O Destino irá me encontrar

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O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Sex Fev 10, 2017 10:58 pm

Quando a luz do sol nascente entreou pela janela do quarto diminuto, Oliver já estava acordado. E pronto. Era costume do local acordar junto com o sol, mas ele estivera, no escuro, bem antes do alvorecer, conferindo suas coisas, e esperando. Aquela ia ser a primeira mudança de rotina em alguns anos.

E uma bela mudança.

Interrompendo seus pensamentos, uma batida na porta se fez ouvir. E a porta não esperou resposta sua para se abrir, algo que era, de certa forma, uma falta de educação. Poderia ser um dos Irmãos que até agora torciam o nariz para ele (provavelmente por não ser oriental. Talvez por outra coisa qualquer, ele nunca se dera muito ao trabalho de pensar a respeito), ou poderia ser um dos quais ele era mais próximo. A amizade acaba suplantando a educação, mesmo num mosteiro no alto de um monte no interior do Japão. Por sorte, a segunda opção se mostrou verdadeira, quando a face arredondada de Sato apareceu na porta, sorrindo. Sato ocupava o claustro ao lado do seu. Uma boa pessoa, um bom Irmão. Órfão como ele, acolhido no mosteiro como ele. O jovem japonês balançava algo em sua mão, um papel, e dizia, ainda sorrindo, enquanto entrava no quarto de Oliver.

- "Mestre Kubo parece que não vai vir para acompanhar sua saída. O velho ainda parece muito contrariado com essa sua decisão de ir pros Estados Unidos, mas me pediu pra te entregar isso. Não entendo esse idioma esquisito deles".

Uma rápida olhada no papel revelou que se tratava de alguma espécie de certidão de adoção, emitida pelo Estado do Maine e chancelada por algum tribunal federal. "Lar de Madalena", era o nome constante na certidão. O nome do local onde ele passara dois anos, antes de ser levado àquele mosteiro. Antes do Despertar.

Enquanto Oliver passava os olhos na folha de papel, Sato continuava a falar.

- "Cara, eu te acho muito corajoso por ir assim sozinho praquela terra estranha. Tudo bem, você é de lá, mas viveu conosco aqui muito tempo. Vai ser um choque. Mas também te invejo! Dizem que as americanas tem uns peitões!" - Falava, rindo, enquanto colocava as duas mãos em concha na frente dos peitorais - "Não deixe elas te distrairem muito do treinamento! Mas também verifique se os peitos lá são assim tão grandes, e me escreva. Quer dizer, nem sei se cartas chegariam aqui... Sei lá, se conseguir se comunicar, me mande esse recado, ok!"

- "Vou sentir sua falta, Gaijin..." - completou o jovem Irmão, após uma pausa, e agora parecendo um pouco cabisbaixo - "Mestre Ozora está lhe esperando no portão".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Sex Fev 10, 2017 11:44 pm

Em outros dias, dias muito distantes, o sol seria para Oliver o despertador mais incômodo do mundo. "Cedo demais, quem raios se proporia a acordar em um horário desses por conta própria?". Mas isso foi muito antes, antes de todo aquele trabalho duro.
   O papel foi um presente dos mais bem vindos. Oliver era do tipo que decidia fazer algo e só depois pensava se tinha os meios para tanto. Bom, agora ele tinha. Ao menos era um ponto de partida. As fortunas deviam estar ao seu favor.
   Ele olhou para o amigo, talvez o mais sincero daqueles tempos, deu-lhe um abraço antes de passar pela porta de seu claustro e disse:


- "Ei, vê se não vai chorar. Se criar coragem de ir me encontrar um dia, pode contar comigo para o que for. E sobre os peitos das americanas, cara, se eram grandes cinco anos atrás, imagina só hoje! Acho que é a parte dos Estados Unidos da qual eu sinto mais falta!"

   Seguindo para o portão do mosteiro, Oliver segue em direção ao mestre assim que o avista, se aproximando com uma reverência.
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Sab Fev 11, 2017 12:12 am

Mestre Ozora era um homem de uns 50 anos. Se a vida tivesse sido um pouco diferente para ele, talvez tivesse feito uma carreira como lutador de sumô. O homem era gigantesco, mas nos treinamentos, esvoaçava como uma borboleta.

Como principal instrutor de Dô do local, Oliver perdera a conta da quantidade de golpes que recebera do mestre. Às vezes, tinha a impressão que batia mais nele que nos outros. Mas de qualquer forma, era um bom sansei: corrigia seus erros, o elogiava modestamente quando era bem sucedido, e o guiava na direção adequada. O mestre o recebeu com um inclinar de cabeça.

- "Bem, o tempo de nosso pequeno cowboy chegou ao fim, ao que parece. Mestre Kubo ainda tem esperança que você irá voltar. Ele até mesmo proibiu os outros discípulos de virem se despedir, já que isso é apenas um "passeio" que você irá fazer, segundo ele. Eu duvido. Se tivesse que apostar, diria que seu destino não está aqui entre essas paredes. Mas o velho Kubo tem quase 200 anos, não se pode impedir um velho de ser teimoso, não é mesmo" - o homem sorria enquanto falava - "Mas vamos aos aspectos práticos de sua viagem, e rápido, pois você tem um dia inteiro de caminhada pela frente"

Nisso, o homem retirou um pequeno papel dobrado de um dos bolsos do kimono, lhe entregando.

- "Você irá caminhar para oeste, até alcançar a vila de Ishikawa. Deve dar um dia de caminhada, mais ou menos. Lá, poderá tomar um ônibus para Hirakawa. Quando chegar nessa cidade, procure o endereço que está neste papel. É uma antiga casa de chá, em madeira, fácil de distinguir, por duas grandes esculturas de dragões que guarnecem a porta. Há placas sob estas estátutuas, como se fossem os nomes dos dragões: Jachin e Boaz. Não há como errar. Uma vez encontrado o prédio, entre e diga que deseja "o prato mais quente da casa". A partir daí lhe indicarão o que fazer." - o gigantesco homem deu um suspiro, e balançou a cabeça - "aparentemente, houve certas dificuldades com seu registro civil nos assentamentos japoneses. Por isso, uma viagem convencional por avião exigiria alguns truques para circunveniar a burocracia, aqui e nos Estados Unidos. O tipo de coisa que costuma atrair atenção da Tecnocracia. Julgamos que seria uma melhor solução recorrer a alguns aliados. Estes mesmos aliados lhe auxiliarão com os papéis que precisará em território americano".

