Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Fev 01, 2018 4:17 pm

Fosse qualquer outro grupo de pessoas a lhe fazer aquela colocação - "não sei bem porque ficou intrigado", West teria respondido com falsidade calculada. Teria dito que a família importava para ele, afim de ganhar mais confiança e mais espaço na organização, investindo num futuro cargo de mais confiança, ou algo assim. Mas o bom doutor conhecia o suficiente dos Falcone para saber que, primeiro, eles não acreditariam, e a expressão seria o efeito contrário - e, segundo, ele não queria um cargo de maior confiança: seu cargo atual lhe cobrava exatamente o nível de comprometimento e esforço que ele estava disposto a dar, excetuando algo relacionado a limpeza de cadáveres. Então, ao ser questionado, respondeu com honestidade fria: - Curiosidade científica. - e esperou que o relato começasse. 

Dr. West ouviu tudo com muita atenção, como sempre ouvia tudo. Os detalhes podiam ser inúteis naquele instante, mas seriam importantes em outro - e, é claro, aquele era um tema que lhe interessava. Um tema que lhe interessava sobremaneira. Zumbis? Pessoas sendo re-erguidas dos mortos, usadas como bucha de canhão por um grupo de mafiosos? Aquilo era... interessante. Intrigante. Promissor. 

Quando a história terminou, o médico guardou o silêncio, seus olhos passando por todos por um momento, vendo seus estados de espírito. Considerando as superstições religiosas que dominavam o imaginário daquela trupe, ele precisava ter muito, muito cuidado com o que ia falar. 

- Bem, antes de tudo, é meu dever informar que vocês não são os únicos inimigos dos Giovanni na cidade. Recentemente descobri que um associado meu, um detetive na delegacia, é membro de outra famiglia, e eles parecem ter uma richa antiga com os Giovanni. - afirmou, comprando confiança com informações e boas notícias. - Não saberia dizer até que ponto são confiáveis, mas de ferramentas cobra-se apenas efetividade, imagino. Qual a relação dos Falcone com os Stracci? - questionou.

Fez uma pausa então, dando alguns passos calculados. Coçou o queixo, os olhos para baixo, demonstrando alguma inquietação, demonstrando pensamento. - Desculpe-me se fujo do assunto, mas é que esta história... me inquieta um pouco. - ele disse. - E não pelos motivos que possam imaginar. - e então parou, erguendo os olhos para todos, pousando-os prmeiro no padre, depois em Matheo, e então em Toni. Respirou fundo, como quem estava prestes a soltar uma bomba.

- O senhor me diz do demônio, e creio que esteja certo... Mas sabemos que o demônio não cria. Ele se utiliza, perverte e distorce as obras de Deus, manipulando suas leis. - falou. - Em minhas viagens, eu vi coisas.. parecidas. Mortos vivos. Principalmente no Haiti, nos cultos primitivos e demoniacos dos nativos, no fundo das selvas, as vezes usados como bucha de canhão por drug-lords. Em uma dessas viagens, conheci um médico latino, que apresentava-se como Herbert. Sem dúvida um nome falso. - e fez uma pausa, esfregando os olhos, como quem lembra-se de algo perturbador. Respirou fundo e deu alguns passos inquietos, antes de voltar a olhá-los.

- Movido pela curiosidade e por influência de Herbert, nós invadimos um destes rituais. Expulsamos os selvagens com tiros e fogo, e aprisionamos um destes mortos. Erguemos acampamento ali, no fundo da mata úmida e escura, e fui assistente de Herbert enquanto ele desmontava a criatura, tentando fazer uma espécie de engenharia reversa profana da criatura, entender como ela funcionava. Herbert não foi bem sucedido... mas algo me diz... Algo me diz que ele estava perto. - disse West, inclinando-se sobre uma mesa. Bateu no tampo de madeira de leve com os nós dos dedos, simulando uma leve frustração. - Mas ele sumiu. Sumiu, e levou embora nossas anotações. Uma madrugada eu acordei com os selvagens invadindo nosso acampamento, e Herbert havia desaparecido, e levado sua pesquisa. - e olhou para eles de novo.

