O Orfanato

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O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qui Mar 09, 2017 3:35 pm

Chas foi para seu táxi fumar, e os quatro Despertos ficaram por ali, no carro de Emma. Lá, Oliver contou toda sua visão, enquanto os detalhes ainda estavam frescos em sua mente. Após algumas perguntas dos demais, o quadro do que o Akasha vira ficou bem claro para todos. Então, de comum acordo, a "cabala" resolveu se dirigir para o orfanato. Apesar dos avisos de Vaýu.

Como resolveram ir a pé mesmo, viram Chas entrando no restaurante, já que ia ter que esperá-los. Ou pelo menos, foi o que Elliot disse, quando afirmou que já tinha pago uma semana adiantado ao homem.

Duas quadras depois, havia um bloco que parecia ter sofrido bastante. Bem na esquina deste bloco, havia um posto de gasolina. Ou pelo menos houvera, pois apesar de ainda ter os destroços do que fora um dia bombas e uma loja de conveniência, tudo fora queimado até sobrar bem pouco. Apenas o totem da Shell ainda permanecia de pé, orgulhoso, mas apagado. Como também está apagado todo o resto da quadra. Nem mesmo iluminação de rua funciona.

Logo depois deste posto, havia um prédio de cinco andares, com uma boa área por andar. O esqueleto dele, ao menos. A construção claramente havia se incendiado inteira. Poucas áreas do prédio não estavam enegrecidas, e várias paredes haviam cedido, deixando apenas o esqueleto metálico da estrutura. Ao redor do prédio, o que no passado fora uma área gramada e arborizada não passava de uma zona enegrecida, e a grade que cercava essa área havia caído em vários pontos (não havia obstáculo à entrada no prédio), e era adornada por placas de "condenado" e "mantenha-se longe" em outros pontos. Balizas retorcidas pelo calor marcavam o local onde antes havia uma quadra esportiva, e uma grande árvore, agora reduzida a um esqueleto esturricado, dominava a frente do terreno.

Oliver se lembrava daquela árvore. Era uma figueira. E tinha um balanço de pneu nela. Ele empurrara muitas vezes sua irmã naquele balanço... Mas o resto do prédio estava difícil de reconhecer. Ainda assim, ver uma parte da sua infância, reduzida àquilo...

Elliot deu um longo assovio, e disse: "Holy shit! Se os Techies que fizeram isso, eles não estavam brincando MESMO!"

Enquanto Oliver olhava para o que sobrara do orfanato, Emma e West tinham outra coisa para lhes chamar a atenção. No posto, havia uma pessoa. Um homem de uns 40 anos, com uma certa barriga proeminente e uma calva se formando. Ele tinha claras marcas de queimaduras, graves e recentes, no rosto e peito. Estava parado próximo a uma das bombas de gasolina destruídas, com uma das mãos fazendo um gesto de quem segura algo para frente, na altura da cintura, embora não segurasse nada. Seus olhos tinham um ar de apatia.

Repentinamente, o homem olha para cima, como se visualizasse um ponto qualquer uns 12 metros acima da rua, e seu rosto muda para uma expressão de surpresa. Mas essa expressão dura pouco. Ele é arremessado para trás, como se alguma força invisível o tivesse lançado para trás, e sai voando por uns 5 metros. Mas não houve força alguma, nada a empurrar o sujeito. Nenhum som. Nada.

Ele permanece caído por cinco segundos. No início, ainda se retorce e agoniza, mas nos segundos finais, fica apenas inerte. Ato contínuo, ele como que flutua até sua posição inicial, e assume a mesma postura de antes, o mesmo olhar de apatia.

E a cena se repete. E de novo. E de novo, conforme eles se aproximam.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Mar 09, 2017 3:41 pm

A questão, no fim, se reduzia a uma intensa e completa falta de informações. Eles simplesmente não tinham informações o suficiente para chegar a nenhuma conclusão com certeza absoluta – mesmo agora, sentado no carro e ouvindo o que Oliver contava sobre sua visão, tudo o que West conseguia eram mais dúvidas, mais questões. Nada saciava as perguntas que tinha e, pior ainda, nenhuma daquelas perguntas parecia levá-lo para mais perto da questão que realmente o interessava.

Durante a conversa no carro, o Eterita não falou muito – fazia perguntas aqui e ali, trazendo Oliver de volta e pedindo que revisitasse com mais detalhes algumas informações que lhe pareciam mais superficiais do que deveriam ser, mas não deu grandes pareceres ou opiniões. Ia fazendo aquilo que sem dúvida os outros já perceberam que era seu procedimento mental padrão: absorvia as informações e as deixava cozinhando no próprio cérebro, para depois entregar as conclusões já assadas.

Mas a visão sem dúvida havia sido estranha. Não tanto pelos efeitos especiais, por anjos e outras coisas – isso era o de menos. Mas a visão havia sido estranha por alguns detalhes menores: se Samuel havia sido teleportado/carregado até o local por alguma figura mística e espiritual de natureza incógnita, por que o dossiê apontava um rastro de sangue dele tendo se arrastado? Ou o rastro de sangue havia sido fabricado, ou a própria visão que Oliver havia tido era simplesmente a visão que alguém muito mais poderoso que eles – talvez a própria pessoa que ele havia sentido jogando-o de volta para o próprio corpo e os observando – havia desejado que ele tivesse. E todo aquele pedido, e desejo, e força… O que Samuel via? O que ele queria? Sem dúvida, o queria com vontade o suficiente para que pudesse transformar-se em um dos Inquietos… Mas os Inquietos não retém seus avatares, e isso destoava dos outros casos as quais havia tido acesso.

Mas, ainda mais importante que tudo aquilo, era o jovem negro que observara o profeta. Ele tinha informações. Ele havia visto coisas que Oliver não havia visto, tanto antes, quanto depois – e talvez ele estivesse sendo um pouco racista, mas algo lhe dizia que o relógio provavelmente havia ido parar no bolso do jovem. Torceu para que ele não o houvesse revendido.

[…]

Quando finalmente todos se levantaram e deixaram o carro, decididos a ir até o orfanato a pé, West deixou sua bengala no veículo, mas carregou a maleta consigo, movendo os olhos de Elliot para Chas, por um breve momento, enquanto o segundo movia-se para dentro do restaurante. Dr. West seguiu a caminhada mais dois passos, em silêncio, antes de sacar seu celular e começar a digitar uma mensagem.

Terminou quase uma quadra depois e guardou o aparelho no bolso, seguindo em silêncio sepulcral ainda que, mentalmente, estivesse a contar os próprios passos. E assim caminhou, inabalado pela destruição, pela surpresa, e pelo ambiente terrível – a cena inteira parecia um estrato da Umbra Negra, em fato.

O homem que era lançado para trás chamou sua atenção, e ele olhou brevemente para Emma, ao seu lado. Suspirou. “ - É um destino terrível, não?” – comentou e, talvez, a Cultista percebesse uma nota de emoção sincera no lamento do homem que chamava de Magoo.

Mas Faust olhou para os outros, em seguida.

“ - Não vejo outra solução a não ser entrarmos para investigar. O ideal seria que tomássemos o tempo para nos proteger, mas nas circunstâncias atuais, não me parece que possamos nos dar ao luxo.” – disse. “ Mas tomemos cuidado, por favor. Vou começar dando uma volta no quarteirão em sentido horário, conferir o exterior do local, e depois entramos e conferimos metro quadrado por metro quadrado, calmamente.” – sugeriu, mas não esperou muita resposta, antes de começar a andar.


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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Mar 09, 2017 3:52 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qui Mar 09, 2017 3:52 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Qui Mar 09, 2017 4:50 pm

  Após terminar de contar o que viu e responder às perguntas de Emma e Faust, Oliver seguiu com eles em direção ao orfanato, ou o que sobrava dele. Desde o momento no qual a construção se tornou visível, o Jovem Akasha não disse mais nada. Sua expressão parecia sofrida e seu silêncio, nada usual. Oliver não chegou a notar o que acontecia ao seu redor. Na verdade, ele sequer prestou atenção no que os companheiros estavam dizendo. Ele estava, pela segunda vez no dia, atordoado e tentando se recompor. Em uma pausa na conversa de Emma e Faust, ele disse, distraído:




- "Diante do perigo eminente, pendemos entre a opção de perder alguns minutos nos preparando, ou perdermos a eternidade nos arrependendo de não o termos feito. Mortos, certamente não encontraremos a solução deste mistério".


Se alguém perguntasse a ele o que ele havia acabado de dizer, ele não saberia repetir. Qualquer um que prestasse atenção suficiente perceberia que ele sequer parecia ter falado com alguém em especial. Oliver só ficava ali, contemplando aquela paisagem sinistra e pensando em fantasmas do passado.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Mar 09, 2017 6:31 pm

Faust - que havia já dado o primeiro passo para fora da calçada - parou, ao ouvir as palavras de Oliver, a forma estranha como elas soavam, e voltou os olhos sobre ele. Ele teria razão, é claro, num cenário ideal: precisavam se proteger. Mas eles tinham tempo? Tinham um lugar? Tinham os meios, conheciam os métodos uns dos outros bem o suficiente...?

Antes, Faust achava que não. Após as palavras de Oliver, a sensação mudou: era como se não tivessem muita escolha. Precisariam dar um jeito. 