Sem dar muito tempo para qualquer manifestação do discípulo, Mestre Ozora ergueu a trave de madeira que selava o grande portão, e o abriu, dizendo:

- "Vamos, vamos, Gaijin! É uma longa caminhada de volta ao lar, hahahaha! Não se esqueça de nós. Nós não esqueceremos de você".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Sab Fev 11, 2017 10:03 am

Enquanto ouvia o mestre Ozora falar, a mente de Oliver divagou ligeiramente. Se ia chegar um dia no qual ele se acostumaria com o fato de alguém, desperto ou não, viver duzentos anos, esse dia certamente não seria hoje. É fácil deixar esse tipo de coisa passar despercebido no dia a dia do mosteiro, mas essa é só mais uma das coisas daquele lugar que faziam Oliver erguer a sobrancelha quando mencionadas.
    Ele aceita o papel, guardando-o sem abrir, preferindo prestar atenção nas instruções verbais. Sempre dava para consultar as anotações depois, caso algo passasse despercebido. Uma vez que a trave do grande portão foi aberta e Oliver o atravessou, a sensação foi bem diferente da esperada. Com todo o trabalho árduo, as sessões de meditação, os treinos exaustivos, era de se esperar que o ato de deixar o mosteiro fosse muito mais empolgante, especialmente deixando para trás o homem que lhe causou grande maioria das contusões que Oliver teve em sua vida. Mas não foi assim. Ele percebeu que fazia parte daquele lugar de certa maneira e que teria vontade de voltar um dia. Com uma reverência e uma voz menos firme do que Oliver gostaria, ele disse:

- "Não esquecerei, sensei, eu não poderia".


   Com essas poucas palavras, ele começa sua longa caminhada em direção ao próximo passo da sua jornada, certamente o primeiro de muitos passos.
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Dom Fev 12, 2017 5:41 pm

De fato, Oliver andou praticamente um dia inteiro para chegar a tal vila de Ishikawa, não mais que uma comunidadezinha rural. Nada de interessante, além do cidadão japonês médio lhe olhando atravessado, pelo formato de seus olhos e cor da sua pele. Nada de muito interessante pelo caminha também: apenas a tradicional paisagem rural japonesa - morros para todo o lado, árvores, pássaros e riachos. Parando para pensar, viu mais raposas dessa vez do que costumava ver, mas era só. Fora uma viagem bonita, ao menos, dado que estavam entrando na primavera.

Depois de um dia caminhando, um banho até que seria uma boa ideia. E uma refeição decente, já que tudo que ele mastigara durante a viagem foram peixe seco e bolinhos de arroz que trouxera (digamos que a cozinha do monastério não ganharia nenhuma competição internacional), e uma ou outra fruta que encontrara no caminho. Mas, sinceramente, aquele vilarejo não parecia um local que acolheria muito bem um estrangeiro, então, tratou de localizar a pequena estação de ônibus. Por sorte ou Destino, um ônibus para Hirakawa partiria dali a 35 minutos. O último do dia. Talvez pudesse dormir um pouco durante a viagem.

Quando o ônibus chegou finalmente até Hirakawa (essa sim uma cidade, embora não uma cidade grande). O dia não havia ainda amanhecido. Oliver até gostaria de comer, mas a uma primeira vista, não havia nenhum estabelecimento próximo do terminal rodoviário onde pudesse fazer isso... Pelo menos, nada aberto ainda. Bem, ele ia para o raio de uma casa de chá, não é? Casas de chá tem coisas para comer.

Não foi difícil pegar algumas orientações sobre como chegar ao local. Ficava na rua principal da cidade (e lá só havia UMA rua principal), então ele andou. Quarenta minutos depois, estava de frente ao local que o papel que Mestre Ozora lhe dera indicava.

Era uma construção num estilo bastante tradicional japonês. Três andares, feita basicamente em madeira, com aqueles tetos pontudos característicos, com fumaça saindo pela chaminé. Ao bem da verdade, aquilo era o tipo de coisa pra turista ver, porque não se acham mais muitas construções desse tipo no Japão moderno. Logo depois de uma escadaria, estava a porta (fechada) do estabelecimento, mas antes de começar a subir as escadas, ele precisaria passar pelas tais estátuas de dragões.

E eram umas estátuas bem imponentes mesmo. Representavam dragões orientais, com seu corpos compridos, e longos bigodes. Cada uma deveria ter coisa de 1.5 m de comprimento, e pareciam ser feitas de cobre ou bronze pintados, com olhos de algum tipo de cristal ou gema. A mão de cada dragão estava pousada sobre uma espécie de bola de cristal. As cores das estátuas não eram as mesmas, apesar das duas serem quase iguais. Na verdade, pareciam ter sido pintadas com aquelas tintas furta-cor, pois suas cores pareciam mudar, conforme o ângulo que se olhava (embora sempre diferentes, uma estátua da outra). Nos pedestais em que cada uma delas se assentava, havia uma placa, com os nomes que ele ouvira: Jachin e Boaz. Não pareciam nomes orientais...

E aquelas malditas estátuas pareciam estar lhe observando, de alguma forma... Lhe avaliando... Lhe julgando...
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Dom Fev 12, 2017 6:09 pm

Nada como uma caminhada de um dia inteiro para esticar as pernas. É incrível como uma pessoa aprecia melhor a beleza e a extensão do mundo quando passa 5 anos trancado em um lugar um pouco maior do que um campo de futebol. A paisagem primaveril tornou a viagem mais curta para Oliver, que é um poço (bem fundo) de potencial atlético, especialmente de bom humor.
   
