A Placid Island of Ignorance.

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A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 6:19 pm

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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 6:27 pm

Dr. Max escreveu:
Ali, naquele espaço confinado, fortes luzes pendiam do teto, e iluminavam uma longa sequencia de quadros-negros (daqueles no estilo de faculdades de exatas, que podem ser puxados para cima e para baixo), todos coalhados com uma infinidade de equações, gráficos e diagramas. Mas não era frente a estes que o velho se encontrava, mas sim diante de um grande quadro de cortiça. Quando West se aproximou, notou que o quadro era tomado por uma grande mapa do Maine e arredores. Havia também uma infinidade de tachinhas, marcando pontos, e barbantes coloridos ligando várias dessas tachinhas. Algumas delas pregavam no mapa papéis com números simples. Nas partes laterais do grande quadro, fora do mapa, haviam dezenas de recortes de jornais, páginas da WWW impressas, e alguns papéis manuscritos. Estes papéis tinham números, que pareciam corresponder aos números no mapa. Havia pelo menos 50. Eram notícias, panfletos, relatos, e alguns blogs. Todos eles pareciam girar em torno de um mesmo assunto. Um assunto estranho. West passava os olhos por algumas delas, quando Max começou a falar.

- Eu fiz um filtro prévio. Algumas notícias eram, de fato, ridículas. Estas ocorrências são as que passaram por este filtro prévio. A mais antiga data de 1912, e a mais recente é de 11 meses atrás. Ainda que 90% delas sejam mentiras ou erros de observação, os 10% restantes ainda seriam estatisticamente relevantes. Mas o que me leva a ter maior crença na veracidade de pelo menos uma parte significativa destes relatos, é que foi feito esforço sistemático, ainda que sutil, para ocultá-las. Algumas delas foram tiradas do ar ou sumiram das redações dos jornais, e só as consegui graças a alguns contatos nos Adeptos da Virtualidade. Outras, principalmente as de internet, foram alvo de campanhas de ridicularização. Acho que chamam isso de "trollagem", hoje em dia. Geralmente por usuários que não postam muita coisa, exceto essa ridicularização, e saídos de IPs anônimos e irrastreáveis. Quem fez esta análise não fui eu, mas meus amigos Adeptos, mas tudo indica o modus operandi da Nova Ordem Mundial, ou, pelo menos, de algum outro grupo organizado, que ativamente quer que essas notícias não se espalhem. A maioria delas se concentra no norte do estado, notadamente num raio de 200 km de uma cidadezinha chamada Ludlow. Eu pensei em me instalar lá, mas Portland oferecia uma estrutura melhor, e a distância até lá é curta. Além disso, aqui fica mais fácil de ocultar este interesse específico. Se estão apagando notícias, pode ser que queiram apagar curiosos também.
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 6:34 pm

Magos da cidade; escreveu:
Aqui havia, veja você, um Conselho local com magos sêniores de todas as Tradições, algo de que poucas cidades podem se gabar. O Eterita que sentava neste Conselho se chama Carlos Javier. O conhecia de uma ou outra palestra. Suas pesquisas se centravam em deformação espaço temporal. Você sabe: velocidade de dobra, buracos de minhoca, entrelaçamento quântico, essas coisas. Enfim, daquela Noite, sobraram na cidade apenas três magos: um casal formado por um Cultista e uma Verbena, e uma Oradora. Não sei dizer como eles fizeram para escapar do massacre, mas o fizeram, e agora, forçosamente, estão representando suas Tradições. A Noite do Desespero criou um vácuo, claro, que está sendo preenchido agora. Não era bem o meu plano, mas quando manifestei aos colegas de Tradição minha intenção de me estabelecer em Portland, eles logo vieram com o papo de "representar a Tradição", o que seria muito deselegante recusar. Pelo menos, a politicagem aqui ainda está num nível bem baixo, e espero que assim continue. E trás algumas vantagens. Os magos novos, por exemplo, vêm te dar um "oi" quando aparecem, e costumam te ouvir. É bom para coletar informações.

___________


"Willian, o hermético, até parece ter uma disposição limitada para o empreendimento. Creio que vê uma cabala de magos experientes como uma maneira eficiente, ainda que desagradável, de endereçar as demandas e problemas da comunidade mágika local, um objetivo que ele parece ter abraçado muito fortemente. Entretanto, creio que sua arrogância de hermético fala bem alto. Você sabe, mais do que todas as outras Tradições, a Ordem de Hermes acredita piamente que suas Artes são as "corretas", e que todos os demais são apenas bufões que não sabem direito o que estão fazendo. Além disso, por rumores que levantei, ele era um escolástico até pouco tempo atrás, sem nunca ter efetivamente participado de uma cabala que se dedicasse a algo mais que estudos. O que me faz pensar que ele nunca deve ter se associado a outros magos que não herméticos. Creio que ele simplesmente não sabe como agir."

"O casal formado pelo Cultista e pela Verbena, Ralf e Jeanette, parecem ter razões emocionais mais fortes para sua resistência. Creio que há um pouco de trauma e desconfiança: os dois são sobreviventes da Noite do Desespero. Porém, mais do que isso, me parece que, antes da tragédia, eles viviam afastados dos assuntos mágikos e da Guerra da Ascenssão como um todo. A moça é nativa de Nova Orleans, está bem longe de suas raízes aqui. Se fugindo de algo, não sei. O homem é oriundo de uma comunidade hippie de cultistas, não muito longe daqui. Eles viviam como um casal de Adormecidos, e pareciam gostar desta paz e afastamento. Bem, as circunstâncias agora não lhes permitem mais tal vida calma. Não me supreenderia se suas respectivas Tradições estiverem pressionando para que eles tomem um papel mais ativo na comunidade mágika local, mesmo que não queiram. Aceitar fazer parte de uma cabala talvez fosse a confirmação dessa nova vida que eles estão sendo pressionados a abraçar, e isso explicaria tal resistência."


