O Orfanato

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 17, 2017 12:21 pm

Voz misteriosa do beco rola iniciativa.

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 17, 2017 12:21 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Sex Mar 17, 2017 12:23 pm

Iniciativa


Última edição por Emma Woolf em Sex Mar 17, 2017 12:24 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 17, 2017 12:23 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 17, 2017 12:32 pm

A voz misteriosa do beco falou novamente. Não parecia satisfeita.

- "Talvez?! TALVEZ?! Que porra é essa?! Acha que eu sou cachorro, caralho?! Acha que pode me tratar assim?!" - no fim, a voz já se elevava num grito.

- "Pega ela, porra! Nós tamo cum fome!! FOME!!!" - completou uma segunda voz, que também não parecia nada feliz.

Emma então ouviu passos pesados, acelerando na direção dela. Mas seu estado de atenção foi recompensado. Quando o primeiro passo pesado soou, estava pronta para agir.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Sex Mar 17, 2017 4:23 pm

Emma continuava andando - não tinha apressado o passo, por exemplo, ainda que achava que devesse, mas continuava andando, suas ideias surgiam numa velocidade que ela mal controlava a respeito de tudo - completamente tudo - que tinha acontecido naquele dia.

Como era o ditado? Sobre a última gota d'água e o copo? Não lembrava-se bem, achava que era algo sobre fazê-lo transbordar. E era mais ou menos como se sentia agora: como se a última gota d'água tivesse sido Elliot. Não, não Elliot...

Mas a pessoa que ele tinha se tornado.

Aquela tinha sido a última gota d'água no copo que era seu dia. E agora ele transbordava.

Então veio a voz, por um instante era como se ela viesse de entro de sua própria cabeça, como se fizesse parte da vastidão de pensamentos. Mas não eram. Então ela se virou, quando ouviu os passos, os olhos claros espremidos em sua quase expressão de dor -, mas não aquela dor na carne, mas a dor que sentia no próprio ser do qual se compunha, uma dor da qual só tinha experimentado uma vez, uma única vez.

Até agora.

- Então o que vão fazer?!- Ela gritou de volta - e gritou com toda a força e toda a paixão da raiva que sentia transbordar do copo com a última gota. - COMER A MINHA PRÓPRIA CARNE PARA MATAR A FOME?! ESTA É A SOLUÇÃO? - Sua voz permanecia alta, quando Deu um passo à frente: não para trás, não recuando, mas na direção deles, tinha os punhos fechados - não por que pretendia brigar, apesar da raiva isso não fazia parte do seu próprio entendimento. - SE TORNAREM OS ANIMAIS QUE VOCÊS ME ACUSAM DE CHAMÁ-LOS?! TORNANDO-SE BESTAS! - Berrou de novo, e agora tinha aberto as mãos, e começou a abrir a bolsa e a jogar as coisas que tinha lá dentro no chão, esvaziando-a, parecia completamente louca, completamente tomada por algo muito, muito além de qualquer razão. - EU NÃO TENHO DINHEIRO ALGUM! OITO ANOS! - Incluiu.

- Foram oito anos procurando por ele. Vivendo como eu podia, ajudando quem eu podia! OITO ANOS! Então eu achei ele. - Agora os olhos, vermelhos e cheios d'água buscaram as pessoas que estavam para atacá-la.

- Para descobrir a pessoal horrível que ele se tornou. Então... O que quer que pretendam fazer agora, não chegará aos pés do que sinto nesse exato momento. Da sensação de perder meu irmão uma vez mais. De novo: vocês podem vir comigo e eu vou arrumar um jeito de alimentá-los. Ou podem se juntar ao meu irmão, no hall das pessoas horríveis, mesquinhas e cruéis. Porque eu não farei parte disso.

Então, era quando o copo começava a esvaziar de novo, ela olhou para o chão, para as poucas coisas que carregava na pequena bolsa, espalhadas ali. Ainda segurava a bolsa vazia numa das mãos e as chaves do carro na outra. Os olhos molhados levantaram-se para a turba (não sei quantos são), agora as coisas estavam mais claras. Os pensamentos mais concretos, livres da neblina que a raiva causava.

- Foi isso, que nos tornamos, afinal? - Indagou, para ninguém em particular, antes de respirar fundo e secar um dos olhos. - Então o que será? A Besta ou o Ser Humano?
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Sex Mar 17, 2017 4:37 pm

Carisma+Expressão
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 17, 2017 4:37 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 17, 2017 6:44 pm

Depois do desaparecimento do Profeta, Elliot tinha uma face de espanto. Parecia meio perdido, mas despertou com o tiro disparado por West. O mesmo tiro que fez a garota e o playboy darem um gritinho, e chorarem ainda mais.

Olhando para o traficante desfalecendo, o sangue espirrando pelo rombo no peito, Elliot fez uma cara mais ou menos assim:



E murmurou: "Ice cold, Doc... Ice cold". Então, começou a se mover. Parecia um homem com uma tarefa a realizar. Guardou seu próprio revólver num bolso interno do sobretudo, e se aproximou de Oliver, quando este fazia menção de pegar a arma do latino: "se importa de deixar essa aí, Daniel-san? Acho que pode ter uso". Tinha um sorriso com dentes demais, ao dizer isso. Um sorriso de lobo. Retirou um lenço do sobretudo, e o usou para pegar a arma do chão. A levou para perto do cadáver do traficante, abriu o tambor, deixou as 6 balas caírem no chão, e jogou a própria arma descarregada no meio delas, guardando o lenço em seguida. Ouviu as palavras de Oliver enquanto fazia isso, mas sinalizou para ele esperar um pouco. Após isso, sacou o celular, e dirigiu-se até o playboy choroso, lhe pegou pela gola da camisa, e o jogou para o lado. O garoto "catou cavacos", até cair em cima do cadáver, com uma cara de pavor. Seguiu-se um flash, quando Elliot tirou uma foto do cara em cima de um corpo, ainda espirrando sangue, sujando sua camisa do Denver Broncos. Guardou o celular, e se acocorou junto do playboy.

- "Escuta bem, moleque... Eu tô falando com você, babaquinha!" - disse, dando-lhe um tapa na cara, o que cortou alguma coisa que o moleque começou a gaguejar sobre o pai dele, ou algo assim. Após o tapa, Elliot pareceu ganhar sua atenção, apesar de não parar de soluçar - "tráfico de drogas, estupro de vulnerável, homicídio. Dá uns 50 anos de cadeia pra você, mole, mole..."

- "Hey, mas foram vocês que mataram o cara! Vocês..."

- "Ah é? Explica isso pra polícia. Mesmo porque, eu posso te dar um tiro na perna, e quando os porcos chegarem, só vai ter você aqui. Que tal assim?

- "Você vai pra cadeia, garoto. E sabe o que fazem na cadeia com garotos novinhos e branquinhos que nem você? Eles COMEM A TUA BUNDA! Metem no teu cú o dia todo, sem parar, até sangrar! E mais do que isso, você vira mocinha deles. Te obrigam a usar calcinha, a falar fino, convidam caras de outras celas pra te enrrabar também, como se fosse um presente. Te obrigam a chupar caralho e dizer que tá gostoso. E se der um pio, te matam"
- nesse momento, o garoto chorava mais ainda. Copiosamente - "mas o melhor é que agora, entrar celular na prisão é fácil. Eles filmam e colocam na internet. Deep Web, saca? Mas sempre vaza. Todo mundo vai ver você sendo currado por Horsedick Joe, garoto. E gritando e dizendo que tá gostoso, porque se não disser, te enfiam uma faca nas costelas, tá ligado? Ah, e tem a AIDS, claro. Você vai pegar AIDS. Todo mundo lá pega. É normal"

- "Mas isso, só se a polícia te pegar. Na boa, moleque, eu não acho que você fez nada demais. Quem tava estuprando a garota era o outro cara, não você. Quem tava traficando era esse aqui, e não você. Se eu achasse que você tava errado, já tinha te metido chumbo, mas você é só mais uma vítima aqui" - essa parte da conversa era respondida por um intenso balançar de cabeça afirmativo do moleque - "mas, sabe como é, a polícia não quer saber. Ela quer pegar alguém. Se você sair fora, nunca vão te ligar a essa merda toda aqui. Quer dizer, o cucaracho aqui não vai falar mais nada. E aqueles dois? Quem leva a sério o que crackudo fala?" - agora, olhava para o gordo desacordado - "Mas, sei lá, a Bela Adormecida ali pode dar com a língua nos dentes... Ele que fez a merda toda, mas, entre ele ir em cana, ou você, acho que ele te manda pra cadeia sem pensar duas vezes. As pessoas mentem, acusam os outros de coisas que eles não fizeram, quando é bom pra elas. Sabe como é, né?"

- "Bem, o mundo é uma merda" - terminou, se levantando, deixando o garoto chorando ao lado do cadáver - "mas é o que nós temos. Pena que o rolha-de-poço não tá que nem nosso amigo mexicano aqui... Boa sorte, garoto. Quando for pra prisão, melhor se juntar a uma irmandade ariana ou coisa assim. Pelo menos, quem vai meter no seu cú até sangrar vão ser uns branquelos, e não uns africanos com piroca do tamanho de um braço."

E nisso, voltou-se para Oliver, com uma expressão serena de quem está tomando um chá das cinco na varanda de casa.

- "Rapaz, o corista aí parecia mesmo estar sendo perseguido. Mas independente de algo estar vindo pegar ele ou não, é melhor metermos o pé, pois esse tiro pode acabar atraindo polícia. Podemos passar no escritório do cara, mas sugiro que seja jogo rápido. E sugiro também que você escute a explicação que Doc vai te dar sobre o que acontece quando uma pessoa que não é paramédica chega num hospital, carregando dois usuários pesados de droga, uma delas com claros sinais de estupro e espancamento. Na boa, garoto, deixa as ambulâncias fazerem o trabalho delas."

Elliot rola Manipulação+Subterfuge.
_________________________________________________________________________________

Enquanto Elliot lidava com o playboy. West examinava a garota. Ela não parava de chorar, encolhida, mas não apresentou qualquer resistência, e seguia as ordens do doutor. Todavia, não era mais aquele estado de apatia causado pela droga, mas sim um estado de choque.