" - Precisamos de um lugar mais discreto para fazer os procedimentos, então." - assentiu, nitidamente convencido, voltando para junto dos outros.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Sab Mar 11, 2017 12:55 pm

Emma pôs-se a andar, não antes de dizer para Vaýu permanecer no carro e dar algum sinal caso tivesse algum problema por ali, apesar de ter trancado o veiculo, deixou parte das janelas semi-abertas. Então seguiu com os outros, nada satisfeita com a decisão.

Quando West falou com ela, a loira voltou sua atenção ao sujeito, antes de observar a cena à frente por algum momento em silêncio, suspirou de leve. - Não tão terrível quanto os nossos, não é? Ele não tem mais escolha, nós, ainda temos e continuamos a escolher as ruins.

Ao que finalmente pararam de andar, frente ao lugar em que estavam, não era tão simples quanto parecia inicialmente, afinal. O fator de não haver luz no local e nem nas proximidades tornava tudo pior. Sua atenção, uma vez mais, voltou-se a West.

- Então o senhor tem uma visão muito limitada das coisas, Mr Magoo.- Disse-lhe a Cultista, movendo as sobrancelhas levemente. - Eu ainda tenho perguntas que não tem respostas: Quem era a testemunha? Ainda vive? O que mais poderia ter visto? Eles tem uma Oradora, por que ela não veio aqui em pessoa? Por que eles não vieram em pessoa se é um assunto tão gravíssimo? - Uma leve pausa, enquanto voltava seus olhos na direção do espírito preso aos momentos finais.

- Você tem uma arma, mas duvido que seja útil nesse aspecto, assim como duvido que as habilidades de Oliver possam ser úteis também, contra isso. Então, somos quatro, desarmados, com nenhuma defesa ou informação, num lugar completamente escuro, numa construção desconhecida. Vocês tem as plantas? Bem, mesmo que tenhamos, o local está como está, podemos encostar em uma parede e ela desmoronar na nossa cabeça ou cair num buraco que não conseguirmos ver. Mas... - Gesticulou. - A única solução disponível ao senhor é... Entrarmos. Acredito que o senhor deva sair um pouco mais do laboratório, Dr. West. - E lhe piscou um dos olhos, antes de voltar sua atenção para a construção à frente.

Oliver então falou, e a moça suspirou de leve. - Você se lembra dos olhos que viu? Eram os mesmos que nos olharam, após o rapaz entrar no restaurante? - Quis saber, dirigindo-se a Oliver.

- Me sinto muito estranha em ser aquela que tenta pensar racionalmente aqui. Eu sou a Cultista, afinal. - Resmungou. - Você se lembra da rotina do Orfanato? O que o homem estaria fazendo agora? Segundo as certezas agora duvidosas do Doutor, é onde o encontraríamos nesse momento. De qualquer forma, não vou entrar lá, não despreparados e desinformados como estamos, não vou ser um rato de laboratório para senhores de terno atrás de suas mesas, ainda mais quando esses senhores tem mais recursos e informações do que nós temos, atualmente. Isso é estupidez e irracional e estou surpresa em ser a única a pensar assim. - Então se virou para West.

- O que estamos procurando? - Perguntou Emma. - Você não disse antes e não disse agora. Viemos até aqui por é um curioso, mas não disse o que estamos exatamente procurando. E além do mais, gostaria de deixar explicito que o senhor é muito desagradável.- Completou, com o cenho franzido, voltando-se a Oliver.

- Não acredito que as respostas que procura estejam lá, mas deixo para você decidir o que fazer a respeito. Se não houver nada seguro a se fazer, voltarei para o carro.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Sab Mar 11, 2017 5:10 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sab Mar 11, 2017 5:10 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Sab Mar 11, 2017 5:21 pm

Oliver estava claramente afetado pela visão do orfanato, pensando em sua irmã, no corista, na visão devastadora do lugar que chamou de lar totalmente destruído. Não é incompreensível que ele não estivesse com saco para as discussões entre West e Emma, que ele ignorou solenemente, já que a opção era nocautear os dois. Quando Emma finalmente lhe fez uma pergunta, ele disse:

- "Agora que você falou, é muito possível. São muito parecidos sim. Você acha que consegue fazer o cara falar? Eu ou o West provavelmente não servimos muito bem pra essa tarefa e, caso você entre com a gente a tira colo, pode acabar deixando o cara desconfiado. Talvez ele ainda tenho o relógio do corista. Que tal? Nós encontramos você lá ou em casa depois daqui.
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Dom Mar 12, 2017 12:21 pm

Durante a caminhada até ali, Elliot estivera calado. Caminhava ao lado da irmã, assoviando baixo (dessa vez uma melodia não irritante). Até ali, costumava manter no rosto uma expressão blasé de quem está levemente entediado, mas agora, parecia até moderadamente excitado. Quando chegaram ao orfanato, após seu breve comentário inicial, permaneceu calado, olhando as discussões dos demais como quem assiste a um jogo de rúgbi. Mas, depois das últimas palavras, finalmente abriu a boca:

- "Ora, ora, ora, amigos... porque toda essa celeuma? Na boa, isso é um prédio condenado numa cidadezinha de merda, só isso. O que vocês acham que vamos encontrar aí dentro? Uma tropa de Tecnocratas com armas laser? Um demônio ancestral? Provavelmente não tem nada além de uns vira-latas e mendigos. Entrar aí não vai ser mais arriscado que andar de noite numa parte ruim da cidade, o que, por sinal, já estamos fazendo."

- "Pode ser que não achemos nada" - prosseguiu ele, gesticulando de forma ampla, como se fosse um vendedor de carros - "mas pode ser que Doc esteja certo, e achemos o fantasma do velho. Isso não te dá nem um pouquinho de curiosidade, irmã? Quer dizer, é um fantasma que faz Mágika! O cara descobriu o segredo da imortalidade, algo que todas as culturas buscam desde que o mundo é mundo. Ou, como você parece estar nessa onda agora, o cara levantou o dedo médio pra... como chama mesmo? Ah, a Roda de Samsara. E ele tá por aí, pregando e ajudando gente, mesmo morto há seis meses. Sério, isso não te causa nem um pouco de maravilhamento? Não te desperta um tiquinho de curiosidade? Quando foi que você ficou um tão velha? Eu nasci 2 minutos antes, o velho aqui devia ser eu..."

- "Mas, é claro que os velhos magos não vão vir aqui. Não é assim que as Tradições funcionam, né? Eles vão mandar os estagiários, ou vão discutir por anos antes de darem outra solução. Se quisermos ver isso até o fim, e eu quero, é com a gente que temos que contar. E uma coisa eu sei: fazer o que os outros fariam só te leva a onde outros já foram. Doc West não dá mais detalhes simplesmente porque ele não sabe mais nada, irmã, só é orgulhoso demais pra admitir. Nenhum de nós sabe, estamos pisando em terreno novo. É por isso que se chama investigação, e é por isso que temos que descobrir no peito e na raça, e não por livros" - suspirou - "na vida, ou você assume riscos, ou vai viver como um boçal medíocre, igual aos outros milhares que já viveram antes. Essa é a regra do jogo. E, se o problema é luz, ora, temos uma fonte de luz aqui mesmo" - disse, acendendo um cigarro com um grande isqueiro metálico, de aspecto caro.

- "Dito isso, acho uma ótima idéia você voltar pro restaurante. Não há razão pra se arriscar. Deixe isso pros homens
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Dom Mar 12, 2017 1:22 pm

Honestamente, talvez eles se perguntassem se Dr. Faust West era, de fato, humano, e não algum ciborgue foragido da própria tecnocracia. Digo isto por que ele permaneceu completa e totalmente impassível e silencioso frente aos questionamentos, frente as ofensas e a descrença de suas posições ou capacidades por Emma e, posteriormente e até certo grau, por Elliot.

Era como se sequer estivesse ouvindo – apesar de estar nitidamente ouvindo, pois estava parado em frente a eles, de olhos bem abertos e vez ou outra mexendo a cabeça para indicar que continuassem. Bem verdade, era mais como se estivessem falando de outra pessoa, de alguém que simplesmente não estava presente e com quem ele não poderia importar-se menos.

Por trás dos olhos que haviam por trás daquelas lentes circulares, Dr. West pensava. Sua mente fazia círculos e danças e avançava por linhas e mais linhas sobrepostas e intercaladas de ações hipotéticas. O que aconteceria se ele fizesse isto, e depois disto, aquilo? Quais seriam as possibilidades abertas? Quais eram as probabilidades? Mesmo antes de iniciar seus estudos formais em Entropia, sua mente já se encantava pelo território da esfera.

No fim de tudo, concluiu:

“ - Concordo. Em partes.” – afirmou, antes de gesticular, brevemente, na direção de Elliot e Emma. “ - Ainda não sabemos se existe algo de potencialmente perigoso no restaurante ou em volta dele, logo, não é uma boa aposta que a Srta. Woolf vá sozinha. Oliver foi, de fato, violentamente jogado de volta ao próprio corpo, no fim das contas. Vocês são irmãos, e já temos estudos Herméticos e experimentos Eteritas que comprovam claramente que magos ligados por sangue, mesmo sem conhecimento ou prática conjunta, trabalham melhor juntos. – fez uma pequena pausa, passando os olhos por Oliver e depois voltando aos dois.