- "Dança-com-Lobos, a Oradora dos Sonhos e amiga dos lobisomens, parece não gostar de que haja uma comunidade mágika na cidade, hehehe. Não posso dizer que compreenda as nuances culturais dos metamorfos, mas pelo que pude "pescar", seus amigos peludos vêem com desconfiança o fato de ela ser Desperta. Parecem ver com desconfiança os Despertos de uma forma geral. Assim sendo, ela adoraria nos ver todos fora da "sua" região. Mas como sabe que não vamos desaparecer no vento, melhor que possa nos olhar de perto e evitar que façamos algo que prejudique seu povo. Apesar de a ideia fazer todo o sentido, e isso, digo, ela me disse pessoalmente, "não é uma ideia boa, nem agradável". Ela disse que consultaria seu totem a respeito, ou coisa assim, mas me parece que estamos basicamente diante de um caso de birra e teimosia. "Não quero andar com homens brancos malvados que mataram meus ancestrais e que meus outros amigos não gostam". Pobre moça. Entenda, não desdenho dela. Sei como estas culturas mais primitivas podem ser demandantes em suas restrições e nas atitudes necessárias à aceitação social, e ela parece fazer parte de duas culturas primitivas: a dos nativos americanos, e a dos lobisomens. Estar dividido entre dois mundos nunca é algo bom. É válido lembrar que ela também é uma sobrevivente da Noite do Desespero, então, aquela tragédia pode ter deixado algumas cicatrizes emocionais."
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 6:39 pm

Frank, sobre Eliza escreveu:
"Ela não está morta nem viva, não é mesmo? Ela não se separou".

_____

"E eu não tenho certeza se vou conseguir me explicar, doutor. O que vocês usam para se comunicar, as palavras, são ruins. Limitadas. Mas vamos tentar" - nisso, o andróide colocou a mão no queixo, assumindo uma postura bastante humana - "vocês não são... inteiros. Outras coisas simplesmente são. Vocês, são em parte, e podem mudar essas partes. Vocês não são, vocês estão. Há um momento em que as coisas são vocês, e em dado momento, não são mais vocês".

"Ela" - disse, apontando para Elisa - "ou melhor, essa coisa em volta dela. Essa coisa é máquina. Se for ferida, a depender de quanto foi ferida, ainda é máquina. Mas se for muito ferida, não é mais máquina. É metal, e vidro, e eletricidade, tudo amontoado, mas não é mais máquina. Com ela, e com você, e com todos os outros, é a mesma coisa. Você é você. Se te cortarem a cabeça, continua sendo você. Até que chega uma hora que não é mais você. É só carne apodrecendo, ou ossos, ou pó. E o mais estranho é que com vocês, o quando isso acontece varia! outro dia na TV, apareceu um sujeito vendendo um fragmento de osso de um cara que morreu há séculos. Aquilo não era osso, era o cara. Ela... ela agora, agora, é carne, pele e ossos. Sem movimento, sem vida, sem... como vocês chamam? Personalidade. Não deveria ser ela, mas ainda é... É isso que é difícil de explicar... Pra onde vocês vão, quando saem desse mundo. Nós não vamos lá. Coisas ruins vem de lá. Mas alguns percebem as... as... energias, acho... as ligações, talvez... é isso que faz ela ainda ser ela. Alguma coisa faz ela ainda ser ela, e não só carne e pele. Só não sei se isso devia ser assim, ou não".
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 6:43 pm

VÍTIMAS, noite do desespero escreveu:
- "Will, tu tem aí o número de mortos da noite, não tem?
- "106. Metade disso foram de magos, e acólitos, aprendizes, funcionários de capelas, e quaiquer outras pessoas que possam ser ligadas a comunidade mística. Os demais foram vítimas Adormecidas."
- "Mas eles pegaram uns Órfãos também, né?'
- "Hããããã, sim..." - respondeu Willian, parecendo agora um pouco incerto com o Cultista - "Poucos, é verdade, mas sim, alguns Órfãos contavam entre as baixas. Havia inclusive um trio de Vazios, de passagem pela cidade, que também perderam suas vidas, se bem me lembro. Mas aonde quer chegar, Ralf?
- "Mais de 50 Adormecidos, bicho. Isso é "dano colateral" pra caceta. Eles não escolheram seus alvos com muito cuidado, né? Não parecem ter é planejado porra nenhuma. Na boa, pra mim esses caras nem mesmo sabiam do que tavam atrás. Acho que eles encontraram algum motivo muito forte pra eliminar "algo", mas não sabiam exatamente o quê. Talvez nem soubessem se era um mago ou não. Então, saíram atirando pra tudo quanto é lado. Literalmente..."
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 6:47 pm

William Von Heineken escreveu:
- "A coisa se tornou ainda mais estranha, quando fui consultar alguns registros deixados pelos ocupantes anteriores da capela hermética da cidade. Ela se localizava em outro prédio, e os membros todos morreram naquela noite, mas vários itens e registros estavam encaixotados no nosso porão. Pois bem, fui pesquisar qualquer registro que eles tivessem sobre Mortos Inquietos, que, a uma primeira vista, parece ser o que o Profeta se tornou. A coisa estranha com a qual me deparei foi a codificação destes registros. Vejam, qualquer registro feito pela Ordem segue uma codificação padrão, que pode ser decifrada por outro hermético com alguma graduação. Estes registros, entretanto, tinham uma codificação diferente, que desafiou minhas tentativas de decifrá-lo."
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 6:55 pm

OLIVER - Visão no Beco escreveu:
A noite estava nublada, e chovia um pouco. Uma chuva leve, porém de aspecto oleoso. Ele estava sentado naquele beco imundo, e notou duas coisas, de imediato: um clarão amarelado, provavelmente um incêndio próximo, refletindo no céu, e a noite inundada pelos sons de sirenes, e gritos, e motores, e disparos. Havia também uma sensação indefinida. Uma espécie de vibração, como uma tênue correnteza de resistência. Muito tênue para que fosse uma preocupação agora.

Um feixe de luz surgiu, repentinamente, dentro do beco. Parecia um rasgo na própria Realidade, e sob certos aspectos, lembrava o Portal de Hermes que ele mesmo usara naquele dia. Aquele rasgo parecia a boca de um túnel, e por este túnel, vinha uma figura. Ou melhor, duas. Uma delas era um homem idoso, magro, combalido, mas com olhos cheios de vida e esperança. Seu peito estava crivado de furos, mas havia vida em seus olhos. O outro que vinha pelo túnel, carregava o idoso, segurando-o por debaixo dos braços. Mas não era uma pessoa. Poderia ser descrito como uma forma enevoada, vagamente humanóide, que brilhava com uma luz fosca.