- O demônio sem dúvida ergue esses corpos. Mas o demônio obedece leis. Se o que vocês me contam é verdade... Eu não tenho dúvida de que Herbert conseguiu fazer o que queria: quebrar a fórmula, e vendê-la como arma de guerra para o maior comprador. Os Giovanni, ao que parece. - pequena pausa. - Se vocês conseguirem capturar um desses cadáveres para mim... inteiro... Eu tenho certeza absoluta, e Deus me ajude, de que poderia compreender a fórmula de Herbert e, assim, não só descobrir como proteger nossos soldados de sofrer o mesmo destino,  mas também descobrir como matar os filhos da puta.  

E esperou. A isca estava na corda. Era só esperar.
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Fev 01, 2018 4:34 pm

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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por The Oracle em Qui Fev 01, 2018 4:34 pm

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Mensagem por Ezio Stracci em Qui Fev 01, 2018 5:47 pm

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Ezio rola:

Mensagem por The Oracle em Qui Fev 01, 2018 5:47 pm

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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por The Oracle em Sex Fev 02, 2018 7:14 am

A pasta que a garota olhava era a típica pasta de um caso qualquer. Essas coisas estão todas digitalizadas hoje em dia, mas talvez fosse coisa mais velha. Ou talvez ela simplesmente gostasse das coisas em papel. Isso era comum entre o pessoal da velha guarda, o que não era o caso dela, mas alguns jovens podiam ter esse gosto também. A página em que a pasta estava aberta parecia um relatório de perícia, mas era impossível saber mais sem chegar perto. A oficial o olhou de cara feia, quando viu o olho comprido de Ezio para os documentos.

O capitão da unidade lhe retribuiu o aperto de mão, não de forma calorosa, mas também não fria. E ouviu o que o detetive tinha a dizer, sem mudar a expressão do rosto. Olhou a foto, mas não deteve os olhos ali por muito tempo. Quando Ezio terminou de falar, ele deu um meio sorriso, juntou as mãos, se reclinou na cadeira, e disse, com uma voz calma, porém, bastante firme.

- Rapaz novo querendo mostrar serviço. Fazer nome. Não entenda como crítica, detetive: isso é bom. Essa ambição pode te tornar um policial melhor. Mas certamente nós não vamos "desenterrar" nada. Não sei que tipo de boato você ouviu, e nem desejo saber, mas também não vou fingir que não sei de que caso você está falando. Eu sei do que se trata, quem não sabe no que está querendo mexer é você, e não ser que eu receba um ofício do Ministério Público levantando o segredo de justiça, é assim que vai continuar. Por sinal, tenho certeza absoluta que você não tem nada ligando os dois casos. Se tivesse, não seria essa a sua abordagem.
- Investigações envolvendo os nativos sempre são mais complicadas, concordo. Um fator a mais de encheção de saco. Como você é da Homicídios, suspeito que tenham encontrado a garota morta, ou suspeitem que ela esteja. Até aí, nada da alçada da minha unidade. Suspeita que haja crime sexual envolvido? Estupro, pedofilia, tráfico humano? Se for o caso, comunique pelos canais apropriados, e as unidades podem trabalhar juntas. Fora disso, detetive, lhe desejo boa sorte. Ninguém quer garotinhas sofrendo nenhum mal. Porém, mais do que isso, desejo que você se concentre no caso em questão, e não em fantasmas de anos atrás que você sequer viu.

Os olhos do homem, agora que Ezio os via mais demoradamente, eram gelados. Dizem que tiras veteranos de certas áreas vão morrendo emocionalmente ao longo dos anos. O pessoal de vítimas especiais (diziam os boatos), eram alguns deles. Estupros e pedofilia eram o dia-a-dia daquele pessoal. Todavia, ele não teve um tom agressivo em nenhum momento. E também não parecia dar qualquer abertura a Ezio.