   E como não ficar de bom humor quando parece que as fortunas estão ao seu favor? Nem os olhares esquisitos dos habitantes locais serviram para diminuir a alegria de não ter perdido o último ônibus do dia. Oliver procurou não interagir com ninguém durante sua viagem. No ônibus, dormiu o quanto pôde, e enquanto pegava no sono, se perguntava como seria sua rotina dali para frente, caso houvesse uma.

   Hirakawa fornecia uma curva de crescimento considerável, se relacionada ao pequeno vilarejo pelo qual Oliver passou há pouco, mas isso não chegou a dificultar a chegada até seu atual destino. Com fome, ele se dirigiu o mais rápido possível até a casa de chá, parando apenas para pegar informações, evitando importunar e ser importunado.


   Chegando na frente da casa de chá, ele parou um momento e admirou sua entrada. Oliver certamente não esperava que o lugar estivesse fechado, mas isso era facilmente remediável. Ele olhou para as duas estátuas, que pareciam observá-lo de volta e disse:


- "Jachin, Boaz, aqui estou eu".

  Depois disso, caso não tenha sido respondido, o que provavelmente lhe faria quebrar o recorde mundial de salto em altura, Oliver passa por entre as estátuas e bate na porta.
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Dom Fev 12, 2017 9:05 pm

Falar com duas estátuas e esperar que elas te respondam não é algo absurdo para um mago. Entretanto, faz com que ele se sinta meio estúpido, da mesma forma que um Adormecido se sentiria, quando elas não respondem. E foi o caso. As estátuas não tiveram qualquer reação, exceto permanecerem ali, fazendo o que estátuas fazem...

Bem, pelo menos, quando a porta recebeu a primeira batida de Oliver, se abriu um poiuco. Estava fechada, mas não trancada. Um suave aroma de incenso lhe atingiu as narinas, vindo da fresta.

O interior do primeiro andar era um salão de tamanho médio, com algumas mesas e cadeiras. A iluminação era pouca, vindo de lanternas decoradas pendentes do teto, e alguns bastões de incenso queimavam aqui e ali. Ao fundo do salão, sentada atrás de um balcão, uma jovem levantou o olhar de algo que Oliver não conseguia ver o que era. Tinha aquele aspecto severo de moças que a natureza não dotou de grande beleza, e logo, se refugiaram nos estudos. O olhava inquisitivamente através dos óculos de armação grossa. E quando ouviu o pedido pelo "Prato mais quente da casa", seu olhar assumiu um tom de incredulidade. Olhou novamente aquele gaijin de alto a baixo, mas em seguida pegou um telefone sobre o balcão, e apertou um número. Segundos depois, murmurou algo que Oliver entendeu como "Creio que a senhora deveria vir aqui".

Momentos depois, surgiu uma mulher de uma porta por detrás do balcão. Era claramente oriental, trajava um kimono bastante luxuoso, usava maquiagem leve, e tinha o longo cabelo negro preso num coque com duas varetas decoradas cruzadas, à moda das gueixas. Aquele mulher deveria ter lá seus 50 anos, mas, em termos de belezam deixaria muitas garotinhas no chinelo. A presença dela, mais que apenas beleza, emanava algo difícil de ser definido por palavras, mas a mais próxima que ocorreria a Oliver seria "majestade". Um suave aroma de jasmim a acompanhava.

Ao ver o visitante, seu cenho também se franziu um pouco (bem menos do que o da jovem) e quando ela falou, sua voz era suave, mas também carregava aquela mesma majestade que sua aparência irradiava:

- "No que podemos auxiliá-lo, jovem?"

Spoiler:
Algo mais ou menos assim:
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Dom Fev 12, 2017 9:41 pm

Ao ver que a porta estava aberta, Oliver entrou, percebendo imediatamente que foi capturado pelo olhar da jovem, mas seguiu exatamente as instruções, como uma criança que sai para buscar algo para os pais e passa o caminho todo repetindo o pedido para não se esquecer. Ele esperava que algo acontecesse quando a senha fosse mencionada, e esperava que não fosse nada como um bando de ninjas brotando de cada local mal iluminado da sala. A chegada da mulher foi bem mais do que um alívio para ele, foi um deleite. 

   Se tem uma coisa que Oliver consegue fazer com maestria é ficar de queixo caído por mulheres bonitas. Caso houvesse uma competição do tipo, ele seria um forte candidato, sem um pingo de necessidade de apelar para truques sobrenaturais. Após passar alguns segundos incômodos recuperando a compostura e se tornando totalmente auto-consciente sobre seu estado após um dia de caminhada, ele fez uma reverência ampla, daquelas que reconhece a posição superior de outrem, e diz:

-  "Sou conhecido como Gaijin nessas terras, honorável madame, e fui instruído a visitá-la e receber de você mais instruções que me permitirão continuar minha viagem. Trago comigo as bençãos e as lembranças do Mestre Ozora".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Dom Fev 12, 2017 10:35 pm

A jovenzinha fez uma cara de quem não estava entendendo bulhufas, mas a dama clareou sua expressão, como se tivesse subitamente entendido algo. Voltou-se então, para a outra e deu a seguinte instrução:

- "Ligue para Portland, nos Estados Unidos. O telefone está na agenda. Diga que realizaremos o procedimento na Hora de Júpiter" - em seguida, repetiu "Hora de Júpiter", mas dessa vez em inglês, e fez a garota repetir a expressão em inglês. A moça falou com um sotaque pesado, mas conseguiu ser inteligível.

Aquilo que ela dirigiu à garota não era um pedido. Era uma ordem, isso era bastante claro para qualquer um que escutasse. Mas quando se voltou a Oliver, havia um sorriso em seu belo rosto. Ela fez uma elegante mesura, dizendo, novamente em japonês:

- Seja bem vindo a nossa Casa, Gaijin-san. Que a Boa Fortuna o tenha acompanhado até aqui, permaneça contigo enquanto aqui estiver, e não o abandone quando deixar este lugar. Sou chamada de Tomoe Gozen (gozen é um título. Quer dizer algo como "madame" ou "lady"). Por favor, me acompanhe. É bastante óbvio que as estradas lhe cobraram seu preço, e é importante que esteja apresentável quando encontrar nossos colegas na América. Há tempo para isso, antes de sua jornada continuar".