E tinha asas. Enormes asas enevoadas brotando das costas.

Mas a visão disso tudo foi muito breve. Um som vibratório intenso foi ouvido. O ser enevoado foi como que sugado para o outro extremo do túnel, aparentando ser destroçado no processo. E o idoso caiu no chão imundo do beco, tossindo e gemendo, bem ao lado de Oliver. O impacto pareceu ter aberto seus ferimentos, e o sangue começou a empoçar no chão.

O idoso, que correspondia à foto que Oliver tinha visto do Profeta Sammuel, tinha agora um olhar que era um misto de alarme e dor. Com esforço, ele se sentou, e recostou-se na caçamba. Respirava rápida e dolorosamente. Um som de motor se fez ouvir, e foi se tornando mais forte. Sammuel ergueu os olhos para a entrada do beco, engoliu um pouco de sangue, ergueu sua mão com dificuldade para os céus, e proferiu palavras trôpegas:

"Fazei sair o povo que tem olhos, mas não consegue enxergar; e os que têm ouvidos, mas perderam a capacidade de escutar"

Ato contínuo, um veículo passou pela entrada do beco. Um poderoso holofote iluminou o fétido local, e fez Oliver piscar pálpebras que não tinha. Dois segundos depois, o veículo retomou sua marcha. O velho arriscou um breve sorriso, seguido de mais palavras trôpegas:

"Eu te imploro, meu Pai, guia-me mansamente à águas tranquilas, para que possa cuidar de teu rebanho nesta hora de tribulação"

E fechou seus olhos. Parecia sereno agora. O ar a frente de Oliver pareceu tremeluzir, e de novas fendas no tecido da Trama, tênues raios de luz começaram a brotar. Um novo portal parecia prestes a se abrir. Mas, tão subitamente quando começou, o canal de desfez. Ato contínuo, o velho gritou, de uma forma como mesmo os múltiplos ferimentos não o haviam ainda feito gritar, e cuspiu sangue a uma grande distância. Seus olhos, alarmados, se voltaram para a porta metálica. Ali, por aquela pequena vigia, um par de olhos o observava. Olhos ladeados por uma tez negra. Olhos arregalados no mais profundo e desvairado espanto.

"Vá embora, em nome de Jesus. Eu te imploro" - murmurou o religioso, limpando o sangue da boca. Seus olhos, pela primeira vez, vacilaram na esperança.

Mas o par de olhos na porta lá continuou.

O velho encostou a cabeça na caçamba, fechou os olhos, e suspirou. Olhou novamente para a porta, mas o par de olhos ainda estava lá. E a vibração, a resistência que Oliver sentia, se intensificou.

"Seja feita a Vossa vontade, Meu Pai" - e suspirou novamente, fechando os olhos. Um segundo depois, os reabriu. Olhos agora transbordantes de determinação - "Mas se meu tempo de serviço chegou ao fim, a missão deve ser carregada por outros. Dai-me estas últimas forças, Senhor Jesus, pois És minha fortaleza, meu sustentáculo, meu libertador, e tudo posso, naquele que me fortalece!".

Olhou ao redor do beco, e Oliver sentiu aquele intenso olhar, como que perfurando seu Eu astral. Aqueles olhos pareciam estar vendo muitas e muitas realidades, muito além das paredes sujas e lixo espalhado do beco. E o velho sorriu.

Sua mão trêmula foi a um bolso interno do paletó, e de lá retirou um antiquado relógio de bolso, que segurou suavemente entre as mãos ensanguentadas. E ele começou a murmurar.

- "Sim, eu virei em teu auxílio, Maria, se me permitir o Pai. E também te darei o alívio que me for possível, pobre criança perdida. E lhes darei as palavras de esperança e conforto que o Espírito Santo puser em meus lábios, meus filhos e filhas. Eu os ouço, mesmo agora, na hora de minha passagem. Mas antes, devo executar um último dever, o mais importante de todos. Aquilo que está oculto, deve ser revelado." - nisso, seus olhos se voltarem para a porta, e a voz aumentou um pouco de intensidade. Provavelmente toda a intensidade que o moribundo era capaz - "abre teus olhos e enxerga, criança. Estes mesmos olhos que me condenaram. Mas não guardo rancor de ti, meu filho, e o Pai te perdoará, pois não sabe o que fazes. Mas observa a Glória de Deus agora. E este será meu presente para você" - voltando novamente seus olhos para o beco vazio, ele então disse - "e esta é minha mensagem para você, jovem, e para os teus. Ouçam todos os que têm ouvidos".

As mãos do homem, fechadas sobre o relógio de bolso, pareceram se acender em um glorioso fogo prateado, enquanto ele murmurava:

- "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte"
- "Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós."
- "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar"
- "Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo"
- "E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havemos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça"
- "A ele seja a Glória e o Poder, para todo o sempre. Amém"


E a vibração, a resistência que Oliver sentia, aumentou. Era palpável agora, e queria fechar seus olhos a tudo aquilo que ele via.

As mãos sem forças do Profeta se abriram, e o relógio de pulso rolou delas, indo bater contra uma parede do beco. Novas feridas haviam se aberto no homem, em seu rosto e corpo, e o sangue vertia por elas. Alguma força havia golpeado sem piedade o idoso, rasgando-o de dentro para fora. Era impossível que ele continuasse vivo por muito mais tempo.

Seu corpo foi deslizando, da caçamba para o chão, e antes que a resistência se tornasse insuportável para o jovem Akasha, ele ouviu um último murmúrio: "estou indo, meus filhos. Que o Pai me conceda o Tempo para auxiliá-los a todos. Ainda que eu andasse pelo Vale da Sombra da Morte..."
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 7:00 pm

APARIÇÃO DO PROFETA escreveu:
o Profeta Sammuel estava entre eles. A figura do pastor estava de pé, a uns dois metros de West. Ostentava aquela mesma coleção de tiros no tórax que Oliver havia visto em sua visão, mas sua expressão era serena. Era impossível que alguém com tantos ferimentos estivesse de pé, mas ele estava. Apesar da expressão serena, uma lágrima escorria pela face do corista.