As pupilas ainda estavam um pouco dilatadas, mas responsivas à luz. A pulsação estava acelerada, mas sem arritmia. Parecia uma reação de medo, e não da droga. E não havia, no trato respiratório, as lesões comuns aos usuários de crack. Porém, a garota continuava nitidamente desnutrida e desidratada, e o amarelado da pele e dos olhos acusava uma provável icterícia. Apesar disso, estava espantosamente consciente e alerta, apesar do estado psicológico naturalmente degradado. Conseguiu contar até 10, apontar esquerda e direita, e dizer seu nome (Hannah Clarice Sinclair). Não havia sinais de dano neurológico imediato, nem sinais de embotamento dos sentidos ou do processamento neural pelas drogas. Ali, sem exames laboratoriais, o diagnóstico mais aparente é que a droga havia sido varrida de seu corpo, em um grau que apenas uma desintoxicação bem sucedida poderia gerar, um processo que levaria não menos de 20 dias, com acompanhamento especializado e medicação. Não havia sinais de crise de abstinência. As lesões de curto prazo causadas pela exposição à droga também pareciam ser sumido, mas as causadas por longo tempo de exposição pareciam persistir. E não era possível saber o estado do feto. Havia batimento cardíaco no útero, mas era até aí que West conseguia ir, sem melhores instalações. A garota parecia estar com frio, mantendo os braços cruzados ao redor do peito. E não cessava seu choramingar.

O Eterita terminou seu exame improvisado bem a tempo de ouvir a última fala de Elliot.

_________________________________________________________________________________

Emma, após sua explosiva fala, respirava rapidamente. A sua frente, via os vultos de dois homens. A parca iluminação do local não permitia mais do que isso. Fediam como alguém que não toma banho há um bom tempo. Não havia outros sons na rua, além da muito tênue música do restaurante, que ainda estava há uma certa distância.

Dois segundos de silêncio se passaram, até que a voz deles se fez ouvir:

- "Pô, desculpa aí, dona..."
- "A senhora não devia andar aqui essa hora. Muito vagabundo nessa área"
- "Mas, ó, se a senhora quisé, a gente pode dá uma pisa nesse seu irmão aê!
- "Sumermo! Vacilão vira carvão! A gente bota ele no eixo!"


Nisso, um PÁ! se fez ouvir ao longe. Os dois homens levantaram a cabeça, como animais selvagens que escutam um predador próximo.

- "Isso foi tiro, cumpádi!"
- "Dona, a senhora precisa ir. De verdade. Aqui a área é muito ruim"
- "É... e... sei lá, obrigado, dona."


E nisso, ambos se colocaram a correr, sumindo nas sombras do beco.
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 17, 2017 6:44 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Sex Mar 17, 2017 7:19 pm

Oliver parou para pensar sobre aquilo. Levar aqueles dois para um hospital seria mesmo uma má ideia. Perguntas demais, coisas a preencher e, até onde o mundo sabia, Ele sequer estava no país. Era uma merda, mas realmente a coisa ia ficar a cargo de uma ambulância, só dava para torcer que aqueles dois ficassem bem. O pior foi ver Elliot falando com o garoto daquele jeito. O coitado estava quase se mijando. Mas não havia muito mais a ser feito. Ele pediu o lenço de Elliot emprestado antes que ele o guardasse e limpou diligentemente suas impressões da arma, antes de recolocá-la no lugar, enquanto dizia:

   - "Você tem razão. Fui um idiota achando que poderia fazer diferente. Valeu pelo toque", agradeceu Oliver, dando um soquinho no ombro de Elliot. "Vamos sumir daqui. Eu ligo para a ambulância quando a gente estiver a uma boa distância. Cadê a sua irmã? Era para eu ir até o endereço que ela me deu depois daqui".

  Vendo que West havia terminado de examinar a garota, ele acrescentou:

- "Já caiu a ficha, doutor. Não precisa gastar saliva. Acho que a investigação de hoje acaba por aqui. Vamos embora".
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Sex Mar 17, 2017 10:50 pm

Dr. Faust West abaixou-se perto da menina. Ele não era afetuoso – aquilo, provavelmente, era impossível para o médico; mas a estava tratando com um pouco mais de humanidade do que destinava, geralmente, a maioria das pessoas: um pouco mais de contato olho no olho, e tudo o mais. Até aplicou algumas coisas que havia lido em romances de detetive e ouvido de alguns colegas que trabalhavam como socorristas, usando expressões como “você está segura agora” e outras frases prontas com gatilhos emocionais que se usava com vítimas para que se acalmassem. Havia se apresentado para ela, perguntado o nome dela, e seguido o exame – entre as perguntas necessárias ao exame, jogava algumas de ordem mais pessoal: quantos anos ela tinha, se ela queria falar com os pais, etc.

Sentiu-se ligeiramente incomodado pelas ações de Elliot. Não por realmente se importar com o rapaz que ele atormentava, mas por que o fazia de forma a aumentar o stress emocional de sua testemunha. Mas, precisava admitir: era um bom plano. Por um momento Faust havia duvidado das boas intenções de ELliot devido ao ambíguo desaparecimento de uma arma, mas, agora, entendia perfeitamente. Pessoalmente, sua mente não sentia-se confortável deixando pontas soltas. Humanos eram, num geral, imprevisíveis... mas não era uma preocuapção grande o suficiente para se intrometer.

West continuou de joelhos em frente a garota, e apalpou o próprio palitó. Tirou dele a lanterninha que havia guardado lá, assim como uma caneta, e depois retirou o mesmo, passando-o pelos ombros da jovem. Colocou as mãos em seus ombros. “ - Eu vou precisar que você venha comigo, certo? Preciso fazer alguns exames para garantir que tudo está realmente bem, e você não deve estar aqui quando a polícia chegar – podem querer te incriminar pelas drogas. Comigo você vai estar em segurança. Nós estamos com o Anjo.” - seu tom era firme, mas sua voz era suave. Usou “anjo” por que, bem… Era isso o que ela consideraria Samuel, em sua cabeça. Obviamente.

Caso Hannah houvesse dito que desejava ver os pais, Faust teria lhe dito, aqui, que poderiam tentar falar com eles de lá. Se não, nada.

Logo após, o Doutor tirou o celular do bolso da calça – ele ainda vestia o colete por cima da camisa branca, vale a pena lembrar – e digitou uma mensagem no celular. Precisava saber para onde podia levá-la, e não achava que o Armazém fosse ser o local aconselhável. Se não tivesse escolha, ainda tinha outras fontes as quais recorrer.

Ouviu a última fala de Elliot para Oliver, e respondeu sem erguer os olhos, enquanto guardava o estetoscópio dentro da maleta, e fechava-a em seguida. “ - Eles são legalmente obrigados a contatar a polícia.” – afirmou, antes de se levantar devagar, ajudando a garota a levantar-se, também. “ - Ela vem conosco. Oliver, pode me ajudar?” – perguntou. West, aparentemente, não tinha o orgulho masculino que o impediria de reconhecer a própria franguice.

É claro, levar a garota junto era um problema – andar com ela na luz, como, por exemplo, seria necessário para voltar ao restaurante, seria impossível se não quisessem chamar muita atenção. Mas ele não parecia muito aberto a discordâncias, quanto aquilo – havia apresentado o fato de que ela iria com eles como se fosse uma verdade inabalável da vida. “ - Creio que seja melhor darmos a volta e sair pelos fundos. Eu vou chamar um carro. Oliver, se precisar, certamente te consigo um lugar para ficar.” – acrescentou. Poderiam voltar para investigar a sala do Pastor no dia seguinte, se fosse o caso.

Enquanto saiam, West sentiu o celular vibrar e conferiu a mensagem que recebia. Chegou a pausar por um segundo - era a primeira demonstração, na noite inteira, de frustração que o Eterita efetivamente dava. Era um péssimo, péssimo, péssimo resultado, mas era o único que tinha em mãos. Não disse nada, e seguiu a andar.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Sab Mar 18, 2017 1:53 pm

Ela podia ouvir a própria respiração, em meio a tudo aquilo, enquanto seus olhos buscavam as vozes que falavam com ela, vendo apenas vultos à frente, onde a iluminação era incapaz de mostrá-los.

Passou a mão pelo rosto, ouvindo o que era dito e movendo a cabeça levemente em negativo, Emma se abaixou para recolher as poucas coisas que tinha jogado no chão, pegou tudo que conseguiu enxergar, e estava pronta para responder aos sujeitos quando ouviu som.

Emma não tinha muito contato com aquele tipo de acontecimento - tiros - e não sabia exatamente dizer se era isso ou não, enquanto os sujeitos afirmavam que eram e iam embora, seu olhar foi mais além, na direção do local onde os três imprudentes - em sua opinião - magos tinham ficado.

Se levantou, segurando as chaves do carro firme numa das mãos e olhando na direção do mesmo. Dessa vez a loira apressa o passo na direção do veiculo, não tinha muita certeza do que fazer, mas talvez ainda estivesse sob o efeito da adrenalina recente no corpo; sentou-se no banco do motorista e ligou o carro.

Achava que era bobagem - parte de si achava - dirigir na direção de um lugar onde supostamente - segundo os sujeitos - um tiro tinha sido disparado: mas seu irmão - por pior que fosse, ainda era seu irmão - estava lá, e talvez ferido e talvez precisasse de ajuda. A Cultista acelerou, colocando o carro em movimento na direção do orfanato, não tinha certeza do que ia ver quando chegasse, mas sabia o que ia fazer. Deu uma fuçada no carro, buscando algo que pudesse usar como arma - e pensar que precisava usar algo como arma lhe deu calafrios - depois de um momento, encontrou o pequeno extintor.

Bom, deveria servir, não?

Quando - se - conseguisse chegar lá, Emma ligaria os faróis - o problema do escuro estava resolvido. Puxou o freio de mão, enquanto segurava o extintor e abria a porta.

- Talvez eu precise da sua ajuda. - Avisou a Coruja. - Elliot? - Chamou, uma vez, ainda que não tivesse se afastado do veiculo.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Dom Mar 19, 2017 11:39 pm

Saindo dos escombros do que fora seu lar, Oliver estava cada vez mais chateado. Não havia chegado nem um pouco mais perto de encontrar sua irmã, embora tivesse encontrado o espírito de Samuel, e, além disso, assistira um triste episódio sobre o quão baixos os seres humanos podem ser. Demonstrações como essas sempre o faziam querer bater em alguém. Tudo que ele queria agora era diminuir a tensão, tomar um banho e, com alguma sorte, dormir debaixo de um teto. Quando pisou na calçada, esses eram seus pensamentos. Foi aí que ele viu Emma e seu carro. No caminho, ele havia perguntado como Faust pretendia ajudar a moça grávida, já que ele mesmo acabou se sentindo de mãos e pés atados nesse caso, um verdadeiro inútil. Assim, que viu o carro de Emma, foi em direção a ele:

- "Ei, acho que acabamos por aqui. A coisa ficou barulhenta, então acho que é melhor irmos embora. A proposta de me acolher ainda está de pé? Cara, um banho não cairia nada mal".
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Mar 20, 2017 12:22 pm

Durante o caminho, Dr. Faust vinha em silêncio – depois que haviam averiguado que a garota recém curada conseguia caminhar, o médico apontou que aquilo era melhor do que carregá-la: pelo menos mantê-la tendo de mexer as próprias pernas ajudaria a manter a jovem Hannah alerta, o que, Faust acreditava, era importante naquele momento. Ela parecia estar bem, mas sem mais exames, não seria exatamente responsável dar-lhe a oportunidade de fechar os olhos e dormir.