Gesticulando para que o acompanhasse, a mulher conduziu Oliver por um corredor que continava após aquela porta por detrás do balcão. Rapidamente, deram em um jardim interno da propriedade, decorado com o paisagismo tradicional japonês.

o jardim:

Além da construção principal que haviam acabado de deixar, havia mais outras três, aos fundos e em cada um dos lados do terreno (que era bem maior do que a fachada sugeriria), eram barracões de madeira em estilo tradicional, como tudo o mais ali. O sol nascente, bem acima do barracão da direita, denunciava que os quatro lados do terreno haviam sido perfeitamente alinhados com os quatro pontos cardeais. Alguns pássaros cantavam nas árvores, e o rosa vivo das cerejeiras em flor davam um certo aspecto de sonho ao lugar. Não era ainda época do florescimento das cerejeiras.

Tomoe Gozen lhe apontou o barracão da esquerda, e disse que lá ele encontraria o que precisava, e que eles em breve conversariam. Sem lhe dar muito tempo para responder, ela se dirigiu à construção dos fundos.

Supondo que Oliver faça como lhe foi indicado, ao deslizar as portas do barracão, uma onda de vapor o cega momentaneamente. Trata-se de uma casa de banhos tradicional. O ofurô no centro borbulha, como que o chamando...
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Dom Fev 12, 2017 11:02 pm

Não demorou até Oliver compreender que havia acertado em cheio em tratar a madame com a maior deferência possível, pois ela claramente transpirava autoridade. Ele aguardou em silêncio, enquanto Tomoe passava suas ordens para moça mais jovem, enquanto se deleitava com sua beleza rara.
    Se por "ficar apresentável" Tomoe estivesse falando de um banho e de uma possível refeição, Oliver não via a hora de ficar apresentável. Era especialmente desconfortável estar todo maltrapilho na presença de alguém que dominava tão bem a arte de adornar o próprio corpo. Murmurando agradecimentos, Ele a seguiu para o jardim dos fundos, sem deixar de reparar o alinhamento das construções. Alinhamento com os pontos cardinais são um foco muito comum, então Oliver suspeitou que todo o local pudesse ser usado para rituais mágicos. Apesar da suspeita, ele não fez perguntas, porque, bem, magos não gostam de perguntas.
   Oliver murmurou um agradecimento rápido e fez mais uma referência profunda, se voltando para o barracão apenas quando Tomoe já havia colocado uma boa distância entre eles. Nas termas, ele teve sensações conflitantes. Apesar de completamente relaxado pelo banho oriental, uma das coisas que ele mais sentiria falta nesse país, era difícil não pensar no porvir. E foi sobre sua jornada em busca de sua irmã que ele pensou até cair no sono, envolto no vapor e embalado pela água quente...
   Quinze minutos depois (ao menos ele esperava que fossem quinze minutos), Oliver desperta meio grogue, se veste e torce para não ter feito a madame esperar por muito tempo.
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Ter Fev 14, 2017 12:32 am

Oliver estava quase caindo no sono, quando sentiu mãos delicadas sobre seu peitoral. Dificil dizer se a surpresa maior foi o toque, ou o fato de ter sido tocado sem sequer ter ouvido a aproximação de quem lhe tocara!

Por muito, muito pouco, seus reflexos de lutador não o fizeram pegar aquelas mãos e as torcer numa dolorosa chave. Foi provavelmente o detalhe das unhas. Aquelas mãos tinham unhas pintadas do mesmo vermelho-cereja que Tomoe Gozen usava...

E de fato, quando em seu susto, virou-se para trás para encarar o "atacante", este era justamente sua anfitriã. Ela ainda mantinha o cabelo preso, mas apenas uma toalha enrolada lhe cobria o corpo. Estava ajoelhada atrás do ofurô, e uma de suas mãos carregava um pano ensaboado, que ela lhe esfregava suavemente. A coisa não tinha uma conotação sexual (quer dizer, além do fato dele estar nú, e ela quase nua, em uma casa de banhos). Aquela mulher o estava... lavando.

Ok, ele já tinha lido sobre esse costume. Mas não eram as servas que faziam isso? Caralhos, ele deveria ter estudado mais, ao invés de ficar metade do dia chutando um saco de areia...

Ao ver sua cara de espanto, Tomoe Gozen se limitou a dar um suave sorriso, e disse, com uma voz quase sussurrada:

- "Relaxe, Gaijin-chan. Esse é o objetivo do banho..." - sem parar os suaves movimentos, ela prosseguiu - "Mas sacie minha curiosidade: porque você vai para tão longe? O solo materno o chamou? Sua Irmandade está investindo bastante nesta viagem. Sua honra deve ser grande entre eles"
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Ter Fev 14, 2017 9:16 am

Quando foi tocado, a primeira coisa que Oliver pensou foi "Malditos ninjas! Sabia que eles existiam!!!". Ele não ouvira sequer uma respiração, embora estivesse tudo quieto, mas algo o fez reconsiderar seus pensamentos iniciais. A maciez e a delicadeza daquele toque não parecia com algo destinado a causar dor, muito pelo contrário, e se Oliver podia adivinhar o objetivo, garantia que ele já fora alcançado. Graças às fortunas que a água cobria com folga sua cintura.
   Oliver foi treinado para seguir com a maré, sem se debruçar sobre coisas que ele não podia compreender. Uma das coisas que ele menos compreendia nessa vida era as mulheres. Ele tinha total consciência de que sua adolescência, momento no qual ele deveria descobrir as mulheres, aprender sobre elas e cortejá-las, havia se passado em uma montanha para lá de onde Judas perdeu as botas, ao lado de vários homens que sabiam pouco ou nada do assunto. Sendo assim, Oliver relaxou cada músculo do seu corpo (ou quase isso) e deixou Tomoe continuar seja lá o que ela estava fazendo sem interrupções.