"Eu gostaria de falar... mas há tanta dor... tanta dor... não consigo me concentrar... Que Deus dê forças a vocês, jovens, para tornar este mundo um lugar melhor..." - enquanto falava, andava em direção a Oliver, calmamente, mas sem ter o olhar fixo em qualquer um deles - "tanta dor, tanto sofrimento, tão pouca esperança... as forças que o Pai ainda me concede são poucas, mas te darei o alívio que me for possível, pobre criança perdida."

E nisto, o Profeta colocou sua mão sobre a testa da garota, ainda no colo de Oliver. A moça ainda tinha aquele mesmo olhar perdido, mas quando Sammuel retirou sua mão, os olhos dela se focaram, e sua expressão apática foi substituída por uma de surpresa, e depois, de medo. A garota olhou em volta, olhou para Oliver, olhou para a própria barriga, e então se encolheu em posição fetal nos braços do Akasha, e se pôs a chorar alto, o rosto coberto pelas mãos sujas.

Um novo ferimento pareceu ter se aberto no rosto do pastor, e sangrava. Ele parecia cansado, muito cansado. Suas próximas palavras foram mais fracas que as anteriores.

"Ele está vindo. O velho bastardo insistente... nunca consigo me manter oculto dele por muito tempo." - dizia isso com um leve sorriso fatigado no rosto. e então, pela primeira vez, ele pareceu realmente olhar para Oliver - "ainda devo lhes falar, jovens, mas não posso permanecer mais. Tenho que sair antes que ele chegue. Vocês me encontrarão novamente. Agora... agora... Maria precisa de mim. Não é a hora dela ainda. Não se eu puder evitar..."

E então, o corista simplesmente desapareceu.
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 7:09 pm

Espiões - Brenda escreveu:
- "Conseguiu algo nos registros da cidade?"
- "Nada. Parece que o orfanato se valia de uma lei estadual de século XVIII, que diz que instituições filantrópicas religiosas não precisam manter registros nos arquivos públicos. Provavelmente essa merda saiu de um lobby, e servia pras igrejas lavarem dinheiro à vontade. Puro bullshit, mas os pocuradores do condado engoliram, e eles não tinham quase nada nos sistemas da prefeitura. Só havia uma referência de que eles tinham que ter registros de qualquer forma, mas poderiam guardá-los onde quisessem.
- "Não achei nada pelo nome também. E olha que procurei até por escritas corrompidas de Brenda, como Breenda ou Brendha. Ás vezes erram nas digitações, entende? Mas nada. E adoções legais, ao contrário dos registros de funcionamento, tem que ir pra bases de dados federais. Mas nada no nome dela. Nem em registros civis de casamento. Nada."
- "Ela pode ter saído do país, não pode?"
- "Poderia ser o caso, mas isso então estaria no departamento de Imigração e Emigração. Na boa, não tenho ninguém a recorrer lá. E tu, conhece alguém?"
- "Tá doido? EU sou ilegal aqui! Vê se vou mexer com esses caras?!"
- "Ah é, hehehehe. De toda forma, acho que não iríamos achar nada lá também"
- "Essa garota não pode ter sumido"
- "Poder, pode. Gente some todos os dias. Mas meu instinto diz que não é isso."
- "E o que é, então, caralho?!"
- "Esbarrei em muitas pontas soltas, mas todas muito limpas. Sem rastros. Os dados dessa garota foram intencionalmente encobertos. E não foi serviço de amador não. No mundo atual, com toda a informática, tentar encobrir rastros é que nem aqueles gatos que se escondem atrás da cortina: sempre tem uma ponta do rabo de fora. Mas aqui, não sabemos nem em qual das cortinas temos que procurar o gato. Sem outras pistas, seria catar uma agulha num palheiro."
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 7:11 pm

Para Pesquisas: escreveu:
4 fontes plausíveis de busca: O Museu Internacional de Criptozoologia, a Sociedade Histórica do Maine, a Casa de Repouso Schuman, e a Odd Thomas Old Books.

As duas primeiras eram atrações conhecidas da cidade, mas certamente tinham sua cota de documentos e livros antigos e obscuros. A primeira tinha, inclusive, fama de ter um curador bastante excêntrico. A Casa de Repouso, em si, não seria um grande atrativo, mas ela abrigava alguns veteranos que poderiam ter visto muita coisa e ouvido muita coisa. Alguns dos idosos que habitavam aquele local eram citados em tablóides locais como vítimas de abdução, como vindos de famílias de bruxos do século XVIII, coisas assim. A última referência parecia a coisa mais próxima de um sebo de coisas sobre ocultismo e misticismo naquela cidadezinha quase caipira.
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 7:15 pm

