeta poderia estar perdendo a luta?! Como o Inimigo poderia estar vencendo?! Como?! Ele e os demais ungidos só poderiam estar perdendo se Deus tivesse nos abandonado!"

E nesse momento, ela desatou a chorar.

_________________________________________________________________________________________________

Quando Oliver trombou em Granger, ela carregava uma pilha de livros escada abaixo. Os livros voaram pelos ares, mas o Akasha a amparou com um dos braços, e pegou os livros com o outro, em rápidos movimentos. Era como passar nas trilhas de treinamento desenvolvidas por mestre Okuda: dezenas de postes com braços girando, pesos oscilando em correntes, coisas sendo arremessadas, e você tendo que passar no meio disso tudo sem ser derrubado. E pisando em instáveis postes de bambu, é claro. Mestre Okuda adorava situações em que você tivesse que estar apoiado em postes de bambu.

Ante a face obviamente alarmada de Oliver, Granger o conduziu escada acima, para aquele estranho quarto andar. Cruzaram a sala com o grande círculo entalhado no chão (por fora do círculo), passaram pelas portas duplas de madeira, e adentraram a parte do prédio onde ele primeiramente chegara naquela capela. Não havia conseguido reparar muito bem no local da primeira vez (havia acabado de sair daquela viagem alucinante pelo Portal de Hermes, e deu logo de cara com o fuzil de Cortéz. Não era de se estranhar que não tivesse conseguido captar todos os detalhes), mas agora, sua visão era clara. A sala parecia uma oficina de algum tipo. O grande Portal de Hermes tomava quase todo o fundo do aposento. Pesadas cortinas vermelhas tapavam todas as janelas, e todos os trechos de paredes eram ocupados por móveis de madeira, contendo livros, vidros com substâncias dentro, e alguns objetos esquisitos (ele poderia jurar ter visto um crânio humano numa prateleira). No centro, havia um círculo entalhado, embora menor e diferente do anterior. Ao redor desse círculo, haviam quatro braseiros, e um grande lustre diretamente sobre ele. Nos quatro cantos da sala, haviam espaços que pareciam pequenos laboratórios, diferentes uns dos outros. Num destes laboratórios, atrás de uma bancada repleta de vidros, serpentinas, béqueres e outros instrumentos que Oliver acharia semelhantes aos do laboratório de química de seu colégio, estava Cortéz. Ele sorriu amplamente quando viu os dois entrando, e pareceu começar a falar algo, quando Granger o calou com um gesto.

A garota dirigiu Oliver a um dos outros laboratórios. Este, na verdade, parecia ser composto apenas por uma escrivaninha iluminada por dois abajures, e incontáveis livros, em várias estantes ao redor. Uma coisa estranha ocorreu quando se aproximaram da área: todo o som cessou. O leve tráfego que conseguiam ouvir mesmo por detrás das paredes, os passos de Cortéz se aproximando, tudo isso sumiu. Mas a voz da garota se fez ouvir. Ela recostou os quadris na mesa, sem se sentar, e disse:

- "Ok, agora conte tudo, com calma, desde o início".

Parecia concentrada, analítica, os olhos azuis apertados por detrás dos grandes óculos. Cortéz se juntou a eles poucos segundos depois, calado, ouvindo, de braços cruzados sobre o peito. Quando ele se aproximou uns dois metros da escrivaninha, sua respiração e passos se tornaram audíveis.

Os dois ouviram Oliver sem interrompê-lo. Quando terminaram, Cortéz apenas pediu mais detalhes sobre a coisa voadora, detalhes que, a princípio, Oliver não saberia dar, dado que a coisa o surpreendera (e quase o matara de susto), e estivera visível apenas por alguns instantes. Granger pediu para ver a mensagem que o Akasha recebera no celular. Olhou longamente para aquelas letras, com o cenho franzido, mas em seguida devolveu o velho celular a Oliver.

- "Bem, acho que sabemos o que temos que fazer, não é?" - disse Cortéz, ainda de braços cruzados e expressão séria - "se há Decaídos por perto, não podemos ficar frescando".

- "O que nós TEMOS que fazer é relatar isso ao Sr. Von Heinekein" - disse Granger, com um certo tom autoritário na voz, como se estivesse falando com crianças - "você sabe muito bem, Cortéz, que um assunto desse tipo exige uma decisão dele. E provavelmente dos outros magos seniores da cidade. Decaídos não são um problema da Ordem, são um problema de tudo e de todos. Isso se forem mesmo Decaídos... Pode ser qualquer outra coisa, mas se há alguma chance de serem Nephandi, temos que investigar. Ele não está na capela, mas vou contatá-lo. Não sei o que ele está fazendo, mas isso é suficientemente urgente para interromper qualquer coisa".

Nisso, a garota se sentou à mesa, abriu uma gaveta, retirou um cristal pontudo preso a um fio, e um mapa das redondezas de Portland, que estendeu sobre a superfície. Ela parecia bastante concentrada, e ignorava os demais.

Cortéz fez um sinal com a cabeça para Oliver, pedindo que o seguisse. Assim que se afastaram dois metros da escrivaninha, começou a falar. Ainda tinha uma expressão séria no rosto, que não combinava em absoluto com ele.

- "Ela vai demorar algum tempo nisso. Usar o pêndulo não costuma ser uma coisa rápida, especialmente se Señor Von Heinekein não quiser ser encontrado agora. Acho que nós..."

Parou de falar, quando as portas duplas do grande aposento se abriram, e uma das ruivas apareceu pela abertura. Ela parecia um pouco irritada.

- "Por todos os deuses e deusas! Vocês são surdos?! Não ouviram o interfone tocar?! O Eutanathoi está lá embaixo, na loja. Disse que combinou com Oliver de encontrá-lo aqui, mas claro que não posso liberar a entrada dele na capela desacompanhado..."

- "Pode por favor pedir para ele ir para os fundos, Nana?" - interrompeu-lhe Cortéz. Não foi uma cortada brusca, mas foi firme. Não havia sorriso no rosto do sujeito - "diga-lhe que vou abrir a porta para ele. Oliver está comigo."

A garota parou por alguns segundos, ouvindo. Sua expressão não demonstrava ter gostado de ser interrompida, mas nada disse a respeito. Tudo o que disse, antes de se virar e voltar por onde veio, foi:

- "Errou de gêmea, Cortéz. Eu sou Ishtar."

_________________________________________________________________________________________________

Enquanto Ezio saia do restaurante chinês, podia sentir os olhos de todos em sua nuca, mas ninguém disse uma palavra. Ok, aquilo não tinha saído como ele previra, mas também sabia que não era culpa exclusivamente sua. A situação já estava azedada antes de ele pisar no local. Algo havia acontecido antes, e não precisava ser o maior detetive do mundo para suspeitar que aquilo poderia ter dedo dos outros dois caras.

