Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Fev 01, 2018 4:17 pm

Fosse qualquer outro grupo de pessoas a lhe fazer aquela colocação - "não sei bem porque ficou intrigado", West teria respondido com falsidade calculada. Teria dito que a família importava para ele, afim de ganhar mais confiança e mais espaço na organização, investindo num futuro cargo de mais confiança, ou algo assim. Mas o bom doutor conhecia o suficiente dos Falcone para saber que, primeiro, eles não acreditariam, e a expressão seria o efeito contrário - e, segundo, ele não queria um cargo de maior confiança: seu cargo atual lhe cobrava exatamente o nível de comprometimento e esforço que ele estava disposto a dar, excetuando algo relacionado a limpeza de cadáveres. Então, ao ser questionado, respondeu com honestidade fria: - Curiosidade científica. - e esperou que o relato começasse. 

Dr. West ouviu tudo com muita atenção, como sempre ouvia tudo. Os detalhes podiam ser inúteis naquele instante, mas seriam importantes em outro - e, é claro, aquele era um tema que lhe interessava. Um tema que lhe interessava sobremaneira. Zumbis? Pessoas sendo re-erguidas dos mortos, usadas como bucha de canhão por um grupo de mafiosos? Aquilo era... interessante. Intrigante. Promissor. 

Quando a história terminou, o médico guardou o silêncio, seus olhos passando por todos por um momento, vendo seus estados de espírito. Considerando as superstições religiosas que dominavam o imaginário daquela trupe, ele precisava ter muito, muito cuidado com o que ia falar. 

- Bem, antes de tudo, é meu dever informar que vocês não são os únicos inimigos dos Giovanni na cidade. Recentemente descobri que um associado meu, um detetive na delegacia, é membro de outra famiglia, e eles parecem ter uma richa antiga com os Giovanni. - afirmou, comprando confiança com informações e boas notícias. - Não saberia dizer até que ponto são confiáveis, mas de ferramentas cobra-se apenas efetividade, imagino. Qual a relação dos Falcone com os Stracci? - questionou.

Fez uma pausa então, dando alguns passos calculados. Coçou o queixo, os olhos para baixo, demonstrando alguma inquietação, demonstrando pensamento. - Desculpe-me se fujo do assunto, mas é que esta história... me inquieta um pouco. - ele disse. - E não pelos motivos que possam imaginar. - e então parou, erguendo os olhos para todos, pousando-os prmeiro no padre, depois em Matheo, e então em Toni. Respirou fundo, como quem estava prestes a soltar uma bomba.

- O senhor me diz do demônio, e creio que esteja certo... Mas sabemos que o demônio não cria. Ele se utiliza, perverte e distorce as obras de Deus, manipulando suas leis. - falou. - Em minhas viagens, eu vi coisas.. parecidas. Mortos vivos. Principalmente no Haiti, nos cultos primitivos e demoniacos dos nativos, no fundo das selvas, as vezes usados como bucha de canhão por drug-lords. Em uma dessas viagens, conheci um médico latino, que apresentava-se como Herbert. Sem dúvida um nome falso. - e fez uma pausa, esfregando os olhos, como quem lembra-se de algo perturbador. Respirou fundo e deu alguns passos inquietos, antes de voltar a olhá-los.

- Movido pela curiosidade e por influência de Herbert, nós invadimos um destes rituais. Expulsamos os selvagens com tiros e fogo, e aprisionamos um destes mortos. Erguemos acampamento ali, no fundo da mata úmida e escura, e fui assistente de Herbert enquanto ele desmontava a criatura, tentando fazer uma espécie de engenharia reversa profana da criatura, entender como ela funcionava. Herbert não foi bem sucedido... mas algo me diz... Algo me diz que ele estava perto. - disse West, inclinando-se sobre uma mesa. Bateu no tampo de madeira de leve com os nós dos dedos, simulando uma leve frustração. - Mas ele sumiu. Sumiu, e levou embora nossas anotações. Uma madrugada eu acordei com os selvagens invadindo nosso acampamento, e Herbert havia desaparecido, e levado sua pesquisa. - e olhou para eles de novo.

- O demônio sem dúvida ergue esses corpos. Mas o demônio obedece leis. Se o que vocês me contam é verdade... Eu não tenho dúvida de que Herbert conseguiu fazer o que queria: quebrar a fórmula, e vendê-la como arma de guerra para o maior comprador. Os Giovanni, ao que parece. - pequena pausa. - Se vocês conseguirem capturar um desses cadáveres para mim... inteiro... Eu tenho certeza absoluta, e Deus me ajude, de que poderia compreender a fórmula de Herbert e, assim, não só descobrir como proteger nossos soldados de sofrer o mesmo destino,  mas também descobrir como matar os filhos da puta.  