HollowNet - Giovanni escreveu:
StormBiceps: "Metade da Itália se chama Giovanni, kkkkkk"
SorrowDragon66: "Mas teve uma parada de bruxaria com uns caras desses sim. Vi isso num livro outro dia. Coisa antiga, Idade Média ou alguma porra dessas"
StormBiceps: "Hei, não era na Itália que tinha aquela mulher que se banhava em sangue? Borgia alguma coisa?"
SorrowDragon66: "Puta merda, tu tá misturando tudo! Nada a ver! Mas depois eu cato esse livro e posto aqui. Tenho certeza que tá numa pilha qualquer aqui no trampo"
NihilistPanda: "Cara, eu tenho quase certeza que tem uma galera de máfia com esse nome. Morei 5 anos em Florença, e nas quebrada que eu me metia, volta e meia o povo falava desses Giovanni. E era umas quebrada bem barra-pesada. Tô falando de tráfico de armas, de drogas, assassinato de gente importante, extorsão pesada, essas coisas."
HueHueBR171: "Eu tenho um vizinho chamado Giovanni. Ele é o maior vacilão. Será que tá metido nessa porra?"
StormBiceps: "Cara, se tu parar pra pensar, uma família de mafiosos mechendo com bruxaria era uma ótima. Digo, uma ótima pra eles. Tipo, nessas guerras de máfia, eles teriam uma parada a mais, não?"
NihilistPanda: "Sabe, o povo sempre falava com temor e respeito das famílias cabeças, os De Stefano, Condello, etc. Mas, tipo, era parte da vida. Nas quebradas da Itália, máfia é parte da paisagem, parte dos negócios. Mas quando nego falava dos Giovanni, todo mundo baixava a voz. Os outros eram temidos, os Giovanni, nego tinha PAVOR deles. Ouvi muita história, a maior parte claramente invenção, mas de vez em quando, me ponho pra pensar se não tinha um fundo de verdade. Tipo, tinha um cara que eu confiava, irmão mesmo. Uma vez ele me disse que tava de tocaia numa negociação entre duas facções, na Segunda Guerra 'Ndràngheta. Tava de sniper, pra dar apoio se desse merda. Ele disse que chegaram esses Giovanni. Foi nessa guerra que os Giovanni simplesmente eliminaram as famílias Imerti, Tegano e Rosmini. Enfim, os caras chegaram, já soltando fogo. Esse cara me disse que teve um Giovanni do grupo que ele meteu 3 balas, e o cara não caiu. E ele disse que viu esse sujeito simplesmente virar um carro, sozinho. Sei lá, parece papo de bêbado, mas o cara era meu brother mesmo, não teria porque mentir pra mim. Ele sempre me dizia pra ficar longe desses caras. Mas, ele morreu, então não dá pra ver mais detalhes. Morreu como tudo o mais vai morrer."
- TinkerBalls19: "Eita! Poderia ser um homúnculo? Ou um zumbi? O SorrowDragon66 não colocou nada ainda, mas se tem necro no meio, poderia ser uma parada dessas. Ia explicar muita coisa."
HueHueBR171: "Ou podia ser um robô. Robôs são show!"
TheSolipsist: "Gente, colete a prova de balas. E granadas viram carros. Porra, teu parça viu a porra toda acontecer pelo scope de um rifle. Não é um puta campo de visão. E ele devia tá boladaço na hora."
SorrowDragon66: "Achei a parada. Lá por 1400, em Veneza, a Igreja enquadrou uma determinada família de comerciantes por bruxaria, vampirismo, necromancia, e pactos com o Diabo. O nome dessa família era Giovanni. Claro, a Igreja sempre gostou de acusar gente de bruxaria, mas, caras, eu já estudei umas duas dúzias de casos de Inquisição como estes, e esse aqui tem um diferencial: é o caso mais bem montado que eu tenho notícia. Há dezenas de documentos da pr[opria Igreja: testemunhos, manifestos de navios, descrição de vítimas e rituais praticados, até a confissão juramentada de alguns membros da família. E é um dos poucos casos em que a igreja acusou uma família inteira. Em geral, acusava-se um cara, ou talvez um núcleo familiar pequeno, mas essa acusação era contra TODA a família, pelo menos umas 50 cabeças. E outro detalhe, os caras eram ricos. Tudo muito estranho. Na boa, o caso todo foi muito bem feito, bem feito demais. Parece que os caras sumiram de Veneza por um tempo, e depois, a coisa foi abafada."
StormBiceps: "levaram alguém pra fogueira?"
SorrowDragon66: "Não. Esses dois que assinaram confissão, um sumiu da cela, e o outro foi achado enforcado. O túmulo dele foi desecrado depois, sumiram com o corpo"
- TinkerBalls19: "Gente, consultei um parça aqui agora, e ele me disse que esse nome, Giovanni, ainda aparece na cena do mundo escondido de vez em quando. Aí tem coisa. Cuidado onde metem o nariz. Tô saindo fora."
HueHueBR171: "Cadê teus "balls" agora, TinkerBalls? kkkkkkk".

StormBiceps: "Sinistro... Bem, podem ser um monte de coisas separadas. Esse sobrenome. Giovanni, é bem comum."
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 7:15 pm

Visão Oliver - Orfanato escreveu:
o prédio estava inteiro. Do ponto onde estava, via com clareza a porta do suposto escritório do Profeta, o longo corredor por onde ele e Faust haviam chegado aquele ponto (ou melhor, o corredor por onde ele e Faust chegariam, dali a seis meses), e várias portas fechadas. As persianas do escritório estavam abaixadas, mas era possível notar que era noite. Aliás, as luzes do local estavam apagadas, exceto algumas num ponto mais distante do corredor, às suas costas (não que conceitos como "frente" e "costas" fizessem algum sentido naquela situação). E, entretanto, mesmo com as luzes apagadas, ele podia ver suas senhoras na penumbra.

Uma delas permanecia na porta do escritório, olhando nervosamente para o corredor, em seguida para dentro do escritório, e depois novamente para o corredor. Oliver se lembrava vagamente dela: uma das ajudantes do orfanato, uma carola chamada Bertha ou Martha. A segunda senhora ele não pode identificar, pois estava dentro do escritório, no escuro, de costas para ele, à beira de uma grande mesa de escritório. Parecia ter uma pequena lanterna, daquelas que parecem canetas, em sua mão direita, enquanto, a esqueda folheava velozmente o que parecia ser um pequeno e grosso livro ou caderno. Como ela bloqueava a visão de Oliver com um imenso quadril, era difícil dizer com exatidão. Ambas pareciam estar com muita pressa. A que estava na porta sussurrou:

- "Rápido, Gertrude! Não sabemos quanto tempo o Profeta vai levar!"
- "Coloquei uma coisinha no café dele, ele vai levar ainda um tempo lá!"
- Não deveríamos estar aqui! É um pecado mexer no diário do Profeta!"
- "Estamos fazendo isso para ajudá-lo, não se esqueça! Sammuel esteve visivelmente preocupado e distante nos últimos meses. Ele sabe de algo, está preocupado, mas não vai dividir conosco. Aquele homem carrega o mundo nas costas, mas não precisa ser assim! Nós podemos fazer algo para aliviar seu fardo, mas precisamos saber do que se trata! E seja lá o que for, vai estar no diário dele. Até Jesus tinha apóstolos, o Profeta não precisa fazer tudo sozinho. Ele só não sabe disso ainda."

Nesse momento, Oliver ouviu um som vindo de um ponto no corredor atrás dele. O som da descarga de um vaso sanitário. Pouco depois, uma porta se abriu, e dela saiu o Profeta Sammuel, com a testa um pouco suada e uma certa expressão de alívio no rosto. Isso fez com que Bertha ou Martha entrasse num estado de quase pânico, sussurrando o mais alto que podia.

- "Ele saiu do banheiro! Rápido, rápido!"