Seu irmão lhe respondeu a mensagem bem rapidamente:

- "Va benne, va benne. Mas depois você me deve essa explicação."

Quando chegou à capela hermética, a loja de penhores estava vazia, exceto pelas duas gêmeas ruivas. Elas o receberam com um "Olá, Ezio" sincronizado. Quando avançou para cumprimentá-las com beijos e abraços, as garotas não o repeliram, mas receberam o cumprimento com uma visível estranheza. Provavelmente não estavam acostumadas a serem cumprimentadas dessa forma por pessoas sem intimidade. Acontece com muitos americanos, alguns nem mesmo gostam de ser tocados. Elas usavam vestidos verde escuros iguais, tinham os cabelos presos em rabos-de-cavalo, e usavam um perfume levemente adocicado. Mas sorriram ao receberem os chocolates. Era bom alguém lhe receber com um sorriso, depois da experiência no restaurante chinês.

Quando perguntou sobre Oliver, uma delas disse "ele entrou não tem muito tempo". A outra completou "vou chamá-lo", pegando um telefone escondido sobre o balcão e apertando um único botão. A garota ficou com o fone no ouvido por quase um minuto inteiro, e então o colocou no gancho, exasperada.

- "Parece que todos são surdos lá em cima! Vou atrás deles" - E entrou por uma porta nos fundos da loja, a mesma porta metálica por onde Ezio entrara, ao ser apresentado ao chefe da capela.

Quando ficaram apenas Ezio e a outra gêmea na loja, ela se inclinou no balcão, apoiando os cotovelos no mesmo, e perguntou, com uma voz suave.

- "Ezio, posso te fazer uma pergunta um pouco estranha?" - sem esperar confirmação se poderia ou não, ela prosseguiu - "Quantas pessoas você... hã... já matou? Quer dizer, todo mundo sabe que vocês Eutanathos fazem isso, mas quantas?"

Ela ouviu a resposta de Ezio, aparentemente com bastante atenção. Logo em seguida, levantou a cabeça, e de repente pareceu aborrecida. Disse:

- "Cortéz e Oliver vão te encontrar nos fundos. Pediram para você ir pra lá, por fora do prédio. Eles vão abrir a porta."

______________________________________________________________________

Enquanto desciam as escadas para a área de carga nos fundos do prédio, Oliver convocou West pelo telefone. Por Sorte ou Destino, o médico já estava dentro de seu carro quando recebeu a ligação, logo, não levou mais do que 10 minutos para chegar à Anima Gemma. Cortéz não quis falar qualquer cois até todos os quatro estarem reunidos, e Oliver contar mais uma vez usa história para Faust e Ezio.

Após o Akasha terminar seu relato, o Hermético finalmente levantou a cabeça e descruzou os braços. Estava com uma camisa social de mangas dobradas, que deixavam bem claro os braços musculosos, e deixava entrever uma tatuagem na metade superior do antebraço esquerdo. Algum motivo geométrico, aparentemente um círculo com outros símbolos dentro. Quando ele falou, sua voz era séria. Cortéz habitualmente se portava como um piadista, mas estava bem diferente naquele momento. Isso foi bem claro para Oliver, que convivera mais tempo com ele.

- "Bem, amigos, vamos aos fatos: Oliver esbarrou em algo que pode ser meramente uma prática mágika qualquer, mas pode também ser um ninho de Decaídos. A segunda hipótese me parece ainda mais provável, quando lembramos que a casa era daquela sua colega, e ela é uma Cultista do Êxtase. Aquilas coisas que Oliver viu ali não parecem coisas de Cultista. O problema maior aqui é que, se formos esperar os magos seniores decidirem o que fazer, ele vão passar uma semana discutindo, e quando finalmente tomarem uma decisão, os Nephandi já vão ter desfeito tudo e vão estar a meio mundo de distância. Eles sabem que foram descobertos, nosso tempo é curto. Eu sugiro irmos lá e investigarmos isso agora mesmo. Se há ratos nessa casa, precisamos pegá-los antes que fujam. Quem está comigo?"


Última edição por The Oracle em Qui Set 07, 2017 11:48 am, editado 2 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Set 06, 2017 12:51 pm

" - Hm-mh." - meneou Dr. West, como quem examina um paciente, quando ela disse que ele não havia dito nada sobre um diário. " - Bem... Veja a lista na página trinta e seis, por favor, e me diga se algo te parece familiar." - pediu, tirando o pequeno diário de seu bolso interno e esticando-o para Mariah. Era melhor fazer daquela forma, ele pensava, do que efetivamente avisá-la de que talvez não fosse capaz de abrir o caderno. Afinal de contas, havia lhe dito sobre um diário e uma chave, mas não a relação entre eles. A chave, se Mariah fosse inteligente o suficiente para questionar aquele tipo de coisa - e ele duvidava que fosse - poderia muito bem ser uma chave de interpretação. 

As coisas que ela falava - sobre o Profeta pedir perdão para alguém, etc, foram anotadas em sua mente. Dr. West pensaria melhor sobre aquilo assim que o narrador, insistente sobre a velocidade dos turnos graças ao personagem estar atrasado, responder no messenger e este player puder editar o turno para incluir estes raciocínios. No meio tempo, partamos do princípio de que foi algo brilhante. 

Quando a garota se desesperou, irrompendo em choro, Dr. West pareceu congelado - odiava aquelas situações emocionais. Ele pigarreou, pegando o celular do bolso e observando a mensagem de Oliver. Ótimo. Um problema enorme era algo incrível, na verdade - problemas são coisas sólidas que se pode resolver. Seria muito mais prático. 

O doutor ergueu os olhos mortos, e esforçou-se para focá-los em Mariah. Não aproximou-se, não a tocou. Não demonstrou carinho. Aquilo raramente funcionava com ele, de qualquer forma. 

" Você tem razão." - ele afirmou. " O profeta se feriu na luta contra o inimigo, o profeta estava fugindo, o profeta continua correndo, iludindo e distraindo a Serpente para que nós - soldados, assim como ele - possamos fazer nossa parte." - afirmou.

" Deus nos fez seus soldados, Mariah, e nos deu o Profeta como nosso comandante. Nossa arma é a fé e a Palavra do Senhor." - e, aproveitando-se da própria impassividade corriqueira, argumentou: " Olhe para mim. Eu pareço alterado? Eu pareço preocupado? Não. Por que o Senhor está comigo. - falou.

"Sempre há mortes, em guerras. Mantenha-se vigilante. Reze. Eu preciso auxiliar outros ungidos, agora, que precisam de mim." - e estendeu-lhe um cartão. "Não hesite em me ligar. Você é o oráculo que o profeta escolheu colocar em meu caminho."