- "Não trouxe comigo amarras do solo materno, minha mente busca o vazio absoluto, Tomoe Gozen, mas o chamado da família ainda me impede de atingir a perfeição do corpo e da mente. É por esse chamado que eu volto aos Estados Unidos. Eu só posso desejar que a Irmandade me tenha em tão alta conta assim, madame".

   Subitamente ousado, Oliver acrescentou:

- "Eu lhe ofenderia a convidando para entrar aqui comigo? Não acho que já tenha tomado um banho melhor na vida".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Ter Fev 14, 2017 11:58 pm

Ante a proposta indecorosa do jovem, Tomoe Gozen apenas torceu a boca em um pequeno sorriso, mas não fez qualquer menção de sair de onde estava. As mãos da mulher ainda se ocupavam se limpar o corpo do Akasha, o que era ao mesmo tempo uma massagem. Aparentemente, não havia nada mágiko em andamento ali, mas poderia se dizer que a mulher tinha mãos mágicas. Sua expressão não mudou em nada quando as mãos suaves alcançaram o membro ereto do jovem. Elas apenas o livraram da sujeira e suor, entretanto... Ela ainda falava, enquanto fazia isso:

- "Apenas a família, então? Uma jornada pessoal. Justo e adequado. Passou por minha mente que, dado o ocorrido naquela cidade há bem pouco tempo, talvez houvesse algo mais, digamos, institucional, nesta busca. Aquela cidade, ao que tudo indica, pode ser um lugar perigoso, e creio que não há outros membros da Irmandade por lá. Saiba que, mesmo assim, você tem amigos a quem pode recorrer".

E nisto, ela aparentemente deu seu trabalho por encerrado, se ergueu, e retirou-se da sala de banhos.

Quando Oliver saiu do ofurô e se arrumou, havia uma tigela fumegante de chikara udon: sopa de macarrão udon com ovos, acompanhada de bolinhos de massa de arroz. O nome daquele prato queria dizer "udon da força". Qual o significado daquilo, se é que tinha algum, era um mistério.

Quando saiu da casa de banhos, notou que as portas da construção mais aos fundos do terreno estavam abertas. Lá dentro, ele podia ver se movimentando uma figura de kimono, que parecia ser Tomoe Gozen. Ao se aproximar, viu que de fato era ela. Parecia estar indo de um lado para o outro, fazendo preparativos na "coisa" que se escondia dentro daquela construção

Os fundos daquele barracão de madeira eram tomados por uma enorme roda de pedra entalhada, com uma plataforma de acesso a ela. O anel externo da coisa estava repleto de símbolos que ele não conhecia, e no centro, a coisa tinha uma espécie de sol estilizado, sei lá. em cada um dos lados da rampa de acesso, havia uma pequena pira apagada, e nas paredes, vários "rolos" de madeira: varas verticais, com rolos de madeira cobertos de símbolos inscritos neles. Quando chegou, sua anfitriã estava mexendo nestes rolos, colocando alguns dos símbolos inscritos em evidência.

Ao notar sua presença, Tomoe Gozen perguntou se ele estava pronto para a viagem. Mas perguntou, aparentemente, sem se importar muito com a resposta, pois não parou o que estava fazendo. Tomou uma pequena tocha de um suporte, e acendeu as duas piras, que começaram a emitir um aroma forte, inebriante, que lembrava incenso de sândalo, mas tinha algo a mais, algo que Oliver não saberia identificar.

- "Se ouvir vozes, as ignore. Se algo lhe for mostrado, feche os olhos. E não pare de caminhar. Nada que queira o seu bem tentaria invadir este caminho sem ser convidado, então se algo vier até você, não é algo de bom. Apenas continue andando, e nada lhe acontecerá. Desejo-lhe sorte em sua jornada, Gaijin-san. Que você possa encontrar o que procura, sem se perder enquanto o faz. Não se esqueça: onde emergir, estará entre amigos".

E nisso, a mulher fez mais uma elegante mesura, colocou uma das mãos no tal sol estilizado no meio da roda, e o girou em grande velocidade. Oliver viu a coisa girar por bem pouco tempo, porque, logo em seguida, a roda (exceto pelo aro externo) se dissolveu em luz e vibração.

Agora, era como se água luminescente tivesse tomado o lugar do que era rocha sólida. Água que vibrava e ondulava, mas não caia. Era um portal de água.

Tomoe Gozen deu um passo para o lado, como que abrindo passagem para ele.

O Portal:


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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Qua Fev 15, 2017 9:19 am

Tentar é importante. Ele tentou. Oliver não ficou decepcionado, mas quando sua mente clareou, limpa desse tipo de pensamentos, ele questionou por um momento se alguém de fato queria que ele fosse para Portland por outros motivos. Logo a ideia saiu de sua mente, pois não vale a pena se debruçar sobre assuntos que não podem ser totalmente compreendidos ou resolvidos. 
   Passados uns 5 minutos, Oliver considerou seguro tirar o corpo da água para se vestir, o que fez rapidamente, seguindo para o local onde viu Tomoe.
   O portal era bem impressionante. Não tinha magia desse calibre no mosteiro e sinceramente Oliver não sabia quais eram os conhecimentos necessários para criar algo do tipo. Tudo que ele sabia é que sua viagem seria tremendamente mais rápida do que ele pensara a princípio.
   Após agradecer Tomoe por tudo e se despedir com uma profunda reverência, ele jogou sua mochila nas costas e caminhou para dentro do portal.

- "Ignore as vozes, continue andando, feche os olhos. Ignore as vozes, continue andando, feche os olhos", dizia Oliver, sem perceber que estava murmurando para si mesmo as instruções de Tomoe.
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Qui Fev 16, 2017 3:53 pm

Quando atravessou os limites do portal (não havia uma sensação física em si, ao passar por aquilo que parecia "água brilhante"), Oliver se viu em um espaço que parecia um cilindro de cristal, caleidoscópico, girando e refletindo em milhares de facetas o que quer que estivesse além dele. Não havia uma multidão de cores, se tratava mais de luzes se movendo como cometas, explodindo como supernovas, se apagando com uma fogueira que morre, espiralando e dançando como vagalumes numa noite de primavera, tudo através de uma parede cristal multifacetada.