- Algo mais em que possa ajudá-lo, detetive?
_________________________________________________________________________

- Stracci, eh? - disse Boca-de-Cabêlo, levantando uma sobrancelha - homens de honra (ele disse mafiosi, que quer dizer exatamente 'homens de honra'), até onde sei. Nunca pisaram nos nossos calos, nem nós nos deles. Trabalham com tráfico de influência, uma coisa que Don Rafael quer distância. Ele diz que é andar sobre a navalha: se pegam um, esse um logo leva ao resto da famiglia. Mas eles devem ser bons nisso, já que puseram um sujeito na polícia logo de cara. Sabe, talvez um acordo esteja despontando no horizonte. Nós poderíamos usar alguma influência junto às autoridades portuárias, e mais do que tudo, o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Se tem malditos Giovannis por aqui, e os Stracci não vão com a deles, então os Stracci viraram meus amigos de infância.


Matheo e Tony ficaram claramente abalados ao ouvir a história de West. Durante o conto, eles fizeram o sinal-da-cruz pelo menos duas vezes, e sussurraram algumas imprecações católicas quaisquer. Já o Padre Calahan ouviu com atenção, o rosto contraído, concentrado. Ao final, Boca-de-Cabêlo gaguejou:

- Proteger os rapazes... bem, isso poderia ser bom... ninguém quer ver os seus tendo o descanso eterno negado. E matar as coias que já estão mortas, melhor ainda... mas... mas...

Falava com a pouca convicção de um homem que fala de um assunto que, além de não dominar, o incomoda. No fim, ele dirigiu seu olhar ao padre. Este, ao perceber os pares de olhos sobre si, retirou o queixo da mão e relaxou um pouco a postura contraída. Colocou as mãos sobre os joelhos magros, suspirou alta e longamente, e depois soltou estas palavras:

- Marie Curie.

Limpou o pigarro, numa pausa um pouco dramática. Sua voz era áspera, talvez pelo uso habitual de tabaco, talvez por outra coisa, e soava cansada. Aliás, a figura inteira do padre, magro e enrrugado, passava isso: cansaço. Não o cansaço físico, mas emocional, espiritual, talvez. Prosseguiu:

- Marie Curie foi uma mulher admirável. Uma cientista brilhante numa época em que todos pensavam que ciência era algo para os homens apenas. Ela estudou por muitos anos as propriedades dos elementos radioativos, e muito do que sabemos hoje sobre isso, devemos a ela. Não vou fingir que entendo a pesquisa dessa senhora, mas a pesquisa é irrelevante. O que é relevante é como ela morreu: envenenamento radioativo. Ela trabalhou com materiais radioativos por anos, mas na época, ninguém sabia que radiação era algo perigoso.
- Talvez o senhor esteja certo, Dr. West. Talvez o demônio e seus asceclas estejam de fato presos a regras. As Escrituras não afirmam isso, mas também não negam. Entretanto, me parece ser de uma perigosa impáfia pensar que nós conhecemos tais regras, ou mesmo que possamos vir a conhecê-las algum dia. Como dizem alguns, o orgulho é o pecado preferido de Satanás.
- Há coisas que Deus não legou à humanidade, e combater os espíritos do mal é uma delas. Para isso, temos os anjos do Senhor, e a força do Espírito Santo, manifesta por nossa fé. Tentar tomar tal matéria em nossas mãos provavelmente nos levaria ao mesmo destino de Marie Curie. Ela foi morta pelas 'regras e leis' daquilo que ela estudava, pois a radiação é apenas mais um processo dentro das leis naturais. Mas ela só veio a saber destas regras quando era tarde demais, e pagou o preço por isso. Só que a Sra. Curie pagou apenas o preço de sua vida carnal. Lidar com o mal pode nos custar algo muito mais valioso que isso.
- 'Orai e vigiai', nos diz a Escritura, e sugiro que esse seja nosso arsenal. E fogo, imagino. Pelos relatos, fogo funciona, não?
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Ezio Stracci em Dom Fev 04, 2018 4:07 am

Retribui a cara feia da mulher com um sorriso e manda um beijinho.