Tudo dito e feito, se mandaria para a Cabala. No meio do caminho, ligaria para Oliver pedindo explciações.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Ezio Stracci em Qua Set 06, 2017 10:34 pm

Aquela situação foi uma porcaria. 
"Droga! Detesto agir assim. Que Deus nos perdoe"

Mas, como mudamos da água para vinho! De um restaurante maldito com pessoas feias para essa cena divina.

Ezio gostava de ruivas, e estava tento contato com algumas ultimamente. Quando uma delas saie ele percebe a outra se inclinando para falar com ele fica animado. Infelizmente aquela pergunta não era das melhores, mas que estranha aquela reação. O que ela esperava?

Ezio ajeitou o chapéu e olhando em seus olhos disse:

- Mas aposto que tenho coisas muito interessantes a lhe contar em outra ocasião que vamos marcar.

Entrega seu cartão para ela.

- Então já estão me esperando. Obrigado senhorita

Ezio segue ao encontro dos dois pronto para recebê-los bem amistoso. Mas, sem chocolatinho porque tem que economizar até poder comprar mais.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qui Set 07, 2017 8:39 am

Oliver ficou maravilhado com o todo o aparato que eles tinham no quarto andar. Ele nunca subira ali antes, mas, desde que chegou na cidade, andou procurando algum lugar no qual pudesse treinar e meditar. Não fosse a situação, ele comentaria isso, mas tudo parecia que podia pegar fogo muito rápido. Por isso, quando entraram naquela zona de silêncio, ele parou de reparar no corpo da Granger e pensar em seus recém-descobertos sentimentos por ela, bem como decidiu conversar novamente com Cortez sobre as aulas de dança e outras trivialidades. Pode ser que Oliver tenha esbarrado pela primeira vez com seu propósito de vida e, como ele era, em essência, um soldado, esse propósito era a guerra.

   Ele deu o melhor que podia para explicar o monstro que ele havia visto na casa onde há pouco Emma morava. Explicou cada detalhe do qual se lembrava enquanto fazia contato com Faust e Ezio. Sobre o número de celular, chegou a perguntar se Granger tinha um palpite sobre aquilo, se era rastreável. Talvez Granger percebesse uma mudança bastante brusca na personalidade do Oliver sempre descontraído que ela tem conhecido cada vez mais. Assim como Cortez parecia genuinamente preocupado, Oliver parecia genuinamente pronto para pular em uma zona de combate e fazer o seu trabalho.

   Quando Faust e Ezio chegaram, Oliver os saudou com um "que bom que puderam chegar tão rápido" e explicou a situação novamente. Sempre que sentia um impulso de acelerar ou resumir alguma parte, olhava instintivamente para Faust e contava tudo em detalhes. Talvez Faust tenha percebido isso. Tamanha foi seu alívio quando Cortez incitou o grupo ali presente à ação, pois ele também acreditava que qualquer indício encontrado naquela casa poderia sumir a qualquer momento. Oliver não tinha preocupações quanto a parecer bobo na frente dos outros magos da cidade, mas definitivamente não queria um inimigo bem debaixo do seu nariz. Após ouvir Cortez, ele disse:

- "Você tem razão. Se os magos mais antigos começarem essa discussão e eu realmente estiver certo quanto ao que vi, a conversa deles só vai terminar quando não houver mais inimigo visível. Eu estou dentro, vamos olhar isso a fundo".
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Set 12, 2017 11:42 am

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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Ter Set 12, 2017 11:42 am

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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"Eu sou aquele que arrancou suas próprias vendas, e viu o Universo pelo que ele é. As forças da natureza curvam-se ao meu comando, e o Infinito e a Eternidade obedecem à minha Vontade. Venha comigo, e partilhe das maravilhas que vi, neste e em inúmeráveis mundos.

Me dê sua mão, abra seus olhos, e Desperte..."
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Set 12, 2017 12:18 pm

Durante o caminho, sua mente fervilhava em possibilidades e em questões - quanto mais afundavam-se naquela investigação, mais pergunts surgiam, e as respostas pareciam fazer cada vez menos sentido. Mariah havia sido uma boa descoberta, entretanto - ela parecia disposta a ajudar, e nitidamente tinha uma conexão com o Profeta, ou pelo menos uma capacidade de comunicar-se com ele, maior que a deles. Já era grande coisa. 


Havia notado o alívio da moça, suas lágrimas, o sorriso trêmulo por entre os soluços e os suspiros de fé. Havia notado como seus dedos de menina haviam agarrado seu cartão como se fosse não apenas um pedacinho de papel cartão, mas um símbolo sólido de esperança, de concretude, de fé. 

Aquilo não lhe propiciava emoções específicas - não sentia orgulho de tê-la acalmado, de tê-la manipulado, e tampouco sentia dó ou pena de sua situação. Procurava distanciar-se daquelas distrações e não acreditava, também, ter realmente mentido para ela - ele efetivamente estava indo ajudar os que ela mesma havia chamado de ungidos, e seu objetivo final era, realmente, bom.

O que importava era que Mariah, agora mais calma, tinha menos riscos de fazer uma bobagem - e que tendo-o como fruto de sua calma, mais chances de alimentá-lo com as informações que só ela parecia ter, e de que ele precisava para poder ajudar não apenas ela e todos os fustigados pelos estranhos acontecimentos de Portland, mas Eliza.

E aquilo era o que importava. 

Fez uma anotação mental de ligar para Mariah no futuro breve e atualizar-se sobre sua situação. A moça parecia um terreno fértil.

[...]

Dr. West estacionou o carro a uma quadra da Anima Gemma - não era paranóico crer que estacionar seu carro frequentemente frente a uma loja de jóias com a qual não tinha absolutamente nenhuma conexão poderia parecer estranho aos olhos civis ou, pior, da tecnocracia. Sua mente mecânica, ele acreditava, lhe dava vantagens sobre a tecnocracia no sentido de que funcionava de forma similar aos operativos - então podia antever os padrões nos quais eles poderiam se basear, e assim evitar formá-los. 

Moveu-se a passos largos, todos idênticos, em direção a loja. Sua bengala batia no chão a cada dois passos, e a maleta vinha, segura, na mão oposta. 

O médico comprimentou os três presentes com a mesma cordialidade fria e decorada de sempre, mas não lhes deu tempo de responder - e tampouco acreditava que eles desejariam fazê-lo, dado clima. Olhou para Oliver. 

"E então?" - quis saber. 


Ele ouviu a história - a história sombria, a história negra, a história terrível - com a impassividade estóica de quem já sabia, de quem já previa, de quem já tinha calculado todas aquelas possibilidades. Ou ele escutou o relato com o descaso de quem simplesmente não se importava - a única coisa em sua aparência que desmentia esta última possibilidade era a fixa e intensa névoa de obsessão pairando nos olhos cinzentos do doutor. 