E havia zonas de escuridão também. Que se moviam como morcegos, ou como amebas imensas, arrastando-se pesadamente para engolir a luz.

Andar no "tubo de cristal" era uma sensação estranha. Oliver não sentia seus pés tocando em nada físico, mas ainda sim, estava firme. Era como a sensação que temos quando aproximamos dos imãs de mesma polaridade.

E havia os cheiros também, como se todos os aromas do planeta estivessem ali (talvez de outros planetas também), do mais agradável ao mais nauseabundo, mas ele sentisse cada um por apenas uma fração de segundo, antes de passar para o próximo. E havia silêncio também. Ele sentia vibrações, coisas que poderiam ser sons que talvez seus ouvidos não captassem, mas som mesmo, propriamente dito, não havia.

Se algo falasse com ele, como Tomoe Gozen advertira, ele ouviria com clareza. Uma assustadora clareza.

Por sorte, isso não aconteceu. Ele caminhou, por um tempo que não foi capaz de determinar, mas não foi longo. Rapidamente, se formou a sua frente uma outra "parede de cristal", idêntica àquela por onde entrou no caminho de cristal. Ele a atravessou. Por alguma razão, sentia que permanecer no caminho que trilhara não seria algo seguro.

Quando "emergiu", seus pés pisavam em tábuas de madeira polida. Estava em uma espécie de grande salão de teto alto. Se haviam janelas, estavam cobertas pelas pesadas cortinas vemelhas que ele via, mas iluminação era fornecida por vários globos que se alinhavam nas paredes, e mais outro, bem maior, que pendia do teto, no meio do salão. Estes globos não pareciam ter lâmpadas em seu interior... brilhavam com uma luz emaciada, mas ainda assim intensa. Essa luz mostrava um espaço de certa forma luxuoso. Havia um grande tapete circular no centro do local, embaixo do globo maior, que parecia gravado com uma mandala imensa. Quadros de figuras imponentes e austeras adornavam as paredes pintadas de amarelo pastel, homens e mulheres, intercalados por outros quadros e longas tapeçarias, contendo figuras e símbolos, dos quais Oliver reconheceu apenas o Yin/Yang e o I Ching. Havia mesas nos quatro cantos do salão, e armários em madeira, alguns contendo livros, outros com o que poderiam ser instrumentos de um laboratório químico. Quatro piras margeavam o grande tapete central, acesas, e provavelmente era dali que vinha o suave aroma de incenso que ele sentia, um incenso que ele não conhecia. No lado oposto ao que se encontrava, uma grande porta dupla de madeira encontrava-se fechada.

Oliver percebeu isso tudo em apenas uma fração de tempo. Não pôde dedicar mais do que isso à observação local, por mais interessante que ele fosse. Há uns 10 metros dele, havia duas pessoas paradas. Uma era uma jovem branca, magra, de traços finos, não especialmente notável, exceto pelos olhos profundamente azuis, visíveis atrás dos óculos. Seus cabelos negros estavam presos num rabo-de-cavalo, e ela trajava uma espécie de robe sobre um vestido simples. Debaixo do braço direito, carregava um livro pequeno.

O outro era um sujeito alto e atlético, de pele morena e cabelos e olhos negros. Tinha um cavanhaque e bigode bem aparados, e trajava um conjunto de calça e camisa sociais, com as mangas dobradas. O relógio que carregava no pulso era bastante grande. Esse indivíduo trajava também um daqueles suportes para pistolas que cujo coldre fica debaixo do braço, e parecia ter uma faca debaixo do outro. Além disso, carregava um fuzil de assalto, que mantinha encostado no ombro, tendo Oliver diretamente na mira. Foi o primeiro a falar, no segundo seguinta a que o Akasha saiu do portal. Sua voz carregava um inconfundível sotaque espanhol.

- "Mira, Mira! Eu disse que podia dar merda, não disse?! Falaram que vinha um Akasha, e apareceu esse aí!"
- "Nem todo Irmão de Akasha é oriental, Hernán" - disse a moça, revirando os olhos com enfado, enquanto olhava seu livro - "Ele bate com as marcações que temos, acabei de verificar. É quem estávamos esperando"
- "Tem certeza?"
- "Eu só falo quando tenho certeza."
- "Bem, nesse caso..." - disse o homem, abaixando o fuzil e o apoiando num suporte próximo. Em seguida, se aproximou a passos largos, sorrindo e extendendo a mão para um aperto, seguido pela moça um pouco mais atrás. - "Hernán Cortez, ao seu dispor, muchacho! Desculpe a arma. A gente tem que se cuidar com esses portais. São seguros no mais das vezes, mas nunca se sabe quando vão cuspir alguma coisa ruim direto dentro da sua casa".
- "Olá, Sr. Gray" - prosseguiu a moça, em seguida, mirando seus olhos azuis bem fundo nos de Oliver - "Sou Daenerys Granger. Bem vindo a Portland".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Qui Fev 16, 2017 5:41 pm

Certezas são para tolos. Quanto menos certezas uma pessoa tem, mais sábia ela pode se dizer.
Oliver acabou de ficar um pouco menos sábio, pois conseguiu determinar com absoluta certeza que odiava portais. Salvo o efeito maravilhoso do transporte, pelo qual ele era tremendamente grato, atravessar esse infinito de sons, cheiros, cores e sensações pode ter sido uma das experiências mais desorientadoras de sua vida, pela qual ele não pretendia passar novamente em breve, a menos que fosse muito necessário.
   Não deu muito tempo para apreciar a sala. A atenção das pessoas é redirecionada de praticamente qualquer coisa com uma velocidade incrível quando alguém aponta um fuzil para ela. Juntando isso ao portal, era como se alguém tivesse vedado seus olhos, lhe dado um taco, lhe rodado 50 vezes e mandado acertar uma pinhata no bairro vizinho. Oliver já estava pensando na terceira forma diferente de desarmar o homem quando as coisas ficaram muito menos complicadas. Por sorte, ele fora reconhecido.
   Oliver se apressou a apertar a mão do casal a sua frente, de modo que o gesto amigável acabasse de vez com qualquer mal entendido:

- "É um prazer, Sr. Hernán! Está tudo bem, eu fui mesmo avisado de que esses portais podem ter alguns inconvenientes, mas eu certamente não sou um deles".