Enquanto faziam a caminhada por meio as ruínas, Faust ia olhando o lugar em volta, averiguando, ainda, a atividade espiritual e eterdinâmica. Tudo bem, Samuel havia parecido, e aquilo era importante, e era um dado gigantesco. Mas talvez tão importante quanto, ou ainda mais importante do que a mera aparição do profeta, era como o ambiente reagia a isto – com base nestas análises comparativas e nas análises que faria posteriormente era que, no fim das contas, ele conseguiria desenhar algumas hipoteses mais sólidas quanto a natureza da aparição que haviam visto.

Não falava muito, mas mantinha-se atento – a Oliver, a Elliot e, principalmente, a menina. Mas além de tudo, ainda tinha mais uma coisa para se preocupar: o cenário ideal que havia bolado em sua cabeça, no qual conseguia examinar a menina, examinar seu bebê, fazê-lo longe da sociedade adormecida, permitir que o conselho das tradições da cidade – no caso, um punhado de gatos pingados meio doidos que haviam restado após a Noite do Desespero – a interrogasse e depois devolvê-la aos adormecidos sem que isto lhe envolvesse pessoalmente… bem, este cenário tinha desaparecido. Talvez fosse este o motivo de que, quando Oliver lhe perguntou o que faria, Dr. West – que geralmente respondia muito rápido, quase antes da pessoa terminar a própria frase – levou uma fração de segundo para responder. “ - Hospital.” – disse, antes, antes de tirar o celular do bolso enquanto se aproximavam da saída.

Ele digitou um número no teclado com velocidade. Elliot provavelmente conseguiria discernir que aquilo demonstrava claramente que o médico não tinha o número salvo nos contatos. Ele levou o celular ao ouvido.

“Sou eu” - pequena pausa. “Estou chegando com uma garota em uns vinte minutos. Você precisa me garantir uma sala e um leito. – mais uma pausa aqui, enquanto a pessoa do outro lado falava.

Nesse instante, a pequena companhia passava pelos restos de uma parede demolida, alcançando a saída pelos fundos do orfanato. Os enormes faróis de Emma incomodaram os olhos de Faust, e seus óculos refletiram a luz por um momento. Por um momento, ele não havia visto quem era – só reconhecera a sombra, os contornos na luz, e aquilo podia ser qualquer pessoa. A voz chamando por Elliot a denunciou, entretanto.

“É claro. Você tem toda razão.” – assentiu Dr. Faust. “Mas nós temos amigos em comum. E considerando a natureza de nossa amizade, doutor, eu peço que você considere se realmente quer ouvir as respostas para as suas perguntas. Respostas implicam em participação.” – acrescentou, e depois de uma pausa, concluiu: “Uma sala e uma enfermeira que não faça perguntas. Vinte minutos. Obrigado.” – e desligou, a tempo de ver Emma materializar-se através das sombras.

A era particularmente curiosa: Logo na frente, vinha Oliver apoiando uma jovem adolescente num vestido branco imundo. A jovem era loira, muito magra, e parecia em choque – apesar de saudável. Sobre os ombros dela, o paletó do terno de Dr. West – em termos de largura até servia bem, mas em comprimento, parecia quase outro vestido, terminando pouco acima do joelho da menina: era mais comprido que seu vestido. Logo atrás – mais do lado do que atrás, apenas um meio passo de distância – estava o doutor, que guardava o celular no bolso. Ele cumprimentou a Cultista com um aceno sério de cabeça, em silêncio absoluto. Elliot vinha junto com eles.

West ouviu o que Oliver dizia. “ - Eu vou chamar um taxi. Vai ser melhor se eu chegar sozinho com ela no hospital.” – disse. Mas não parou de falar: ou o mago havia gostado daquele experimento de fazer parte de uma cabala, ou via, de alguma forma, um sentido naquilo tudo. “ - Amanhã depois do almoço, na joalheira?” – perguntou, sempre atento a sirenes.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Mar 20, 2017 12:36 pm

Manip + Subterfuge. Desconheço a dif.
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Seg Mar 20, 2017 12:36 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Seg Mar 20, 2017 1:01 pm

Quando Oliver apareceu, Emma arqueou brevemente uma das sobrancelhas, os olhos na cena que se desenhava a sua frente. Quem diabos era aquela garota e o que diabos estava acontecendo?

A Cultista deixou o extintor no carro, enquanto tentava entender o que se passava ali, os olhos indo da moça para Oliver e depois para os que vinham atrás dele, ela sequer prestou muita atenção no que Oliver perguntava, em verdade, atentava-se mais ao que West estava fazendo.

- Você não vai a lugar nenhum sozinho com essa garota, Doutor West. - Falou ela, cruzando os braços por um instante. - Desde o instante que saímos até este momento tudo que tem feito, além de distribuir ordens como se fosse nosso chefe é pensar apenas em você mesmo, Doutor West, e eu conheço muito bem pessoas como você, Doutor. Para ser mais exata, muitos dos meus problemas e dos problemas da minha família, vieram de pessoas exatamente como você. Você não se importa com ninguém aqui, exceto por você mesmo. Ponha a garota no carro, Oliver. Vamos resolver esse problema, seja ele qual for, juntos.

Ela esperaria até que Oliver fizesse ou não o que tinha lhe sido pedido. - Vá até o hospital, pegue o que precisar e depois pode nos encontrar em casa, Doutor West. - Avisou a jovem Cultista. - Se for mesmo do seu interesse, é claro, ajudar alguém além do senhor.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Mar 20, 2017 1:58 pm

Quando a cultista falou a primeira frase, daquele jeito, Faust olhou para ela com um aspecto ligeiramente surpreso – mais confuso do que surpreso, na verdade. O que estava acontecendo ali? Aquela era uma reação que o doutor não esperava, em fato. Mas ela cruzou os braços e continuou, e enquanto suas frases ganhavam forma, ele pareceu voltar a sua expressão mortal normal. Seu problema não era particularmente com a posição de Emma, e sim com não tê-la entendido. Agora que estava acompanhando o raciocínio, tudo estava bem.

Ele achou um tanto curioso a questão dos médicos no passado de Emma e sua família, e anotou aquilo em sua mente. Mas era uma questão para depois. Quando ela parou, Faust olhou brevemente para Elliot e para Oliver, como se esperando para ver se um dos dois tomaria a dianteira da situação – lidar com histerismos nunca havia sido seu forte. Por isso que havia passado a vida inteira lidando, sempre que podia, com gente morta ou pesquisas dentro de um laboratório.

Na ausência de ações, voltou os olhos para Emma. “ - Você tem um aparelho de ultrassom?” – ele perguntou, indicando a barriga da mulher com um gesto de sua mão livre. Seu tom era calmo, inabalável. – Você tem o instrumental para uma tomografia computadorizada? E para uma ressonância magnética? Você tem acesso a uma equipe de enfermeiras para ajudar a cuidar dela? A um obstetra? Você sabe em que casos, e de que forma, os exames que eu disse são ou não são aconselhados na gravidez? – e ele pausou. Não parecia estar atacando a Cultista, só expondo as questões.

“ - Sim, eu tendo a ser um pouco intransigente.” – disse. “ - E os que seguiram minhas sugestões essa noite puderam ver com os próprios olhos uma das coisas mais belas e incríveis de suas breves vidas. – acrescentou. “ - Não deixe seus fantasmas entrarem no caminho da vida dessa garota, Srta. Woolf. Vocês podem todos visitá-la no Hospital Mercy amanhã, se tem tanta desconfiança de mim. Aliás, imagino que Ralf vá querer fazê-lo.”

E esperou.
 
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Última edição por Dr. Faust West em Seg Mar 20, 2017 1:59 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Seg Mar 20, 2017 1:58 pm

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


'D10' : 6, 2, 7, 8, 7, 6, 4
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Seg Mar 20, 2017 2:13 pm

- "Sério, gente?", disse Oliver, que até se assustou quando ouviu o som da própria voz, pois achou que havia apenas pensado aquilo. "Vocês já estão prontos a discordar por trivialidades como essa enquanto a polícia se aproxima e uma pessoa precisa de ajuda? Ouçam bem como a coisa vai funcionar: Faust vai levar a garota para o hospital para ser tratada como se deve. Emma, caso se sinta mais a vontade com a ideia de não deixá-la desacompanhada, pode ir com o Faust. Se hospitais não forem a praia dela, eu mesmo vou. Discordem por sua conta e risco.

  Após dizer isso, Oliver olha para todos ali com uma expressão de poucos amigos:

-  "Compaixão, pessoal, e um pouco de confiança. No segundo que eu descobrir que não posso confiar em um de vocês dois para cuidar de um inocente vocês não precisarão mais pensar em mim como aliado. Agora movam essas bundas para os carros antes que a polícia apareça".

   Com isso, Oliver levou a garota para o carro que estivesse mais próximo dele e a acomodou confortavelmente. Não fazia diferença. Ele sentou ao lado da garota e esperou pelos outros.
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Seg Mar 20, 2017 2:18 pm

- "Bem..." - disse Elliot, após limpar a garganta. Notava-se que ele costumava falar apenas depois do circo pegar fogo - "olha, Sis, até entendo que Doc West aqui não pareça o cara mais confiável do mundo. Aliás, ele provavelmente não é, sem ofensa, Doc. Mas numa coisa ele está certo: a garota tá grávida, e acabou de sair de uma overdose de crack. Você sabe como cuidar disso? E não me olha com essa cara não, até onde eu sei, você pode ter se formado em medicina... Ou pode sacar muito de mágikas de Vida, sei lá. Achei que isso era mais com os Verbena, mas se você disser, eu acredito" - falava de "mágikas de Vida", como se não houvesse uma Adormecida ali, na frente deles - "Mas, se não for o caso, well, aí a garota precisa mesmo de um hospital. Imagina a merda se ela tiver uma convulsão, ou morrer, na sua casa? Como você vai explicar isso pras autoridades? Aliás, levar a garota pra sua casa seria, sabe como é, sequestro... Podemos ir pro hospital tb, se isso te deixa mais tranquila. Precisamos de um lugar pra conversar, e esse é tão bom quanto qualquer outro."

E parou, com as duas palmas das mãos viradas para cima. A diferença de tom entre agora e antes, quando ele falava com o playboy, era gritante. Agora, Elliot parecia pisar em ovos.

E nisso, um estrondo próximo se fez ouvir

PÁ!