Efetivamente, Gertrude apagou a pequena lanterna, e fechou o livro ou caderno que folheava. Mas algo tomou sua atenção naquele momento, enquanto sua mão ainda repousava sobre o pequeno objeto. Um som se fez ouvir do lado de fora do prédio, uma espécie de zumbido. Um desses zumbidos de maquinário, como um ar-condicionado ou geladeira faz, mas era um pouco alto. E estava vindo de fora, mas não do nível da rua, e sim do nível da janela mesmo. Só que eles estavam no segundo andar. Sem estar limitado a olhos que só enxergam em uma direção, Oliver notou que o Profeta, no corredor, também ouviu o som, conforme a expressão inquisitiva em seu rosto denunciava.

Um clarão adentrou a sala, filtrados pelas persianas, partido em vários feixes de luz longos e estreitos, como várias lâminas de luz. Um clarão que se movia, fazendo as lâminas de luz deslizarem pela parede. Era o mesmo efeito que vemos quando a luz dos faróis de um carro em movimento passa pelas persianas de nosso quarto. Só que aquilo não poderia ser um carro. Eles estavam no segundo andar, e pelo ângulo de entrada da luz, aquele carro precisaria estar do lado de fora da janela, a não mais do que dez metros dela.

Só que carros não voam, certo?

O Profeta, nesse momento, trocou sua expressão inquisitiva por uma de surpresa, e em seguida, de horror. A luz jorrada certamente lhe fez ver as duas mulheres, mas se suas emoções foram desencadeadas apenas por esta visão, apenas ele poderia dizer. Seja lá o que for, o homem começou a correr na direção do escritório, e para sua idade, era um corredor bastante rápido. Gertrude e Bertha (ou Martha) pareciam hipnotizadas pela luz.

Oliver ouviu um segundo zunido, num timbre ligeiramente diferente do anterior, mas vindo da mesma direção. Neste exato momento, o Profeta passou "por dentro" dele, e se deteve, voltando-se e olhando diretamente para Oliver, com uma expressão espantada. Provavelmente, foi isso que lhe salvou a vida.

Uma explosão de grandes proporções tomou o escritório. O estrondo ensurdescedor, o clarão, e a onda de calor quase fizeram Oliver esquecer que não poderia ser ferido em seu estado astral. O Profeta e as duas mulheres não tiveram tanta sorte. Martha ou Bertha foi lançada para o lado, e sumiu na escuridão do corredor que prosseguia. Já Gertrude foi lançada para trás, pela porta aberta, atingindo o Profeta e, com auxílio da onda de choque, o lançando contra a parede. A mulher estava basicamente no epicentro da explosão, e quando atingiu o corpo do mago, não era mais do que um cadáver enegrecido. Mas o pequeno caderno ainda estava em sua mão morta.

Prensado contra a parede, tendo sofrido o impacto de um corpo, a onda de choque e de calor de uma explosão, seria de se esperar que o Profeta também estivesse morto, mas parecia apenas atordoado. No tempo que levou para voltar a si, a atividade prosseguia do lado de fora.

Agora que o escritório, e a parede externa do edifício não existiam mais, Oliver pôde ver algo flutuando do lado de fora. Bem, ao menos, parecia ser algo flutuando, mas era difícil de ver, pois quatro fortes faróis estavam apontados para onde ele estava. O pouco que poderia ser visto sobre a forte iluminação é que a coisa parecia ter o tamanho de um carro. Os ouvidos que não tinha lhe disseram mais do que os olhos: ele ouviu um som vibratório que aumentava de frequencia muito rapidamente. Já tinha ouvido som similar, em sua juventude. Em filmes. Aquilo parecia um canhão rotatório, daqueles montados em aeronaves. O Profeta também pareceu ter notado algo. Pois sua expressão de atordoamento mudou para uma de alerta. Sua mão, a única livre (a outra estava presa debaixo do corpo de Gertrude), começou a se mover.

No segundo seguinte, fogo surgiu do "veículo voador". o fogo de disparo de centenas de tiros por minuto. Mas eles não atingiram seu alvo. Oliver viu a mão do Profeta descrever um arco, e os projéteis pararem sua trajetória em pleno ar. Dezenas, talvez centenas deles, parados como moscas-varejeiras, a não mais do que dois metros de Sammuel.

O adversário respondeu de maneira rápida. Houve um som pneumático, e uma pequena esfera caiu próxima ao Corista. Era metálica, não muito maior que uma bola de bilhar, e tinha seis pequenos pontos luminosos em sua superfície, distribuídos como os vértices de um cubo. Estes pontinhos piscavam intermitentemente, e a visão de Oliver se distorceu ao olhar para o objeto, como as imagens distantes se distorcem em um dia quente. Mais do que isso, aquela pequena coisa parecia estar perturbando seu equilíbrio mental. Ele sentia, inclusive, o risco de perder seu foco, e ser enviado de volta para o futuro. O Profeta, por sua vez, não pareceu ter se dado conta da esfera, inicialmente. Cantava, baixinho, uma espécie de hino gospel, do qual Oliver apenas conseguiu entender algumas palavras do refrão. Algo que dizia: "Oh, Senhor, leva-me nos braços de um anjo".

A parede por detrás de Sammuel pareceu se desfazer. Agora, havia ali um caminho de luz, como uma estrada feita de poeira de estrelas. E havia algo, uma figura alada vagamente humanóide, mas parecendo feita de uma névoa luminosa. Esta figura, gentilmente, ergueu o velho por debaixo dos braços. O corpo de Gerturde rolou para o chão, o pequeno caderno ainda em sua mão enegrecida. O caderno em si parecia pouco afetado pelo fogo.

Entretando, a figura angelical não parecia estável. O caminho luminoso não parecia estável. Tudo ali dava a impressão de que algo errado estava acontecendo, que aquelas coisas não estavam como deveriam ser.

A pequena esfera continuava a piscar suas luzes, cada vez mais rápido.

As balas, paralisadas no ar, começaram a vibrar. E, do nada, continuaram seu trajeto. Oliver conseguiu ver sua trajetória, o que indicava que elas provavelmente não avançaram com toda a sua velocidade inicial, mas foi o bastante para atingir seu alvo. O corpo do Profeta foi crivado por dezenas de projéteis, tornando rubra sua bata. O sangue espirrou no chão, e Oliver ainda conseguiu ouvir o velho soltar um gemido abafado, antes da criatura angelical levá-lo pelo caminho de luz.