   Virando-se para a moça, Oliver disse:

-  "Olá, Srta Granger, obrigado pelas boas vindas. Onde é aqui, exatamente?".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Sex Fev 17, 2017 12:53 am

Cortéz se adiantou, e respondeu a pergunta dirigida a sua companheira. Ela sem dúvida parecia mais centrada e discreta que ele.

- "Aqui é a capela hermética da cidade, oras. Não te falaram antes de te mandar pra cá? Somos a capela... Temos um nome, Danny?"
- "Não ainda. Mas deveríamos ter. Coisas significativas devem ser nomeadas. Vou conversar com o Sr. Von Heinekein a respeito na primeira oportunidade".
- "Por falar nele, señor Willian disse que queria ver nosso visitante tão logo ele chegasse, no? Ele vai ficar tiririca da vida se souber que você chegou e não o levamos até ele. Eu levou ou você leva, Danny?
- "Vá você. Vou me certificar que o Portal de Hermes está em está em estado inativo" - voltando-se novamente para o Akasha, ela disse, com um leve sorriso. Bem leve - "Foi um prazer, Sr. Gray. Não é uma cidade grande. Estou certa que nos veremos novamente" - e deu as costas aos dois homens, rumando para o portal que, agora, "desligado", apresentava a mesma estrutura do anterior: rocha, com um sol estilizado no meio, e um anel de símbolos em volta.

Cortéz sinalizou com a cabeça para que Oliver o acompanhasse. Passaram pela porta dupla de madeira, e deram em um uma outra sala, não tão grande quanto a anterior, mas ainda assim grande. Estava vazia, piso, paredes e tetos nús e brancos. Havia apenas um grande círculo pintado no chão. Na verdade, um círculo bastante elaborado: 4 anéis concêntricos, e entre cada um deles, símbolos estranhos em alto-relevo. Do outro lado da sala, havia uma porta corta-fogo, e um elevador. Embora o caminho mais curto fosse atravessar o círculo pintado, Cortéz começou a dar a volta nele, falando animadamente.

- "Rapaz, quando me disseram que vinha um Akasha pra cá, fiquei animado. Dizem que vocês praticam uma pancadaria nervosa. Adoraria ver. Mas, sem ofensa, esperava um careca de olhos puxados, vestindo kimono. Você parece tão americano quanto o Ronald McDonald, hehehe.

Ele tomou as escadas, e desceram três lances. O homem continuava a falar.

- "Somos a única capela da cidade. Señor Willian diz que nossa hospitalidade está extendida a todos os tradicionalistas, então, se tiver problemas, nos procure. Quer dizer, primeiro tente não ter problemas, mas sei que às vezes, eles nos acham. É bom pegar o número daqui. Quando sair, peça pra uma das duas ruivas maravilhosas lá na lojinha, que elas te dão" - e nisso, ele baixou a voz, como se estivesse segredando - "mas cuidado com elas, muchacho! São perigosas!"


Quando finalmente sairam das escadas, estavam num andar algo mais refinado: piso de madeira, uma pintura creme nas paredes, lustres, e alguns quadros. Uma música clássica qualquer tocava baixinho em alto falantes ocultos. Cortéz o acompanhou até uma porta dupla de madeira, onde havia uma pequena plaqueta dourada dizendo Menager. Ele bateu, e depois de ouvir um "entre", abriu. Colocou a cabeça para dentro, e disse: "Señor Willian, chegou o Irmão de Akasha que aguardávamos". Em seguida, voltou, apertou a mão de Oliver, e sussurrou, sorrindo: "a gente se vê, compadre", deixando o jovem de frente a porta entreaberta.


Após a porta, havia uma sala tão suntuosa quando se poderia esperar de um escritório. Um grande lustre de vidro pendia do teto, e pesadas cortinas vermelhas ocultavam as janelas. Algumas estantes de livros dividiam as paredes forradas em madeira, com pinturas de figuras imponentes, bem como alguns brasões de armas emoldurados. Havia também alguns sofás estofados, e o um tapete, aparentemente persa, cobria o piso.

No lado oposto à porta, havia uma mesa grande de madeira, do tipo de escritório. Sobre ela, uma luz de leitura, um telefone. alguns papéis e utensílios de papelaria, bem como duas cadeiras para visitantes. Sentado á mesa, em uma cadeira de espaldar bem alto, estava um homem branco e baixo, talvez com 1.60m, que aparentava algo como 40 anos. O cabelo castanho em cuia já tinha saído de moda, mas parece que ninguém o havia avisado. Usava óculos, terno cinza com uma gravata negra, e um anel grande no anelar esquerdo. Tinha uma expressão levemente cansada, entediada, talvez. Mas sua voz era calma, e seu tom, monocórdio, quando disse:



- "Boa tarde, Sr. Gray. Espero que tenha tido boa viagem. Sei que passar pelos Portões de Hermes pode ser... desconfortável, às vezes. Sou Willian Clarke Von Heinekein, líder desta capela. A Ordem de Hermes ficou feliz em atender a solicitação da Irmandade para o seu transporte. Creio que deve ter conhecido a Srta. Granger, uma de minhas assistentes. Em momento oportuno, ela vai lhe passar os últimos procedimentos para renovar sua documentação americana. Parece que seus pais deixaram um certo fundo financeiro, que originalmente se destinava a sua faculdade, mas agora estará liberado para sua livre administração. Fora disso, estou a disposição para auxiliá-lo no que for possível. Os eventos de seis meses atrás deixaram claro que, mais do que nunca, um Conselho das Nove Tradições fragmentado por disputas internas é um perigo para nós todos. Só não estou bem certo no que poderíamos ser de ajuda, uma vez que sua jornada foi envolvida em uma certa dose de mistério pela Irmandade" - ele suspirou levemente, e olhou para o teto - "bem, aparentemente, para nós, magos, ser misterioso parece ser um velho hábito, e os velhos hábitos morrem devagar. De toda forma, bem vindo a Portland. Estamos lutando para reconstruir uma comunidade mágika aqui, e você é bem vindo a se juntar a este esforço, se assim quiser. Mas onde estão minhas maneiras? Sente-se, por favor. Vamos conversar. Aceita um chá?"