“ - Logo, eu e Oliver podemos investigar o Orfanato – já que aparentemente temos acervos complementares de habilidades” – acrescentou, olhando para o Akasha, antes de retornar aos outros dois. “E vocês utilizam suas superiores people-skills para investigar o restaurante. – afirmou.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Dom Mar 12, 2017 1:30 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Dom Mar 12, 2017 1:30 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Dom Mar 12, 2017 1:39 pm

Após reconhecer que Elliot havia subido em seu conceito vertiginosamente nos últimos segundos, Oliver respondeu ao olhar de West assentindo com a cabeça:

-  "A ideia é boa, mas está na cara que o Elliot quer vir junto. Ademais, eu tenho certeza que a Emma dá conta do restaurante sozinha, não é, Emma?".


  Oliver já estava ficando impaciente a essa altura:

- "Amigos, eu atravessei o mundo para estar aqui essa noite. Não comi, não dormi e não vou fazer nenhuma das duas coisas até tirar o máximo de informação que esse lugar pode me oferecer sobre a minha irmã.

   Dito isso, ele seguiu para entrada do Orfanato, deixando a cargo do grupo decidir quem fica e quem vai. Assim que se aproxima da construção em ruínas, Oliver ouve sons estranhos, gemidos e uma respiração acelerada, como se a vida estivesse deixando o corpo de alguém. Imediatamente, ele grita um "ei, tem alguém com problemas lá dentro!" e segue em direção ao som, entrando no orfanato furtivamente, mas tão rápido quanto possível.


Última edição por Oliver Gray em Dom Mar 12, 2017 1:52 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Dom Mar 12, 2017 1:51 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Dom Mar 12, 2017 1:51 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Dom Mar 12, 2017 3:48 pm

Se Dr. Faust West era capaz de sentir empatia, sem dúvida era pela emoção que Oliver demonstrava em sua frase – aquela paixão absoluta e determinada para conseguir informações sobre sua irmã, de vencer qualquer obstáculo, de lançar-se frente a escuridão. “ - Eu não diria que ...” – ele começou, quando o rapaz se afastou. Mas nem mesmo se deu ao trabalho de concluir a frase: ele já estava longe.

Mas, empatia ou não, a idéia de simplesmente sair andando era de uma idiotice tremenda – principalmente por ser a mesma idéia que o próprio Oliver o havia impedido de levar a cabo, poucos minutos antes. O doutor respirou fundo. Ele sabia que entrar no Orfanato sem proteção era estúpido, ele sabia que deveriam se planejar melhor, ele sabia que haviam informações potencialmente muito mais importantes a serem descobertas no restaurante.

Mas a chance, a mínima chance de confirmar sua teoria, de estar certo, de dar um passo a frente… De chegar em casa, sentar-se junto de sua esposa e contar-lhe que estava mais perto de ajudá-la – e fazê-lo, desta vez, com verdade absoluta nas palavras – o impedia de voltar, e o impeliu a frente.

West não correu, tampouco acelerou o passo. Ele fechou os olhos por um instante, visualizando a imagem de Eliza, antes de abri-los uma vez. Olhou para o casal de irmãos. “ - Eu os encontro no restaurante, então.” – mas falava principalmente para Emma que, apesar de achá-lo desagradável, era de mais confiança do que Elliot. Até por quê, pelo que havia escutado até então, a Cultista certamente não iria atrás deles. 

E então ele levou os dedos aos óculos que não eram seus, começando a mover-se em direção a construção, atrás de Oliver. O que o Akasha via muito provavelmente não era real, e aquilo precisava ser averiguado: mas com alguma sorte, entrando pouco depois do americano, sua presença discreta fosse ignorada e ele tivesse tempo de trabalhar.

Sistema: pequeno ritual, 2 rolagens. Buscando 3 sucessos.



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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Dom Mar 12, 2017 3:48 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Seg Mar 13, 2017 6:59 pm

Quando Oliver falou, a jovem o olhou por um breve e silencioso minuto, talvez, pensou ela, tivesse se enganado a respeito do sujeito afinal. Suspirou, voltando sua atenção a pequena bolsa pendurada pela alça em seu pescoço/ombro, revirando por ali para encontrar algo.

Então seu irmão começou falar e ela levantou a cabeça, dessa vez com o cenho franzido. Por um breve, muito breve instante, fechou os olhos e deixou-se respirar profundamente. Abriu os olhos, parecendo que iria dizer alguma coisa, mas apenas suspirou, começando a andar de volta para o carro. A primeira coisa que fez quando voltou ao carro foi abrir a porta e baixar uma das janelas; sempre que precisava por Vaýu no carro lembrava-se daquelas noticias horríveis de crianças sufocando em carros fechados.

- Você viu nosso mapa? - Quis saber, sentando-se no banco do motorista, enquanto fuçava o porta-luvas. - Acho que estou sendo punida pelo Karma, talvez tenha desrespeitado o Dharma em algum momento sem nem ao menos notar. Este dia está terrível, Vaýu. - Fez uma pequena pausa na busca, enquanto levava uma das mãos à testa, tocando-a com as pontas dos dedos.

- Vamos embora, é o melhor a fazer. Podemos pedir informação no caminho. - Concluiu, ao fechar a porta e por a chave na ignição ligando o carro, voltou-se para trás, ao engatar a ré para sair dali.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Ter Mar 14, 2017 8:57 am

Testando força de vontade dificuldade 7
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Ter Mar 14, 2017 8:57 am

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Ter Mar 14, 2017 12:03 pm

Quando Oliver adentrou o velho prédio incendiado, por uma parede parcialmente desabada, o cheiro o atingiu como um soco no nariz. O lugar ainda rescindia levemente a queimado, mas havia outros aromas piores misturados, como urina velha e carne em decomposição. E o aroma agridoce da nostalgia.

A estrutura tinha tantos buracos, que as nesgas de luar entrando por eles permitiam uma visão bastante limitada, porém suficiente para os sentidos bem treinados de Oliver. Suficiente, ao menos, para que ele não caísse e quebrasse o pescoço. Como estava se movendo lentamente, sem fazer som, era possível andar sem maiores problemas. Suficiente também para ver as paredes enegrecidas, algumas estufadas de umidade e acumulando um bolor fedorento. Pichações guarneciam alguns pontos, incluindo uma série de 7 pênis estilizados, do maior para o menor. o Fato de Oliver andar sem fazer som, entretanto, tinha um efeito negativo: parecia amplificar os sons ambientes. De vez em quando, ouvia-se o som de gotejar, ecoando pelos corredores vazios, e também o assovio do vento frio penetrando pelas frestas nas paredes, como se fossem as lamúrias dos mortos daquela tragédia. Da escuridão, um brilhante par de olhos verdes o observava. Provavelmente um gato, imaginando porque aquele humano tentava se mover tão silenciosamente quanto ele. E se aqueles olhos não fossem de um gato, Oliver não queria pensar do que seriam.

Focado em manter-se incógnito, o Akasha seguiu adiante, se guiando pelo som de gemidos e respiração ofegante. O prédio desfigurado e queimado era, em sua maior parte, irreconhecível de suas memórias, mas ainda assim, alguns detalhes despertavam lembranças. Como uma grande cruz de bronze pregada a uma parede. Ao ver aquela velha cruz, agora retorcida pelo calor, Oliver soube que estava no corredor que ligava o hall de entrada até as escadarias no fundo. Tendo se localizado, notou que os sons pareciam vir do que antes era a sala de convivência do orfanato, o local onde passavam a maior parte dos dias chuvosos, e também o pouco de noite que tinham, antes da hora de recolher. O caminho mais curto era passando pela sala de refeições. E, dali, parecia o único, dado que o resto do corredor fora tomado por escombros.

Quando Oliver virou na próxima porta, adentrando a sala de refeições, as coisas não saíram muito como ele queria. Coberto de azulejos, e com vários encanamentos de água nas paredes, aquele cômodo parecia ter resistido melhor ao incêndio. Ainda assim, a parte que dava para a cozinha tinha sofrido um grande dano, provavelmente por alguma explosão de gás. Aquela sessão da parede havia ruído, permitindo a entrada de uma boa dose de luar. Assim que chegou ao cômodo, Oliver viu canos retorcidos, saindo das paredes como minhocas demoníacas, gotejando. Viu um ninho de ratos num canto, ratos gordos e lustrosos, se retorcendo e subindo uns em cima dos outros e guinchando, num frenesi depravado. Viu, nítida, imensa, banhada pelo luar, uma pichação, em tinta vermelha, lhe gritando: "HELL ON EARTH". E viu a mesa de refeições. Feita de metal e fórmica, ela havia resistido bem ao incêndio. Tirando as bolhas formadas pelo calor na fórmica, e o enegrecimento do metal, era quase como antes. E as lembranças o atingiram quase como outro soco. Por tantas vezes ele comera, rira e brincara naquele lugar... As voluntárias reclamavam que eles deveriam comer quietos, mas os deixavam em paz, depois de perceberem que era impossível. E vieram as lembranças das pessoas. Sua irmã, Michael, Paul, Martha, John, Jonas, Rachel...

Michael, o sujeito que quis lhe fazer um bullying no primeiro dia, sem saber que ele era campeão estadual de caratê, mas depois da surra se tornou seu melhor amigo...

Rachel, a garota em que deu o primeiro beijo, num armário de materiais de limpeza, durante uma brincadeira de pique-esconde. Quer dizer, a primeira garota que lhe arrancou um beijo, já que a iniciativa foi dela...