Entretanto, a atividade ali não terminou. A pequena esfera metálica continuou a piscar, mais e mais rápido. O caminho de luz, que parecia querer se fechar, foi como que retorcido em mais dimensões do que as três a que estamos acostumados, uma imagem que a mente de Oliver gritou ao tentar interpretar. A estrada luminosa pareceu, em menos de um segundo, se esticar, como um elástico infinto, até que não tivesse mais que a espessura de um átomo. E o ser alado sofreu destino semelhante, tendo sua forma humanóide retorcida em uma espiral insana, que não poderia ser descrita pela geometria convencional. O caminho se fechou, mas não harmonicamente, como havia se aberto, e sim como se fosse um ralo na Realidade, implodindo a própria tessitura do espaço.

A distorção causada pela esfera se demonstrou mais do que Oliver poderia suportar. Ele foi arremessado de volta a seu envoltório físico, gritando com uma garganta que não tinha, como se ele mesmo também estivesse sendo distorcido em uma espiral não-euclidiana, passando simultâneamente por todos os pontos do tempo, entre aquele momento e o seu presente.

A última informação que ele conseguiu segurar foi uma visão, que não saberia precisar de quando era. Um homem de macacão azul, boné, luvas de borracha e uma máscara higiênica cobrindo a boca. Ele pegava o caderno com uma grande pinça, e o colocava dentro de um saco plástico.
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 7:23 pm

Coristas Secretivos escreveu:
"Não conheci o Sr. Sammuel, mas há um fato curioso: Willian disse que tentou contatar o Coro Celestial sobre as atividades do Profeta. Veja, não sobre essa questão toda de gêmeos, da qual ele provavelmente nem tinha conhecimento, mas sobre atividades do Coro na cidade, Adormecidos atendidos, se eles tinham algum acólito vivo que precisasse de proteção, informações sobre a Tecnocracia, etc. Ele disse que entrou em contato com a congregação Corista de Salem, pois foi lá que o homem foi enterrado. Bem, o curioso, segundo Willian, foi a reticência dos Coristas em partilhar qualquer informação a respeito. Não sei dizer se isso é reflexo da rixa entre Coristas e Herméticos, ou se de alguma outra coisa. Parece que ele não conseguiu nada com outros Coristas também. Bem, sobre as práticas do homem, ele era um pastor evangélico, não? Temo não saber muito a respeito dos dogmas desta religião, mas uma coisa me salta aos olhos: você disse que ele tinha uma espécie de capela com figuras de um anjo. O uso de imagens não foi um dos motivos da Cisma? Protestantes não deveriam usar este tipo de coisa, não?"
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Out 17, 2017 7:32 pm

Capetinhas do Porão escreveu:
nquanto o espetáculo pirotécnico tomava lugar, Faust ouviu mais uma vez as vozes das crianças. Mas agora, diferentes: falavam rápido, gritando, as duas vozes se alternando, quase se sobrepondo numa cacofonia perturbadora, carregada de ecos. E as vozes, agora, tinha um timbre mais sinistro, mais profundo. Era... aterrorizante:

- "ELA NOS DAVA BONECOS!"
- "PARA NOS ACALMAR, PARA NOS DOMAR!"
- "ELA NOS VISITAVA!"
- "TRAZIA COMIDA!"
- "E PRESENTES! HAHAHAHA! PRESENTES!"
- "PARA ACALMAR SUA CULPA!"
- "PARA ACALMAR SEU MEDO!"
- "ELA NOS TEMIA!"
- "MAS AGORA ESTÁ MORTA!"
- "E NÓS VIVEMOS!"
- "AAAAAAAGGGGHHHHHHHHHH!!!"


A última parte foi um grito. Um grito de dor, dado por ambas as vozes em uníssono. E coincidiu com uma sensação que Faust conhecia: o acúmulo de Paradoxo. Aquele Paradoxo pareceu ter causado grande sofrimento a elas. A explosão de ódio, em seguida, arrefeceu, as quando elas "falaram" em seguida, suas vozes eram as mesmas de antes:

- "Ele quer brincar..."
- "Hehehehe, então, nós brincaremos."
- "Ele tem perguntas."
- "E talvez, nós tenhamos respostas..."
- "Mas antes, ele deve pagar a prenda!"
- "Nós queremos comer!"
- "Você nos alimentará?"

[...]

Uma típica casa de subúrbio americana, em chamas, numa noite chuvosa. Carros de bombeiro. Sirenes. Gritos. Multidão de curiosos. Um médico falando algo perto de seu rosto (o médico parecia estar falando coisas sem sentido, em câmera lenta e com voz pastosa). E desespero.

Tristeza. Um dia nublado. Um lugar novo (West reconhece a imagem do orfanato, ainda inteiro). Um homem desconhecido (West reconhece a imagem do Profeta. Sammuel parecia bem alto, como se visto da perspectiva de uma criança). Crianças novas. Uma mão segurando forte a sua.


Várias imagens em sucessão, com temas semelhantes. Parecem descrever um amplo espaço de tempo:

Camas novas. Escola nova. Brinquedos novos. Amigos novos. Tristeza ainda, mas diminuindo a cada imagem. Boas pessoas, senhoras gentis. Brincadeiras.

Orações. O senhor gentil (o Profeta) vem fazer orações. Todo domingo. Às vezes todos juntos, às vezes apenas elas, numa sala. Perguntas. O homem gentil faz perguntas. Algumas estranhas. Algumas fazem pensar.

Primeiro beijo (essa imagem foi carregada de uma boa dose de emoção. Era a face de um adolescente, no meio de algum jogo de pique-esconde. O rapaz a achou, ela o pegou pelos cabelos e beijou sua boca, bem de leve. Em seguida saiu correndo, enquanto ele estava atordoado. Havia algo de familiar no rosto daquele garoto).

Dor. Noite. Acordada no meio da noite. Dor na barriga. Sua irmã em dor. Havia sangue nos lençóis. Entre as pernas. Senhoras gentis vieram. Olhares estranhos. Armário cai, de repente, sem ninguém empurrar. Irmã com medo (ela sabe, sem precisar perguntar, sem precisar olhar). Homem gentil vem.

Mais dor. Coisas na cabeça. Olhares estranhos. Senhoras gentis ficam longe. Homem gentil faz muitas orações. Trás outro homem (há uma imagem do Profeta, acompanhado de outro homem. Os trajes do outro homem lembram as vestes de um monge, com capuz). Mais orações. E óleos. E velas. Sem amigos. Onde estão amigos? Onde está lar?