E depois de três segundos, mais uma sequencia deles.

PÁ! PÁ! PÁ! PÁ! PÁ!

Hannah se encolheu junto a Oliver, e recomeçou a chorar, coisa que tinha parado de fazer há 5 segundos
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Mar 20, 2017 3:07 pm

“ - Oliver, preste aten...” – começou Faust. Aquele monge era completa e totalmente tapado, nitidamente, e por um momento o médico se perguntou se era efetivamente capaz de se comunicar com alguém que provavelmente sequer conhecia o conceito de “pensar” sem que este estivesse atrelado a uma ação imediata. Ele sequer conseguiu terminar a frase – não havia nenhuma possibilidade de diálogo, visto que o monge já estava partindo e levando consigo a garota.

Dr. West olhou para Emma ao seu lado. Estivesse o humor em sua natureza, provavelmente teria olhado para ela de forma estupefato e começado a rir, dado o absurdo da situação – mas não estava, então tudo o que ele fez foi olhar para a garota e para o Elliot (que estava falando, naquele instante) para ver quais seriam suas reações.

Ele já estava tendo que puxar contatos e forçar relações – e relações sociais eram coisas delicadas, que não podiam ser simplesmente forçadas e puxadas para todos os lados como ele bem entendia – para que conseguisse ele próprio passagem no hospital, sem perguntas, para entrar com a garota. Mas não. Aquilo não bastava. Aparentemente, era perfeitamente lógico na cabeça do Akasha que internar uma adolescente sozinho, e tendo chegado sozinho, e sendo mostrado sozinho na câmera de segurança, seria tão fácil quanto fazer aquilo chegando-se no hospital junto com uma hippie, um cara que parecia ter saído de uma novela de detetive inglesa, e um playboy com sangue na camiseta. Mais ainda, aparentemente, o Akasha acreditava que internar uma garota e fazer todos os exames necessários levando todo mundo junto seria possível – e, pior ainda, parecia disposto a bater neles se seus sonhos lunáticos não fossem concretizados, provavelmente irritado por que era sequer capaz de acompanhar uma discussão com mais de cinco palavras e sem soco nenhum! E queria dar bronca neles! O absurdo da situação era inquestionável.

Mas todo aquele absurdo foi registrado na mente de Faust – que sentia orgulho em permanecer prático e não deixar que sentimentos, como indignação, interferissem em sua lógica pessoal. Igualmente registrada foi a submissão curiosa de Elliot… Até que os tiros começaram.

O Eterita fez menção de se abaixar, mas, reconhecendo a distância dos tiros, entendeu o que havia acontecido e sequer se moveu. Era a solução tomada por Elliot ganhando forma concreta: mas se a polícia antes não estava a caminho, como Faust suspeitava, agora a chance de estar vindo era maior… ainda que insignificante, em sua opinião. No mundo em que viviam, a polícia estava ocupada demais para atender relatos de tiros num buraco da cidade, como aquele. Mas olhou em volta, para a vizinhança: a polícia podia não vir, mas pessoas olhariam pelas janelas de suas casas, e testemunhas eram… desagradáveis.

“ - Vamos, então.” – disse apenas, perfeitamente calmo, antes de começar a mover-se para o carro. Não era bem uma ordem, era mais como se estivesse avisando os outros do próprio comportamento. Pelo menos poderia recuperar sua bengala, que havia deixado no carro de Emma.

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Quando entrou, sentou-se no banco de trás, no único lugar livre. Colocou a própria maleta sobre o colo, e olhou para a garota um pouco, vendo-a assustada. Tocou-lhe o cabelo por um instante, murmurando um “shhh”, antes de virar-se para o Akasha. Talvez precisasse abordá-lo de forma mais… didática? Com palavras mais curtas? “ - Você falou sobre confiança.” – disse. “ - Eu venho trabalhando em hospitais desde os meus quinze anos de idade. Por que não confiar em mim quando digo que sei a melhor forma de fazer isso, e que chegarmos todos juntos só vai causar mais problemas?”
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Seg Mar 20, 2017 3:18 pm

Oliver realmente não entendeu a pergunta de Faust e isso ficou claro pela maneira que ele respondeu. Já não havia qualquer traço da raiva que ele havia manifestado há pouco, só curiosidade e a expressão amistosa de sempre:

-  "É claro que eu confio. Por que pareceu que eu não confiava? Quando eu preciso de cuidados com a saúde, eu vou ao médico, e você parece ser bom no que faz. Mas se eu não acomodar os desejos de todo mundo, aparentemente a gente não sai do lugar, cara. Estamos indo ao hospital como você queria e, se entrar com todo mundo é um problema, bem como para a Emma é um problema não acompanhar a garota, a minha solução é perfeita. Deixamos você com ela na porta do hospital e eu fico por perto. Se eu não puder entrar pela porta da frente e colocar um crachá no peito, garanto que posso ficar de olho nas coisas a 3 metros de vocês sem ser visto por câmeras pessoas e sequer por você. Como isso não parece bom o suficiente?", perguntou Oliver, conciliador.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Seg Mar 20, 2017 9:23 pm

Houve um momento, um curto e silencioso momento, enquanto todos ali falavam: enquanto Oliver queria agora também ditar ordens e regras de como as coisas funcionariam, enquanto Elliot parecia querer dizer-lhe como as coisas deveriam acontecer, tentando de alguma forma incitar-lhe medos a respeito de consequências... Ah, consequências. Tinha alguém mais habituada a lidar com consequências do que ela própria?

Mas houve aquele momento, calmo, distante e pessoal em que Emma ficou ali, parada, os olhos claros fixos em Faust West, acompanhando cada pequeno pedaço de pensamento que ele deixava escapar pela boca, devorando cada pequena silaba em suas palavras, escavando. E caso estivesse atento a Cultista - realmente atento - poderia notar como ela desviou brevemente o olhar para a garota que Oliver carregava, quando West afirmou que tinha visto a coisa mais bela daquele dia. E talvez nesse mesmo instante, notasse a impressão que suas palavras poderiam ter causado a alguém que já não parecia muito sua fã.

Emma deu um passo à frente, parando exatamente na frente de West. - Você citou um bocado de equipamentos, Doutor West, apenas para confirmar o que eu disse: você não se importa. - Falou a Cultista. - Você tem humanidade, Dr. West? - Ela sorriu de leve e moveu a cabeça levemente em negativo, estava prestes a dizer algo mais, quando os sons vieram. - Parte das coisas maravilhosas que o senhor presenciou hoje, Doutor? - Quis saber a loira, antes de mover-se para o carro de novo. Mas parou à porta, olhando para Elliot.

- Conversamos amanhã, tenho de ir à biblioteca, me encontre lá. Ou você quer o deixe em algum lugar? Acho que aquele moço ainda o está esperando. - Avisou, aguardando uma resposta, com um suspiro, antes de pegar Vaýu no teto e entrar no carro. Não deu atenção a conversa entre Oliver e West, afinal, como diziam, a primeira impressão era a sempre a que ficava, e ela se formava rápido, muito rápido.

Emma manobrou o carro, para finalmente, com a bênção dos Deuses, deixar aquele lugar.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Seg Mar 20, 2017 11:35 pm

West ouviu, com calma - surpreendentemente, o médico parecia estar sempre com calma, mesmo quando era contradizido - o que Oliver dizia. Não sabia, pessoalmente, o quanto podia confiar nas habilidades do Akasha em manter-se fora de vista: mas até onde havia visto, o ex-monge parecia dominar muito bem todas as técnicas corporais que se dispunha a realizar. 

Pois bem. Não estava completamente de acordo com suas expectativas - tecnicamente, levar a garota para o hospital já não era sua primeira opção - mas era o melhor que tinha no momento. 

Acenou afirmativamente com a cabeça. " - Não estava ciente de que você manter-se fora de vista era uma opção." - justificou-se, bastante razoável. " - Assim sendo, estou satisfeito. Obrigado." - concluiu a conversa, antes de voltar suas atenções para o estado da garota. 

Havia pensado em guardar a arma na maleta, mas provavelmente incomodaria a jovem Hannah.
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qua Mar 22, 2017 7:26 pm

Elliot se limitou a dar de ombros, e saiu andando pela noite, levantando a gola do sobretudo, e acendendo um cigarro. O som das solas de seus sapatos no asfalto rapidamente sumiram, enquanto sua forma sumiu mais rapidamente ainda, quando entrou numa nuvem de vapor de calefação que saia de um ponto da calçada próxima.

O Mercy Hospital era bastante próximo de onde se encontravam. Emma não teve que dirigir mais do que algumas quadras, o que foi uma vantagem, dado o estado de fedor de Hannah. E também dado que Vaýu, do banco da frente, não tirava os grandes olhos amarelos de cima dela, e isso parecia estar perturbando a garota (como perturbaria qualquer pessoa normal).

Seguindo as instruções de West, o Buick parou nos fundos do hospital, onde parecia haver a rampa de acesso à entrada de alguma garagem subterrânea do hospital. Lá, havia um sujeito de jaleco branco, gordo, com cabelo apenas nas laterais da cabeça, e com óculos fundos. Fumava, num canto, e tinha consigo uma cadeira de rodas. Fora isso, o local era escuro, em claro contraste com a fachada bem iluminada do hospital. Quando o veículo encerrou seu movimento, o homem se aproximou, carregando a cadeira de rodas, mas parou assim que viu Oliver sair do carro. Continuou apenas quando West saiu, e lhe lançou um olhar. Não conseguiu contar um "puta-que-pariu" quando o aroma da garota lhe atingiu as narinas. Ele e West seguiram para a rampa que levava ao subsolo.

Oliver, que no caminho havia conseguido localizar seu alvo, também preparou seu truque ninja. Quando Emma terminou de observar West e seu assecla sumindo pelos grandes portões da garagem, e voltou seus olhos para o Akasha, este já havia sumido na noite, sem deixar rastros.
___________________________________________

A Cultista tinha uma mapa improvisado, rascunhado por Ralf, para ajudá-la a se guiar até a casa de Phillips. Teve que pedir algumas informações, nos poucos lugares movimentados que achou, até conseguir encontrar um dos pontos de referência indicados no mapa. Quando finalmente chegou na velha casa, viu que esta mudara muito pouco. Phillips morava numa casa pequena, de dois quartos, numa rua de ladeira, que iria dar no porto. Havia mudado pouco, mas a grama do pequeno jardim de frente estava alta, e a casa, num geral, tinha um certo aspecto de descuido.