No fim das contas, eles se tornaram sua nova família, e uma família que o recebeu no pior momento de sua vida.

Onde eles estariam? Teriam sido adotados? Teriam ido cuidar de suas vidas? Ou permaneceram no orfanato? Oliver sabia que duas das voluntárias tinham sido jovens criadas ali, e que acabaram não saindo. Mas se estivessem lá... Poderiam ter morrido no incêndio também...

E aquilo, por um momento, foi demais para Oliver. Ele parou, colocou a mão sobre a superfície da mesa, para não perder o equilíbrio, e, simplesmente, parou.

_________________________________________________________________________________

Do lado de fora, logo depois que Oliver entrou no prédio, e logo depois de se dirigir aos irmãos, Dr. West viu Elliot passar correndo por ele, murmurando "vamos nessa, Doc. Senão o garoto estraga tudo". Pelo rabo do olho, viu também Emma, voltando na direção em que vieram, sozinha, pela rua escura e deserta. Talvez isso preocupasse outra pessoa, mas West estava mais concentrado em calibrar os malditos Google Glass. Quando finalmente conseguiu isso, já estava na parede ruída por onde os demais entraram. Elliot ainda estava ali, com seu isqueiro aceso, andando com cuidado. Mesmo assim, tropeçava de vez em quando, murmurando coisas como "freakin' hell!" quando acontecia, naquele sotaque inglês carregado. Não parecia ser especialmente ágil.

Quando o equipamento em seu rosto finalmente ficou on-line, West viu um quadro um tanto desagradável, embora familiar. As percepções mágicas eram suficientemente interessantes para que ele mal notasse o cheiro nauseabundo do local.

Em termos de potencial eterdinâmico, não notou nada de anormal. Não havia efeitos mágikos em andamento por ali, nem quaisquer fontes de quintessência se sobressaindo. O local tinha, entretanto, uma Ressonância incomum. Uma Ressonância mista, por assim dizer. Os estudos de West não estavam avançados os bastante para quantificar aquilo, mas, como hipótese, ele poderia dizer que havia uma nova Ressonância se sobrepondo a uma antiga. A anterior era leve, e seria o que a maioria das pessoas chamaria de "positiva". Ela lhe lembrava os momentos em que estava com Elisa, na varanda de sua casa, tomando chá gelado, no fim de tarde... Já a mais recente, lhe lembrava o que ele sentira quando lhe comunicaram seu óbito.

O que a análise das vibrações primordiais não lhe trouxe de interessante, uma perscrutação das dimensões sutis compensou. Nas Shadowlands, ele se deparou com uma Aparição, passando por ele em chamas (passando por dentro dele), e indo cair, se retorcendo em agonia, no gramado do lado de fora. Apenas para depois flutuar de volta a posição inicial e repetir a cena. Apenas mais um drone. Acabaria vendo mais dois casos como este ao avançar para dentro da construção. Nenhum Morto Inquieto, entretanto. Já a Penumbra estava bem mais povoada. Havia uma coleção de pequenos umbróides de algumas variadas categorias. Não tinha muito tempo para observá-los com cuidado, mas todos pareciam girar em torno de um campo semântico comum. Pareciam espíritos da Dor, do Desespero, coisas assim. E pareciam haver alguns daqueles espíritos alinhados com o princípio da Entropia. Malditos, como alguns os chamam. Aqueles poderiam ser perigosos, mas não pareciam interessados em arrumar confusão.

Aqueles pequenos espíritos circulavam por ali, pelos cantos. Pareciam farejar, como se procurassem por algo, como um cão vadio procurando por alimento. Alguns pareciam "beber" de pequenos miasmas escuros, que surgiam aqui e ali. Um deles se aproximou de West, e pareceu farejá-lo, mas logo foi embora. O comportamento geral deles, entretanto, parecia sugerir que se congregavam em algum ponto mais para dentro da estrutura.

Um som de gemidos abafados e respiração ofegante era audível agora, embora bastante sutil. E parecia vir do interior da estrutura. Seguiu Elliot. No fim das contas, o isqueiro dele facilitava ver o caminho. e ele parecia estar indo em direção ao ponto de convergência.

_________________________________________________________________________________

Um toque em seu ombro fez Oliver voltar de dentro do poço das memórias. Era Elliot, com um isqueiro aceso numa das mãos, e sussurando: "cê tá legal, mate?". Mas, sem esperar resposta (não parecia realmente se importar se Oliver estava bem ou não), virou-se para a porta de entrada da sala de refeições, por onde West estava entrando naquele momento, e sussurrou mais uma vez:

- "Veja, Doc, tem uma luz vindo daquele lado" - e realmente, havia uma luz fraca vindo de uma porta, outra diferente da qual haviam entrado. Os sons de gemidos e respiração eram mais audíveis agora. Vinham dali, misturados com o que parecia uma fala sussurrada - "melhor preparar aquele seu pau-de-fogo" - disse, tirando ele mesmo um revólver pequeno de um bolso interno do casaco - "e você prepara seu kung-fu, garotão".
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Ter Mar 14, 2017 12:25 pm

Nem Oliver havia esperado sensações tão poderosas e negativas emanando do orfanato. Aquele lugar era puro ying, a falta de equilíbrio do ambiente era aterradora. Passando furtivamente pelos escombros, ele manteve os olhos naquilo que teoricamente seria um gato. Só para ter certeza.

   Quando chegou na sala de jantar, seu mundo desabou. Oliver era treinado para suportar cargas mentais, mas nada tão pessoal quanto aquilo, aparentemente. Todos aqueles momentos, todas as lembranças. Onde estariam aquelas pessoas? Será que alguém havia escapado, como ele poderia descobrir isso. Antes mesmo de conseguir pensar em uma resposta para tais perguntas, e sem mesmo perceber, lágrimas corriam abundantemente por seus olhos. Ele sequer percebeu a aproximação de Elliot, perdido que estava em seus pensamentos.

   Quando sentiu o toque em seu ombro, ele conteve a reação de imobilizar quem quer que fosse, preferindo secar o rosto com as mãos antes de se virar. Nas duas vezes que Elliot falou, ele não respondeu verbalmente, apenas acenando positivamente com a cabeça, sério, antes de seguir pela porta. Se ao menos ele pudesse salvar uma pessoa...
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Mar 14, 2017 8:55 pm

Particularmente, ao ver Elliot disparar para frente, ultrapassando-o e deixando a irmã para trás, não foi exatamente preocupação que sentiu – foi uma estranha e curiosa sensação de desgosto: Elliot não lhe parecia de confiança, nem tampouco agradável ou de qualquer forma alguém que gostaria de ter por perto, mas havia o atenuante do jovem orfão parecer importar-se muito com a irmã, talvez até de forma excessiva…

… Mas aquela ruptura, aquele lançar-se para frente, abandonando-a… Ou ele sabia de algo que Dr. West não sabia – afinal, o que era o “tudo” que o garoto ia estragar? - ou simplesmente não tinha tanto amor assim pela parente perdida. Aquilo lhe parecia errado. Mas o doutor seguiu em diante, calibrando os óculos, os malditos óculos, para que funcionassem da forma correta. Era um dado comportamental extra, de qualquer forma – e, no fim das contas, não tinha tempo para gastar com as relações rompidas das outras pessoas. Ele sempre havia dado valor a Eliza. Sempre.

[…]

Moveu-se pelo lugar sem realmente dedicar-se a seguir Elliot e Oliver. Os dois pareciam interessados o suficiente em fazer bagunça e agir sem pensar para que ele se desse ao trabalho de seguir por aquela linha de raciocínio, então preferia manter-se um pouco mais afastado, observar as frequências, os fluxos, os movimentos.

As pessoas, Dr. Faust West achava, estavam sempre muito preocupadas com o imediato, com o que estava diretamente em frente a seus narizes – eles ouviam um barulho e pensavam “vou investigar”, sem se dar ao trabalho de entender o contexto, de compreender as vicissitudes da questão. A maioria das pessoas agia como uma marreta – e, é claro, marretas eram importantes. Mas haviam trabalhos, como, por exemplo, cirurgias, que eram melhores se deixados a cargo de bisturis.

Deixando então que os martelos se divertissem em seus bang-bangs - que o médico fez questão de manter em seu campo de visão, ainda que na distância, apenas para ter certeza que estava tudo bem – ele caminhou por ali. Tentou desviar-se, inutilmente, da imagem em chamas que somente ele havia visto.

Os espíritos que se aproximavam, West tratava com indiferença polida – como alguém particularmente acostumado a andar no meio do mato lidaria com esquilos e coisas assim, ele tinha um respeito grande o suficiente pelos habitantes da penumbra para não chutá-los ou hostilizá-los, mas se não era particularmente afetuoso e dado com as pessoas, aquilo não mudava com os habitantes de realidades paralelas. Vendo como farejavam, como buscavam as coisas, o doutor sentiu um breve incômodo pessoal por não ter dedicado tempo o suficiente em seus estudos espirituais para efetivamente compreender a comunicação das formas umbrais… Mas aquilo era o de menos. Estava estudando para chegar aquilo.