Ezio se senta junto à mesa logo após Julius e ouve o que o tal tem a dizer.

"É incrível a quantidade de baboseira que um único homem consegue falar em tão pouco tempo"

Durante a conversa o Stracci mantinha um sorriso no rosto e olhar fixo nos olhos do rapaz.
Então começa a dizer pausadamente:

- Muito obrigado
- Senhor Julius
- Eu já conheci algumas pessoas ao longo da vida, mas poucas delas eram tão covardes ou inúteis
- Me parece que os veteranos se esquecem às vezes o que estão fazendo aqui

Ajeita a gravata, se levanta, deixa um chocolatinho à mesa.

- Contudo, alguns aqui ainda tentam ser policiais

"Que irônico Sr. Stracci"

- Se quiser fazer algo útil da vida sabe onde me procurar
- Contudo vou entender se preferir continuar fingindo que sabe o que está fazendo
- Muito obrigado, até mais ver

"Fica melhor em italiano"

Segue agora o caminho até onde ele souber que pode encontrar o Simon.

"Pois bem. Uma técnica de venda comum é fingir não mais se interessar pelo cliente, pelo produto, pela garota... uma das formas de fazer isso é se mostrar mais valioso do que o eles têm a oferecer. Espero que dê certo com o Sr. Julius, senão eu vou ter que buscar informações ao modo Stracci. Não que eu já não esteja fazendo isso."

Passa no Arquivo, preenche a papelada para acesso ao caso de 10 anos, mas deixa isso para depois. 

Vai até seu carro. Passa à Banca e troca o cartão de memória do gravador da escuta. coloca a gravação pra tocar em seu carro, mas acelerando. 

Após isso se dirige até o local do convite de West e fica aguardando a hora ouvindo a gravação dentro do carro.
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Dr. Faust West em Sab Out 13, 2018 6:47 pm

Aura of Power
 Prime 2


The mage channels quintessence into himself and his
surroundings. He cannot control where it goes or how it
manifests, and it will spread. The result will be that the
mage will be quite noticeable, and appear more "real" than
the background. It gives a definite impression of power.
The negative side is that the quintessence attracts lots
of "little nasties" and can suddenly ground into patterns,
turning them more real too.


Dif: 5
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por The Oracle em Sab Out 13, 2018 6:47 pm

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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Dr. Faust West em Sab Out 13, 2018 6:56 pm

Dr. West meneou a cabeça sutilmente. "Eles certamente não são amigos dos Giovanni. " - reafirmou para Boca-de-Cabêlo. Ou isso, ou Ezio sabia mentir muito bem - bem o suficiente para conseguir enganar ele, o que, numa análise fria, parecia possível, mas não imediatamente provavél. 

Era interessante saber da posição dos Falcone em relação ao Stracci. Não estar no fogo cruzado entre duas famílias mafiosas era algo sábio, ainda que o doutor ainda não houvesse decidido se ser a ponte entre as duas era esperto - qualquer ego ferido de qualquer lado, o que era comum entre mafiosos, e ele seria tido como culpado. 

[...]

Quando terminou sua breve história - que não era mentirosa, veja bem: era quase tudo verdade, tirando alguns detalhes mais floridos que o narrador havia achado interessante acrescentar para efeitos dramáticos. 

A resposta de Boca-de-Cabêlo era boa. Demonstrava uma porta a ser aberta. A do Padre... nem tanto. Principalmente por que Dr. West conhecia Marie Curie, e assim que seu nome saiu da boca de Callahan, o bom doutor precisou conter um impulso de revirar os olhos: ele sabia exatamente onde aquela história ia terminar.

Ele apertou os lábios, e ouviu com calma o pequeno discurso de Calahan. A covardia lhe inquietava. A covardia frente ao desconhecido, frente as possibilidades. Eles estavam de pé em frente as portas da Verdade, e Callahan era fraco demais para abrí-las. Fraco demais sequer para guiar e proteger os homens que nele depositavam sua confiança. 