Após a descrição meticulosa - que, Faust percebeu, era feita por sua causa - de Oliver, ele meneou a cabeça na direção do Akasha, num agradecimento silencioso. Olhou então para Cortez, que tomava a palavra. 

"Eu estou." - disse. Era sempre bom começar a discordar de alguém por alguma fração de concordância. "Entretanto, acredito importante salientar que os Nephandus que conheci estavam muito distantes do vilão fanático protegendo um botão vermelho. Muito pelo contrário: eram astutos como alguma fusão profana entre serpentes e cobras, esgueirando-se pelas frestas e conduzindo suas presas para sua teia." - e fez uma pequena pausa, deixando que a imagem descrita assentasse na mente dos ouvintes.

"O que quer que o Sr.Gray tenha percebido ali, sem dúvida fazia parte de uma proteção mágika. Quanto a isso, podemos confirmar com uma breve análise de resíduos quânticos de ressonância em suas vestes, mas a ausência não seria definitiava." - o comentário no final pareceu mais uma frase dele para ele mesmo do que para os outros, como se ponderasse. Piscou, e sua atenção retornou a eles. "De qualquer forma, se presumirmos tratar-se de um grupo de Nephandi - e a única forma segura de avançarmos nesta questão é assim presumirmos, precisamos também presumir, como o Sr. Cortez pontuou, que sabem que fomos lá e que, mais do que isso, que já imaginavam que poderiamos fazê-lo, e que sabem quem somos." - afirmou. 

"Se sabem quem somos, certamente esperam que voltemos ali, imediatamente. Ou seja, é uma armadilha." - e ele fez uma pequena pausa, esperando que Ezio, Cortez e Oliver começassem a demonstrar seus protestos, como ele tinha certeza que viriam. Interrompeu-os de imediato. 

"Não estou dizendo que não devemos ir. Não temos escolha. Estou dizendo que, sabendo que estamos entrando em uma armadilha, devemos não apenas nos preparar com ajuda de artefatos que sem dúvida esta capela tem a sua disposição, como também prever que tipo de problema ou ataque podemos encontrar." - argumentou. 


"Por exemplo: Sr. Gray, o chão do porão estava empoeirado? Se sim, haviam marcas de pegadas na poeira? Se haviam marcas, podemos assumir que a Srta. Woolf sabia o que havia ali, e que faz parte de uma célula Nephandi. Se não, podemos inferir que quem fazia parte da célula Nephandi era apenas a antiga dona do lugar, o que nos dá um tempo de reação maior antes que tenhamos que lidar não com armadilhas magikas, mas com um grupo Nephandi real, de carne e osso e maldade."
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Qua Set 13, 2017 10:08 am

Oliver ouviu as conjecturas de Faust com atenção, até que lhe pareceu que ele iria tentar refrear a ação do grupo. Seu protesto foi habilmente silenciado quando Faust acrescentou que eles deviam sim, conferir o lugar apesar de se tratar de uma possível armadilha. Quando Faust fez sua pergunta sobre as pegadas, Oliver coçou a cabeça antes de responder, como se tentasse se lembrar:

- "O lugar estava escuro demais para eu conseguir enxergar algo assim. Todas as lâmpadas estavam partidas e os cacos espalhados pelo chão. Mas eu não acho que Emma e o irmão estejam envolvidos, até porque eles não passaram uma semana do lugar antes de saírem de lá. É mais provável que eles tenham sentido algo fora do normal e ido embora, já que nenhum dos dois parece ter grandes preocupações com a cidade em si", declarou Oliver dando de ombros. Ele conhecera poucos magos com ideais muito elevados. ele se virou para Ezio:

- "E você? Vai com a gente dar uma olhada no lugar? Não vai dar para esperar os mestres descruzarem os braços".
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Ezio Stracci em Qua Set 13, 2017 2:23 pm

Ver Faust chegando em alguém lugar era desagradável, mas ao mesmo tempo dava uma sensação de é bom tê-lo como aliado

O jovem Akasha falava como podia e Ezio estava lá ouvindo todo aquele papo esquisito.

"Essas coisas de magia" 

Pensava

Coçava a cabeça 

"Um acabei de sair de uma situação complicada e mais isso"

Mas resolve dizer

- Sabem meus amigos...

Começa a comer seu último chocolate

- Vocês parecem ter sempre uma aventura pronta, e eu sou acostumado com aventuras, mas vocês me surpreendem

Ele se ajeita e diz

- Da última vez me colocaram em uma situação complicada...
- Tentaram se passar por agentes?
- Mas afinal, o que estamos esperando?
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Sex Set 15, 2017 8:30 pm

Cortéz ouviu os demais em silêncio, de braços cruzados. Quando todos falaram, ele começou sua própria fala. Mantinha a voz baixa, e enquanto falava, caminhava por aquela área de carga. Se dirigia a uma série de armários metálicos, não muito diferentes desses que se vêem em escolas ou academias. Tinham cadeados com combinação, e ele girou rapidamente o dial de um deles, abrindo a porta metálica em seguida.

- "Maravilhas, doutor? Vai ver isso é mais comum entre os Eteritas. Armas de raios ou máquinas do tempo, sei lá... Mas aqui não temos muitas coisas destas coisas. É uma capela nova, com pouca gente. Pelo menos, não Maravilhas que possam ser transportadas. Há o Portal de Hermes, claro, e um lustre enorme no quarto andar, mas ambos não são nada portáteis. Há uns truques na própria estrutura da capela também: Selos de Plutão em tijolos, Clavículas de Salomão em tinta invisível, colunas entalhadas seguindo preceitos numerológicos, e a maioria das portas é reforçada alquimicamente, mas se o Sr. fala de varinhas ou anéis mágicos, suspeito só daquele que Señor Willian usa. Dani diz que ele sabe fazer Amuletos, mas nosso chefe não está aqui agora, não é? E se estivesse, estaria discutindo incessantemente sobre a questão nephândica, e não se preparando para a ação... Sei que ele tem Sorvo em um cofre, mas também tenho certeza que aquele cofre tem proteções, e não estou com humor para ser fritado ou congelado por tentar arrombá-lo. Acho que vamos ter que nos virar com o que temos."

Enquanto falava, mexia em algumas coisas no armário. Quando disse a última frase, jogou uma bolsa (dessas de academia, comprida e cilíndrica) para Ezio, perguntando: "sabe usar uma dessas, amigo?"