O ambiente retorcido e os padrões de energia eram… “Desconfortáveis” não eram as palavras: Dr. West havia se acostumado o suficiente com a Terra das Sombras e seu reflexo da tellurian a ponto daquele tipo de cenário não ser realmente desconfortável… Mas era estranho. Era como caminhar pelas ruínas de uma civilização perdida enquanto aquela civilização ainda existia. A ressonância dupla acentuava a sensação.

Quando deu-se por satisfeito, decidiu seguir caminho para o ponto no qual convergiam os espíritos, e aproximou-se de Elliot e Oliver, seguindo as promessas que a luz da chama trazia, na escuridão.

[…]

Oliver e Elliot puderam ver Faust se aproximar com calma – ele olhava em volta, vendo coisas que só ele via, e as vezes fazia meneios da cabeça, como quem adquire uma informação nova, ou soltava pequenas interjeição bastante discretas de “hmm”, pensativo.

West parou ao lado deles na mesa, mas não se abaixou. Passou os olhos pelos dois companheiros, e depois levou-os em direção a porta, olhando em volta. Os espíritos congregavam-se naquela direção, caminhando através da matéria.. O doutor ergueu a maleta e apoiou-a na sobre uma das mesas retorcidas, calmamente.

“ - Estes não são sons de morte ou dor, meus caros. Acreditem, pois os conheço bem.” – avisou num sussurro, olhando principalmente para Oliver. Não era difícil de acreditar – alguma coisa no doutor tornava bastante fácil aceitar que ele tinha seu entendimento sobre morte ou dor: se por ter presenciado ou por ter causado, era difícil dizer.

“ - Se puderem aguardar um momento, podemos conseguir ainda mais informações e nos aproximar da realidade de nossa situação. Encontrar apoios firmes para os pés e conseguir, de fato, jogar alguma luz sobre os mistérios que nos cercam.” – acrescentou, enquanto abria a maleta silenciosamente. Achava importante falar algo que, de alguma forma, não fosse simplesmente um “se acalmem, suas antas” e sim que desse um motivo para esperarem: Oliver queria resolver a questão de sua irmã, pois bem… Para isso, precisam de informações.

De dentro da maleta, o mago retirou o que parecia uma calculadora de cobre, mas era um pouco diferente: acima do visor haviam quatro lâmpadas, pequenas e, por cima dessas, um resistor. Soldado na base da calculadora, um objeto redondo de metal, como um relógio. Ele fechou a mala e, fazendo um gesto de silêncio para os dois, se aproximou um pouco mais da parede e encostou nela o resistor – uma das luzes acendeu e os ponteiros do relógio embaixo giraram. West rapidamente inseriu na calculadora um número muito maior do que os ponteiros poderiam ter entregado – a frequência de vibração do material, e afastou-se novamente para junto dos outros, enquanto apertava mais alguns botões. Fez uma pausa então, e franziu os cenhos, passando o número resultante pelo algoritmo necessário – um complexo demais para a máquina, mas não para sua mente – e alcançando, se tudo desse certo, a compreensão dos padrões que residiam na sala a partir dos ruídos que empenhavam sobre a matéria da parede.


sistema:  1 rolagem de arete dif4, e depois uma rolagem de Int + Ciência que o narrador não me disse nada sobre, mas espero que caiba uma das minhas especializações.


Última edição por Dr. Faust West em Ter Mar 14, 2017 8:57 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Ter Mar 14, 2017 8:55 pm

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


#1 'D10' : 6, 1

--------------------------------

#2 'D10' : 8, 1, 7, 8, 7, 9, 1, 1
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Ter Mar 14, 2017 9:19 pm

Depois de alguns segundos, West parou e respirou fundo, abaixando a calculadora e olhando para os dois. 

" - Não funcionou." - disse, assim, sem se importar muito, por que o player provavelmente se incomodou muito mais com essa falha miserável do que o personagem.  

" - Posso tentar de novo, ou podemos seguir o caminho menos sútil. Deixo a critério de vocês." - concluiu, eternamente plácido.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Ter Mar 14, 2017 9:47 pm

Oliver esperou por um tempo que lhe pareceu uma penitência enquanto West tentava um feitiço que ele provavelmente jamais saberia do que se trata, especialmente porque tinha falhado. Tirando por esses momentos, era fácil se esquecer de ele não estava cercado de magos tremendamente mais experientes do que ele. Fosse como fosse, era hora da ação. Em resposta à pergunta de West, Oliver disse:

- "Eu vou na frente".
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qua Mar 15, 2017 6:27 pm

Enquanto West fazia seus procedimentos, Elliot permaneceu recostado numa parede, jogando para o alto e pegando uma moeda. Quando o doutor finalmente parou e deu sua declaração anti-climática, ele não escondeu um sorrisinho sarcástico, e murmurou: "não esquenta, Doc. Acontece nas melhores famílias". E quando Oliver se ofereceu para tomar a vanguarda, ele pegou seu revólver em cima da mesa, e fez um gesto amplo com o braço, como quem diz: "é todo seu, cavalheiro"

Oliver se aproximou da porta, preparado para tudo. Abriu a porta rápida, mas silenciosamente, e entrou naquilo que antes fora a sala de convivência do orfanato. Entrou, e quase tropeçou.

A sala estava enegrecida e com canos gotejando, como todo o resto. Haviam uns restos irreconhecíveis de móveis queimados, que pareciam ter sido empilhados num canto, sem muito cuidado. Dessa forma, o chão daquele cômodo estava razoavelmente desentulhado, apesar de imundo e fedendo, como o resto do edifício. Havia um único bulbo de lâmpada incandescente, pendurado numa fiação solta do teto, balançando ao vento. Era pouca luz, mas comparado à escuridão do resto da construção, era como se o sol brilhasse ali dentro.

Oliver quase havia tropeçado em um sujeito largado no chão, logo depois da porta. Respirava, mas se não fosse esse fato, pareceria um cadáver. O corpo esquálido, pálido e cheio de feridas (algumas purulentas), estava dobrado em posição fetal. Ao lado dele, havia um cachimbo estranho. O rapaz (que não parecia ter mais de 18 anos), murmurava algo sem sentido, seus olhos vidrados virados para Oliver, mas não o vendo, realmente. Sequer tentava afastar as moscas que voavam ao seu redor, pousando em sua pele, seus olhos, entrando em sua boa. Apesar do frio considerável, usava apenas uma cueca velha, que não parecia ser trocada há alguns dias. Sua cabeça descansava sobre uma poça do próprio vômito.

Todavia, não era dali que vinham os sons que o haviam atraído. Estes vinham de um grupo em um canto. Eram três, uma garota e dois rapazes.

A garota devia ter talvez 16 ou 17 anos. Estava recostada no canto do aposento, sentada no chão, e com as costas apoiadas na parede. Magra, loira, com cabelos bem finos e ensebados. Não tinha um aspecto tão esquálido e miserável quando o cara aos pés de Oliver, mas a diferença não era muita. A barriga proeminente indicava claramente que estava grávida, talvez de 7 meses ou mais. Usava um vestido simples e sujo, que não lhe assentava bem, e também uma calcinha, que estava jogada para o lado. O cheiro e o aspecto davam a impressão que tinha defecado nas próprias roupas, há não muito tempo, mas parecia não se dar conta disso. Tinha o mesmo olhar perdido do pobre-diabo próximo da porta, e em sua mão frouxa, largada no chão, segurava um cachimbo também. Ao menos, isso foi o que pôde ser visto sem um exame mais adequado. A visão da moça estava obstruída.

Os outros dois rapazes, destoando do ambiente geral, estavam bem vestidos. Ambos com bermudas novas, e essas camisas de times de futebol americano. Os tênis deviam custar um mês de salário de um operário médio. Um deles era bem alto e magricela, dentuço e com sardas. Este estava de pé. O outro era mais gordo e baixo, com óculos e múltiplas espinhas inflamadas na pele, branco ao ponto de estar avermelhado pelo esforço. Era dele que vinham os gemidos e a respiração ofegante. Estava ajoelhado no chão, segurando as coxas da garota e a penetrando com sofreguidão, enquanto resfolegava como alguém prestes a ter um ataque cardíaco. O suor empapava sua camisa do New York Giants, e criava um fedor que se misturava ao resto do bouquet de aromas do local. A voz sussurrada vinha do outro. Agora mais próximos, os magos puderam ouvir quando ele falou: "Isso, cara! Fode essa vagabunda! FODE ESSA VAGABUNDA!". Ato contínuo, aplicou um chute nas costelas da moça, para continuar sussurrando entre os dentes: "vagabunda... vagabunda... vagabunda...", enquanto se masturbava freneticamente. Seu pênis era fino como um dedo mindinho.

A garota, ao receber o chute, apenas mudou muito momentaneamente sua expressão apática, para uma de dor. Mas isso não durou nem um segundo. Voltou à mesma expressão de antes, como se estivesse muito longe dali.

O pote de lubrificante íntimo, largado no chão, ao lado do gordo, parecia a coisa mais limpa no cômodo.

Naquele canto, onde os três se amontoavam, ficava uma casa de bonecas, conforme Oliver se lembrava.