Mas não importava. Faust sabia ser muitas coisas - mas não era fraco. Não por ser excepcional - mas por que Eliza merecia que ele o fosse. A imagem de Eliza... ela o preenchia. O movia a diante. 

"Ótimo" - disse Faust, os olhos fixos nos do Padre. Ele não estava tentando ser amigável. Não que ele geralmente tentasse, mas uma fina parede de gelo parecia ter se imposto entre os dois. Ele não tinha tempo para amadores. 

"Não combatamos espíritos do mal, então. Mas eles seguem ao nosso redor. Seguem trazendo nossos homens de volta do túmulo. Seguem nos obrigando a escolher entre a vida dos homens e a dignidade dos corpos de seus companheiros." - seu cenho se apertou.

"Se você não quer arriscar morrer pelo seu rebanho, Padre, não se acanhe. Mas não use de meias palavras." - e ele quebrou o contato visual, voltando-se para Boca-de-Cabêlo.

"Que nossa amizade perdoe meus excessos, mas eu não tenho tempo para isso. Quando vocês quiserem resolver o problema, e não tratar cancer com novalgina, me liguem." - e começou a mover-se em direção a saída. 

Sairia, se não fosse impedido. Achava que seu arroubo havia sido necessário, e que havia conseguido demonstrar sua indignação de forma assertiva, mas razoavelmente respeitosa - com aquela pitada de desrespeito mínima para que soubessem o quão sério estava falando.
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por The Oracle Ontem à(s) 6:39 pm

Descrição do porto de Portland:
O porto de Portland parecia inteiramente feito de madeira velha e escura, meio apodrecida pela maresia, e que rangia lamuriosamente ao menor vento ou impacto das ondas. Os velhos armazéns eram assim, os atracadouros eram isso, os postes de luz e cercas eram assim. Até o armazém do Dr. Max, por fora, tinha aquela aparência. Apenas os guindastes ao longe, num ponto mais ao norte do porto (onde atracavam os navios maiores, como porta-contâineres) pareciam trazer algum metal à paisagem. Fora das vias mais movimentadas e asfaltadas, havia montes disformes de imundície, como se lixo e dejetos estivessem há séculos sem serem recolhidos, apenas sendo empurrados para os cantos, se decompondo em massas indistintas e fétidas de uma composição tão abjeta que nem mesmo abutres se aproximavam. Eventualmente, o som de passos denunciava a presença de ratos, e alguns até mesmo se tornavam visíveis: gordos, negros, lustrosos e destemidos, como se há muito ninguém se incomodasse em perturbá-los ou afastá-los. O oceano era escuro, e ali nas proximidades do porto, coberto por algum fluido de aspecto oleoso, espumando em alguns lugares. Ah, e havia o cheiro: um onipresente aroma de peixe podre, que permeava tudo e todos, como se estivessem em algum planeta alienígena, expostos à sua atmosfera sufocante.

Havia poucos barcos atracados. Alguns pesqueiros velhos, alguns barcos pessoais, algumas traineiras. Algumas daquelas embarcações passavam a nítida impressão de que seriam reclamadas pelo grande oceano em sua próxima viagem. Ao menos, é o que diziam seus cascos velhos, rotos e manchados, com os nomes de registro praticamente apagados, alguns com remendos visíveis, e outros com buracos que o dono nem mesmo se deu ao trabalho de tentar remendar. Alguns estivadores descarregavam peixe de um desses barcos: homens que traziam na pele curtida pelo sol, quase coriácea, marcas e cicatrizes de anos e anos de uma vida dura. E seus rostos traziam marcas similares, na completa falta de esperança em seu olhar distante, como se apenas seus corpos estivessem ali naquele momento, tendo suas almas há muito abandonado aqueles invólucros mortais, levando consigo qualquer traço de alegria ou desejo de viver. Circulavam, curvados sob suas cargas, como formigas operárias, trabalhando sem sequer fazer idéia do por quê.