Pelo zíper semi-aberto da bolsa, Ezio viu um instrumento difícil de ser confundido. Nunca tinha pego uma daquelas antes, mas o design era inconfundível: era um IWI Tavor T-21, fuzil de assalto das Forças Especiais israelenses. Arma moderna, compacta, projetada para operar em espaços confinados. Aquela aparentemente tinha sofrido algumas modificações, e tinha como acessórios lanterna, silenciador e mira laser de média distância. A bolsa tinha ainda 3 carregadores extras.

fuzil na bolsa:

Cortéz estava vestindo um colete tático, e enquanto fazia isso, disse: "tenho outro. Eu mesmo tratei alquimicamente. Aguentam mais tranco que um comum. Alguém quer?".

Em seguida, vestiu um coldre de axila, engatilhou uma pistola Glock 9mm (também aparentemente modificada, notou Ezio), e a colocou no coldre, debaixo do braço. Completou com um sobretudo sobre o corpo, e pegou outra bolsa como a que havia lançado para Ezio.

- "Quando quiserem, amigos. Estou pronto."


Última edição por The Oracle em Sab Set 16, 2017 10:40 am, editado 1 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Sab Set 16, 2017 12:26 am

Dr. West ouviu os posicionamentos - principalmente o de Cortez, visto que o doutor estava bastante interessado na possível utilização de artefatos e outros apetrechos mágicos na investida que iriam, invariavelmente, realizar. 

Um pouco decepcionado, observou todo o gesto com as armas. Ali, ele sabia que havia perdido o debate - como ele ia disputar com a chance de disparar um fuzil daqueles? Nem que fosse para atirar no próprio pé, eles escolheriam o fuzil.

"Eu aceito." - falou sobre o colete, e não disse mais nada.

Iria com eles até a casa, mas não entraria de imediato.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Sab Set 16, 2017 11:15 am

Cortéz passou o colete a West, e até o ajudou a colocar. A veste aparentemente fora feita para o tórax largo do Hermético, e mesmo nos ajustes mais apertados, ficou meio folgada no tronco esquálido do doutor, mas nada que impedisse seu uso. Isso deu algum tempo para que Ezio também ajustasse coronha e mira do fuzil. Oliver, por sua vez, não precisava de nada disso. Ele era a arma. Ou ao menos, pensava assim.

Dividiram-se entre os dois carros (se pretendem uma configuração diferente, me avisem), e rodaram sem maiores dificuldades até a casa de Phillips. O tempo parecia refletir o clima de sua missão: o céu havia se tornado carregado, e não seria de estranhar uma chuva a caminho. Durante a curta viagem, quem estivesse próximo a Cortéz o veria segurar um terço de madeira nas mãos, e dizer baixinho, repetidas vezes, o que talvez fosse alguma oração em espanhol.

Quando finalmente chegaram à casa, ela estava da mesma forma em que Oliver a deixara. Tudo calmo e silencioso. Uma pequena casa normal de um subúrbio americano, com um quintal mal-cuidado e cheio de folhas, com grama já meio alta. Cortinas fechadas nas janelas da frente. A caixa de correio tinha "Phillips" escrito em tinta vermelha de um lado. A cerca baixa era pintada de um branco desbotado, pois a única tinta nova ali era de uma pixação, que dizia, em vermelho vivo: "HELL ON EARTH". Pelo lado de fora, Oliver notou que a janela redonda que dava para o sótão continuava aberta.

A vizinhança estava calma. Bem ao longe, se ouvia os gritos de algumas crianças brincando, e mais para cima na rua, talvez umas três casas depois, o choro de um bebê era audível. Mas fora isso, era apenas a vizinhança de um subúrbio qualquer, no meio da tarde. Ninguém na rua. A eventual brisa passando nas folhas e na grama criava um som suave, quase relaxante.

A janela destrancada por onde Oliver entrou, no quintal dos fundos, continuava destrancada. Ali, a cerca que separava os quintais era mais alta, protegendo-os de olhares indiscretos. Não havia muito no quintal: alguns fios de varais estendidos, uma churrasqueira empoeirada, enferrujando, e um desses cavalinhos de madeira para crianças, que balançam como cadeiras de balanço. Mas estava quebrado e com a pintura desbotada. Esse detalhe, associado à grama alta e mal cuidada, davam uma aparência melancólica ao local. Havia algumas árvores ali, sendo a maior delas um abacateiro. Prováveis frutas caídas e apodrecendo, ocultas na grama alta, emprestavam um cheiro adocicado e desagradável ao local. Um cheiro de decomposição. Talvez um prelúdio agourento de seu futuro.

Após ficar às voltas com seus óculos esquisitos por algum tempo, Dr. West notou que o local era isento de qualquer Morto Inquieto. Aliás, a rua estava livre deles também. Pelo que West já havia experimentado, a quantidade de Aparições em Portland era um tanto alta, comparável ao número que ele havia visto em Nova Orleans. Isso significava que eventualmente um Inquieto era visível, pelo menos ao longe, na maioria dos lugares, mas não ali. Bem, talvez não houvesse nada de interessante para eles na vizinhança.

Um cão vira-latas adentrou o quintal dos fundos, farejando. Mas deu meia volta, assim que os viu. Parecia cego de um olho, e sua pele estava coberta de sarnas. Também passava a ideia de decomposição, de decadência. De morte.

Um raio caiu bem longe, no oceano. Demorou quase 10 segundos para que o trovão fosse ouvido. Quase um murmúrio, como se um Deus distante estivesse balbuciando alguma coisa.

Cortéz já estava tirando seu fuzil da bolsa, e fazendo uma verificação rápida dos ferrolhos e travas. Parecia experimentado naquilo. Quando terminou, olhou inquisitivamente para a cabala.

Um som quebrou a quietude do local. Um apito agudo, como o piado de alguma insandecida ave histérica. Era o celular de Oliver. Havia uma mensagem ali, um SMS.


- "Sério que vai voltar pra essa merda? Beleza, a morte é sua. Prazer em não ter te conhecido."


O remetente era outro número gigantesco, de 30 dígitos ou mais.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Sab Set 16, 2017 5:06 pm

Oliver veio calado pelo caminho. Após todos terem feitos seus preparativos, ele se sentou ao lado de Cortez e ficou olhando pela janela o tempo todo, procurando presságios naquele clima agourento. Quando se lembrou de que o momento era tudo que importava, abandonou a busca. Dizem que os grandes mestres são grandes o tempo todo, sem precisar se lembrar de serem grandes. Sempre que pensava nisso, Oliver achava que ainda tinha um caminho e tanto pela frente.