A última figura presente era um sujeito entre 20 e 30 anos, encostado displicentemente numa parede. Parecia de ascendência latina. Tinha os cabelos longos presos num rabo de cavalo, e trajava jeans, botas, e uma jaqueta de couro. Estava contando dinheiro, aparentemente, e quando a garota foi chutada, apenas se limitou a olhar por um segundo, para depois voltar ao dinheiro. Ao seu lado, no chão, havia um saco plástico, que parecia contar mais alguns daqueles cachimbos, e outras coisas, embrulhadas em pequenos plásticos. Este indivíduo, depois de alguns segundos, pareceu perceber o trio de magos. E levantou os olhos para eles, com uma cara inquisitiva, mas sem falar nada.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Mar 15, 2017 7:06 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Mar 15, 2017 7:06 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qua Mar 15, 2017 7:06 pm

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


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Mensagem por Oliver Gray em Qua Mar 15, 2017 7:07 pm

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Mensagem por The Oracle em Qua Mar 15, 2017 7:07 pm

O membro 'Oliver Gray' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


'D10' : 4
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Mar 15, 2017 7:15 pm

Quando a porta se abriu, e a cena se manifestou diante dos olhos de Dr. Faust West, seus olhos foram diretamente para Oliver - não para Elliot, que não lhe parecia bom o suficiente para reagir por impulso, mas para Oliver, inocente e bondoso Oliver. 

O doutor chegou a arregalar os olhos brevemente, estendendo a mão da maleta para ele, os dedos movendo-se. " - Mate eles e você perde sua irmã." - avisou, em voz baixa, só para o Akasha ouvir.

Mas acrescentou, em voz mais alta: " - E ninguém aqui corre mais rápido que chumbo." - concluiu, olhando para os playboys e para o homem que parecia o traficante. Afinal, ele e Elliot estavam armados. 


Sistema: Manipulação + Subterfuge, dif = FdV do Oliver.
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qua Mar 15, 2017 7:15 pm

O membro 'Dr. Faust West' realizou a seguinte ação: Rolar Dados


'D10' : 7, 6, 5, 8, 9, 6, 3
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Qua Mar 15, 2017 8:13 pm

Quando ouviu o que West disse, tirou Oliver respondeu automaticamente:

-  "Não matar. Pior pra eles".

   No instante seguinte, ele já estava a dois passos do latino, que sacou uma arma e apontou para ele. Foi nessa hora que o mundo parou. Isso sempre acontece com Oliver. A calma de batalha. Muitos guerreiros são movidos em batalha por uma raiva assassina, mas no caso de Oliver é pior. Tudo fica mais lento, os sentimentos são varridos, sejam bons ou ruins. Qualquer pessoa na sala em posição de ver o rosto de Oliver em algum momento vai perceber que, a partir daquele momento, sua expressão raivosa se tornou impassível. Seus movimentos estavam em completa harmonia com o mundo, e não havia mais os cheiros nauseantes, só alvos nauseantes.

   Oliver forçou a mão que segurava a arma para fora com sua mão direita e empurrou o cotovelo do latino para dentro com a esquerda, quebrando seu braço. Quando o aperto sobre a arma afrouxou, ele a tomou da mão dele, segurou-a pelo cano e deu três coronhadas em seu rosto antes de arremessar a arma para longe. Nesse meio tempo, o homem que estava se masturbando se aproximou correndo para socar a nuca de Oliver com toda a força, que, por sua vez, se moveu apenas o necessário para deixar o golpe esmigalhar os dentes do latino. Quando o impulso do ataque fez o homem passar por Oliver, ele usou aquela energia para bater cabeça com cabeça, impelindo seu segundo atacante pela nuca e deixando os dois no chão, atordoados. Foi aí que ele caminhou até o estuprador, que tentava se levantar. Foi a primeira vez que Oliver realmente golpeou alguém até o momento. Na hora que o homem levantou os olhos, Oliver chutou seu queixo com toda força que pode encontrar, tirando o corpo dele brevemente do chão. Com um baque, o terceiro adversário chegou ao solo com o corpo todo mole, desmaiado. 

   Feito isso, ele olhou para West e disse:

- "Você é médico, certo? Tem uma sala cheia de pacientes aqui".
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qua Mar 15, 2017 9:15 pm

Talvez, em algum lugar da ásia, Oliver Gray já houvesse passado por algum restaurante, alguma casa, templo ou museu que tivesse um aquário. Talvez, em um desses aquários, ele houvesse tido a chance de observar os tubarões – aqueles rostos imóveis e flutuantes, os olhos mortos, o deslocamento contínuo, abrindo caminho pela água ou pelo sangue como se fossem exatamente a mesma coisa, como se não houvesse diferença.

Se Oliver houvesse tido o prazer, ele provavelmente pensaria que Faust West tinha a mesma expressão flutuante, morta, achatada e indiferente de um tubarão. Talvez, se acreditasse neste tipo de coisa, diria que ele havia sido um tubarão em alguma encarnação passada. Por que havia sangue ao redor – literal e metafórico; haviam corpos despedaçados, vidas destruídas, e o Faust continuava a nadar, inabalado, inatingido, como um tubarão através do sangue.

Talvez o doutor fosse tão morto quanto as coisas que estudava, e ele só houvesse esquecido de parar de se mexer.

[…]

Quando a porta se abriu e Oliver quase tropeçou, Faust teve a atenção desperta – sabia que não eram pessoas morrendo, mas, então, por que havia um corpo moribundo ali…? Entrou logo após, a arma – uma Glock 9mm padrão, pouco bonita mas bastante funcional – bem segura na mão direita, a mala na esquerda. Ele passou por cima do corpo ferido com a mesma indiferença tranquila que alguém passaria por uma caixa caída no chão…

E então viu a cena, e seus olhos foram diretamente para Oliver - não para Elliot, que não lhe parecia bom o suficiente para reagir por impulso, mas para Oliver, inocente e bondoso Oliver.

O doutor chegou a arregalar os olhos brevemente, estendendo a mão da maleta para ele, os dedos movendo-se. " - Mate eles e você perde sua irmã." - avisou, em voz baixa, só para o Akasha ouvir.

Mas acrescentou, em voz mais alta: " - E ninguém aqui corre mais rápido que chumbo."- concluiu, olhando para os playboys e para o homem que parecia o traficante. Afinal, ele e Elliot estavam armados.


Enquanto falava essas coisas, ele continuava a pensar – quando, em fato, o bom doutor parava de pensar? Todas as possibilidades daquela cena passavam por sua cabeça: das mais óbvias as mais improváveis, e ele chegou até a mesmo a lembrar-se do conto de abertura de um livro de RPG que havia lido em sua adolescência, o Livro de Clã dos Seguidores de Seth. Mas a pior de todas as possibilidades ia lentamente se assentando em seu cérebro: sua teoria estava errada. Sua teoria estava, muito provavelmente, errada. Se Samuel ainda frequentasse aquelas bandas, eles não estaria tão confortáveis, não estariam tão tranquilos, não teriam instalado até mesmo uma lâmpada…

Ou teriam? Ou o “fantasma” seguia apenas um caminho pré-estabelecido, e simplesmente ia para outra sala, e assim… Não, não. Se fosse assim, não teria salvado a mulher. Era outra coisa… Pensou nos recortes de jornais. As pessoas retornavam à própria rotina, mas não seguiam um padrão específico, pré-determinado. Elas voltavam a própria rotina, mas tinham consciência de que não deviam estar ali: pessoas haviam fugido quando foram ser interrogadas sobre seu estado de vida.

O que você faria, se fosse um pastor morto que voltou a vida, e estivesse sendo movido por algo além…? A sala. Eles precisavam descobrir onde eram os aposentos de Samuel. Nitidamente, a situação em frente a eles era um inconveniente.. Mas restava saber como Oliver reagiria. Talvez pudesse tirar algum bem daquilo…

Ou talvez não precisasse: enquanto West pensava, Oliver avançou. Fez West pensar, realmente, naquela frase sobre o bater de asas de borboleta que causam furacões – havia muita tranquilidade naqueles movimentos, mas uma tranquilidade que gerava tempestades. Era interessante de assistir. O Eterita nunca havia visto um praticante do Dô em ação, e não se incomodaria em admitir que aquilo era, de fato, impressionante.

Quando ele parou, e todos estavam caídos, Dr. West franziu o cenho brevemente. A demonstração havia interrompido seu fluxo de pensamento, e por um instante, pareceu sem reação – mas logo respondeu a Oliver: “ - Sou um legista.” – avisou, apenas. Os olhos pousaram sobre o único ainda acordado, o latino que cuspia os próprios dentes e apertava o braço. Seria mais fácil interrogá-lo se estivesse morto, provavelmente.

O doutor suspirou, ligeiramente frustrado – havia tido algumas idéias, como matar os clientes do latino e aproveitar-se do fato de que ele, Elliot e Oliver eram brancos para tentar direcionar a culpa daquilo à algum desentendimento entre gangues, mas não só a história não seria das mais sólidas, como não estava particularmente disposto a ser a mão que limpava a sujeira de um Akasha impulsivo.

“ - Vou procurar os aposentos dele. Vocês são bem vindos para..." - dizia o doutor, enquanto virava-se, enquanto dava as costas para a saída. E então, uma coisa passou por sua cabeça, uma linha de pensamento que ele não havia explorado, e ele interrompeu a frase no meio, os olhos no moribundo ali deitado. Aquele tipo de pessoa... era sempre ignorada. Aquelas pessoas provavelmente estavam ali há muito tempo, provavelmente moravam ali. Se conseguisse trazer elas de volta daquela núvem de drogas, e conseguisse interrogá-las com suas mentes limpas e sãs..