Coisas falam conosco de noite. Coisas que não estão lá. Medo. Onde estão senhoras gentis? Onde estão amigos? Há apenas o homem gentil.

Lugar escuro. Paredes de pedra. Altar. Deitada no altar. Mão de minha irmã, apertando forte a minha. Medo. Pessoas ao redor, segurando velas. Capuzes. Cruzes. Cânticos estranhos. Homem gentil e seu amigo. Orações. Velas. Medo.

Dor.

Loucura.

Quem sou eu?

Quem somos nós?

Vejo. Ouço. Entendo. Muito mais do que antes. Eles me temem. Eles me odeiam. "ABERRAÇÃO", ouço sem que saia de seus lábios. "BLASFÊMIA E INIQUIDADE" (essas palavras não são acompanhadas da sensação do significado. Fica bem claro que elas apenas lembram do som), eles pensam. Alguns, querem me matar.

NÃO VOU MORRER!

Fome.

Dor.

Loucura.

Mas minha irmã está comigo. Somos uma.

Correntes que não existem sobre meu corpo e minha alma. Caixa onde me colocam. Estão me levando. Porão. Prisão. Eu grito. Eu choro. Quero sair. QUERO SAIR!!!

Senhora gentil trás comida. E bichinhos. Homem "gentil" (esse gentil, agora, é acompanhado com um conceito de sarcasmo) aparece. Orações. Velas. Velas por todo lado. Luz machuca. Prende.

Tempo.

Tempo se arrasta.

Loucura.

ÓDIO.

Homem gentil vem cada vez menos. ODIAMOS ELE! Ele não sabe o que fazer. Não entende. Senhora gentil vêm. Ela tenta conversar. Ela tem medo. Tem culpa. ODIAMOS ELA!

Batemos contra a prisão. ÓDIO é força. Mas homem gentil vem reforçar. Mais velas. Mais orações. Mais ódio.

Pararam de vir. Os dois.

Sozinhas.

Sem comida.

Sem nada.

Prisão enfraquecendo. Velas apagando, uma a uma.

Fome.

Desespero.

PRECISO SAIR!

Batemos. Batemos. Prisão cede.

Escada.

Mundo.

FOME.

Quem sou eu?

[...]

"E agora, doutor..." - disse uma das "meninas", na mente de West.
"É nossa vez de perguntar" - completou a outra.
"É o jogo!"
- "Onde é o lugar...
- "... em que os mortos se levantam?"


[...]

Dentro da "prisão", West estava completamente inconsciente da conversa do lado de fora. Sua natural propensão a se perder em seu microcosmo estava amplificada ao máximo. No fim das contas, ele estava em contato direto com alguma entidade alienígena que desafiava classificação.

Quando o Eterita começou a "pensar" as respostas (um processo que, para ele, não treinado nas Artes da Mente, era um tanto experimental), notou um crescimento da ansiedade das entidades (ou entidade. Era difícil dizer). Elas como que bebiam cada informação nova, e ficavam mais ansiosas. Seus pensamentos começaram a se desordenar um pouco, e "coisas" escaparam. Por exemplo, Faust não sentiu em nenhum momento desejo real delas de dizer onde estavam, mas um pensamento solto lhe chegou em uma das vezes em "perguntou" isso. Esse pensamento era: "Não podemos sair. Luz machuca."

E ele percebeu porque a ansiedade delas aumentava. Aquilo que ele estava "telegrafando", não era a resposta. Eram pistas, mas não era o que elas queriam. E a cada vez que ele "perguntava" onde elas estavam, a resposta era "ONDE?!". E na comunhão empática de mentes, ele sabia que aquele "ONDE?!" queria dizer "Onde fica o lugar em que os mortos se levantam".

Como crianças teimosas e birrentas, elas não queriam ouvir explicações, não queriam ouvir o que ele tinha a dizer, não queriam encontrar com ele. Elas queriam...

"ONDE?!"

"ONDE?!"

"ONDE?!"

E então, tudo explodiu. A ira explodiu. O ÓDIO explodiu.

West sentiu como se quatro mãozinhas agarrassem seu crânio. Mãozinhas incandescentes, e com garras. Agarrando não seu crânio, mas sua mente. Elas queria abrir sua psiche, e arrancar o que houvesse lá. Não era nada sutil. Na verdade, não seria possível classificar aquilo como nada diferente de um ataque direto.

Mas ele foi capaz de resistir. Quando no Haiti, os hougans lhe disseram que a primeira coisa que um serviteur aprende é como resistir a uma cavalgada que ele não deseja. Há espíritos impuros por aí, e eles não devem ser capazes de montar o fiel. Se o serviteur não domina essa capacidade, ele não pode se aprofundar nos Mistérios Maiores. Com suas próprias técnicas, West foi capaz de repelir o ataque. Ao menos por enquanto.

Mais do que isso, sofrer o assalto direto lhe deu alguns insights. Primeiramente, aquilo era Mágika Verdadeira, sem sombra de dúvida. Segundo, elas não tinham refinamento. Basicamente, não pareciam saber muito bem o que estavam fazendo. Tinham apenas instinto, e fúria.

O insight durou pouco, entretanto. O ataque também. Seus sentidos primordiais rapidamente lhe indicaram que algo estava acontecendo. Havia forças místicas em ação, mas ele não sabia interpretar aquelas leituras. O aperto em sua mente afrouxou, mas não antes de ele conseguir captar alguns últimos pensamentos:

- "Nossa força..."
- "Alguém... interferindo..."
- "MALDITA SEJA!!!"
- "CADELA!!!"
- "ARRANCAREMOS SUAS TRIPAS!!!"


E então, tudo sumiu. As entidades, ou melhor, a presença delas, desapareceu. Ele ainda teve a impressão de ouvir um último grito, carregado de rancor e ira, se desvanecendo até desaparecer. Restou apenas a Ressonância pesada do local. Uma Ressonância que ele agora facilmente reconheceria, em qualquer lugar.
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Re: A Placid Island of Ignorance.

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Nov 08, 2017 9:59 am

Mais alguém foi na Odd Thomas Books procurar livros sobre gêmeos, talvez mais de uma pessoa.
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Re: A Placid Island of Ignorance.

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