Quando chegaram na frente da casa da Emma e Oliver recebeu outra daquelas mensagens esquisitas, ficou levemente irritado. Ele mostrou para os que estavam do lado e disse:

- "Ok, ou tem alguém vigiando essa casa o tempo todo ou vigiando a mim o tempo todo. O pior de tudo é que essa pessoa não parece o vilão da história. Quer dizer, que tipo de vilão avisa para a gente não entrar em uma armadilha? Esperem, vou tentar descobrir se há alguém ou algo lá dentro agora".

Dizendo isso, Oliver fechou os olhos e apontou uma mão espalmada para a casa, tocando em alguma parte metálica do carro enquanto recitava um mantra que pareceu monótono, repetitivo e inteligível para os outros magos.

O mantra produziu um efeito que elevou a mente de Oliver de tal forma que não havia mais barreiras que a separavam dos outros seres. Ele conseguia tocar o consciente de qualquer coisa a sua volta, incluindo dos magos ali presentes, mas não encontrou qualquer consciência pensante no interior da casa. a sensação que emanava do lugar era uma ressonância absurdamente negativa, que quase fez Oliver cambalear. Ele disse:

- "Não tem nada consciente dentro da casa, nenhuma mente que eu pudesse encontrar. Apesar disso, parece que o lugar em si foi cena de uma desgraça muito grande. Cara, eu só senti algo tão ruim assim no acidente que matou meus pais. Alguém sofreu muito ali. Lugares que presenciam certas coisas ficam com uma ressonância terrível. Com tempo e esforço, eu poderia mudar a ressonância desse lugar".

Depois de falar, Oliver se adiantou, mostrou a janela por onde entrou e Esperou os amigos agirem.


Última edição por Oliver Gray em Sab Set 16, 2017 7:11 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Sab Set 16, 2017 5:06 pm

Efeito de mente 1 para descobrir se há mentes no interior da casa.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Sab Set 16, 2017 5:06 pm

O membro 'Oliver Gray' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


'D10' : 8, 9
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Sab Set 16, 2017 6:59 pm

Testando força de vontade
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Sab Set 16, 2017 6:59 pm

O membro 'Oliver Gray' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


'D10' : 10, 1, 7, 6, 10
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Ezio Stracci em Seg Set 18, 2017 5:26 pm

As impressões do detetive sobre aquele mexicano começavam a mudar, outrora ele queria tê-lo em sua mira, agora, começava a admirá-lo. Também pudera, a chance de usar um brinquedinho daqueles era sempre gratificante. E ele estava preparado, concordou com o plano e os acompanhou em um dos carros. 

Apesar da empolgação, usar uma daquelas também representava grande risco de morrer, e nem seria pela família. Achou uma boa ideia mandar uma mensagem para seu irmão indicando o endereço de onde estavam indo.

"Mio Fratello. Estou em uma missão que pode ser perigosa nesse endereço. Se em uma hora eu não der sinal algum comece a se preocupar. Ps: é aquele lance."

E estavam próximos a casa. Ezio conferia a arma para ver se estava tudo pronto para o pior. Ainda do carro tentava ver com a mira da arma por dentro da janela se haveria algo suspeito. 

- E então? 
- Vamos entrar?
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Set 19, 2017 11:00 am

Dr. West estava incomodado. Ficou em silêncio durante todo o percurso, o celular nos dedos, digitando de maneira quase que compulsiva. Mandava uma mensagem para Dr. Max, seu mentor, explicando por cima o que estavam fazendo, principalmente para avisar da possível confirmação da relação de Emma com os Nephandi, mas ressaltando que as informações que tinham até agora não provavam nada realmente; postava uma mensagem na HollowNet com o nome de Emma e o nome da antiga dona da casa e mais nada - os Vazios pareciam responder melhor a posts minimalistas e que cheiravam a conspiração; e por fim, entrava em contato com sua rede pessoal de informações, querendo todas as informações e notícias relacionadas aquele endereço, seu histórico de locação, informações sobre as pessoas que já haviam alugado aquilo nos anos, data de construção, enfim - todas as informações possíveis. 

Quando começaram a entrar na vizinhança - ele soube, visto que vinha acompanhando o trajeto pelo Google Maps - o eterita puxou os óculos do interior de seu paletó e começou a mexer com as configurações, procurando focalizar as vibrações espirituais, quintessenciais, e as frequências da própria matéria. Não bastava enxergar as influências sobrenaturais: uma casa como aquela, se fosse o que pensavam, sem dúvida tinha passagens secretas, compartimentos, segredos que a matéria sussurrava e que os olhos, geralmente, não podiam ver. 

Quando desceram do carro, West - com os óculos de muitas lentes no rosto - deixou o paletó no interior deste, e arregaçou as mangas da camisa branca. Deixou a bengala também, apesar de estar levando a maleta. No cós da calça, destacando-se contra o tecido claro da camisa social, era visível a empunhadura da Glock 9mm. O colete a prova de balas parecia meio solto e lhe incomodava as axilas, mas era melhor do que nada. 

Olhou para Oliver e meneou a cabeça. "Me lembre disso depois. Acredito que possa rastrear a origem." - ele sussurrou, como se achasse que podiam ser ouvidos. 

Olhou em volta pela rua, como se vendo mais do que realmente estava ali. A ausência de Inquietos era perturbadora. Ele puxou o ar devagar pelas narinas, num ruído discreto e agudo que lembrava um exaustor. "Os mortos temem esse lugar." - avisou aos colegas. Dizia muito sobre a natureza humana, ele achava, o fato de eles estavam prestes a entrar num lugar que os próprios mortos evitavam. 

Ele ergueu a mão direita para o óculos, como se o fato de fazê-lo pudesse ajudá-lo a ver melhor. Procurava informações, procurava qualquer coisa que justificasse a ausência dos mortos onipresentes... e nada. Dr. West respirou fundo, frustrado - provavelmente era a primeira demonstração de emoção humana que viam do homem, e durou pouco, tão pouco, que foi quase ilusória. 

Olhou para Ezzio, e acenou com a cabeça. 

"Mas eu vou na frente. Eu vejo mais do que vocês." - afirmou, começando a avançar, na certeza de que, pelo menos, receberia cobertura. 


Sistema:

Rolagem de arete para ativar Primórdio, Espírito e Matéria 1 pelo resto da cena. 1 ponto de FdV gasto, e 1 ponto de Quintessência.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Ter Set 19, 2017 11:00 am

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


'D10' : 7, 6, 10

_________________
"Eu sou aquele que arrancou suas próprias vendas, e viu o Universo pelo que ele é. As forças da natureza curvam-se ao meu comando, e o Infinito e a Eternidade obedecem à minha Vontade. Venha comigo, e partilhe das maravilhas que vi, neste e em inúmeráveis mundos.