Ele abaixou-se e pegou o cachimbo largado. Meteu o dedo mindinho ali dentro, e aproximou-o do nariz, cheirando-o. Era crack, crystal-meth, ou alguma coisa do gênero. Ele sem dúvida poderia sintetizar um antídoto, mas não ali, sem aparelhos, e nada que pudesse afetá-los de forma tão imediata quanto precisava. Soltou o cachimbo e apertou a base do nariz, pensando. O latino, se conseguisse dizer alguma coisa, diria qualquer coisa que achasse que eles queriam ouvir, de tão apavorado que estava - e o desgraçado não parava de gritar! Tornava pensava muito mais difícil.... Os drogados estavam simplesmente drogados demais, a grávida, se não estivesse drogada, estaria com muita dor e muito traumatizada para dizer alguma coisa. 


Ele poderia chamar uma ambulância, mas conhecia o sistema de saúde o suficiente para saber que ninguém apareceria, e mesmo que aparecessem, a garota provavelmente não conseguiria saber o que havia alucinado do que era informação real, então dificilmente seria útil. 


Ficou ali, pensando, imóvel. 
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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Qua Mar 15, 2017 10:02 pm

Enquanto West avaliava as pessoas e a sala, Oliver Pegou a mulher grávida no colo com toda a delicadeza que pôde reunir:

-  "Eu sei onde ficavam os aposentos dele. Podemos ir para lá daqui a pouco. Antes disso, vou deixar esses dois lá fora, ligar anonimamente para a polícia e fazer uma denúncia para alguém resgatá-los".

  De mãos cheias, ele olhou para Elliot e disse:

- "Pode me ajudar com esse cara aí?".

  Dito isso, Oliver levou a mulher para fora do local, deixando os dois encostados em algum lugar próximo ao orfanato, mas não de frente para ele. Depois, ligou para polícia e informou anonimamente que um jovem e uma garota grávida estava inconscientes e correndo risco de vida, informando por fim um endereço nas proximidades. Oliver não ignoraria pessoas em necessidade. Ele encontraria sua irmã em algum momento, mas precisava desesperadamente ajudar aqueles dois, precisava se manter no presente.

  Após fazer a ligação, Oliver voltou para dentro do orfanato e foi até onde West se encontrava:

- "Pronto. Vamos continuar"?
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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qui Mar 16, 2017 6:45 pm

Elliot foi o último a entrar. Adentrou o salão com revólver na mão, apontando para o traficante, mas não precisou apontar por muito tempo. Quando Oliver começou sua dança de pancadaria, o britânico estava próximo ao Dr. West, murmurando coisas como: "Ouch! Ui! Essa doeu até em mim!", conforme o Akasha ia distribuindo seus golpes. Parecia alguém assistindo a uma boa luta de boxe na TV. Quando tudo terminou, ele olhou para o farrapo humano largado perto da porta, abanou a cabeça negativamente, e deu a volta no rapaz. Ao menos, conseguiu ser um pouco mais humano que West.

Estava acocorado ao lado da garota, olhando-a no rosto, enquanto Oliver e West trocavam aquelas poucas palavras. Pouco depois que os dois terminaram, ele disse, se levantando: "aquele lá perto da porta... não sou médico como Doc West, mas acho que não passa de hoje. E essa aqui tá com as pupilas maiores que um prato. Não vamos tirar nada dela agora. Nos restam esses aí" - disse, gesticulando para o latino e os playboys. Entretanto, seu rosto não tinha mais aquele sorrisinho sarcástico que parecia sempre adorná-lo. Elliot, ainda que parecesse um filho-da-puta, não era completamente indiferente àquele grau de desolação, de desvalorização da vida humana.

O homem de aparência latina se contorcia no chão, cuspia dentes e sangue pela boca, e gritava: "Meu braço! Meu braço, porra! Mas que putaria é essa?!?! Vocês não são polícia! Seus putos! Big Louie vai fudê vocês e suas mães! Espera só ele ficar sabendo disso!". O playboy magrelo estava encolhido num canto, chorando como uma criancinha. O outro parecia que não acordaria tão cedo

Quando Oliver pegou a garota no colo, e pediu ajuda de Elliot com o outro, o Órfão começou a dizer que: "garoto, você sabe que eles amanhã vão voltar correndo pra cá, né? Você não tira o crack de um...", mas subitamente se interrompeu, como se tivesse ouvido algo de repente. Neste mesmo momento, West foi arrancado de seus pensamentos por um bip intermitente, emanado do Google Glass. Nas imagens de realidade aumentada do instrumento, o doutor pôde ver os gráficos indicadores de atividade eterdinâmica rapidamente atingindo picos.

Uma luz azulada lhes chamou a atenção, vinda de um ponto do aposento. Quando olharam para lá. o Profeta Sammuel estava entre eles. A figura do pastor estava de pé, a uns dois metros de West. Ostentava aquela mesma coleção de tiros no tórax que Oliver havia visto em sua visão, mas sua expressão era serena. Era impossível que alguém com tantos ferimentos estivesse de pé, mas ele estava. Apesar da expressão serena, uma lágrima escorria pela face do corista.

- "Eu gostaria de falar... mas há tanta dor... tanta dor... não consigo me concentrar... Que Deus dê forças a vocês, jovens, para tornar este mundo um lugar melhor..." - enquanto falava, andava em direção a Oliver, calmamente, mas sem ter o olhar fixo em qualquer um deles - "tanta dor, tanto sofrimento, tão pouca esperança... as forças que o Pai ainda me concede são poucas, mas te darei o alívio que me for possível, pobre criança perdida."

E nisto, o Profeta colocou sua mão sobre a testa da garota, ainda no colo de Oliver. A moça ainda tinha aquele mesmo olhar perdido, mas quando Sammuel retirou sua mão, os olhos dela se focaram, e sua expressão apática foi substituída por uma de surpresa, e depois, de medo. A garota olhou em volta, olhou para Oliver, olhou para a própria barriga, e então se encolheu em posição fetal nos braços do Akasha, e se pôs a chorar alto, o rosto coberto pelas mãos sujas.

Um novo ferimento pareceu ter se aberto no rosto do pastor, e sangrava. Ele parecia cansado, muito cansado. Suas próximas palavras foram mais fracas que as anteriores.

- "Ele está vindo. O velho bastardo insistente... nunca consigo me manter oculto dele por muito tempo." - dizia isso com um leve sorriso fatigado no rosto. e então, pela primeira vez, ele pareceu realmente olhar para Oliver - "ainda devo lhes falar, jovens, mas não posso permanecer mais. Tenho que sair antes que ele chegue. Vocês me encontrarão novamente. Agora... agora... Maria precisa de mim. Não é a hora dela ainda. Não se eu puder evitar..."

E então, o corista simplesmente desapareceu.

O playboy continuava chorando encolhido, mas o latino tinha olhos imensamente arregalados, e murmurava algo em espanhol, algo que West reconheceu como alguma oração católica (ouvira muito disso em Cuba, quando estudou um pouco de Santeria). Afora isso, e do copioso choro da garota, o local ficara novamente silencioso.

- "Puta... que... o... pariu..." - murmurou Elliot, entre os dentes.

_________________________________________________________________________________

Emma caminhava, resoluta, em direção ao carro. Já fizera a maior parte do percurso (afinal, era uma reta, não havia como errar), quando ouviu uma voz grossa lhe falando, da escuridão de um beco entre dois pequenos prédios de apartamentos:

- "Me dá um trocado preu cumê, dona? Tô cum fome"
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Qui Mar 16, 2017 8:01 pm

Quando a voz veio, Emma meio que se assustou, mas não parou de andar; ela tentava ser uma garota legal na maior parte do tempo, mas não era estúpida, também. Seu olhar foi na direção da escuridão de onde a voz tinha surgido. - Desculpe, mas não tenho dinheiro comigo. - Falou a loira; e era verdade, não tinha o costume de andar com dinheiro, mas achava que precisava começar a tê-lo, já que não vivia mais em uma pequena comunidade.

- Mas meu irmão está me esperando no restaurante. - Mentiu; não gostava de fazê-lo, mas hei, estava sozinha ali, com uma pessoa fazendo questão de se manter no escuro. - Talvez ele possa pagar algo para você. - Ela se lembrava do taxista ter entrado no lugar, talvez ele pudesse fazê-lo e depois Elliot o pagava - Elliot parecia ter bastante dinheiro, afinal - e além do mais, talvez saber que alguém a estivesse esperando, minasse qualquer interesse do sujeito. De qualquer forma, a jovem não parou de andar, ainda que mantivesse leve atenção naquela direção agora.
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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Mar 16, 2017 8:37 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qui Mar 16, 2017 8:37 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qui Mar 16, 2017 8:40 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Qui Mar 16, 2017 8:40 pm

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Re: O Orfanato

Mensagem por Dr. Faust West em Qui Mar 16, 2017 9:11 pm

“ - Samuel.” – decretou Faust, um segundo antes da manifestação real do profeta, em reação as informações éterdinâmicas que o Google Glass lhe mostrava. Era a única conclusão lógica, no fim das contas – e era condizente com uma das possibilidades que estivera trabalhando nos últimos segundos: simplesmente deixar todo mundo ali, na pior situação possível, e esperar a aventual aparição do profeta. A possibilidade havia lhe parecido pequena demais para valer a pena, mas agora…

Ele virou o rosto em direção a luz azulada, e deixou-se preencher pela graça divina – pelo menos fisicamente. Fisicamente, a luz divina de Samuel o estava envolvendo, assim como estava envolvendo Elliot, Oliver, o traficante latino, os dois estupradores, os viciados, as pedras, a parede, a sujeira e os canos retorcidos. Mentalmente, já era outros quinhentos: Faust havia levado pouco mais que uma fração de instante para superar a surpresa e o absurdo da situação, e já havia passado a coletar dados – presença, não presença, materialidade, não materialidade… Ouvir o que o Profeta dizia, anotar mentalmente, e deixar para re-ouvir com atenção depois: o que ele dizia era bem menos importante do que as coisas que seu corpo efetivamente informavam.