Ezio dirigiu sem problemas até o local indicado. Como havia chegado muito cedo, teve tempo para ouvir a gravação da escuta na capela hermética. A gravação que capturou exigia alguma paciência. Por sorte, o policial tinha experiência nessas escutas, e sabia selecionar rapidamente as partes de interesse.

Havia longos períodos de silêncio, com apenas alguns ruídos de fundo, como páginas de livros sendo viradas. Houve algumas ligações também, e nelas se podia ouvir Willian von Heinekkein cuidando dos negócios que seriam esperados de uma lapidação (encomendando gemas brutas, avisando clientes sobre encomendas, etc). Aparentemente, o negócio sob o qual a capela se disfarçava não era apenas fachada.

De realmente relevante, ele pegou apenas alguns poucos diálogos. No primeiro, ele parecia falar com a Srta. Granger, logo após o som da porta abrindo:

- "Mandou me chamar, magister?"
- "Sim, Srta. Granger. Por favor, encaminhe esta mensagem à capela Novo Mundo. Use os meios seguros, e as senhas de nível 2. Aqui está o Sôrvo necessário".
- "Eles voltaram mesmo, magister?" - perguntou a garota, após alguns segundos.
- "Tudo indica que sim. Saberemos mais quando nosso aliado Eterita terminar sua análise. Parecem estar apenas observando, mas, cautela é uma boa medida no momento".
- "Entendo. Passarei a mensagem agora mesmo".

Um segundo diálogo se deu com Cortéz:

- "Sr. Cortéz, quero que os códigos mundanos de acesso à capela sejam trocados a cada 3 dias. Se Oliver em algum momento ficar trancado do lado de fora, se desculpa pelo imprevisto, e lhe passe os novos códigos, mas quero manter uma vigilância mais estrita. Nossos inimigos podem estar lá fora".
- "Desconfia do Akasha, Señor William"?
- "Não, mas também não confio. E principalmente, não confio na capela do Japão que o enviou para cá, nem nos cabeças que fizeram o acordo que permitiu isso. As práticas daquele pessoal são um tanto... estranhas, e suas motivações também. E se algo der errado, somos nós que estamos aqui para encarar as consequências, então, vamos nos precaver. O garoto parece suficientemente inocente, mas a história nos mostra que tal aparência, muitas vezes, é apenas uma fachada. Ah, e se o tal Elliot aparecer, me contate imediatamente".

Por fim, havia um último diálogo, entre William e uma voz feminina, aparentemente idosa, que Ezio não reconheceu:

- "Creio que vou indeferir essa saída deles de amanhã" - dizia von Heinekkein - "A Tecnocracia pode estar de volta à cidade".
- "E a Tecnocracia era justamente a desculpa que você precisava, não é, Willian?"
- "Ora, eu..."
- "Oh, por favor. Nós dois sabemos que não é a União que te assusta, que eles dificilmente tomariam ação contra meia dúzia de Despertos em um local público. Cortéz e Granger são jovens, não podem e nem devem ficar presos numa capela o tempo todo. São bons pupilos, você sabe disso, e se quiser que continuem assim, não pode predê-los numa gaiola. E mais do que isso, você tem que aceitar de uma vez que elas não são mais crianças".
- "Bem, de um ponto de vista cronológico..."
- "Ora, não venha com 'cronológico' pra cima de mim. Já faz uma boa quantidade de anos que troquei as fraldas delas pela última vez. E já faz pelo menos 2 ou 3 que ensinei a elas como se usa um absorvente. Olha para elas, Willian! São mulheres! Ainda têm muito o que aprender, mas não vão fazer isso se você tentar manter asas sobre elas como uma mãe galinha, o tempo todo!"
- "Ahhhh... Não sei, Thelma... Granger é uma boa influência, mas Cortéz..."
- "Cortéz é um falastrão, mas jamais tocaria nelas, jamais permitiria que algo as ferisse, e você sabe disso. E antes que você fale, Oliver parece um bom rapaz".
- "Bem... não posso prometer nada, mas vou pensar".
- "Pense mesmo. Com elas, sempre estamos pisando em terreno inexplorado, mas é melhor avançar pelo terreno inexplorado, do que ficar parado no lugar, tremendo de medo. Colocá-las numa coleira apenas as faria ter raiva de você, e lembre-se: elas podem te amar, mas ainda não tem a maturidade para perceber que tudo o que você faz é para o bem delas. Deixe-as... viver"
___________________________________________________________________________________