Willian Clark Von Heinekein:
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Sex Fev 17, 2017 9:57 am

Oliver apenas observou enquanto os dois magos conversavam. À última fala de Granger, ele respondeu com um sorriso e um aceno de cabeça.
   Depois disso, Oliver acompanhou Cortéz, passando pela série de aposentos, seguindo com cuidado especial por aquele que continha o grande círculo:


- "Mas eu sou americano, talvez mais do que o Ronald hehehe. Vocês não tem muitos akashas por aqui?" - Oliver se limitou a rir animadamente do comentário de Cortéz sobre o Dô, se lembrando de que fez alguns iguaizinhos durante a sua iniciação na irmandade.


   Escada abaixo, eles ainda conversavam:


-  "É bom saber que sou bem vindo por aqui, amigo, especialmente quando essa é a única capela da cidade hehe. Mas eu costumo me manter fora de problemas, ou ao menos tento. Pode deixar que vou pegar o contato de vocês na hora de sair"- Na dúvida, ele decidiu não perguntar em que sentido as tais ruivas eram perigosas.


   Finalmente, os dois chegaram até a sala do Líder local, com um nome estranhamente familiar. A sala dele era incrivelmente contrastante com a dos líderes da irmandade no mosteiro. Aos olhos de Oliver, tudo aquilo parecia ter a função de preencher alguma coisa, não soava muito natural. Seja como for, quando ele falou, mostrou grande hospitalidade. Ao ser convidado a isso, Oliver se sentou para conversar com o homem em sua frente:


-  "Boa tarde, Sr. Willian. Obrigado pelas boas vindas. Eu sinceramente espero não ter representado um incômodo muito grande para a sua capela. Toda essa ajuda com os detalhes técnicos da minha estadia nos Estados Unidos é muito bem vinda. O propósito da minha chegada é muito pessoal, mas não chega a ser secreto. Acho que meus irmãos não deram mais detalhes por conta disso. Eu vim até Portland para procurar um parente perdido, não é o tipo de missão que daria uma boa história, não é? Mas o sentimento é mútuo, então, caso eu possa ser de alguma ajuda para você ou os tradicionalistas locais durante minha estadia, por favor, não deixe de me dizer. Eu lhe daria um número de telefone, caso eu tivesse um. Sobre o chá, o senhor não teria aí um café bem forte?".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Sex Fev 17, 2017 11:40 pm

- "No, no hay Akashas acá, hahaha" - disse o sujeito - "Pelo menos, nenhum que eu saiba, e olha que eu andei pesquisando. Isso é..." - nisso, a expressão do homem mudou, como se subitamente se lembrasse de algo - "Hey, tem sim! Veio um Akasha aqui tem umas duas semanas! Ou foi mês passado? Ah, sei lá, mas veio um Akasha sim. Disse que veio apenas se apresentar. Estranho eu ter esquecido isso. Mas creio que ele já pode até ter ido embora, sei lá".

______________________________________________

Willian ouviu o pedido sobre o café, e deu um sorriso. Pelo menos este parecia espontâneo. Apertou um botão no telefone sobre a mesa e disse:

- "Thelma, por favor, providencie um café bem forte para nosso convidado" - em seguida, voltou-se para Oliver e disse - "Bem, localizar um endereço não há de ser algo tão difícil. Se você tiver o nome completo de seu parente, ou o número de Seguro Social, não deve ser uma tarefa das mais complexas. Supondo que ele esteja em Portland, é claro".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por Oliver Gray em Sab Fev 18, 2017 8:54 am

- "O nome da minha irmã é Amanda Gray e a única pista que eu tenho até o momento é o nome do orfanato onde fomos criados. Ela deve ter uns 19 anos hoje em dia".

   Ao dizer isso, Oliver lê em voz alta o nome do orfanato no papel que havia recebido do mestre.

- "Agora, coisas como número de seguro social infelizmente eu não tenho nem o meu hehe. Meu plano inicial era ir até o orfanato e ver o que eu conseguia descobrir, mas parece que eu vou precisar de alguns documentos antes disso. As coisas aqui em Portland estão tranquilas atualmente? Ouvi falar de um incidente e tanto que aconteceu há um tempo nessa área".
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Re: O Destino irá me encontrar

Mensagem por The Oracle em Dom Fev 19, 2017 1:42 pm

Quando Oliver disse o nome do Orfanato, a boca do hermético se abriu um pouco. Ele fez menção que ia falar algo, depois fechou a boca novamente. Abriu de novo, como se fosse falar, e fechou novamente, balançando a cabeça. E falou para si mesmo, algo que, se não fosse a agudeza de sentidos que o Akasha tinha como parte de seu treinamento, ele não ouviria. O sujeito murmurou: "E depois de todos esses anos, essas coincidências ainda conseguem me espantar..."

Nisso, o telefone sobre a mesa tocou, com um de seus múltiplos botões piscando. Willian olhou aquilo, pediu um segundo a Oliver, e tirou o telefone do gancho. Ouviu alguns segundos, depois respondeu "Entendo. Obrigado, querida. Por via das dúvidas, avise Cortéz", e o colocou novamente no gancho, se voltando novamente para Oliver. Após ouvir sua última frase, disse:

- "Bem, Sr. Gray, atualmente as coisas parecem tranquilas, mas isso é recente. O evento a que se refere ocorreu há exatos seis meses, e talvez tenhamos oportunidade de ouvir um relato detalhado do que ocorreu aqui, vindo de uma testemunha ocular. De toda forma, isso vai ser providencial. Espero que não se importe em conhecer algumas pessoas de nossa pequena comunidade.''

E então, a porta da sala se abriu.

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