Logo que parou o carro na calçada (não havia garagem na casa), Vaýu voôu para cima da caixa de correio. Emma quase suspirou de alivio, quando viu que a chave que lhe tinha sido enviada servia. A porta abriu com um rangido. Dentro do imóvel, havia uma bela escuridão, é claro, mas pela luz da rua que entrava pela porta, ela pode ver alguns poucos móveis, cobertos com lençóis, e uma bela camada de poeira cobrindo tudo. Quando sua mão acionou o interruptor perto da porta, nada aconteceu. Seis meses. Era de se esperar que a luz estivesse cortada. A água provavelmente estaria também...
___________________________________________

Entrando pela garagem, West e o Dr. Worchester alcançaram o piso subterrâneo do hospital, onde funcionavam lavanderia, caldeiras, processamento de lixo, e o necrotério. Hannah seguia em silêncio, cabeça baixa, chacoalhando o corpo magro na cadeira de rodas. Próximo ao elevador, recostada na parede, fumando um charuto, estava uma velha enfermeira. "Rockwell", dizia o nome no uniforme manchado da mulher. Era uma senhora exemplarmente feia, com mais bigode que muitos homens, pernas igualmente cabeludas (mas não cabeludas ao ponto em que não se pudesse ver a teia de varizes que adornava a pele flácida e acinzentada), cabelos grisalhos presos num coque tão apertado que dava a impressão que as raízes dos cabelos iriam sangrar, e cara de muito poucos amigos. Mas sua expressão se suavizou um pouco ao ver a menina. Ante a aproximação do grupo, apagou o charuto, o esfregando na parede, e guardou a metade que sobrara no bolso do uniforme. Quando pegou do médico o controle da cadeira de rodas, fungou, torceu o nariz, e disse: "Por Nossa Senhora da Consolação! Vamos, vamos cuidar de você, menina. Primeira parada, chuveiros!". A voz era grossa e arranhada, mas dava alguns falsetes irritantes de vez em quando.

Quando a mulher sumiu no elevador, o Dr. Worchester se voltou para West e disse:
- "Espero que esse tipo de coisa não se torne um hábito, Dr. West. A enfermeira Rockwell encaminhará a garota aos exames que solicitou, e depois a colocará no quarto 23, que, oficialmente, está em obras. Aquela garota obviamente precisa ficar um tempo em soro e alimentação intravenosa, preferencialmente sedada. Ela o avisará de qualquer inconveniência. Enquanto isso, sugiro que vá se familiarizando com seu novo local de trabalho, e confirme qualquer coisa que vierem lhe perguntar. Ficar zanzando pelo hospital só vai levantar mais suspeitas, afinal, ninguém lhe conhece. É possível que Pumpkin, chefe da segurança, venha lhe perguntar alguma coisa. Não sei se ele engoliu muito bem a história que inventei. Mas é só confirmar o que ele vier lhe perguntar, e pronto. Não é um cara lá muito inteligente."

Sem esperar maiores respostas, deu as costas, e abriu a porta corta-fogo que dava acesso a escada, sumindo na abertura escura.

O necrotério do Mercy era pequeno, mas bem equipado. Havia meia-dúzia de gavetas refrigeradas, e espaço para mais quatro macas. Mesmo o Mercy tendo convênio com a polícia do condado para realizar autópsia forense, apenas duas delas estavam ocupadas, por corpos que, segundo os prontuários, não apresentavam nada que pudesse despertar algum interesse. Todavia, uma das macas continha um corpo razoavelmente fresco. O prontuário dizia que era algum morador de rua, e pedia confirmação de morte por pneumonia. Aquele corpo certamente não deveria estar ali, fora da geladeira. Parece que alguém estivera com pressa de sair, no turno anterior.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Rosenrot em Qui Mar 23, 2017 10:34 am

Quando West chegou ao Necrotério, o ambiente estéreo e vazio estava silencioso, fedendo a éter e a solidão. Mas ele teve poucos momentos para 'curtir' a solitude do lugar e a presença do cadáver ali deixado. Porém uns poucos minutos depois de entrar, a porta se abriu de novo.

Um sujeito de jaleco - outro médico - passou por ela, seguida de uma jovem vestida de forma casual demais para ser também uma médica, ambos pararam ali, na porta, observando West - estava claro que não esperavam a presença do outro ali -, eles se olharam por um momento muito breve. Então a jovem enfiou a mão no bolso e tirou um distintivo.

"- Boa noite." - Disse o médico para West.

- Detetive Ó'Sullivan. - Disse a mulher, olhando para o mago com alguma desconfiança. Ela voltou a olhar na direção do outro sujeito - que tinha a mesma cor de olhos (azuis) e cabelo (ruivos) que os dela, talvez evidenciando um parentesco. (O fato do crachá dele ter Dr Ó'Sullivan talvez corroborasse para essa hipótese).

A Detetive abriu a porta de novo, e dela agora saiu o que parecia uma garotinha (ela era baixa), segurando um taco de baseball numa das mãos escrito 'A Razão' numa tinta vermelha, ela era loira - com um cabelo raspado dos lados formando um quase moicano de aspecto sujo - tinha tênis maiores do que seus pés e de modelos diferentes. Suas roupas também não eram as das mais limpas e certas - a camisa era grande demais - e o casaco parecia ter pertencido a um militar aposentado 3x o tamanho dela.

Mas não era isso que chamava a atenção.

Era o olhar dela.

Ela era pequena... Mas de alguma forma esquisita, ela parecia ameaçadora. Seu olhar era meio que intimidador e difícil de encarar - e ela olhou para ele com asco - e o encarou até que fosse ele quem desviasse o olhar.

O outro médico se moveu na direção do cadáver ali, e a baixinha seguiu com ele - um olho em West o outro no lugar - enquanto andava ela batia o taco numa das mãos. Dr Ó'Sullivan puxou o tecido que cobria o cadáver e a loira baixinha teve que ficar na ponta dos pés para olhar para ele e foi quando aconteceu aquele momento estranho de silêncio, aquele momento de paz antes de uma tempestade.

A baixinha com o taco acertou uma das gavetas, a porta se soltou e ficou pendura - e era necessária certo tipo de força para isso - quando ela se virou para Ó'Sullivan (a Detetive) apontando um dedo para ela. - Você sabe o que isso significa não sabe?! - Bradou e ali ela parecia ainda mais... Ameaçadora. A Detetive cruzou os braços, parecendo não se abalar muito e moveu os olhos com tranquilidade na direção de West, a baixinha fez o mesmo. - Tá olhando o quê magrelo?- Perguntou e West PODIA JURAR que ouviu a garota ROSNAR.

Talvez tenha sido só imaginação. A baixinha se moveu para fora, e o ambiente pareceu se acalmar. Os dois O'Sullivan trocaram um olhar rápido.

- Mande a conta. - Disse a detetive. Virando-se para sair também, ela deu outra olhada rápida em West, mas não falou muita coisa antes de sair atrás da pequena arruaceira.

O médico cobriu o cadáver e anotou algo na etiqueta de identificação, pegou o celular e mandou uma mensagem. Antes de se mover. "- Que noite, hem?" - Ele disse, e deixou West sozinho por uns minutos com o cadáver, antes de algumas pessoas aparecerem para buscá-lo e levar o corpo embora.

Que noite, hem.


Spoiler:
Detetive:

Médico:

Baixinha:
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Qui Mar 23, 2017 11:25 am

Paz e silêncio, enfim. 

  Após deixar west fazer seu trabalho no hospital e Emma seguir seu caminho seja lá para onde ela decidisse ir, Oliver atravessou a rua e pagou por um pernoite em um hotel barato nas proximidades. Já no seu quarto, ele sacou seu celular e digitou uma mensagem para Granger:

- "Olá, a agitação por aqui terminou. Como estão as coisas por aí?".

  Oliver enviou essa mensagem, arrependendo-se imediatamente por ter se lembrado de que, supostamente, havia um tempo estabelecido para entrar em contato com uma garota, ou ao menos era o que um dos seus colegas do orfanato havia lhe dito na época. Seja como for, o que estava feito, estava feito.

  Feito isso, ele se sentou em fechou as janelas, apagou a luz e, no escuro, sentou-se em posição de lótus em cima da cama. Afastou o "eu", esvaziou sua mente e começou a meditar sobre os acontecimentos da noite, revivendo-os como um expectador de si mesmo. Através de exercícios de respiração, Oliver começou a se livrar dos pensamentos negativos. Quanto mais se aproximava de seus ensinamentos, das palavras que buda e os grandes mestres deixaram para todos os seres dessa terra, mais se distanciava da ideia de estrangular seus colegas de cabala. O yang o preenchia para equilibrar o ying, assim como deve ser. Tudo era muito novo para o jovem akasha, que não esperava ter uma transição tão complicada.

  Ele pensou no espírito de Samuel. Oliver precisava realmente encontrá-lo de novo, Saber se ele teria alguma pista que levasse ao paradeiro atual de sua irmã. Com a mente limpa e calma como um riacho, ele se imaginou no topo de uma montanha, cercado apenas pelo vento e uma tranquilidade inabalável.

  Após meditar por cerca de uma hora, Oliver foi para o banho lavar as impurezas físicas, agora que sua mente estava limpa. Durante o banho, ele lavou as roupas que estava vestindo, as colocou do lado do aquecedor para secar e vestiu a única muda de roupa que tinha. Agora muito mais relaxado, ele foi assistir um pouco de TV até a hora de dormir.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Mar 23, 2017 1:15 pm

A viagem no carro teria sido awkward, se Dr. West não fosse já um pouco autista e por isso, muito provavelmente, sequer entendesse a concepção de awkward da mesma forma que os outros presentes. O cheiro não parecia realmente incomodá-lo, e a má vontade de Emma tampouco parecia afetá-lo – na verdade, quando chegaram no hospital, logo antes de sair do carro, o médico disse um “Foi um prazer. Até amanhã, Srta. Woolf”, observando-a pelo retrovisor. Acrescentou um “Vayú”, aliado a um aceno breve com a cabeça, antes de sair do carro.

Já do lado de fora, observando pela primeira vez, ao vivo, a entrada que já havia visto algumas vezes no Google, o doutor aproximou-se de Oliver, sussurrando, antes de realmente aproximarem-se: “ - Se importa de me dizer o nome de sua irmã? Quero ver se consigo levantar algumas informações.” – avisou e, após recebê-lo, despediu-se do Akasha com um aceno da cabeça e ajudou Hannah a subir na cadeira de rodas. Disse-lhe que haviam chegado ao hospital, e que ela seria bem tratada.

Na concepção do mago, Oliver Gray ainda estava com eles – ainda estava por ali, caminhando junto deles, e aquilo era particularmente interessante: não achava que o Akasha era poderoso o suficiente para conseguir aquele nível de controle do fluxo da luz, principalmente por causa das nuances delicadas do processo: se, por exemplo, a luz é refletida completamente de seu corpo, você realmente torna-se invisível, mas cego também. É claro, haviam outros métodos de alcançar invisibilidade – principalmente, ao que West conseguiai pensar, algo utilizando os outros planos vibratórios de existência, como a Umbra, a Shadowlands, ou simplesmente algo fora do alcance perceptivo da visão humana, ou, ainda mais difícil, apagar-se da mente dos presentes. Nada daquilo realmente parecia ao alcance das habilidades do companheiro Akasha, mas, bem: ele havia dito que estaria lá, invisível, e West não podia vê-lo. Não tinha motivos para duvidar.