Me dê sua mão, abra seus olhos, e Desperte..."
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Set 19, 2017 11:03 am

VAI BAYBLADE
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Ter Set 19, 2017 11:03 am

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


'D10' : 1

_________________
"Eu sou aquele que arrancou suas próprias vendas, e viu o Universo pelo que ele é. As forças da natureza curvam-se ao meu comando, e o Infinito e a Eternidade obedecem à minha Vontade. Venha comigo, e partilhe das maravilhas que vi, neste e em inúmeráveis mundos.

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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Ter Set 19, 2017 11:19 am

Oliver meneou a cabeça para Faust, embora soubesse que provavelmente se esqueceria de lembrar algo a ele, ainda mais naquela situação. O que ele realmente não esperava é que Faust decidisse entrar na frente. Seja como for, ele disse:

- "Tem um baú fechado com magia no sótão da casa. A primeira coisa que a gente deveria fazer é tirar ele de lá, antes que as coisas comecem a ficar confusas. A coisa é pesada, então vou precisar de mais um para me ajudar a descer com ela. Cortez? Ezio e Faust podem entrar dando cobertura, um na frente e outro atrás de nós".

Dizendo isso, ele pulou habilmente pela janela e estendeu a mão para quem precisasse de ajuda.
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por The Oracle em Qua Set 20, 2017 11:32 am

Quando os demais concordaram com o curso de ação, Cortéz apenas maneou afirmativamente a cabeça. Em seguida, retirou de um um dos bolsos do sobretudo uma coisa estranha: tinha o formato redondo e achatado e as dimensões de um porta-copos, uma das faces era lisa, mas a outra era composta por 4 círculos concêntricos, como faixas umas dentro das outras. Essas faixas eram repletas de símbolos. Ele fixou essa coisa num dos lados da coronha do fuzil, e mexeu em alguns daqueles círculos, que pareciam poder girar livremente. Faziam pequenos "tlecs" quando giravam, como o segredo de um cofre. Enquanto fazia isso, fez uma pergunta em voz baixa, sem olhar diretamente para ninguém.

- "Os mortos, doutor? O señor fala de fantasmas?"

Em seguida, aceitou a ajuda de Oliver para pular a janela

Assim que todos passaram pela janela, Cortéz acendeu a lanterna acoplada ao rifle. A casa não estava exatamente escura, mas como era o meio da tarde, já havia menos luz do que quando Oliver havia entrado pela primeira vez. Isso dava um aspecto mais lúgubre ao local, o que, de uma forma estranha, era amplificado pelo cheiro adocicado presente (provavelmente de algum incenso ou mistura de ervas que Emma tivesse usado para limpar a casa).

O silêncio era pesado, impenetrável. Os cobria como um cobertor denso e sufocante. Cortéz andava pelo piso de madeira como se não quisesse fazer qualquer som. Suas respirações eram audíveis, e até mesmo causavam algum eco no corredor estreito por onde o grupo andava.

West ia a frente, com seus bizarros óculos no rosto. Ali, à meia-luz filtrada pelas cortinas, o alto e esquálido doutor, com o aparato esbugalhado sobre os olhos, poderia ser confundido com um inseto bípede gigante, algo como uma mutação abominável parida não pela Mãe Natureza, mas pelo laboratório de algum cientista insano saído de um filme B da década de 80. As informações extraídas do aparelho, até o momento, não eram das mais interessantes: a paisagem umbral era estéril, e as frequências eterdinâmicas estavam em níveis normais. Todavia, algo nos limites da banda de percepção apontavam que havia alguma anomalia próxima. Apenas não haviam chegado nela ainda.

Em pouco tempo (a casa, no fim das contas, era bem pequena), chegaram à escada que levava ao sótão. Oliver subiu primeiro, se impulsionando agilmente através do buraco no teto, caindo já sobre os dois pés, e preparado para o que fosse. Mas não havia nada no sótão. Nada anormal, por assim dizer, apenas o que Oliver havia visto antes. Cortéz subiu em seguida, e mais qualquer um que quisesse ver o local.

Diferentemente do resto da casa, aquele cômodo estava bem empoeirado. O local tinha apenas uma janela, redonda, que dava para a frente da casa, e estava aberta. Havia alguns baús, e algumas tralhas, como uma antena de TV desgastada. Dos quatro baús, um estava cheio de roupas de crianças. Pareciam costuradas artesanalmente, não roupas de lojas. Outro estava repletos de animais de pelúcia, aparentemente também costurados artesanalmente. Um terceiro baú estava trancado por um cadeado enorme. Era mais pesado e reforçado que os demais. Ao ser iluminado pela lanterna de Cortéz, aquele cadeado demonstrou um engravamento em baixo-relevo, no formado de um relógio de ponteiros, marcando 3 (ou 15) horas. Um quarto baú jazia aberto, e vazio. Também jazia no chão um alicate cortador de cadeados imenso.

Aos sentidos mágikos de West, aquele cadeado brilhava como um farol. Aquela peça tivera seu padrão reforçado com energia primordial, ao ponto de não ser exagero dizer que seria indestrutível. Era o mesmo tipo de trabalho feito no diário que tinha em sua maleta. E a Ressonância também denunciava o causador do efeito: o Profeta Sammuel. O resto do baú não parecia encantado, mas sem dúvida era uma peça de mobília robusta e reforçada. Aquela coisa provavelmente ainda estaria inteira depois de cair do décimo andar ou de ser esmagada por um carro. E era pesada também. A operação de descer aquilo do sótão acabou tendo que usar Oliver, Cortéz e Ezio (descer algo pesado por uma escada instável não é uma tarefa simples), mas eles não foram perturbados enquanto o faziam, e tentaram fazê-lo da maneira mais silenciosa possível. Todavia, dado o silêncio sepulcral da casa, qualquer coisa que estivesse por ali, e não fosse surda, fatalmente os teria ouvido.

Depois de depositarem o baú no local que acharam mais conveniente, havia a questão do porão para lidar. O resto da casa não tinha nada de muito interessante (maiores detalhes da descrição aqui, no final da página), mas o porão, segundo a descrição de Oliver, era onde tudo de ruim se concentrava.

Quando o grupo chegou à porta do local, esta estava aberta, claramente arrombada. Além da porta, havia uma escada descendo, e atrás dela estava pendurado um grande crucifixo. A luz não responderia, eles sabiam. Havia escuridão lá embaixo, e silêncio, e frio. O porão era mais frio que o resto da casa.

Conforme foram descendo as escadas, o frio aumentou um pouco. Seria difícil dizer se era realmente um redução na temperatura, ou se a sensação de frio era psicológico. Sem dúvida, o ambiente era opressor, e havia uma forte sensação "pesada" no ar, alguma mistura indistinta de ódio e desespero. Na descida, viram três lâmpadas, todas com as roscas ainda em seus bocais, mas os bulbos com o aspecto de que haviam explodido. Cacos adornavam o chão, e refletiam a luz da lanterna.