E esperou. A isca estava na corda. Era só esperar.
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Fev 01, 2018 4:34 pm

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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por The Oracle em Qui Fev 01, 2018 4:34 pm

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Mensagem por Ezio Stracci em Qui Fev 01, 2018 5:47 pm

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Mensagem por The Oracle em Qui Fev 01, 2018 5:47 pm

O membro 'Ezio Stracci' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por The Oracle em Sex Fev 02, 2018 7:14 am

A pasta que a garota olhava era a típica pasta de um caso qualquer. Essas coisas estão todas digitalizadas hoje em dia, mas talvez fosse coisa mais velha. Ou talvez ela simplesmente gostasse das coisas em papel. Isso era comum entre o pessoal da velha guarda, o que não era o caso dela, mas alguns jovens podiam ter esse gosto também. A página em que a pasta estava aberta parecia um relatório de perícia, mas era impossível saber mais sem chegar perto. A oficial o olhou de cara feia, quando viu o olho comprido de Ezio para os documentos.

O capitão da unidade lhe retribuiu o aperto de mão, não de forma calorosa, mas também não fria. E ouviu o que o detetive tinha a dizer, sem mudar a expressão do rosto. Olhou a foto, mas não deteve os olhos ali por muito tempo. Quando Ezio terminou de falar, ele deu um meio sorriso, juntou as mãos, se reclinou na cadeira, e disse, com uma voz calma, porém, bastante firme.

- Rapaz novo querendo mostrar serviço. Fazer nome. Não entenda como crítica, detetive: isso é bom. Essa ambição pode te tornar um policial melhor. Mas certamente nós não vamos "desenterrar" nada. Não sei que tipo de boato você ouviu, e nem desejo saber, mas também não vou fingir que não sei de que caso você está falando. Eu sei do que se trata, quem não sabe no que está querendo mexer é você, e não ser que eu receba um ofício do Ministério Público levantando o segredo de justiça, é assim que vai continuar. Por sinal, tenho certeza absoluta que você não tem nada ligando os dois casos. Se tivesse, não seria essa a sua abordagem.
- Investigações envolvendo os nativos sempre são mais complicadas, concordo. Um fator a mais de encheção de saco. Como você é da Homicídios, suspeito que tenham encontrado a garota morta, ou suspeitem que ela esteja. Até aí, nada da alçada da minha unidade. Suspeita que haja crime sexual envolvido? Estupro, pedofilia, tráfico humano? Se for o caso, comunique pelos canais apropriados, e as unidades podem trabalhar juntas. Fora disso, detetive, lhe desejo boa sorte. Ninguém quer garotinhas sofrendo nenhum mal. Porém, mais do que isso, desejo que você se concentre no caso em questão, e não em fantasmas de anos atrás que você sequer viu.

Os olhos do homem, agora que Ezio os via mais demoradamente, eram gelados. Dizem que tiras veteranos de certas áreas vão morrendo emocionalmente ao longo dos anos. O pessoal de vítimas especiais (diziam os boatos), eram alguns deles. Estupros e pedofilia eram o dia-a-dia daquele pessoal. Todavia, ele não teve um tom agressivo em nenhum momento. E também não parecia dar qualquer abertura a Ezio.

- Algo mais em que possa ajudá-lo, detetive?
_________________________________________________________________________

- Stracci, eh? - disse Boca-de-Cabêlo, levantando uma sobrancelha - homens de honra (ele disse mafiosi, que quer dizer exatamente 'homens de honra'), até onde sei. Nunca pisaram nos nossos calos, nem nós nos deles. Trabalham com tráfico de influência, uma coisa que Don Rafael quer distância. Ele diz que é andar sobre a navalha: se pegam um, esse um logo leva ao resto da famiglia. Mas eles devem ser bons nisso, já que puseram um sujeito na polícia logo de cara. Sabe, talvez um acordo esteja despontando no horizonte. Nós poderíamos usar alguma influência junto às autoridades portuárias, e mais do que tudo, o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Se tem malditos Giovannis por aqui, e os Stracci não vão com a deles, então os Stracci viraram meus amigos de infância.


Matheo e Tony ficaram claramente abalados ao ouvir a história de West. Durante o conto, eles fizeram o sinal-da-cruz pelo menos duas vezes, e sussurraram algumas imprecações católicas quaisquer. Já o Padre Calahan ouviu com atenção, o rosto contraído, concentrado. Ao final, Boca-de-Cabêlo gaguejou:

- Proteger os rapazes... bem, isso poderia ser bom... ninguém quer ver os seus tendo o descanso eterno negado. E matar as coias que já estão mortas, melhor ainda... mas... mas...