Seguiu ao lado de Dr. Worchester em silêncio – havia se limitado a lhe cumprimentar com um “boa noite”, mas só. Desnecessário dizer, West não era o maior fã de conversas de elevador.

Quando encontraram-se com Rockwell, Faust decidiu, de imediato, que gostava da mulher. Aquilo não teria nenhum impacto real em suas ações ou suas análises quanto a ela, mas, bem, ele gostava de colecionar aqueles pequenos fatos sobre as coisas. Apresentou-se enquanto entregava Hannah, e agradeceu educadamente a ela – antes de Hannah ir embora, West abaixou-se em frente a sua cadeira e segurou-lhe uma das mãos entre as próprias, olhando-a no olho. “ - A enfermeira vai te levar para tomar um banho, e te ajudar a descansar um pouco, ok? Quando você acordar, eu vou te visitar. Qualquer coisa, pode pedir para me chamarem.” – acrescentou, antes de ficar de pé.

Ele não conseguia realmente parecer muito humano, ou muito dócil, ou carismático, ou gentil per se – mas sabia escolher bem as palavras, e sabia demonstrar que estava se esforçando para ser gentil e humano, fosse aquilo verdade ou não. Faust sabia bem que o esforço para tentar algo era, aos olhos das pessoas, muitas vezes tão bom ou mais do que ser algo em si – todo mundo adora um underdog, no fim das contas.

Quando a mulher sumiu, Dr. West virou-se para Worchester - sabia que ele falaria alguma coisa. É claro que falaria. Provavelmente alguma espécie de discurso para reforçar o próprio senso de autoridade, alguma forma de dizer a si mesmo que ainda estava no controle. Ele ouviu em silêncio e, no final, suspirou. “ - Realmente, obrigado. Apesar de tudo, você não tinha nenhuma obrigação de ter efetivamente ajudado. Hannah e seu filho agradecem, Dr. Worchester.” – disse.

Então foi deixado sozinho no necrotério. Ali, Faust respirou fundo, sorvendo um pouco do ar gelado e gostoso ao seu redor. Sentia-se quase em casa ali, apesar de nunca ter sequer visitado o lugar. Quase sorriu – quase, enquanto colocava a maleta sobre uma das macas vazias e, junto dela, sua bengala de caveira. Passaram-se alguns segundos, antes do médico chamar, em voz alta: “ - Oliver?” – e esperou. Ao ver que o Akasha não se manifestava, ele meneou a cabeça, num misto de surpresa com o comportamento do mago e repreensão a si mesmo por ter sido tão inocente. Aquilo sim era interessante, no fim das contas.

Gastou os próximos minutos se aclimatando no lugar: observando as ferramentas que tinha a sua disposição, as mesas, os armários, sua pequena escrivaninha. No fim, não era simplesmente uma questão de se acostumar a um novo ambiente de trabalho: Dr. West era um mago que orgulhosamente misturava tecnologia e a ciência quantificável que existia na alta magia e na alquimia, e sabia perfeitamente dizer que seria tanto uma questão de acostumar-se ao lugar quanto do lugar acostumar-se com ele. Um espaço acostumado a presença magika e desperta, como era seu laboratório no armazém de Dr. Max, precisava de menos aclimatação – um necrotério… era outros quinhentos. Mas aquilo não deveria demorar muito.

Estava interessado particularmente na atividade espiritual ali, e ia observá-la, quando os estranhos chegaram. West estava parado em frente a uma maca vazia, as mãos sobre ela, imóvel e de pé, provavelmente pensando sobre alguma coisa. Sequer pareceu surpreso ao vê-los, e limitou-se a responder e a observar informações. “ - Boa noite.” – responde ao colega ruivo, e virou o rosto para a policial. “ - Dr. Faust West. Ao seu dispor.” – acrescentou a última parte.

Até teria achado que aquilo podia ser sobre Hannah, não fosse a presença da baixinha e o fato de terem parecido surpresos ao vê-lo ali. Mas havia alguma coisa… Alguma coisa naquela garota, naquela adolescente revoltada que ele não sabia dizer se morava na rua ou se esforçava para parecer assim, que o incomodava. Não era um incômodo racional. Não, não. Era mais profundo que isso. Era instintivo. Como se o próprio corpo reconhecesse nela um perigo que ele não reconhecia e que o deixava em modo de fuga-ou-luta quase que instantâneo – ele sentia vontade, literalmente, de pegar a própria arma. Sabia que não precisava, sabia que estava em segurança, mas a vontade estava lá.

Mas seguiu observando, imóvel como um fantasma. Quando ela golpeou o armário com o taco, West precisou lutar com toda a própria razão para não levar a mão a arma – tinha uma policial ali, no fim das contas. Mas ele deu um passo para trás, sem nem perceber que o fazia. Um passo para trás no tamanho de dois passos…. E de alguma forma, no meio de tudo aquilo, ele conseguia ainda ser racional. Ser racional o suficiente para imaginar que talvez devesse se comportar como um médico. “ - Nada conclusivo ainda, eu ainda devo examiná-lo para confirm-...” – e silenciou-se, ao ser interrompido pelo grito.

Ele apertou os lábios, franzindo o cenho, e não disse mais uma palavra que o fosse enquanto ela saia , enquanto sua cabeça estava a mil. O que diabos estava acontecendo ali? Nitidamente aquele médico estava facilitando o acesso da policial – sua parente em algum nível, e nitidamente aquela garota não estava ali de forma a seguir procedimento… Mas tinha algo mais. Algo na garota que a fazia parecer mais bicho do que gente. O rosnado… era…. Não. Não podia ser. Eles não viviam nas cidades, viviam? Eles viviam no mato. Próximos a Corre-com-Lobos… Ou não?

Ele espantou esses pensamentos e, é claro, moveu-se de imediato para o corpo que eles haviam ido ver, puxando-o para fora do armário por completo e examinando-o como podia naqueles minutos.. E então, subitamente, aquelas pessoas apareceram. West disse: “ - Se não se incomodarem de esperar lá fora, eu preciso terminar os exames e preencher a papelada.” – pediu. Não chegava a ser uma mentira, é claro – só que os exames que ele havia, agora, decidido serem necessários, eram um pouco mais… profundos, por assim dizer. Alguma coisa estranha estava acontecendo ali, e ele estava, com toda razão, curioso.

Mas seu pedido foi ignorado, seu pedido para ver a documentação também e, no fim, o médico apenas concluiu sua interação com aquelas com um “ - Isto é altamente irregular.” ligeiramente frustrado. Mas não tinha tempo para pensar naquelas coisas, tinha? Não tinha.

Ele pegou suas coisas, conferiu como estava Hannah, chamou um Taxi e foi para o Armazém.

[…]

Lá, Dr. West não perdeu muito tempo: moveu-se com a objetividade estoica de uma máquina.

Primeiro, visitar Eliza e conferir se estava tudo bem. Ela era, sempre, em toda situação, a prioridade. Perguntou para Frank se os sistemas haviam funcionado bem, e conferiu a informação no histórico das máquinas.

Segundo, contar para Dr. Max, seu mentor e com quem havia se comprometido a um pacto científico de mútua cooperação, um resumo das coisas: a cura de Samuel, o destino da garota, a possibilidade que havia percebido com relação ao jovem porteiro que os observava. Quis saber mais sobre a recomendação que havia recebido pelo celular no começo da noite, e também saber se o mentor havia chegado a conseguir descobrir alguma coisa baseada na mensagem que West o havia mandado enquanto saiam do restaurante. Mas manteve tudo muito pontual e curto: explicou que tinha muito a fazer durante aquela noite ainda, e que trabalhava no turno da manhã no dia seguinte, mas que conversariam melhor assim que possível.

Terceiro, separar alguns livros que precisava e colocá-los numa bolsa – precisava estudar um pouco descrições de magos que haviam visto a Tempestade de Avatares, assim como a história de grandes feitos mágikos na busca por descrições míticas de oráculos despertando outras pessoas, e também uma consulta geral sobre o processo da morte no avatar.

Quarto, uma mensagem para seus amigos especiais em Portland: “Conheci uma Detetive Sullivan, hoje. Preciso me preocupar?” – ele não imaginava que tivesse, mas sabia que, falando aquilo, provavelmente conseguiria mais informações sobre ela e seu perfil de atividade num geral.

Quinto, uma investigação breve com relação ao sobrenome de Hannah na cidade – só queria mesmo saber se ela era de alguma família rica por ali, logo, se alguém com poder ainda estaria procurando-a. Aquilo seria importante para delimitar a forma como lidaria com a situação da jovem no hospital.

Sexto, Dr. West injetou-se com um energético bioquímico que ele mesmo havia desenvolvido – não era nada realmente perfeito, ele provavelmente teria que recuperar o sono depois, dado que não tinha nenhum conhecimento magiko de Vida, mas sabia o suficiente sobre padrões para criar versões ultra-potentes de ervas e outros materiais estimulantes.

Sétimo, ele decidiu gastar algum tempo investigando a situação da irmã de Oliver – jogou a necessidade por informações sobre ela na sua pequena teia de informações e esperou para coletá-las apenas quando já estivesse de novo no hospital, onde, munido de seu celular e do notebook, começou a cruzar os dados burocráticos que havia conseguido com notícias da cidade, imagens de câmeras, enfim, para montar um pequeno dossiê sobre a história de vida da menina, seu desaparecimento, e tecer algumas possibilidades do destino que lhe havia acometido.

@page { margin: 2cm } p { margin-bottom: 0.25cm; line-height: 120% }
Depois disso, gastou o resto de sua manhã estudando seu ambiente de trabalho, trabalhando, e estudando os livros que havia levado.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Mar 23, 2017 1:24 pm

Sistema:

1) Faust rola percepção + medicina (exame breve no corpo)
2) Faust rola Inteligência + Spies (Sétimo passo no fim do turno, primeira parte)
3) Faust rola Int + Research (Sétimo passo no fim do turno, segunda parte). 
4) Faust rola Int + Research (Estudando os livros que comentei durante o turno).
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qui Mar 23, 2017 1:24 pm

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


#1 'D10' : 5, 8, 9, 8, 9, 8, 4

--------------------------------

#2 'D10' : 3, 6, 7, 4, 5, 9, 4, 10

--------------------------------

#3 'D10' : 2, 4, 7, 2, 10, 7, 10, 5, 8

--------------------------------

#4 'D10' : 9, 1, 1, 5, 6, 5, 4, 4, 3
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Qui Mar 23, 2017 7:50 pm

Emma dirigiu em silêncio, após receber as orientações a respeito do caminho, tinha aberto a janela ao lado de Vaýu, já que o bicho não parava de encarar a garota, ela pensou em falar com ele, mas achou melhor manter-se quieta, para não causar ainda mais estranhamento na jovem no banco de trás, instruções dadas, a Cultista não teve muita dificuldade em encontrar o lugar.