A paisagem espiritual ainda era estéril, mas naquele ponto, já se tornava bastante óbvio a West que algo ou alguém havia mexido com a Película e com a Mortalha do local. As barreiras ainda estavam lá, mas os padrões eram estranhos... como se tivessem sido rearranjados. Se aquilo fosse um tecido, ele diria, em analogia, que havia sido rasgado e recosturado. Ainda estava enfraquecida, por sinal (considere que a Película ali é 1 ponto mais fina que no resto da casa). O epicentro disso foi visível quando atingiram o porão em si.

O cômodo subterrâneo estava vazio, e tinha um cheiro opressivo de umidade e ar parado. Estava como Oliver o havia deixado (vejam a descrição, no próximo tópico meu depois do que linkei mais acima), só que agora, havia menos luz natural. As lanternas, jogando sua luz em pequenos fachos, iluminando pequenos círculos da área, não contribuíam para trazer conforto. Pelo contrário, os fachos de luz concentrada, quando lançados sobre aquelas pelúcias sujas e deformadas, as revelavam com uma riqueza de detalhes horrenda e perturbadora. E havia algo novo ali, algo que Oliver não vira antes.

Pegadas. E marcas de mãos. Na poeira do chão, e também em alguns dos bichinhos de pelúcia.

Pés pequenos, talvez de uma criança ou pré-adolescente, e mãos pequenas também. Marcas aleatórias, como se alguém estivesse andando em círculos, erraticamente, dentro do espaço delimitado entre os dois cruzeiros. Andando, ou engatinhando.

As marcas de mãos nas pelúcias tinham um relevo escurecido, como se aquelas mãozinhas estivessem muito quentes quando pegaram nos bonecos, quentes ao ponto de chamuscar seu exterior fofo e macio (agora imundo e decrépito). E os bonecos que tinham essas marcas (não eram todos), pareciam ter sido apertados por essas mãozinhas. Alguns, apertados até praticamente explodirem, espalhando enchimento pelo chão de pedra, como uma vítima de atropelamento espalha suas entranhas pelo asfalto imundo da estrada.

Aos olhos de West, algo havia sido feito ali. Aqueles portadores de velas, e alguns outros itens do local... aquilo fora parte de algum efeito mágiko. Ele saberia dizer que envolvia alguma espécie de barreira espiritual, mas não era apenas isso. E havia Ressonância naquele efeito mágiko, uma Ressonância diferente da que permeava o próprio ambiente. Conseguiu detectar duas.

Uma era a do Profeta. A segunda lhe era desconhecida, mas era entrópica. E carregava uma sensação de tristeza.

Um som lamentoso, longo, arranhado, os envolveu. Era o rangido da porta do porão, fechando lentamente.

Talvez fosse o vento.

Talvez não...
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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Oliver Gray em Sex Set 22, 2017 12:02 pm

Oliver estava uma pilha de nervos, mesmo acompanhado dos outros magos. Ele não parava de olhar em todas as direções enquanto eles desciam com o baú, como se estivesse invadindo uma prisão de segurança máxima, não uma casinha de subúrbio. Uma vez assegurado o tal baú, era hora de descer para o porão:

- "É para lá", mostrou Oliver, apontando para a porta arrombada. "É de lá que a coisa saiu".

   Assim, ele desceu com os outros para o famigerado porão novamente. O maldito lugar fazia com que ele se lembrasse do trauma sofrido com a morte de seus pais, e ele não conseguia saber o motivo. Os pais morreram em um incêndio, uma falha na tubulação de gás. Seus pais eram apenas adormecidos comuns que morreram em um acidente comum. Ainda assim, ele pensava em Brenda, pensava nos pais falecidos e pensava em tudo de ruim que havia acontecido em sua vida, sem ter espaço em sua mente para qualquer coisa positiva estando naquele local.

   A cena estava como ele deixou. Aquele circo de horrores que ele não seria capaz de analisar sozinho, motivo pelo qual tinha chamado os outros. Ele ia abrir a boca para fazer um comentário, quando ouviu a porta se fechando lentamente. Oliver não pensou, só se moveu. Em três saltos, ele cobriu toda a distância entre as escadas e impediu que a porta se fechasse. Usando um pouco de força e muito jeito, ele arrancou a maldita porta das dobradiças, enquanto impedia que seu coração saltasse da boca. Oliver estava nervoso, muito nervoso, e não fazia questão de esconder isso, transparente como era. Os mais distraídos lá embaixo provavelmente só ouviram algo quando ele já estava lá em cima tirando a porta do lugar. Foi aí que ele disse:

- "O lugar é esse pessoal. Adorável, não é? Se vocês vão fazer análises, fotografar, filmar, etc, sugiro que façamos isso rápido. A aura desse lugar me deixa nervoso".

   Quando terminou de falar, ele já estava entre o primeiro e o segundo lance de escadas, vigiando a porta e os colegas ao mesmo tempo.
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Mensagem por Ezio Stracci em Ter Set 26, 2017 10:14 am

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Mensagem por The Oracle em Ter Set 26, 2017 10:14 am

O membro 'Ezio Stracci' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Um novo amanhecer

Mensagem por Ezio Stracci em Ter Set 26, 2017 10:43 am

Ezio seguiu a todos pela retaguarda, uma posição que era ruim e boa, mas como detetive era algo que estava acostumado. E como detetive ele achou melhor investigar.

A parte do quintal parecia mais calma, e apesar da situação tensa ele acreditava estar fazendo uma boa análise. 

Assim se seguiu na casa, pelo cheiro, posição dos objetos, tocava em uma coisa outra. Inclusive no sótão tentando analisar os baús e o Baú. Mas desceram com ele e posicionaram o baú. 

Tudo aquilo estava estranho demais, tão organizado para um lugar que deveria estar vazio.
" Que tipo de produto de limpeza fica por tanto tempo em algum lugar? Mas, pelo menos quem fez isso não era novato."

Seguindo agora para o Porão, ele inicia nova investigação sobre o lugar, mirando a lanterna a cada detalhe, sem ficar parado em momento algum.

Aquele cenário não prestava de forma alguma, e aquelas marcas por serem pequenas o preocupavam ainda mais.

"Talvez não estejamos sós"

"Será que essa criança corria perigo? Os criminosos que fizeram isso, ainda estão por aqui? Ela está por aqui?"

Fala baixo para que os outros possam escutar, mas apenas eles:

- Eu duvido que estejamos sozinhos, e não quero o destino dos outros que estiveram aqui. Essa casa foi palco de algum crime.

Preparado para atirar no que achar suspeito.


Última edição por Ezio Stracci em Ter Set 26, 2017 11:01 am, editado 1 vez(es)
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