Falava com a pouca convicção de um homem que fala de um assunto que, além de não dominar, o incomoda. No fim, ele dirigiu seu olhar ao padre. Este, ao perceber os pares de olhos sobre si, retirou o queixo da mão e relaxou um pouco a postura contraída. Colocou as mãos sobre os joelhos magros, suspirou alta e longamente, e depois soltou estas palavras:

- Marie Curie.

Limpou o pigarro, numa pausa um pouco dramática. Sua voz era áspera, talvez pelo uso habitual de tabaco, talvez por outra coisa, e soava cansada. Aliás, a figura inteira do padre, magro e enrrugado, passava isso: cansaço. Não o cansaço físico, mas emocional, espiritual, talvez. Prosseguiu:

- Marie Curie foi uma mulher admirável. Uma cientista brilhante numa época em que todos pensavam que ciência era algo para os homens apenas. Ela estudou por muitos anos as propriedades dos elementos radioativos, e muito do que sabemos hoje sobre isso, devemos a ela. Não vou fingir que entendo a pesquisa dessa senhora, mas a pesquisa é irrelevante. O que é relevante é como ela morreu: envenenamento radioativo. Ela trabalhou com materiais radioativos por anos, mas na época, ninguém sabia que radiação era algo perigoso.
- Talvez o senhor esteja certo, Dr. West. Talvez o demônio e seus asceclas estejam de fato presos a regras. As Escrituras não afirmam isso, mas também não negam. Entretanto, me parece ser de uma perigosa impáfia pensar que nós conhecemos tais regras, ou mesmo que possamos vir a conhecê-las algum dia. Como dizem alguns, o orgulho é o pecado preferido de Satanás.
- Há coisas que Deus não legou à humanidade, e combater os espíritos do mal é uma delas. Para isso, temos os anjos do Senhor, e a força do Espírito Santo, manifesta por nossa fé. Tentar tomar tal matéria em nossas mãos provavelmente nos levaria ao mesmo destino de Marie Curie. Ela foi morta pelas 'regras e leis' daquilo que ela estudava, pois a radiação é apenas mais um processo dentro das leis naturais. Mas ela só veio a saber destas regras quando era tarde demais, e pagou o preço por isso. Só que a Sra. Curie pagou apenas o preço de sua vida carnal. Lidar com o mal pode nos custar algo muito mais valioso que isso.
- 'Orai e vigiai', nos diz a Escritura, e sugiro que esse seja nosso arsenal. E fogo, imagino. Pelos relatos, fogo funciona, não?
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Ezio Stracci em Dom Fev 04, 2018 4:07 am

Retribui a cara feia da mulher com um sorriso e manda um beijinho.

Ezio se senta junto à mesa logo após Julius e ouve o que o tal tem a dizer.

"É incrível a quantidade de baboseira que um único homem consegue falar em tão pouco tempo"

Durante a conversa o Stracci mantinha um sorriso no rosto e olhar fixo nos olhos do rapaz.
Então começa a dizer pausadamente:

- Muito obrigado
- Senhor Julius
- Eu já conheci algumas pessoas ao longo da vida, mas poucas delas eram tão covardes ou inúteis
- Me parece que os veteranos se esquecem às vezes o que estão fazendo aqui

Ajeita a gravata, se levanta, deixa um chocolatinho à mesa.

- Contudo, alguns aqui ainda tentam ser policiais

"Que irônico Sr. Stracci"

- Se quiser fazer algo útil da vida sabe onde me procurar
- Contudo vou entender se preferir continuar fingindo que sabe o que está fazendo
- Muito obrigado, até mais ver

"Fica melhor em italiano"

Segue agora o caminho até onde ele souber que pode encontrar o Simon.

"Pois bem. Uma técnica de venda comum é fingir não mais se interessar pelo cliente, pelo produto, pela garota... uma das formas de fazer isso é se mostrar mais valioso do que o eles têm a oferecer. Espero que dê certo com o Sr. Julius, senão eu vou ter que buscar informações ao modo Stracci. Não que eu já não esteja fazendo isso."

Passa no Arquivo, preenche a papelada para acesso ao caso de 10 anos, mas deixa isso para depois. 

Vai até seu carro. Passa à Banca e troca o cartão de memória do gravador da escuta. coloca a gravação pra tocar em seu carro, mas acelerando. 

Após isso se dirige até o local do convite de West e fica aguardando a hora ouvindo a gravação dentro do carro.
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