Ela atentou-se um pouco na interação entre West e Oliver e achou curioso as coisas que o suposto monge dizia; os monges que tinha conhecido não tinham o costume de frequentar médicos, para ser mais exata, fora com eles com quem aprenderá a pouca medicina natural que conhecia. Oliver era um sujeito estranho, para um monge… E ela fez uma anotação mental de pesquisar a respeito dessa Irmandade, para tentar entender um pouco mais do sujeito.


Quando quem tivesse que descer desceu, Emma apenas sorriu de leve para o Doutor, sem dizer coisa alguma, muito menos sobre responder o ‘até amanhã’, não tinha a menor intenção de encontrá-lo no dia seguinte, tinha outras coisas em mente, e foi ali mesmo, onde pegou suas primeiras informações para chegar onde precisava chegar.


Quando finalmente chegou à casa, não se surpreendeu muito com a falta de luz, já tinha se preparado para a possibilidade, retirou do carro duas mochilas, Emma não era uma pessoa de mutias poses, tirando o carro e Vaýu, a maior parte de suas coisas caberia em duas mochilas. Ela entrou e trancou a porta, mas primeiro acendeu algumas velas que tinha trazido, em lugares específicos para ter um minuto de iluminação. Achava que poderia encontrar um lampião ou alguma coisa assim, mas não se prontificou a procurar.


As primeiras três horas de solidão, longe dos outros dois magos foram gastas com meditação, enquanto tentava se livrar das energias negativas que tinha contraído naquela noite, depois disso, Emma tomou um banho frio, sem se importar com o fato. Depois disso, ela caminhou pela casa, em busca de sentir a própria energia do lugar, mas determinou-se a ir até o sótão, onde procurou por qualquer coisa ligada ao orfanato, ao profeta e tudo que pudesse encontrar.


Perderia algumas horas ali, antes de realmente sentir-se cansada e ir dormir.
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 24, 2017 8:36 pm

Quando Emma acendeu a primeira vela, em cima de uma estante, a luz amarelada revelou um porta-retratos, que ostentava uma foto dela junto com Phillips. Tinham acabado de chagar aos Estados Unidos. Aquilo devia ser... Ah, era a Hoover Dam. Sim, elas visitaram aquela ponto turístico. Aquila foto devia ter uns 4, talvez 5 anos.

Ambas estavam sorrindo. Emma lembrava que um sujeito enorme, com uma barba de lenhador, tirou a foto para elas. Tempos melhores...

Vaýu estava empoleirado numa cadeira próxima (já haviam aprendido que o tamanho e as grandes garras da ave dificultavam que ele ficasse no ombro de Emma, como parecia gostar. Às vezes, pousava na cabeça dela, onde os espessos dreads a protegiam do contato das garras, mas o peso era desconfortável para Emma). Ao ver a foto, esticou o pescoço comprido, e Emma ouviu a voz do familiar em sua cabeça.

- "Ela não gostava de mim. Tinha medo. Dava pra ver nos olhos dela. Não gostou da missão de me levar até você. Não gostou também da missão de pegar um pêlo seu para me trazer a este corpo. Isso ela falou, dentro de uma caixa, uma caixa como a que o macho lutador tinha. Falou enquanto guiava uma coisa de metal como a sua. Eu estava numa gaiola, mas ouvia. Não gosto de gaiolas. Mas gostava dela. Ela era fraca, mas fazia as coisas. Acho que, porque achava que tinha que fazer. E ela gostava de você. Mas tinha medo de você também."


Após o provável diálogo com a coruja, Emma fez suas preces e meditações, tomou seu banho, e depois dirigiu-se ao sótão. Rapidamente, ficou claro que tomar o banho antes de ir pra lá foi um movimento ineficiente, pois o local era bastante empoeirado. A entrada do cômodo, no teto do corredor, era pequena demais para comportar a envergadura das asas de Vaýu, e ele se bateu todo ao voar para lá. Mas suas reclamações se interromperam quando viu uma janela circular, em uma das paredes do sótão. Era pequena, mas dava passagem para ele. "Exigiu" um poleiro ali, do lado de fora. Aquela janela poderia ser mantida aberta, e ser usada para a entrada e saída do familiar. Se o acesso ao sótão permanecesse aberto, ele poderia acessar a casa também, livremente.

O sótão da casa era pequeno. A casa em si era pequena: dois quartos (um usado por Phillips, e outro que parecia um ateliê de costura, com uma daquelas velhas máquinas de costura a pedal), uma sala pequena, uma cozinha também pequena, e um banheiro sem luxos. O sótão não cobria a área toda da casa, então, era mais reduzido ainda. Lá, havia alguns baús, e algumas velharias, como uma antena de TV desgastada. Dos quatro baús, um estava cheio de roupas de crianças. Pareciam costuradas por ela mesma, não roupas de lojas. Outro estava repletos de animais de pelúcia, aparentemente também costurados por ela. Um terceiro baú estava trancado por um cadeado enorme. Era mais pesado e reforçado que os demais, e aquele cadeado era tão grande que, mesmo com um cortador, Emma provavelmente não teria forças para arrebentá-lo.

O quarto baú tinha algumas fotos, e documentos. Parecia mais pessoal, pelo menos, ao que se poderia dizer à luz das velas (que não ajudavam muito a romper a escuridão quase absoluta do lugar). Logo na superfície, Emma viu um livreto, que se mostrou uma espécie de diário. Estava escrito com a letra miúda de Phillips. Era muito difícil lê-lo naquela escuridão, mas ao folheá-lo, foi para uma determinada página. Essa se destacou quando folheou o diário, porque logo depois dela havia uma coisa enfiada entre as páginas, uma foto. Conseguiu ler algumas linhas antes da foto cair:

- "... às vezes, é difícil não se perguntar se o Profeta não perdeu o controle das coisas. É um homem bom, sei disso em meu coração, e faz uma enorme diferença na vida dessas crianças, mas será que não está beirando o fanatismo? A obsessão? "Irmãos" - ele diz - "devemos nos focar nos irmãos". Mas já o ouvi balbuciando sozinho. Ele se pergunta se devem ser necessariamente um casal, ou se podem ser do mesmo sexo. Se precisam ser gêmeos, ou se poderiam ser de nascimentos diferentes. Se pergunta se devem ser apenas dois, ou se a família pode ter outros filhos. Ele faz estas perguntas diante da cruz, e[size=36] chora, ao aparentemente não receber resposta. E mais crianças chegam. E algumas saem... Lembro daquele garoto que foi levado pelos malditos vietkongs. A pobre Brenda chorou tanto... Foi uma sorte ter sido adotada pouco tempo depois. Aquele belo casal de cabelos cor do sol. Fico feliz que algumas das histórias daquele lugar tenham finais felizes. Aquelas crianças estariam bem pior sem o Profeta, eu sei disso, mas sei também que ele busca algo, algo que não está em meu poder saber, ou entender. Oh, Deus, me perdoe por duvidar... Tenho fé no Profeta, mas sei também que algumas histórias não tem finais felizes. Olhar aquela foto me dá arrepios, mas eu o faço de vez em quando. Preciso lembrar daquelas meninas. Lembrar do que elas se tornaram, o que elas fizeram... E lembrar que minha menina também tem um gêmeo."[/size]

E nisso, a foto que marcava a página caiu no chão. Ali, na luz das velas, após ver aquilo, talvez Emma se perguntasse se aquele diário não seria uma leitura melhor à luz do dia...

A foto:


_________________________________________________________________________________

Quando Oliver voltou do banho, haviam respostas em seu celular. Granger tinha escrevido bastante até. Aparentemente, ela não dormia cedo.

- "Vocês encontraram alguma coisa?! Essa história do Profeta é interessantíssima! Mas, não podemos falar sobre isso por SMS, né?"
- "Deve ter sido o máximo, isso de sair em campo com sua cabala pra resolver as coisas. Eu nunca fiz essas coisas, digo, ir pra ação mesmo. A Ordem vê as pessoas da minha casa como bibliotecários. Humph! Eu adoro livros, mas ficar com a cara enfiada neles o tempo todo pode te encher o saco. Como agora."
- "Quer dizer, esses caras são sua cabala, né? O médico com olhar de peixe-morto, a hippie e o revoltadinho de sobretudo? Vocês pareciam uma cabala. Nunca fiz parte de uma cabala, mas deve ser o MÁXIMO! Ter ao seu lado pessoas com visões de mundo completamente diferente das suas, que sabem fazer coisas que você não sabe. Cara, isso deve ser MUITO enriquecedor."
- "Cortéz fala que a cabala anterior dele era uma droga, que eram um bando de chatos e esquisitos, mas vive falando dos caras, e quando fala, você nota carinho e orgulho na voz dele. Eu ainda tenho vontade de viver isso um dia. Só trabalhei com gente da Ordem até hoje. E eles são ótimos, mas trabalhar com um bando de gente que pensa como você não te desafia em nada. Ah, e trabalhei com Adeptos também. Não gosto deles."
- "Quarta-feira, à noite, costumamos ir a um lugar chamado La Viciosa. É um bar de salsa que Cortéz achou, lugar legal. Quarta é o único dia em que o Sr. Von Heinekein deixa as meninas saírem. Acho que ele pensa que é mais vazio que nos finais de semana, rs. Que tal ir com a gente na próxima vez?"
- "Nós, das gerações mais jovens das Tradições, precisamos romper as barreiras que os mais velhos insistem em pôr. E como somos tão poucos na cidade, ora, parece uma boa ideia nos conhecermos todos, não é? Leve o pessoal da sua cabala também. Exceto o médico. Brincadeira, pode levar ele também. Vai ver é disso que ele está precisando."
- "Bem, você deve estar ocupado descobrindo coisas fantásticas. Estou doida pra saber o que veio à tona do caso do Profeta. Não me deixe curiosa por muito tempo."
- "Beijos. D.G."


A última mensagem datava de mais de uma hora atrás. Sinal que ela deve ter respondido rapidamente.

Na TV de tubo, passava alguma comédia envolvendo uma família negra. O relógio de mesa vagabundo acusava um horário próximo da meia noite.