Você sabia que 70% da comunicação humana é não verbal?

De qualquer forma, voltemos: a possibilidade que antes parecia impossível era, pelo menos, uma informação a mais. Entenda: os viciados certamente não estavam ali a pouco tempo, e certamente não era a primeira vez que aquela garota era estuprada. Se Samuel estava se manifestando agora para protegê-los, e só agora, não era por causa dos feridos. Havia alguma outra coisa naquela equação, algum outro fator que havia desencadeado aquela reação…

O profeta começa a se mover, e West, aproveitando-se de estar perto, estica-se para frente – apenas o suficiente para tentar tocar-lhe a perna com a mão. A mão o atravessa, como se não estivesse ali. Como dedos no vento. Interessante. Muito, muito, muito interessante.

Devagar, Dr. Faust se levanta, observando, com olhos que sequer pareciam capazes de piscar, enquanto Samuel se aproxima da mulher. Como a toca. Como ele sangra, e como ela deixa de fazê-lo. Viste? Ali estava o fator desencadeante: eles. A mulher estava sendo curada por estar ali, mas não era por ela que ele havia vindo. Ele havia vindo para ter com eles. Havia algo para ser dito, algo para ser avisado… Algo que, talvez, estivesse sendo mostrado apenas por aquelas palavras enigmáticas… Mas a mulher era curada, e Dr. West não demonstra, mas sente-se bem: havia algo naquilo, em presenciar aquela cena, que lhe atiçava uma sensação estranha de esperança, de bem estar. Mais combustível para a fogueira de sua obsessão, sim… Mas ao mesmo tempo… Era possível, o fim da dor. Era possível trazer de volta o que estava perdido. O abismo – o abismo no qual os olhos da garota haviam mergulhado, o abismo das almas e o reino Abismal das coisas perdidas, na Umbra Profunda; o abismo não era, enfim, um destino sem volta.

Garota curada, o doutor voltou os olhos ao profeta. Quem!? Quem estava vindo? - “Quem?!” – exigiu a resposta, em voz alta. Um psychopump falido, que buscava levá-lo pela mortalha? Uma entidade que vinha mantendo os mortos mais vivos do que seria natural, mas que buscava explorá-los de alguma forma? Quem estava vindo, quem?! O sorriso cansado mas bem humorado de Samuel parecia tirar da expressão qualquer aspecto realmente antagônico – uma entidade que te escraviza não gera aquele sorriso fatigado, como o que se dá a uma criança que pede para ouvir a mesma história pela décima quinta vez.

Faust sempre havia achado que teria conseguido contar ótimas histórias para os filhos que teria com Eliza, graças a sua vasta memória. Mas achava que talvez se apegasse a detalhes pequenos demais, e isso as entediasse.

Então, o profeta desaparece, em busca de sua Maria – a mesma Maria que lhe havia rogado por ajuda, enquanto morria… E que não era Maria Madalena, visto que Samuel era, nitidamente, protestante. Ao menos uma entidade – física ou não – estava trabalhando ali.

No espaço de um único segundo, Faust repassou a cena inteira em sua cabeça, os olhos para o chão onde antes havia estado Samuel. Ele havia dito estar perdendo suas forças – aquilo, Dr. Faust West pensava, corroborava sua hípotese de que mais do que apenas uma forma espiritual, o anjo que Oliver havia descrito como sendo tragada por algo no beco podia ser, em fato, uma manifestação do próprio avatar de Samuel. Faust fez uma nota: precisava pesquisar descrições sobre a tempestade de avatares. Outra possibilidade, é claro, é que o Avatar de Samuel estava completamente destruído, mas a mesma força que o mantinha capaz de agir vinha alimentando sua mágica… De alguma forma, por algum motivo… Sendo este o caso, sua ressonância agora seria diferente da ressonância da mágika que havia realizado no beco…

Precisava voltar aquele lugar, analisar aquela quintessência. Mas não tinha as ferramentas! Talvez pudesse pedir à Dr. Max? Mas, mas… a ressonância. A ressonância que havia captado, durante a presença de Samuel – que, até onde ele sabia, nem mesmo precisava ser realmente Samuel, até onde sabiam podia ser um simulacro criado por mágika. Nada impedia que uma força espiritual desconhecida houvesse devorado a alma de Samuel e reproduzisse sua aparência no mundo físico por algum motivo que eles ainda não entendiam. Faust apertou um botão no Google Glass, retrocendo a imagem, observando as linhas – o aparelho de Dr. Max não lhe dava as informações como ele gostava ou como estava acostumado, mas acreditava que conseguiria sintetizar um algoritmo do padrão mágiko-vibracional único àquela manifestação, depois.

Seria importante para conseguir – provavelmente aliado aos trabalhos que via Dr. Max realizando com os portais – discernir se aquele algoritmo tinha algo de similar ao padrão vibraorio de umbróides que, por algum motivo, ficavam presos na película entre os mundos, nem em um lugar, nem no outro.

West parecia querer pensar mais, muito mais – provavelmente não dormiria aquela noite. Mas não tinham tempo. Ele puxou o ar pela narina e, sem hesitar, disparou contra o centro do peito do traficante que rezava. Ele guardou a própria arma e olhou para Elliot, indicando os outros dois ainda vivos com a cabeça. Testemunhas, tecnocracia, toda aquela história. Poderiam deixar o que estava apavorado vivo, ele provavelmente iria a um psiquiatra pelos pais, e eles poderiam tentar discernir se dito psiquiatra possuia laços com a Tecnocracia e baseado na ação/inação deles com relação ao caso inferir se seu comportamento havia mudado na cidade… Mas era um risco desnecessário. E também havia aquele ponto de que West precisava de cobaias, e ali havia uma ampla seleção de corpos em estados variados.

Aproximou-se de Oliver e da garota chorosa. “ - Deixe-me examiná-la, ponha-a no chão.” – pediu, abaixando-se. A vida daquela garota como ela conhecia havia terminado.



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Re: O Orfanato

Mensagem por Oliver Gray em Qui Mar 16, 2017 11:23 pm

Oliver ficou um pouco assombrado com a aparição, que era exatamente igual ao que ele havia contemplado em seu transe. Ficou ainda mais boquiaberto pela capacidade daquilo que seria um espírito, supostamente usando uma magia de cura e recebendo deformações "físicas" como as causadas pelo paradoxo. Quando falou, a aparição olhou diretamente para ele. Será que ele fora reconhecido por Samuel após tantos anos? Não deu tempo sequer de perguntar pela sua irmã. Samuel, sendo aparentemente perseguido por algo ou alguém, fez sua aparição e depois saiu as pressas. Sim, ele ia encontrá-lo novamente, e garantiria que esse encontro não se demorasse, pois ele sabia que, espírito ou não, aquela manifestação era de um homem verdadeiramente bom.


   Diante do pedido de Faust, com delicadeza, Oliver baixou a garota, colocando-a em uma posição confortável e dizendo:

- "Ele é um médico, e dos bons. Após ele comprovar que está tudo legal com você, saímos daqui, ok?". Ele disse essas palavras com o melhor sorriso tranquilizador que pôde conjurar.

  Embora não tenha entendido totalmente a dinâmica de Faust matando o cara após pedir para que ele não fizesse isso, Oliver não se importou. Na verdade, fingiu que não viu. Ele sacou o bloco de notas que havia recebido de Faust e escreveu o nome Big Louie nele. Também pegou as tais seringas que provavelmente eram as drogas que nocautearam a garota e o rapaz caído no chão e colocou na mochila. Pegou também o dinheiro que o latino estava contando. Caso não visse Emma novamente aquela noite, precisaria encontrar um teto para passar a noite e isso custava dinheiro. Ele também pretendia pegar a arma, embora não tivesse um motivo para aquilo, mas a deixou lá após o pedido de Elliot. Enquanto fazia essas coisas, Oliver se tocou que o fantasma foi embora por estar sendo perseguido por algo ou alguém. Se aproximando de Elliot, já que Faust estava ocupado, ele perguntou:


- "Ei, cara, o Samuel parecia estar sendo perseguido por alguém. Devemos esperar mais encontros aqui? Alguém vindo pelo plano material atrás dele? Eu ainda queria dar uma olhada no lugar onde ficava o escritório dele, mas alguém vai precisar levar a garota para a segurança. Que tal pedir para seu amigo no taxi levar os dois a um hospital?".


Última edição por Oliver Gray em Sex Mar 17, 2017 2:02 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Sex Mar 17, 2017 10:58 am

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Re: O Orfanato

Mensagem por The Oracle em Sex Mar 17, 2017 10:58 am

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Re: O Orfanato

Mensagem por Emma Woolf em Sex Mar 17, 2017 12:20 pm

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