Quando Oliver finalmente chegou ao local, de longe já viu o carro de Ezio. Ao se aproximar, notou pelo parabrisa a figura do Eutanathoi, aparentemente absorto em algo. Poucos minutos depois. West veio caminhando sob o sol, contrariando a idéia de que os raios do astro-rei o fariam entrar em combustão espontânea. Segundos após a chegada dos dois, uma moto da "Pizzaria Litorânea" chegou, com o almoço (três pizzas grandes e dois refrigerantes).

Quando foram ter à porta do Armazém, os dois notaram que as portas de madeira velha deslizavam para abrir passagem, mas revelavam por detrás delas outro par de portas, essas de metal polido, e aparentemente capazes de segurar o ataque de um lança-foguetes. Para recebê-los, havia um indivíduo sorridente de terno, queixo quadrado, forte, e medindo aproximadamente 2,20 de altura.
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Oliver Gray Ontem à(s) 7:57 pm

Oliver chegou de Bom humor até o local marcado, simplesmente porque sempre ficava de bom humor após se exercitar. A sessão corrida/meditação fez muito bem para os seus nervos e ali estava ele, chegando por último em um convite para almoçar do qual ele não sabia muito. No entanto, a entrega de pizza era o tipo de informação privilegiada que o convenceria sem muita dificuldades a participar do evento. Cumprimentando os colegas de cabala, o jovem akasha os seguiu até as portas do lugar. Quando passou pela porta verdadeira, ele soltou um assovio de admiração, imaginando o que seria necessário para atravessar algo como aquilo. Não demorou muito até estar olhando para o peito do seu anfitrião, demorando algum tempo inclusive para inclinar a cabeça o suficiente para chegar até o rosto. Oliver tentou puxar pela memória se havia algum jogador de basquete que poderia ser filho ou neto do cara, mas não chegou a nenhuma conclusão. Até o momento, ainda bem relaxado, ele esperou que alguém dissesse algo enquanto olhava tudo em volta com curiosidade.
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Re: Uma noite de pesquisas e seus duvidosos frutos

Mensagem por Dr. Faust West Ontem à(s) 8:37 pm

Dr. West deixou o armazém onde encontrara-se com os Falconi com a consciência tranquila. Não estava no seu perfil remoer problemas, e apesar de ter demonstrado irritação, seus gestos haviam sido calculados. Tudo estava bem - ou, ao menos, era o que acreditava. Mesmo que Boca-de-Cabêlo não tomasse as atitudes que deveria, ele ao menos sabia agora sobre a veia necromântica dos Giovanni - o que era muito, muito interessante. Talvez valesse a pena questionar Dr. Max sobre eles - já era nítido que não tratavam-se apenas de mafiosos, pelo que descobrira na Hollow Net, mas as coisas agora estavam mais... concretas.

Deliciosamente concretas. Perigosamente concretas. 

O médico - vestido, como sempre, com um terno de três peças ligeiramente amarrotado e um pouco largo demais para ele - meneou a cabeça para Ezio e Oliver. 

" - É um prazer recebê-los." - disse, com a cortesia fria que lhe era habitual, antes de apertar suas mãos. 

Quando a pizza chegou, ele pagou ao motoboy e pediu que Oliver as carregasse. Colocou as senhas apropriadas nas portas, o reconhecimento de retina se fosse necessário, e olhou para os colegas quando Frank os recebeu.

" - Ezzio. Oliver. Este é Frank. Frank, estes são Ezzio e Oliver."
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