_________________________________________________________________________________

O corpo do indigente, dado o veloz exame (que foi apenas o que Faust conseguiu), não revelou muito. Não havia nenhum trauma de grandes proporções visíveis, e o livor mortis indicava não haver perda massiva de sangue. Entretanto, havia sinais claros de hipotermia, pupilas amplamente dilatadas, e sialorreia (o tempo frio permitia essa verificação). Era muito difícil dizer com certeza, sem exames mais apurados, mas a morte parecia ter se dado por efeito de algum veneno. Infelizmente, muitos tipos de tóxicos poderiam causar aqueles sintomas. Foi o possível de se avaliar, antes do corpo ser retirado de sua presença.


Hannah estava deitada na cama do quarto 23, ligada a um suporte de onde pendiam soro e alimentação intravenosa, e a um medidor de batimentos. O ritmo cardíaco indicava que estava sedada. O quarto efetivamente estava em obras, com uma parede que parecia recém rebocada, e algumas fiações pendentes do teto. Agora a garota tinha um aspecto ao menos aceitável. Estava limpa, em uma camisola de hospital. Não havia um prontuário, mas certamente os exames só ficariam prontos no dia seguinte, supondo que Rockweel tivesse conseguido realizá-los. Não havia nada que West pudesse fazer ali.

Quando chegou ao armazém, Frank não estava lá, mas o Dr. Max sim. O velho obviamente lhe interpelou sobre a "missão", e não descansou até obter uma descrição razoavelmente detalhada dos eventos da noite. Uma meia hora depois que começaram, quando West ainda re-verificava os equipamentos que mantinham Elisa (tudo estava em perfeita ordem), Frank chegou. Andava e falava normalmente, mas seu hálito tinha um cheiro bem forte de álcool. A primeira coisa que fez foi reportar que o taxista se limitou a beber e comer tira-gostos no restaurante. E que apenas falou sobre trivialidades. Falou muito da filha, que, segundo a opinião de Frank, "devia ser uma gracinha". Depois de um tempo, um sujeito de sobretudo chegou, e os dois saíram. Quando o familiar deu essa descrição, Dr. Max aproveitou o gancho, e falou de Elliot.

- "A história é estranha, e, suspeito, ainda incompleta. Herméticos detestam falar de seus erros, e duvido que William seja diferente. Mas este Órfão, Elliot, aparentemente começou sua vida místika como aprendiz singular de uma mago hermético. Só que este mago era, em verdade, um Decaído infiltrado. A Ordem investigou fortemente o jovem Elliot, e não duvido que o tenham mesmo virado ao avesso, mas chegaram a conclusão que ele não havia Decaído, apesar de seu mentor. Desde então, têm estado de olho nele. Os Nephandi não costumam desistir de suas presas. Por isso, havemos de nos cuidar na presença dele. Não podemos acusar e punir um inocente, sobre pena de sermos tão baixos quanto os próprios Decaídos, mas devemos manter olhos e ouvidos abertos. Que impressões pôde ter dele, em sua pequena missão?"

Até a hora de sair, não obteve resposta dos Falcone, mas seus contatos lhe retornaram alguma coisa sobre Hannah. O sobrenome não era incomum na cidade. Descendentes de pioneiros da região ou coisa assim, mas nenhuma das famílias presentes na cidade tinha posses consideráveis. Apenas famílias americanas médias.

West tinha o necessário para seu novo dia no hospital. Seu primeiro dia de trabalho. O taxista que o levou era um sujeito gordo, com uma cara pastosa, camisa xadrex e uma boina velha.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Sab Mar 25, 2017 10:29 am

Ao ver a enorme mensagem de Granger, Oliver mal soube como começar a responder:

  "Achamos muita coisa, mas você tem razão, não dá pra falar sobre isso por SMS. Quem sabe durante um café? Ir para a ação é muito legal e perigoso, mas eu não sabia que os herméticos tinham uma casa que era considerada desse jeito. Tenho certeza de que você é capaz disso e muito mais. Quanto a fazer parte de uma cabala, pra te contar a experiência, talvez eu precisasse de algo mais forte do que um café, kkkk.
  Ei, eu não faço ideia do que é Salsa, mas estarei lá! Não sei se os outros dois vão estar no clima, mas bares têm bebida, então devem atrai-los em algum nível. Mas você tem razão, eu estou mesmo descobrindo algo fantástico nessa cidade. Alguém, na verdade Razz. Bom, vou dormir um pouco, amanhã eu tenho uma limpeza para fazer. Beijos, O.G".


  Muito satisfeito com o teor da sua mensagem, mais ainda por ela ter respondido, Oliver pulou na cama e foi dormir o sono dos justos. Nada de sonhos, só o sono pesado que segue o dever cumprido e é embalado por uma personalidade honesta.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Sab Mar 25, 2017 6:44 pm

Quando a foto se revelou, Emma a encarou por um momento, antes de pegar o porta-retratos nas mãos, observando a imagem das duas a luz de velas, tinha a atenção não apenas na imagem, mas também na memória que ela despertava daquele dia. Chegou a começar a esboçar um sorriso leve, quando ouviu voz de Vaýu e voltou, automaticamente, os olhos na direção do pássaro. Ouviu o que lhe dizia, uma das sobrancelhas arqueando-se de leve, principalmente com a parte final de suas palavras.

A loira pôs o porta-retratos no lugar.

“- Ela disse um nome?” - Perguntou Emma, porque tinha tido a primeira coisa que lhe viera à cabeça. Missão? Quem tinha dado uma missão à Phillips de levar Vaýu a Emma? E por que?

“- Você sabe? Por que ela tinha que levar você para mim?” - Questionou, pela primeira vez ao Familiar, antes, essas perguntas eram feitas a própria Phillips que lhe dava respostas vagas e corriqueiras. Mas ali, nas palavras do Familiar, tinha se tornado estranho o modo como as coisas eram empregadas.

“- Medo de mim?” - Estranhou, dessa vez voltando-se completamente para Vaýu. “- Por quê? Medo da minha família nos encontrar?” - Pois era a única coisa que podia imaginar se tratar.

Após sua conversa com Vaýu e de ter feito suas coisas, Emma voltou-se à casa, não lembrava-se exatamente de todos os lugares e qualquer coisa assim, mas tinha vagas memórias de tempos passados por ali. A poeira que Vaýu tinha erguido ao entrar no lugar daquela forma foi espantada com alguns movimentos das mãos, mas lhe desencadeou um pequeno acesso de tosse, antes que ela pudesse se focar no lugar em si.

“- É um bom lugar para você.” - Concordou a loira. “- Vamos limpá-lo e ajeitá-lo para que você possa usar. Podemos deixar a janela aberta e a entrada do sótão também, assim você fica mais livre para ir e vir.” - Comentou. Também achava que ia precisar de ajudar para fazer o poleiro para a coruja, assim como para adaptar a entrada do sótão para mantê-la aberta. Mas veria isso com Elliot, talvez ele pudesse ajudar.

Achou curioso um dos baús estar trancado, ainda mais considerando que não achava que aquela parte da casa recebesse tanta visitação, Emma chegou a pegar o cadeado nas mãos, pensativa, enquanto tentava imaginar onde poderia estar aquela chave em questão: talvez no quarto de Phillips, procuraria no dia seguinte, quando retornasse do seu encontro com Elliot.

Separou os dois com as coisas para crianças, sabia que Phillips gostaria que aquelas coisas chegassem ao seu destino final – provavelmente teria sido o orfanato – mas Emma teria que improvisar outro destino, pensaria nisso pela manhã, ao encontrar o irmão… Então foi fuçando e fuçando que encontrou o pequeno diário. Emma o abriu com um misto de curiosidade e surpresa: não imaginava que ninguém tivesse realmente não dado atenção aquelas coisas durante todo aquele tempo.

Ela estava ajoelhada, de frente para o baú no escuro, enquanto se esforçava para ler a pequena letra da mulher…

A cada linha a história ia ficando cada vez mais esquisita, o que lhe atiçava ainda mais à vontade que tivera pelo dia – de não ir ao orfanato per si –, mas ir pesquisar algumas coisas…

Então viu que Phillips lhe citava também, Emma pegou a foto que tinha caído e quando a olhou a surpresa e o susto lhe fez levantar num tropeção, batendo contra a parede atrás de si, deixando tanto o diário quanto a foto caírem no chão. Ela levantou os olhos claros muito abertos na direção do cômodo, como se buscasse alguma coisa que não estava, efetivamente, ali, seus olhos se encontraram com os amarelos de Vaýu.

“- O que aconteceu naquele lugar?” - Ela perguntou, não para o Familiar, mas para o nada, enquanto se abaixava e pegava a foto e o diário, colocando a foto lá dentro de novo, precisava mostrar aquelas coisas a Elliot, e precisava pesquisar o que queria pesquisar, agora precisava muito.

Emma demorou para dormir naquela noite, não pela foto, mas pelo que tinha sido.

Pela última linha.


E lembrar que minha menina também tem um gêmeo.
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 31, 2017 1:55 pm

A coruja pôs sua cabeça de lado, deixando os grandes olhos amarelos um em cima do outro. Aquilo, Emma já havia aprendido, era a postura que assumia quando estava curioso, ou confuso. Depois de alguns segundos, a ave "disse":

- "Talvez tenha dito nome. Não lembro. Vocês se chamam uns aos outros por barulhos, e isso é estranho. Não consigo gravar. Barulho é o que presas tentam não fazer, só isso."

- "Eu vim para ficar com você, eles disseram. Disseram que precisaria de mim. Que eu saberia onde você estava, e que não deveria me afastar. E que seu espelho apareceria, e que eu deveria estar junto. Mas eu não liguei. Estar desse lado, nesse corpo, era tudo novidade. Era bom. Eu não ligava para missão. Mas pode ser qualquer coisa. Vocês falam uns para os outros coisas que não aconteceram. Não consigo entender. Se falam coisas que não aconteceram, como vão passar adiante o que sabem?"

- "Ela nunca te disse que tinha medo? Porque ela esconderia? Você é boa. Você gostava dela. Mas eu acho que ela sentia medo de rato. Mesmo se eu estiver com barriga cheia, rato sente medo de mim. Porque sou maior, e caço ratos. Ela era rato. Como quase todos vocês são. Você não é rato. Alguns daqueles que viviam com você lá longe também não são. Seu espelho não é. Aquele alto com olhos engraçados não é. Aquele que luta também não é. Vocês são mais que ratos. Ratos sentem medo do que caça eles, mesmo que o que caça eles não esteja com fome na hora."

Endireitou a cabeça, e usou o bico para coçar as costas. Parecia ter perdido interesse no assunto, mas "disse" ainda mais uma coisa.

- "Mas pode ser qualquer coisa. Vocês falam uns para os outros coisas que não aconteceram. Vocês são estranhos."
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